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Continua greve de ônibus em Belo Horizonte

MARCELO PORTELA - Agência Estado

12 Março 2012 | 18h 48

Mais de 2 milhões de passageiros foram afetados por uma greve de motoristas e cobradores do transporte coletivo de Belo Horizonte e de outros municípios da região metropolitana da capital mineira, como Betim e Brumadinho, iniciada à 0h de hoje (12). E os transtornos devem continuar ao menos amanhã, já que a greve foi decretada por tempo indeterminado, não foram feitas novas negociações e há um impasse entre patrões e trabalhadores.

A direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte (STTBH) afirma que foi mantida escala mínima de 30% da frota em circulação. Mas, segundo a BHTrans, empresa que gerencia o tráfego e o transporte coletivo na cidade, as estações Vilarinho, Barreiro e Diamante tiveram, respectivamente, 100%, 99% e 95% das viagens previstas descumpridas. Elas sãos os maiores pontos de ligação entre várias linhas. Já nas as estações São Gabriel e Venda Nova houve o cumprimento de 47% e 57% das viagens, respectivamente.

Os trabalhadores reivindicam 49% de reajuste nos salários, folhas de tíquete-alimentação de R$ 15, a instalação de banheiros femininos nos pontos finais e participação nos lucros e resultados (PLR). O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), por sua vez, ofereceu reajuste de 13% no salário dos motoristas e trocadores, com aumento de 20 minutos diários na jornada de trabalho, e de 9% para o pessoal da manutenção e administração; ou aumento de 6% sem alteração na jornada, além de abono de R$ 150 para quem ganha até R$ 1 mil e de R$ 300 para quem recebe acima desse valor.

O Setra-BH afirmou que vai entrar com dissídio de greve no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Segundo sua assessoria, a entidade alega que a paralisação é ilegal porque não houve resposta sobre a última proposta nem comunicação sobre a greve com antecedência de 72 horas. Já a BHTrans informou que notificou os concessionários e que pode puni-los porque é "obrigação de cada um manter reserva técnica suficiente para atender os níveis de serviços e elaborar e implementar esquemas de atendimento emergencial à população".

A greve fez com que o tráfego ficasse complicado na maior parte de Belo Horizonte durante todo o dia devido ao aumento do número de veículos nas ruas. Para piorar a situação, vigilantes também decretaram greve e fizeram passeata pelas ruas do centro da capital. Por causa da paralisação dos rodoviários, passageiros chegaram a esperar até duas horas ou mais por um ônibus. "Cheguei mais de três horas atrasada no trabalho e nem sei se vou conseguir voltar para casa", afirmou, na tarde hoje, a faxineira Maria do Rosário Aragão Silva, de 38 anos.

Quem também teve trabalho com a greve foi a Polícia Militar, que teve que manter homens nas garagens para garantir a saída de coletivos e reforçar o policiamento em vários pontos por causa do tumulto causado pelo acúmulo de passageiros. Segundo a PM, dois trabalhadores foram presos pela manhã porque roubaram as chaves de ônibus e um foi detido porque estaria atirando pedras em coletivos que circulavam.

Outra consequência da greve foi a perda de faturamento para comerciantes. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o prejuízo pode chegar a cerca de R$ 15 milhões. "Muitos comerciantes tiveram a equipe reduzida, alguns nem puderam abrir as portas, já que os funcionários não conseguiram chegar ao local de trabalho", afirmou o presidente da entidade, Bruno Falci.