Maconha pode aumentar a chance de desenvolver psicose

Análise de vários estudos aponta um risco maior de problemas mentais em usuários da droga

Associated Press,

26 Julho 2007 | 20h02

O uso de maconha pode elevar a chance de uma pessoa se tornar psicótica em até 40%, informam pesquisadores em uma análise de estudos anteriores que sugere que a droga não é tão inofensiva quando se acredita.   Uma corrente de médicos suspeita há tempos de uma conexão, enfatizando a necessidade de avaliar os riscos de longo prazo da maconha. A pesquisa será publicada na edição desta sexta-feira, 27, da revista médica britânica The Lancet.   "A evidência disponível agora sugere que a cannabis não é tão inofensiva quanto muita gente pensa", disse Stanley Zammit, um dos autores do trabalho e professor de Medicina Psicológica da Universidade de Cardiff.   A despeito disso, os autores do estudo afirmam que não foi possível ligar a cannabis, em si, ao risco elevado de psicose.   "Não podemos garantir que a cannabis é responsável, porque poderia haver alguma outra coisa sobre os usuários, como a tendência a usar outras drogas ou certas características de personalidade, que poderiam estar causando as psicoses", disse Zammit.   A maconha é a substância ilícita mais usada em muitos países.   Zammit e colegas de outras instituições britânicas examinaram 35 estudos que rastrearam dezenas de milhares de pessoas por períodos de um ano a 27 anos, para examinar o impacto da maconha na saúde mental. Eles procuraram doenças psicóticas como esquizofrenia, bem como distúrbios cognitivos como alucinações e delírios, distúrbio bipolar, depressão, ansiedade, neuroses e tendências suicidas.   O trabalho mostra que as pessoas que usavam maconha tinham uma chance aproximadamente 40% maior de desenvolver um distúrbio psicótico mais adiante na vida. Mas o risco continua baixo: a chance básica de desenvolver esquizofrenia, para a maioria das pessoas, é de menos de 1%.   A prevalência de esquizofrenia é estimada em cinco pessoas a cada mil.   Pessoas caracterizadas como "usuários pesados", que usavam a droga numa base diária ou semanal, têm um prognóstico mais preocupante: o risco salta entre 50% e 200%.   O estudo da Lancet é "a mais ampla meta-análise já feita de uma possível relação causal entre o uso de cannabis e doenças afetivas mais à frente na vida", escrevem Merete Nordentoft e Carsten Hjorthoj, do Hospital Universitário de Copenhague, em um comentário que acompanha o artigo. "É preciso advertir o público desses perigos".   Embora não seja possível afirmar categoricamente que a maconha causa a psicose, cientistas crêem que o fenômeno é uma possibilidade biológica. A maconha interrompe importantes neurotransmissores, como a dopamina, e assim interfere na comunicação dentro do cérebro.

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