Terceiro mandato de Lula seria 'erro gravíssimo', diz Dirceu

Em entrevista para jornal português, ex-ministro volta a dizer que 'mensalão nunca existiu'

Jair Rattner, BBC

06 Dezembro 2007 | 12h35

O ex-ministro José Dirceu afirmou, em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal português Diário de Notícias, que um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um erro político gravíssimo. Para Dirceu o terceiro mandato presidencial não seria inconstitucional, lembrando que a aprovação do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ocorreu um ano antes do final do primeiro mandato - mas "seria um erro político gravíssimo". Na sua opinião, o Brasil precisa de reforma política e não do terceiro mandato. Em entrevista publicada nas duas páginas centrais do jornal, Dirceu também disse o mensalão nunca existiu. Dirceu afirmou que o mensalão foi uma maneira de atingir o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores, contando que até agora foi inocentado de tudo no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, o que existiu foi financiamento ilegal das campanhas e caixa dois. Dirceu diz que o PT não saiu enfraquecido do escândalo, já que o partido é hoje o mais votado no país. Ele considera que o caso foi uma forma de tirá-lo do poder e culpa parte da oposição e os "meios de comunicação conservadores". Dirceu atribui a acusação contra ele ao medo de "certos setores" de que ele fosse candidato a presidente do Brasil. Dirceu contou que ainda mantém contatos com o presidente Lula, com quem tem "uma relação de companheiro de lutas, de um amigo". A entrevista foi feita quando Dirceu esteve em Portugal a caminho de Angola, onde está com trabalhos de consultoria para empresas brasileiras nas áreas de infra-estrutura, energia e turismo. Ele não quis revelar o nome das empresas, porque "na primeira vez em que dei o nome, fizeram uma campanha para a empresa romper o contrato comigo e eu perdi o contrato". José Dirceu foi chefe da Casa Civil durante o primeiro mandato do presidente Lula, mas deixou o governo e teve seu mandato de deputado federal cassado em 2005 devido à CPI do Mensalão. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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