Crianças de origem sul-asiática dominam 'Soletrando' dos EUA


Desempenho destaca tema de envolvimento da família na educação dos filhos.

Por Ashish Kumar Sen

Um concurso nacional de soletrar realizado nos Estados Unidos teve como destaque neste ano crianças de origem sul-asiática. As crianças, que são descendentes de habitantes do Sul da Ásia nascidos nos Estados Unidos, venceram grande parte das dez primeiras colocações do concurso National Spelling Bee, para o qual estudantes de todo o país se preparam durante meses. Desta vez, Sameer Mishra, de 13 anos, levou para casa o prêmio de US$ 40 mil (quase R$ 70 mil). Outras crianças de origem asiática também ficaram entre os dez finalistas: Sidharth Chand (12 anos, 2º lugar), Kavya Shivashankar (12 anos, 4º lugar) e Jahnavi Iyer (13 anos, 8º lugar). Já Sriam Hathwar, um nova-iorquino de oito anos, fez história ao se tornar o mais jovem competidor a participar da disputa. Apoio familiar O Spelling Bee é um concurso muito disputado nos Estados Unicos. Antes de chegar à fase final, os competidores precisam vencer as etapas regionais. Ao longo dos anos, as crianças de origem sul-asiática sempre tiveram desempenhos muito bons na disputa, e há quem ofereça explicações para o fato de que hoje elas dominam o concurso. Um dos jurados do Spelling Bee, Balu Natarajan (que venceu a edição de 1985 do concurso), diz que existe um traço comum entre quase todos os vencedores, independentemente da etnia: o envolvimento e o apoio da família. "Este não é um concurso em que as crianças vencem se preparando sozinhas", diz Natarajan. "Acho que muitas famílias sul-asiáticas estão dispostas a fornecer esse tipo de apoio." No caso dele, os familiares o ajudaram buscando listas de palavras, definições e regras de pronúncia. Chegaram a tirar dias de folga para ajudá-lo e testar o aprendizado do rapaz. História semelhante é a de Sameer Mishra, vencedor de 2008, cujos pais há sete anos deixam a casa em Indiana para apoiar os filhos no concurso realizado em Washington. Nos últimos anos, com o apoio da família, Sameer passou vários dias estudando o dicionário Webster dividido em 26 livros, um para cada letra. A filha mais velha dos Mishra, Shruti, foi a primeira da família a participar do Spelling Bee. O sucesso rendeu bolsas de estudo em universidades de ponta. 'Celebridade' Além da perspectiva de uma bolsa de estudos, o pai de Sameer, Krishna Mishra, diz que a família se sentia atraída pelo glamour do tapete vermelho estendido para os vencedores e seus parentes. "Neste país, caminhar sobre o tapete vermelho é como ser uma celebridade", afirmou o indiano, que deixou Nova Déli há 15 anos. "A mãe de Sammer queria que ele nos levasse naquele tapete, exatamente como as celebridades." Inspirado pelo sucesso das crianças sul-asiáticas nos concursos de soletrar, o presidente de uma grande empresa de Nova Jersey, ele próprio da mesma origem, criou o Spelling Bee para sul-asiáticos. "Queríamos dar às crianças sul-asiáticas uma plataforma dentro da comunidade para que elas possam demonstrar excelência", disse Rahul Walia, presidente da Touchdown Media. Para Walia, o sucesso das crianças com esta bagagem cultural está nas origens. "Nossos pais tendem a se concentrar mais na educação das crianças", afirma. "Participar em uma competição deste tipo é visto como uma oportunidade para melhorar estas habilidades." O hoje jurado Natarajan acrescenta que o Spelling Bee deu a ele "confiança para conseguir as coisas e se envolver de corpo e alma", ensinando, ao mesmo tempo, que "fracassos são necessários antes do sucesso". "No fim das contas, eu tive de participar do Spelling Bee de 1983 e 1984, antes de vencer em 1985", afirmou. "Estas crianças são definitivamente inteligentes." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Um concurso nacional de soletrar realizado nos Estados Unidos teve como destaque neste ano crianças de origem sul-asiática. As crianças, que são descendentes de habitantes do Sul da Ásia nascidos nos Estados Unidos, venceram grande parte das dez primeiras colocações do concurso National Spelling Bee, para o qual estudantes de todo o país se preparam durante meses. Desta vez, Sameer Mishra, de 13 anos, levou para casa o prêmio de US$ 40 mil (quase R$ 70 mil). Outras crianças de origem asiática também ficaram entre os dez finalistas: Sidharth Chand (12 anos, 2º lugar), Kavya Shivashankar (12 anos, 4º lugar) e Jahnavi Iyer (13 anos, 8º lugar). Já Sriam Hathwar, um nova-iorquino de oito anos, fez história ao se tornar o mais jovem competidor a participar da disputa. Apoio familiar O Spelling Bee é um concurso muito disputado nos Estados Unicos. Antes de chegar à fase final, os competidores precisam vencer as etapas regionais. Ao longo dos anos, as crianças de origem sul-asiática sempre tiveram desempenhos muito bons na disputa, e há quem ofereça explicações para o fato de que hoje elas dominam o concurso. Um dos jurados do Spelling Bee, Balu Natarajan (que venceu a edição de 1985 do concurso), diz que existe um traço comum entre quase todos os vencedores, independentemente da etnia: o envolvimento e o apoio da família. "Este não é um concurso em que as crianças vencem se preparando sozinhas", diz Natarajan. "Acho que muitas famílias sul-asiáticas estão dispostas a fornecer esse tipo de apoio." No caso dele, os familiares o ajudaram buscando listas de palavras, definições e regras de pronúncia. Chegaram a tirar dias de folga para ajudá-lo e testar o aprendizado do rapaz. História semelhante é a de Sameer Mishra, vencedor de 2008, cujos pais há sete anos deixam a casa em Indiana para apoiar os filhos no concurso realizado em Washington. Nos últimos anos, com o apoio da família, Sameer passou vários dias estudando o dicionário Webster dividido em 26 livros, um para cada letra. A filha mais velha dos Mishra, Shruti, foi a primeira da família a participar do Spelling Bee. O sucesso rendeu bolsas de estudo em universidades de ponta. 'Celebridade' Além da perspectiva de uma bolsa de estudos, o pai de Sameer, Krishna Mishra, diz que a família se sentia atraída pelo glamour do tapete vermelho estendido para os vencedores e seus parentes. "Neste país, caminhar sobre o tapete vermelho é como ser uma celebridade", afirmou o indiano, que deixou Nova Déli há 15 anos. "A mãe de Sammer queria que ele nos levasse naquele tapete, exatamente como as celebridades." Inspirado pelo sucesso das crianças sul-asiáticas nos concursos de soletrar, o presidente de uma grande empresa de Nova Jersey, ele próprio da mesma origem, criou o Spelling Bee para sul-asiáticos. "Queríamos dar às crianças sul-asiáticas uma plataforma dentro da comunidade para que elas possam demonstrar excelência", disse Rahul Walia, presidente da Touchdown Media. Para Walia, o sucesso das crianças com esta bagagem cultural está nas origens. "Nossos pais tendem a se concentrar mais na educação das crianças", afirma. "Participar em uma competição deste tipo é visto como uma oportunidade para melhorar estas habilidades." O hoje jurado Natarajan acrescenta que o Spelling Bee deu a ele "confiança para conseguir as coisas e se envolver de corpo e alma", ensinando, ao mesmo tempo, que "fracassos são necessários antes do sucesso". "No fim das contas, eu tive de participar do Spelling Bee de 1983 e 1984, antes de vencer em 1985", afirmou. "Estas crianças são definitivamente inteligentes." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Um concurso nacional de soletrar realizado nos Estados Unidos teve como destaque neste ano crianças de origem sul-asiática. As crianças, que são descendentes de habitantes do Sul da Ásia nascidos nos Estados Unidos, venceram grande parte das dez primeiras colocações do concurso National Spelling Bee, para o qual estudantes de todo o país se preparam durante meses. Desta vez, Sameer Mishra, de 13 anos, levou para casa o prêmio de US$ 40 mil (quase R$ 70 mil). Outras crianças de origem asiática também ficaram entre os dez finalistas: Sidharth Chand (12 anos, 2º lugar), Kavya Shivashankar (12 anos, 4º lugar) e Jahnavi Iyer (13 anos, 8º lugar). Já Sriam Hathwar, um nova-iorquino de oito anos, fez história ao se tornar o mais jovem competidor a participar da disputa. Apoio familiar O Spelling Bee é um concurso muito disputado nos Estados Unicos. Antes de chegar à fase final, os competidores precisam vencer as etapas regionais. Ao longo dos anos, as crianças de origem sul-asiática sempre tiveram desempenhos muito bons na disputa, e há quem ofereça explicações para o fato de que hoje elas dominam o concurso. Um dos jurados do Spelling Bee, Balu Natarajan (que venceu a edição de 1985 do concurso), diz que existe um traço comum entre quase todos os vencedores, independentemente da etnia: o envolvimento e o apoio da família. "Este não é um concurso em que as crianças vencem se preparando sozinhas", diz Natarajan. "Acho que muitas famílias sul-asiáticas estão dispostas a fornecer esse tipo de apoio." No caso dele, os familiares o ajudaram buscando listas de palavras, definições e regras de pronúncia. Chegaram a tirar dias de folga para ajudá-lo e testar o aprendizado do rapaz. História semelhante é a de Sameer Mishra, vencedor de 2008, cujos pais há sete anos deixam a casa em Indiana para apoiar os filhos no concurso realizado em Washington. Nos últimos anos, com o apoio da família, Sameer passou vários dias estudando o dicionário Webster dividido em 26 livros, um para cada letra. A filha mais velha dos Mishra, Shruti, foi a primeira da família a participar do Spelling Bee. O sucesso rendeu bolsas de estudo em universidades de ponta. 'Celebridade' Além da perspectiva de uma bolsa de estudos, o pai de Sameer, Krishna Mishra, diz que a família se sentia atraída pelo glamour do tapete vermelho estendido para os vencedores e seus parentes. "Neste país, caminhar sobre o tapete vermelho é como ser uma celebridade", afirmou o indiano, que deixou Nova Déli há 15 anos. "A mãe de Sammer queria que ele nos levasse naquele tapete, exatamente como as celebridades." Inspirado pelo sucesso das crianças sul-asiáticas nos concursos de soletrar, o presidente de uma grande empresa de Nova Jersey, ele próprio da mesma origem, criou o Spelling Bee para sul-asiáticos. "Queríamos dar às crianças sul-asiáticas uma plataforma dentro da comunidade para que elas possam demonstrar excelência", disse Rahul Walia, presidente da Touchdown Media. Para Walia, o sucesso das crianças com esta bagagem cultural está nas origens. "Nossos pais tendem a se concentrar mais na educação das crianças", afirma. "Participar em uma competição deste tipo é visto como uma oportunidade para melhorar estas habilidades." O hoje jurado Natarajan acrescenta que o Spelling Bee deu a ele "confiança para conseguir as coisas e se envolver de corpo e alma", ensinando, ao mesmo tempo, que "fracassos são necessários antes do sucesso". "No fim das contas, eu tive de participar do Spelling Bee de 1983 e 1984, antes de vencer em 1985", afirmou. "Estas crianças são definitivamente inteligentes." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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