O que é o ‘efeito balão’, que fez o Comando Vermelho expandir domínio de território no Rio


Estudo da UFF mostra expansão da facção criminosa em regiões do Estado

Por Rayanderson Guerra
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Conforme o ativista Raull Santiago, ao menos 50 corpos foram retirados por moradores da região de mata do Complexo da Penha durante a madrugada

RIO – “Não podemos afirmar que não há mais tráfico na Cidade de Deus”. A declaração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, durante a implantação de uma das primeiras Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), era o prenúncio de que as facções criminosas não deixariam os territórios conquistados há décadas no Rio de Janeiro. Pelo contrário, Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e as milícias expandiram a presença no Estado durante o programa de polícia de proximidade.

É o que mostra a pesquisa “Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro”, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e o Instituto Fogo Cruzado.

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O ex-governador da cidade do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, inaugura UPP no Rio Foto: WILTON JUNIOR

Produzida desde 2018, a pesquisa mostra que o Comando Vermelho ampliou a presença em territórios do Rio de Janeiro durante o período de implantação das UPPs, entre 2008 e 2015, provavelmente pelo “efeito balão”, segundo o estudo.

A presença da Polícia Militar nas favelas ocupadas estimulou parte dos integrantes do Comando Vermelho a se instalarem em outras regiões da região metropolitana do Rio de Janeiro – sobretudo na Baixada e Leste Fluminense – segundo a pesquisa.

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A migração dos traficantes buscaram evitar o confronto policial em seus territórios de origem, ao mesmo tempo em que as áreas ocupadas foram mantidas ainda sob controle do grupo.

O sociólogo Daniel Hirata, professor do Departamento de Sociologia e Metodologia das Ciências Sociais da UFF e coordenador do Geni, que apesar da expansão das facções durante a implantação das UPPs ser um efeito não intencional, a política de segurança influenciou diretamente na expansão dos grupos para o interior do Estado.

“As UPPs tiveram um impacto para expansão do comando vermelho bastante importante. Elas não tinham exatamente um planejamento metropolitano, pensar o conjunto da região metropolitana do Rio. E mesmo do interior. Das 40 UPPs que chegamos a ter no Rio, 39 eram em áreas do Comando Vermelho. Isso fez com que não só lideranças, mas outros membros dessa organização se deslocassem para outros locais”, disse.

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O Morro da Coroa foi invadido em maio por traficantes do Comando Vermelho, facção que já dominava o vizinho Morro do Fallet, também em Santa Teresa, na região central do Rio Foto: Wilton Júnior/Estadão

Hoje, cerca de 4 milhões de moradores — 34,9% da população — vivem submetidos a regras impostas por facções e milícias. Em 2007, eram 2,5 milhões de pessoas nessas condições.

A “grande expansão”, entre 2016 e 2020, dos grupos criminosos foi resultado de um contexto que conjugou “oportunidades nos mercados de terras e ampliação de serviços de infraestrutura urbana, favorecida pelos investimentos associados aos megaeventos, como também de maior disfuncionalidade estatal, o desmantelamento das UPP’s e do sistema de metas, além da desastrosa intervenção federal na segurança pública”, diz o estudo.

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Segundo Hirata, o desmantelamento das UPPs e o sucateamento das políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro também ampliaram o acesso das facções à regiões do Estado.

“O desmantelamento das UPPs entra no um contexto mais amplo de desmontagem do próprio Estado do Rio de Janeiro. O Estado do Rio entra em falência em 2015 e tem um detalhe importante que é o sistema de metas também. É um sistema de bonificação que praticamente dobrava o salário dos policiais naquele período. Os policiais passam a não receber nem os salários, muito menos bonificações”, explica.

“Para o caso das facções do tráfico de drogas, o impacto das UPP’s, com seu conhecido “efeito balão” – a interiorização causada pela migração de traficantes –, foi talvez um impulsionador da expansão do controle territorial e populacional para a Baixada e o Leste Fluminense, mas deve ser notado que o crescimento desse tipo de organização é contínuo em toda a série de 18 anos considerada", diz o estudo.

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RIO – “Não podemos afirmar que não há mais tráfico na Cidade de Deus”. A declaração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, durante a implantação de uma das primeiras Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), era o prenúncio de que as facções criminosas não deixariam os territórios conquistados há décadas no Rio de Janeiro. Pelo contrário, Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e as milícias expandiram a presença no Estado durante o programa de polícia de proximidade.

É o que mostra a pesquisa “Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro”, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e o Instituto Fogo Cruzado.

O ex-governador da cidade do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, inaugura UPP no Rio Foto: WILTON JUNIOR

Produzida desde 2018, a pesquisa mostra que o Comando Vermelho ampliou a presença em territórios do Rio de Janeiro durante o período de implantação das UPPs, entre 2008 e 2015, provavelmente pelo “efeito balão”, segundo o estudo.

A presença da Polícia Militar nas favelas ocupadas estimulou parte dos integrantes do Comando Vermelho a se instalarem em outras regiões da região metropolitana do Rio de Janeiro – sobretudo na Baixada e Leste Fluminense – segundo a pesquisa.

A migração dos traficantes buscaram evitar o confronto policial em seus territórios de origem, ao mesmo tempo em que as áreas ocupadas foram mantidas ainda sob controle do grupo.

O sociólogo Daniel Hirata, professor do Departamento de Sociologia e Metodologia das Ciências Sociais da UFF e coordenador do Geni, que apesar da expansão das facções durante a implantação das UPPs ser um efeito não intencional, a política de segurança influenciou diretamente na expansão dos grupos para o interior do Estado.

“As UPPs tiveram um impacto para expansão do comando vermelho bastante importante. Elas não tinham exatamente um planejamento metropolitano, pensar o conjunto da região metropolitana do Rio. E mesmo do interior. Das 40 UPPs que chegamos a ter no Rio, 39 eram em áreas do Comando Vermelho. Isso fez com que não só lideranças, mas outros membros dessa organização se deslocassem para outros locais”, disse.

O Morro da Coroa foi invadido em maio por traficantes do Comando Vermelho, facção que já dominava o vizinho Morro do Fallet, também em Santa Teresa, na região central do Rio Foto: Wilton Júnior/Estadão

Hoje, cerca de 4 milhões de moradores — 34,9% da população — vivem submetidos a regras impostas por facções e milícias. Em 2007, eram 2,5 milhões de pessoas nessas condições.

A “grande expansão”, entre 2016 e 2020, dos grupos criminosos foi resultado de um contexto que conjugou “oportunidades nos mercados de terras e ampliação de serviços de infraestrutura urbana, favorecida pelos investimentos associados aos megaeventos, como também de maior disfuncionalidade estatal, o desmantelamento das UPP’s e do sistema de metas, além da desastrosa intervenção federal na segurança pública”, diz o estudo.

Segundo Hirata, o desmantelamento das UPPs e o sucateamento das políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro também ampliaram o acesso das facções à regiões do Estado.

“O desmantelamento das UPPs entra no um contexto mais amplo de desmontagem do próprio Estado do Rio de Janeiro. O Estado do Rio entra em falência em 2015 e tem um detalhe importante que é o sistema de metas também. É um sistema de bonificação que praticamente dobrava o salário dos policiais naquele período. Os policiais passam a não receber nem os salários, muito menos bonificações”, explica.

“Para o caso das facções do tráfico de drogas, o impacto das UPP’s, com seu conhecido “efeito balão” – a interiorização causada pela migração de traficantes –, foi talvez um impulsionador da expansão do controle territorial e populacional para a Baixada e o Leste Fluminense, mas deve ser notado que o crescimento desse tipo de organização é contínuo em toda a série de 18 anos considerada", diz o estudo.

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Conforme o ativista Raull Santiago, ao menos 50 corpos foram retirados por moradores da região de mata do Complexo da Penha durante a madrugada

RIO – “Não podemos afirmar que não há mais tráfico na Cidade de Deus”. A declaração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, durante a implantação de uma das primeiras Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), era o prenúncio de que as facções criminosas não deixariam os territórios conquistados há décadas no Rio de Janeiro. Pelo contrário, Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e as milícias expandiram a presença no Estado durante o programa de polícia de proximidade.

É o que mostra a pesquisa “Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro”, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e o Instituto Fogo Cruzado.

O ex-governador da cidade do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, inaugura UPP no Rio Foto: WILTON JUNIOR

Produzida desde 2018, a pesquisa mostra que o Comando Vermelho ampliou a presença em territórios do Rio de Janeiro durante o período de implantação das UPPs, entre 2008 e 2015, provavelmente pelo “efeito balão”, segundo o estudo.

A presença da Polícia Militar nas favelas ocupadas estimulou parte dos integrantes do Comando Vermelho a se instalarem em outras regiões da região metropolitana do Rio de Janeiro – sobretudo na Baixada e Leste Fluminense – segundo a pesquisa.

A migração dos traficantes buscaram evitar o confronto policial em seus territórios de origem, ao mesmo tempo em que as áreas ocupadas foram mantidas ainda sob controle do grupo.

O sociólogo Daniel Hirata, professor do Departamento de Sociologia e Metodologia das Ciências Sociais da UFF e coordenador do Geni, que apesar da expansão das facções durante a implantação das UPPs ser um efeito não intencional, a política de segurança influenciou diretamente na expansão dos grupos para o interior do Estado.

“As UPPs tiveram um impacto para expansão do comando vermelho bastante importante. Elas não tinham exatamente um planejamento metropolitano, pensar o conjunto da região metropolitana do Rio. E mesmo do interior. Das 40 UPPs que chegamos a ter no Rio, 39 eram em áreas do Comando Vermelho. Isso fez com que não só lideranças, mas outros membros dessa organização se deslocassem para outros locais”, disse.

O Morro da Coroa foi invadido em maio por traficantes do Comando Vermelho, facção que já dominava o vizinho Morro do Fallet, também em Santa Teresa, na região central do Rio Foto: Wilton Júnior/Estadão

Hoje, cerca de 4 milhões de moradores — 34,9% da população — vivem submetidos a regras impostas por facções e milícias. Em 2007, eram 2,5 milhões de pessoas nessas condições.

A “grande expansão”, entre 2016 e 2020, dos grupos criminosos foi resultado de um contexto que conjugou “oportunidades nos mercados de terras e ampliação de serviços de infraestrutura urbana, favorecida pelos investimentos associados aos megaeventos, como também de maior disfuncionalidade estatal, o desmantelamento das UPP’s e do sistema de metas, além da desastrosa intervenção federal na segurança pública”, diz o estudo.

Segundo Hirata, o desmantelamento das UPPs e o sucateamento das políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro também ampliaram o acesso das facções à regiões do Estado.

“O desmantelamento das UPPs entra no um contexto mais amplo de desmontagem do próprio Estado do Rio de Janeiro. O Estado do Rio entra em falência em 2015 e tem um detalhe importante que é o sistema de metas também. É um sistema de bonificação que praticamente dobrava o salário dos policiais naquele período. Os policiais passam a não receber nem os salários, muito menos bonificações”, explica.

“Para o caso das facções do tráfico de drogas, o impacto das UPP’s, com seu conhecido “efeito balão” – a interiorização causada pela migração de traficantes –, foi talvez um impulsionador da expansão do controle territorial e populacional para a Baixada e o Leste Fluminense, mas deve ser notado que o crescimento desse tipo de organização é contínuo em toda a série de 18 anos considerada", diz o estudo.

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