Papa Leão XIV era chamado de ‘santo do Norte’ no Peru, arrumou oxigênio na pandemia e ama ceviche


Nascido nos EUA, Prevost teve a maior parte da sua trajetória religiosa no Peru; em discurso na Praça São Pedro, lembrou de Chiclayo, onde foi bispo

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Prefeito do Dicastério para os Bispos, ele é o primeiro pontífice norte-americano e foi missionário no Peru

O papa Leão XIV, Robert Prevost, nasceu nos Estados Unidos, mas é no Peru, onde passou a maior parte da sua vida religiosa, onde os fiéis colecionam relatos sobre sua atuação com os fiéis. No país andino, onde ele chegou em 1985, ele é conhecido como o missionário santo que atravessou a lama depois que chuvas torrenciais inundaram a região, levando ajuda aos necessitados, e como o bispo que liderou a compra salvadora de plantas de produção de oxigênio na pandemia de covid-19.

Durante o período em que morou no Peru, o novo papa tinha o hábito de fazer passeios a cavalo. Foto: @robert.prevost.9638 via Facebook
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“Ele se esforçou tanto em buscar ajuda que conseguiu não só para uma planta, mas para duas plantas de oxigênio”, disse Janinna Sesa, que conheceu Prevost enquanto trabalhava para a organização sem fins lucrativos Caritas da igreja no Peru.

A Diocese de Chiclayo, onde ele atuou como bispo até ser designado para um cargo no Vaticano, também compartilhou vídeo nas redes sociais em que Prevost sai nas ruas vazias da cidade, usando máscara, para distribuir bençãos durante a crise sanitária.

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“Ele não tinha problemas em consertar uma caminhonete estragada até fazê-la funcionar”, também lembrou, destacando seu interesse por automotivos.

Quando se mudou para o Peru para atuar como missionário, se apaixonou pelo país e pelo ceviche, contou Edison Farfán, hoje bispo de Chiclayo. “Gosta muito do ceviche (prato mais famoso da culinária peruana), do cabrito e do arroz com pato”, disse ele, destacando também a sensibilidade do novo pontífice ao tema da pobreza.

Os sinos da catedral de Lima soaram após o anúncio da eleição de Prevost. “Para nós, peruanos, é um orgulho que este seja um papa que representa nosso país”, disse a professora primária Isabel Panez, que estava no local. “Gostaríamos que ele nos visitasse aqui no Peru”.

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De Chicago a Chiclayo

O argentino papa Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, claramente viu algo em Prevost desde o início. Primeiro, enviou-o a Chiclayo em 2014, depois o levou ao Vaticano em 2023 como o poderoso chefe do escritório que avalia as nomeações de bispos, um dos trabalhos mais importantes na Igreja Católica.

Prevost, de 69 anos, teve de superar o tabu contra um papa americano, dado o poder geopolítico que os Estados Unidos já exerce na esfera secular. O nativo de Chicago também é cidadão peruano desde 2015.

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Evocou sua vasta experiência missionária em suas primeiras declarações públicas como papa, falando em italiano, depois mudando para o espanhol, e sem dizer uma palavra em inglês enquanto se dirigia à multidão que lotou a Praça de São Pedro após o anúncio da fumaça branca nesta quinta-feira, 8. Também agradeceu nominalmente a Chiclayo.

“Juntos, devemos tentar descobrir como ser uma igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, dialoga, que está sempre aberta a receber —como nesta praça com os braços abertos— para poder receber todos aqueles que precisam de nossa caridade, nossa presença, diálogo e amor”, disse Leão XIV.

O novo papa teve uma proeminência ao entrar no conclave que poucos outros cardeais têm. Foi eleito duas vezes prior geral, ou máxima autoridade, dos Agostinhos, a ordem religiosa do século XIII fundada por São Agostinho.

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Em 2023, Francisco também o colocou na presidência da Comissão Pontifícia para a América Latina. Nesse cargo, manteve contato regular com a hierarquia católica na parte do mundo que conta com mais católicos e presumivelmente foi crucial para sua eleição na quinta-feira.

O reverendo Alexander Lam, frade agostinho do Peru que conhece o novo papa, notou que ele era amado no Peru por sua proximidade com seu povo, especialmente com os pobres. Disse que era defensor dos temas de justiça social e gestão ambiental.

“Até os bispos do Peru o chamavam de ‘o Santo do Norte’ e ele tinha tempo para todos”, comentou Lam em entrevista à agência de notícias AP em Roma. “Era a pessoa que encontravam pelo caminho, era esse bispo”.

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Disse que, quando Francisco viajou ao Peru em 2018, Prevost acampou com seu rebanho no chão durante a vigília antes da missa de Francisco. “Esse estilo tem Roberto, essa proximidade, essa busca, que talvez não sejam grandes instituições, mas se mostra nesses gestos humanos”, apontou.

Desde a sua chegada a Roma, Prevost manteve um perfil público mais reservado, mas era bem conhecido por homens influentes.

Significativamente, presidiu uma das reformas mais revolucionárias feitas por Francisco, quando adicionou três mulheres ao bloco de votação que decide quais nomeações de bispos são enviadas ao papa.

Por outro lado, já declarou que permitir o sacerdócio feminino não resolve, necessariamente, os problemas da Igreja Católica. “Algo que também precisa ser dito é que ordenar mulheres – e algumas mulheres disseram isto de modo muito interessante – ‘clericalizar mulheres’ não resolve necessariamente um problema, pode criar um novo problema”

Também expressou no passado visões menos acolhedoras do que as de Francisco sobre a comunidade LGBT+ e, como bispo em Chiclayo se opôs a um plano do governo local para incluir ensinamentos sobre gênero nas escolas.

Críticas sobre suposta omissão em caso de abuso

Prevost estava entre os seis cardeais “papáveis” que foram acusados, em março, de negligência nas respostas a denúncias de abuso na Igreja Católica pela Rede de Sobreviventes de Abusos por Padres (Snap). A organização se referia às acusações de abusos supostamente cometidos pelo padre Eleuterio Vásquez Gonzáles contra três menores de idade. A diocese negou ter se omitido e disse que investigou as denúncias.

A Compañia Peruana de Radiodifusión chegou a publicar nota em que alega que sua equipe foi pessoalmente à diocese falar sobre as denúncias com o então bispo Prevost, em 2022. “Não se realizou nenhum ato de investigação”, alegou na nota. Posteriormente, o caso foi arquivado na esfera criminal.

Já a Diocese de Chiclayo afirmou que um dos sacerdotes acusados foi retirado da paróquia onde atuava e que abriu investigação. “As acusações apresentadas contra o sacerdote acusado não foram suficientemente provadas”, acrescentou. Posteriormente, após novas denúncias na imprensa, disse ter reaberto o caso.

Nesta quinta, ao jornal americano The Washington Post, Shaun Dougherty, presidente do conselho da Rede de Sobreviventes de Abusados ​​por Padres, criticou a escolha de Prevost como papa. “É absolutamente chocante para mim que elejam um papa publicamente conhecido por ter encoberto abusos sexuais na infância”, disse.

Em 2023, ao assumir o Dicastério dos Bispos, Prevost respondeu à imprensa especializada que “há lugares onde um bom trabalho já foi feito há anos e as normas são colocadas em prática”. Mas destacou que há mais a ser feito. “Acredito que ainda há muito o que aprender. Falo da urgência e responsabilidade de acompanhar as vítimas”, disse.

A eleição de um papa nascido nos Estados Unidos poderia ter impacto profundo no futuro da Igreja Católica americana, que tem estado fortemente dividida entre conservadores e progressistas, sobretudo diante da volta de Donald Trump à Casa Branca.

Francisco, com a ajuda de Prevost à frente do escritório de avaliação de bispos, havia empreendido um projeto de 12 anos para conter as tendências tradicionalistas nos Estados Unidos.

A eleição de Prevost “é um profundo sinal de compromisso com os temas sociais. Será emocionante ver um tipo diferente de catolicismo americano em Roma”, disse Natalia Imperatori-Lee, professora de estudos religiosos na Universidade de Manhattan (EUA)./ COM AP E AFP

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Prefeito do Dicastério para os Bispos, ele é o primeiro pontífice norte-americano e foi missionário no Peru

O papa Leão XIV, Robert Prevost, nasceu nos Estados Unidos, mas é no Peru, onde passou a maior parte da sua vida religiosa, onde os fiéis colecionam relatos sobre sua atuação com os fiéis. No país andino, onde ele chegou em 1985, ele é conhecido como o missionário santo que atravessou a lama depois que chuvas torrenciais inundaram a região, levando ajuda aos necessitados, e como o bispo que liderou a compra salvadora de plantas de produção de oxigênio na pandemia de covid-19.

Durante o período em que morou no Peru, o novo papa tinha o hábito de fazer passeios a cavalo. Foto: @robert.prevost.9638 via Facebook

“Ele se esforçou tanto em buscar ajuda que conseguiu não só para uma planta, mas para duas plantas de oxigênio”, disse Janinna Sesa, que conheceu Prevost enquanto trabalhava para a organização sem fins lucrativos Caritas da igreja no Peru.

A Diocese de Chiclayo, onde ele atuou como bispo até ser designado para um cargo no Vaticano, também compartilhou vídeo nas redes sociais em que Prevost sai nas ruas vazias da cidade, usando máscara, para distribuir bençãos durante a crise sanitária.

“Ele não tinha problemas em consertar uma caminhonete estragada até fazê-la funcionar”, também lembrou, destacando seu interesse por automotivos.

Quando se mudou para o Peru para atuar como missionário, se apaixonou pelo país e pelo ceviche, contou Edison Farfán, hoje bispo de Chiclayo. “Gosta muito do ceviche (prato mais famoso da culinária peruana), do cabrito e do arroz com pato”, disse ele, destacando também a sensibilidade do novo pontífice ao tema da pobreza.

Os sinos da catedral de Lima soaram após o anúncio da eleição de Prevost. “Para nós, peruanos, é um orgulho que este seja um papa que representa nosso país”, disse a professora primária Isabel Panez, que estava no local. “Gostaríamos que ele nos visitasse aqui no Peru”.

De Chicago a Chiclayo

O argentino papa Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, claramente viu algo em Prevost desde o início. Primeiro, enviou-o a Chiclayo em 2014, depois o levou ao Vaticano em 2023 como o poderoso chefe do escritório que avalia as nomeações de bispos, um dos trabalhos mais importantes na Igreja Católica.

Prevost, de 69 anos, teve de superar o tabu contra um papa americano, dado o poder geopolítico que os Estados Unidos já exerce na esfera secular. O nativo de Chicago também é cidadão peruano desde 2015.

Evocou sua vasta experiência missionária em suas primeiras declarações públicas como papa, falando em italiano, depois mudando para o espanhol, e sem dizer uma palavra em inglês enquanto se dirigia à multidão que lotou a Praça de São Pedro após o anúncio da fumaça branca nesta quinta-feira, 8. Também agradeceu nominalmente a Chiclayo.

“Juntos, devemos tentar descobrir como ser uma igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, dialoga, que está sempre aberta a receber —como nesta praça com os braços abertos— para poder receber todos aqueles que precisam de nossa caridade, nossa presença, diálogo e amor”, disse Leão XIV.

O novo papa teve uma proeminência ao entrar no conclave que poucos outros cardeais têm. Foi eleito duas vezes prior geral, ou máxima autoridade, dos Agostinhos, a ordem religiosa do século XIII fundada por São Agostinho.

Em 2023, Francisco também o colocou na presidência da Comissão Pontifícia para a América Latina. Nesse cargo, manteve contato regular com a hierarquia católica na parte do mundo que conta com mais católicos e presumivelmente foi crucial para sua eleição na quinta-feira.

O reverendo Alexander Lam, frade agostinho do Peru que conhece o novo papa, notou que ele era amado no Peru por sua proximidade com seu povo, especialmente com os pobres. Disse que era defensor dos temas de justiça social e gestão ambiental.

“Até os bispos do Peru o chamavam de ‘o Santo do Norte’ e ele tinha tempo para todos”, comentou Lam em entrevista à agência de notícias AP em Roma. “Era a pessoa que encontravam pelo caminho, era esse bispo”.

Disse que, quando Francisco viajou ao Peru em 2018, Prevost acampou com seu rebanho no chão durante a vigília antes da missa de Francisco. “Esse estilo tem Roberto, essa proximidade, essa busca, que talvez não sejam grandes instituições, mas se mostra nesses gestos humanos”, apontou.

Desde a sua chegada a Roma, Prevost manteve um perfil público mais reservado, mas era bem conhecido por homens influentes.

Significativamente, presidiu uma das reformas mais revolucionárias feitas por Francisco, quando adicionou três mulheres ao bloco de votação que decide quais nomeações de bispos são enviadas ao papa.

Por outro lado, já declarou que permitir o sacerdócio feminino não resolve, necessariamente, os problemas da Igreja Católica. “Algo que também precisa ser dito é que ordenar mulheres – e algumas mulheres disseram isto de modo muito interessante – ‘clericalizar mulheres’ não resolve necessariamente um problema, pode criar um novo problema”

Também expressou no passado visões menos acolhedoras do que as de Francisco sobre a comunidade LGBT+ e, como bispo em Chiclayo se opôs a um plano do governo local para incluir ensinamentos sobre gênero nas escolas.

Críticas sobre suposta omissão em caso de abuso

Prevost estava entre os seis cardeais “papáveis” que foram acusados, em março, de negligência nas respostas a denúncias de abuso na Igreja Católica pela Rede de Sobreviventes de Abusos por Padres (Snap). A organização se referia às acusações de abusos supostamente cometidos pelo padre Eleuterio Vásquez Gonzáles contra três menores de idade. A diocese negou ter se omitido e disse que investigou as denúncias.

A Compañia Peruana de Radiodifusión chegou a publicar nota em que alega que sua equipe foi pessoalmente à diocese falar sobre as denúncias com o então bispo Prevost, em 2022. “Não se realizou nenhum ato de investigação”, alegou na nota. Posteriormente, o caso foi arquivado na esfera criminal.

Já a Diocese de Chiclayo afirmou que um dos sacerdotes acusados foi retirado da paróquia onde atuava e que abriu investigação. “As acusações apresentadas contra o sacerdote acusado não foram suficientemente provadas”, acrescentou. Posteriormente, após novas denúncias na imprensa, disse ter reaberto o caso.

Nesta quinta, ao jornal americano The Washington Post, Shaun Dougherty, presidente do conselho da Rede de Sobreviventes de Abusados ​​por Padres, criticou a escolha de Prevost como papa. “É absolutamente chocante para mim que elejam um papa publicamente conhecido por ter encoberto abusos sexuais na infância”, disse.

Em 2023, ao assumir o Dicastério dos Bispos, Prevost respondeu à imprensa especializada que “há lugares onde um bom trabalho já foi feito há anos e as normas são colocadas em prática”. Mas destacou que há mais a ser feito. “Acredito que ainda há muito o que aprender. Falo da urgência e responsabilidade de acompanhar as vítimas”, disse.

A eleição de um papa nascido nos Estados Unidos poderia ter impacto profundo no futuro da Igreja Católica americana, que tem estado fortemente dividida entre conservadores e progressistas, sobretudo diante da volta de Donald Trump à Casa Branca.

Francisco, com a ajuda de Prevost à frente do escritório de avaliação de bispos, havia empreendido um projeto de 12 anos para conter as tendências tradicionalistas nos Estados Unidos.

A eleição de Prevost “é um profundo sinal de compromisso com os temas sociais. Será emocionante ver um tipo diferente de catolicismo americano em Roma”, disse Natalia Imperatori-Lee, professora de estudos religiosos na Universidade de Manhattan (EUA)./ COM AP E AFP

Seu navegador não suporta esse video.

Prefeito do Dicastério para os Bispos, ele é o primeiro pontífice norte-americano e foi missionário no Peru

O papa Leão XIV, Robert Prevost, nasceu nos Estados Unidos, mas é no Peru, onde passou a maior parte da sua vida religiosa, onde os fiéis colecionam relatos sobre sua atuação com os fiéis. No país andino, onde ele chegou em 1985, ele é conhecido como o missionário santo que atravessou a lama depois que chuvas torrenciais inundaram a região, levando ajuda aos necessitados, e como o bispo que liderou a compra salvadora de plantas de produção de oxigênio na pandemia de covid-19.

Durante o período em que morou no Peru, o novo papa tinha o hábito de fazer passeios a cavalo. Foto: @robert.prevost.9638 via Facebook

“Ele se esforçou tanto em buscar ajuda que conseguiu não só para uma planta, mas para duas plantas de oxigênio”, disse Janinna Sesa, que conheceu Prevost enquanto trabalhava para a organização sem fins lucrativos Caritas da igreja no Peru.

A Diocese de Chiclayo, onde ele atuou como bispo até ser designado para um cargo no Vaticano, também compartilhou vídeo nas redes sociais em que Prevost sai nas ruas vazias da cidade, usando máscara, para distribuir bençãos durante a crise sanitária.

“Ele não tinha problemas em consertar uma caminhonete estragada até fazê-la funcionar”, também lembrou, destacando seu interesse por automotivos.

Quando se mudou para o Peru para atuar como missionário, se apaixonou pelo país e pelo ceviche, contou Edison Farfán, hoje bispo de Chiclayo. “Gosta muito do ceviche (prato mais famoso da culinária peruana), do cabrito e do arroz com pato”, disse ele, destacando também a sensibilidade do novo pontífice ao tema da pobreza.

Os sinos da catedral de Lima soaram após o anúncio da eleição de Prevost. “Para nós, peruanos, é um orgulho que este seja um papa que representa nosso país”, disse a professora primária Isabel Panez, que estava no local. “Gostaríamos que ele nos visitasse aqui no Peru”.

De Chicago a Chiclayo

O argentino papa Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, claramente viu algo em Prevost desde o início. Primeiro, enviou-o a Chiclayo em 2014, depois o levou ao Vaticano em 2023 como o poderoso chefe do escritório que avalia as nomeações de bispos, um dos trabalhos mais importantes na Igreja Católica.

Prevost, de 69 anos, teve de superar o tabu contra um papa americano, dado o poder geopolítico que os Estados Unidos já exerce na esfera secular. O nativo de Chicago também é cidadão peruano desde 2015.

Evocou sua vasta experiência missionária em suas primeiras declarações públicas como papa, falando em italiano, depois mudando para o espanhol, e sem dizer uma palavra em inglês enquanto se dirigia à multidão que lotou a Praça de São Pedro após o anúncio da fumaça branca nesta quinta-feira, 8. Também agradeceu nominalmente a Chiclayo.

“Juntos, devemos tentar descobrir como ser uma igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, dialoga, que está sempre aberta a receber —como nesta praça com os braços abertos— para poder receber todos aqueles que precisam de nossa caridade, nossa presença, diálogo e amor”, disse Leão XIV.

O novo papa teve uma proeminência ao entrar no conclave que poucos outros cardeais têm. Foi eleito duas vezes prior geral, ou máxima autoridade, dos Agostinhos, a ordem religiosa do século XIII fundada por São Agostinho.

Em 2023, Francisco também o colocou na presidência da Comissão Pontifícia para a América Latina. Nesse cargo, manteve contato regular com a hierarquia católica na parte do mundo que conta com mais católicos e presumivelmente foi crucial para sua eleição na quinta-feira.

O reverendo Alexander Lam, frade agostinho do Peru que conhece o novo papa, notou que ele era amado no Peru por sua proximidade com seu povo, especialmente com os pobres. Disse que era defensor dos temas de justiça social e gestão ambiental.

“Até os bispos do Peru o chamavam de ‘o Santo do Norte’ e ele tinha tempo para todos”, comentou Lam em entrevista à agência de notícias AP em Roma. “Era a pessoa que encontravam pelo caminho, era esse bispo”.

Disse que, quando Francisco viajou ao Peru em 2018, Prevost acampou com seu rebanho no chão durante a vigília antes da missa de Francisco. “Esse estilo tem Roberto, essa proximidade, essa busca, que talvez não sejam grandes instituições, mas se mostra nesses gestos humanos”, apontou.

Desde a sua chegada a Roma, Prevost manteve um perfil público mais reservado, mas era bem conhecido por homens influentes.

Significativamente, presidiu uma das reformas mais revolucionárias feitas por Francisco, quando adicionou três mulheres ao bloco de votação que decide quais nomeações de bispos são enviadas ao papa.

Por outro lado, já declarou que permitir o sacerdócio feminino não resolve, necessariamente, os problemas da Igreja Católica. “Algo que também precisa ser dito é que ordenar mulheres – e algumas mulheres disseram isto de modo muito interessante – ‘clericalizar mulheres’ não resolve necessariamente um problema, pode criar um novo problema”

Também expressou no passado visões menos acolhedoras do que as de Francisco sobre a comunidade LGBT+ e, como bispo em Chiclayo se opôs a um plano do governo local para incluir ensinamentos sobre gênero nas escolas.

Críticas sobre suposta omissão em caso de abuso

Prevost estava entre os seis cardeais “papáveis” que foram acusados, em março, de negligência nas respostas a denúncias de abuso na Igreja Católica pela Rede de Sobreviventes de Abusos por Padres (Snap). A organização se referia às acusações de abusos supostamente cometidos pelo padre Eleuterio Vásquez Gonzáles contra três menores de idade. A diocese negou ter se omitido e disse que investigou as denúncias.

A Compañia Peruana de Radiodifusión chegou a publicar nota em que alega que sua equipe foi pessoalmente à diocese falar sobre as denúncias com o então bispo Prevost, em 2022. “Não se realizou nenhum ato de investigação”, alegou na nota. Posteriormente, o caso foi arquivado na esfera criminal.

Já a Diocese de Chiclayo afirmou que um dos sacerdotes acusados foi retirado da paróquia onde atuava e que abriu investigação. “As acusações apresentadas contra o sacerdote acusado não foram suficientemente provadas”, acrescentou. Posteriormente, após novas denúncias na imprensa, disse ter reaberto o caso.

Nesta quinta, ao jornal americano The Washington Post, Shaun Dougherty, presidente do conselho da Rede de Sobreviventes de Abusados ​​por Padres, criticou a escolha de Prevost como papa. “É absolutamente chocante para mim que elejam um papa publicamente conhecido por ter encoberto abusos sexuais na infância”, disse.

Em 2023, ao assumir o Dicastério dos Bispos, Prevost respondeu à imprensa especializada que “há lugares onde um bom trabalho já foi feito há anos e as normas são colocadas em prática”. Mas destacou que há mais a ser feito. “Acredito que ainda há muito o que aprender. Falo da urgência e responsabilidade de acompanhar as vítimas”, disse.

A eleição de um papa nascido nos Estados Unidos poderia ter impacto profundo no futuro da Igreja Católica americana, que tem estado fortemente dividida entre conservadores e progressistas, sobretudo diante da volta de Donald Trump à Casa Branca.

Francisco, com a ajuda de Prevost à frente do escritório de avaliação de bispos, havia empreendido um projeto de 12 anos para conter as tendências tradicionalistas nos Estados Unidos.

A eleição de Prevost “é um profundo sinal de compromisso com os temas sociais. Será emocionante ver um tipo diferente de catolicismo americano em Roma”, disse Natalia Imperatori-Lee, professora de estudos religiosos na Universidade de Manhattan (EUA)./ COM AP E AFP

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