Silêncio para filmar o que não se diz e o que não se vê


Por Luiz Zanin Oricchio

Através de Um Espelho (1961) foi o primeiro filme que Bergman fez na Ilha de Farö. Logo depois comprou casa no lugar. A ilha tem atmosfera, costumava dizer. Muito provavelmente esse clima combinava com sua paisagem interior e está na origem desse estranho filme. Karin (Harriet Andersson) é uma jovem perturbada, talvez esquizofrênica. É filha do escritor David (Gunnar Björnstrand), que anota em seu diário a evolução da doença e talvez use o material em seu próximo livro.Bergman não recorre a qualquer recurso estranho à percepção para convencer o espectador de que Karin tem bons motivos para ouvir vozes e ver entidades que a mandam fazer isso ou aquilo. No fundo, a desolação da ilha remete para a preocupação metafísica central de Bergman. No mundo entregue à dor e à morte - Deus, se existe, mantém-se fora de alcance. É o silêncio de Deus. Quem vê o filme se impressiona demais com sua intensidade. E fica ainda mais espantado com as restrições que Bergman faz a seu respeito. Acha-o artificial em muitos momentos e didático em seu final.Já em Persona (1966) e Gritos e Sussurros (1973) entende que chegou ao máximo que podia em termos de técnica narrativa. São filmes de mulheres. No primeiro, uma delas fala enquanto a outra se mantém em silêncio até que terminam em estranha fusão. No segundo, um grupo de mulheres espera a morte de uma delas, doente de câncer. Nos dois, segundo diz, "toco em segredos para os quais não existem palavras e que só a cinematografia pode patentear". Filmar o invisível e o indizível.

Através de Um Espelho (1961) foi o primeiro filme que Bergman fez na Ilha de Farö. Logo depois comprou casa no lugar. A ilha tem atmosfera, costumava dizer. Muito provavelmente esse clima combinava com sua paisagem interior e está na origem desse estranho filme. Karin (Harriet Andersson) é uma jovem perturbada, talvez esquizofrênica. É filha do escritor David (Gunnar Björnstrand), que anota em seu diário a evolução da doença e talvez use o material em seu próximo livro.Bergman não recorre a qualquer recurso estranho à percepção para convencer o espectador de que Karin tem bons motivos para ouvir vozes e ver entidades que a mandam fazer isso ou aquilo. No fundo, a desolação da ilha remete para a preocupação metafísica central de Bergman. No mundo entregue à dor e à morte - Deus, se existe, mantém-se fora de alcance. É o silêncio de Deus. Quem vê o filme se impressiona demais com sua intensidade. E fica ainda mais espantado com as restrições que Bergman faz a seu respeito. Acha-o artificial em muitos momentos e didático em seu final.Já em Persona (1966) e Gritos e Sussurros (1973) entende que chegou ao máximo que podia em termos de técnica narrativa. São filmes de mulheres. No primeiro, uma delas fala enquanto a outra se mantém em silêncio até que terminam em estranha fusão. No segundo, um grupo de mulheres espera a morte de uma delas, doente de câncer. Nos dois, segundo diz, "toco em segredos para os quais não existem palavras e que só a cinematografia pode patentear". Filmar o invisível e o indizível.

Através de Um Espelho (1961) foi o primeiro filme que Bergman fez na Ilha de Farö. Logo depois comprou casa no lugar. A ilha tem atmosfera, costumava dizer. Muito provavelmente esse clima combinava com sua paisagem interior e está na origem desse estranho filme. Karin (Harriet Andersson) é uma jovem perturbada, talvez esquizofrênica. É filha do escritor David (Gunnar Björnstrand), que anota em seu diário a evolução da doença e talvez use o material em seu próximo livro.Bergman não recorre a qualquer recurso estranho à percepção para convencer o espectador de que Karin tem bons motivos para ouvir vozes e ver entidades que a mandam fazer isso ou aquilo. No fundo, a desolação da ilha remete para a preocupação metafísica central de Bergman. No mundo entregue à dor e à morte - Deus, se existe, mantém-se fora de alcance. É o silêncio de Deus. Quem vê o filme se impressiona demais com sua intensidade. E fica ainda mais espantado com as restrições que Bergman faz a seu respeito. Acha-o artificial em muitos momentos e didático em seu final.Já em Persona (1966) e Gritos e Sussurros (1973) entende que chegou ao máximo que podia em termos de técnica narrativa. São filmes de mulheres. No primeiro, uma delas fala enquanto a outra se mantém em silêncio até que terminam em estranha fusão. No segundo, um grupo de mulheres espera a morte de uma delas, doente de câncer. Nos dois, segundo diz, "toco em segredos para os quais não existem palavras e que só a cinematografia pode patentear". Filmar o invisível e o indizível.

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