Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos montaram uma vigília na praça Marechal Floriano, no centro de Passo Fundo, para exigir que as mortes de 12 crianças no norte do Rio Grande do Sul sejam totalmente esclarecidas. Oito dos crimes foram assumidos pelo biscateiro Adriano Vicente da Silva, de 25 anos. Mas falta saber se ele não mentiu, se está encobrindo outros autores e se não participou dos outros quatro assassinatos que havia confessado quando foi preso, em 6 de janeiro, e que passou a negar. Em sistema de revezamento, as entidades querem manter pelo menos algumas pessoas permanentemente ao lado de um cartaz com as fotos de todas as vítimas. Também vão promover passeatas e audiências públicas para cobrar respostas coerentes das investigações e para discutir a situação de risco em que vivem muitas crianças. Todos os assassinados eram meninos, tinham de oito a 13 anos, e trabalhavam para se sustentar e ajudar a família. A maioria estava fora da escola. ?Menores nessas condições são presas fáceis de pessoas mal-intencionadas?, adverte o coordenador da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo, Valdevir Both. ?As políticas públicas devem ser qualificadas para evitar isso.? Depois de concluir a reconstituição de seus crimes no norte gaúcho, Silva foi conduzido nesta sexta-feira à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na região metropolitana de Porto Alegre. A polícia gaúcha estuda meios de mantê-lo no Estado até o final dos julgamentos. O maníaco é foragido de uma penitenciária paranaense, onde cumpria pena de 27 anos por latrocínio e ocultação de cadáver em União da Vitória.