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'You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love', 3° trabalho da cantora, tem histórias de amor mais profundas, mas também momentos sem personalidade
Apresentar o rock melancólico do The Cure para as novas gerações é um dos trunfos de You Seem Pretty Sad for a Girl so in Love, o novo álbum de Olivia Rodrigo, mas não é o único.
Para quem não conhece, a Olivia Rodrigo surgiu bem novinha, aos 18 anos. Ela virou um fenômeno de popularidade com músicas que são crônicas superficiais, mas bem escritas, das desilusões amorosas da juventude.
Isso, embalado numa sonoridade muito influenciada pelo pop punk dos anos 90... Uma espécie de Avril Lavigne do século 21.
Só que isso ficou pra trás. Nesse terceiro trabalho, Olivia Rodrigo faz mudanças no repertório.
Primeiro, nas referências... Ela aposta tudo no pós-punk dos anos 80, principalmente no The Cure, que é citado várias vezes ao longo do álbum... O Robert Smith até participa de uma música.
Os arranjos são os mais complexos e bem trabalhados da carreira dela.
Mas, em alguns momentos, as linhas de baixo e os sintetizadores mais densos são tão parecidos com os do The Cure que fiquei achando que ela pesou demais na homenagem e soou sem personalidade.
De qualquer forma, prestando mais atenção, entendi que o traço mais marcante desse disco está, na verdade, nas letras... Ela muda de direção no discurso. As melhores músicas não são mais sobre desilusões, mas sobre o torpor de viver uma grande paixão.
Ao longo das faixas, Olivia conta aquela história batida da ascensão e queda de um relacionamento, que um monte de gente já contou. Mas faz isso com uma riqueza de detalhes que faz você realmente se envolver com esses sentimentos.
É o caso, por exemplo, de Purple, uma música que narra uma série de situações para explicar como a relação ficou tão intensa que os dois perderam suas individualidades.
Essa talvez seja, para mim, a melhor música de sua carreira.
Ela não inventa a roda em nenhum momento desse álbum, mas mostra como tem evoluído como compositora, com abordagens mais profundas nas histórias de amor.
Se seguir nesse caminho, a Olivia tem potencial pra virar uma das maiores da geração dela. Nota 7,5 de 10.