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Leva inicial de shows teve Péricles em uma das melhores apresentações das últimas edições e Sepultura com setlist que não fez sentido.
Aí vai o meu balanço do primeiro fim de semana de Rock in Rio.
Primeiro, os destaques positivos:
O fã Geipis, do Bring Me the Horizon, arrasou ao ser chamado no palco para cantar ao lado do vocalista Oliver Sykes. Ele segurou a onda do nervosismo, se declarou para a namorada e não deixou a desejar na gritaria da música Pray for Plagues. Aliás, o show inteiro do grupo foi bem simpático, apesar da sensação de playback em um momento ou outro (engana-se quem pensa que isso não acontece em performances de rock). Sykes falou português e contou que tem até pix – ele é casado com uma brasileira.
Péricles, um dos melhores cantores de sua geração (talvez o melhor), fez uma apresentação inesquecível cantando o repertório da Motown, gravadora americana que ajudou a moldar a black music. Sua banda estava afiadíssima e o repertório foi muito bem montado, com inúmeros clássicos, de Marvin Gaye a Boyz II Men.
Em seu show arrebatador, Elton John cantou 24 músicas. Uma delas, ele não costuma incluir nos setlists, mas já virou tradição nas apresentações por aqui: Skyline Pigeon, trilha da novela Carinhoso (1973). Foi legal ver um artista desse calibre pensar em um mimo especial para o país: o público retribuiu o carinho com um coro histórico.
Agora, os maiores micos dessa primeira leva de shows:
Uma das bandas mais recorrentes no Rock in Rio, o Sepultura decidiu fazer uma performance só com músicas do período com Derrick Green como vocalista, a partir de 1998. Ficou de fora a tríade mais importante da banda, formada pelos discos Arise (1991), Chaos A.D. (1993) e Roots (1996). Num show comum, seria uma escolha ousada (e válida) de repertório, mas o grupo está se despedindo dos palcos, por isso o setlist sem clássicos, como Roots Bloody Roots, não fez muito sentido.
No extremo oposto, o Capital Inicial pecou por repetir a mesma apresentação de sempre. A participação de Dado Villa-Lobos e uma homenagem a Renato Russo não foram suficientes para acabar com a sensação de deja vu, já que há muitos anos a banda mostra setlists parecidíssimos em eventos desse tipo. Até os discursos de agradecimento feitos por Dinho Ouro Preto foram iguais aos de outros festivais.
Por fim, o telão ampliado do palco principal, com quase 2.500 metros quadrados, revelou-se um tanto problemático. Ficou incrível em várias apresentações, como as do Foo Fighters e do Black Eyed Peas, mas nem todos os artistas levaram estruturas adaptadas. Nos shows de Nova Twins e The Hives, por exemplo, o que apareceu na maior parte do espaço foi uma espécie de proteção de tela. Cabe a cada atração planejar o telão de sua performance. Nesse caso, o combinado poderia sair mais caro, mas evitaria prejuízo à experiência do público.