Mostra começa sob o signo do cinema jovem


Em narrativa não convencional, A Alegria aborda adolescente em crise

Por Luiz Zanin Oricchio e BRASÍLIA

Na apresentação de A Alegria, no palco do Cine Brasília, o diretor Felipe Bragança disse que havia dúvidas quanto à seleção dos concorrentes deste ano, formada por jovens realizadores. "Não se trata de ter dúvidas, mas festejar a coragem que alguns têm de fazer cinema." Ao lado dele, a outra diretora do filme, Marina Meliande, e o resto da equipe. Foi sob esse signo do cinema jovem, que começou a mostra do 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Salto no escuro de um festival até agora acostumado a nomes consagrados e, este ano, verá rostos desconhecidos sucedendo-se no palco e nas imagens na tela.O fim da sessão foi menos grandiloquente que seu início. O filme foi aplaudido, mas não muito. Diante de uma plateia, em sua maioria de jovens e universitária, A Alegria, com sua narrativa pouco convencional, enfrentou certa dificuldade de comunicação. O filme é o segundo da trilogia Coração no Fogo, que a dupla pretende realizar: o primeiro é A Fuga da Mulher Gorila, que venceu a Mostra de Tiradentes de 2010.Bragança & Meliande fazem um cinema interessante, pouco usual, que pode intrigar a plateia e coloca algumas questões aos críticos. Uma delas: até onde irá a influência precoce sobre o jovem cinema brasileiro de Apichatpong Weerasethakul, Palma de Ouro em Cannes com Tio Boome, Que Podia Ver Suas Vidas Passadas? De todo modo, se a forma faz lembrar o tailandês, a ambiência de A Alegria é bem carioca. Põe no centro da história uma adolescente com sua crise de idade, em meio a outra crise, a da violência urbana, que ganha relevo com a atual onda de ataques no Rio.BASTIDORESGlauber na telaO Leão de Sete Cabeças (1970), título menos conhecido do diretor baiano Glauber Rocha, pinta na tela do Cine Brasília dia 29, às 17 h. O filme, rodado na África durante o exílio do cineasta, chega em cópia restaurada, após anos sem ser mostrado ao público. Será apresentado às gerações que, do baiano, só conhecem seus títulos mais famosos como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Família RochaPor coincidência, na mesma edição em que a cópia restaurada de O Leão de Sete Cabeças será lançada, um dos filhos do cineasta, Eryk Rocha, estreia na mostra competitiva com seu Transeunte. Eryk se encontrará em Brasília com a irmã, Paloma Rocha, curadora do acervo do pai e virá para o lançamento de Leão. Brasília está muito presente na vida dos Rochas. Serviu de locação para o último filme de Glauber, A Idade da Terra (1980). Novo filme de CarlãoO incansável Carlos Reichenbach veio a Brasília, apresentou a cópia restaurada de Liliam M., seu filme de 1975, e anunciou que começa novo projeto em 2011. O roteiro está escrito, mas as filmagens só começam após o cineasta se livrar de um problema de saúde: terá de ser operado de "catarata nuclear". A cirurgia está marcada para janeiro e o diretor promete voltar enxergando mais do que nunca. Novos rumos do festivalA Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV) está discutindo os novos rumos do Festival e do Cine Brasília, como parte da programação oficial do evento e procura redefinir o caminho do mais tradicional festival de cinema do País. Brasília tem enfrentado dificuldades e, este ano, em particular, sofreu com a crise no governo Arruda. Em off, dirigentes admitem que temeram pela mostra, que acabou ocorrendo mas com percalços. Sob novo governo, do petista Agnelo Queiroz, o festival poderá sofrer modificações. Ainda não se sabem quais. Entidades de classe, como a ABCV e a Associação dos Produtores do DF já procuram se antecipar a essas reformas e influir em sua direção. Brasília tem formato estável definido há anos: só seis longas em competição e, de preferência, inéditos. Muita gente o defende, mas há quem o ache limitante.

Na apresentação de A Alegria, no palco do Cine Brasília, o diretor Felipe Bragança disse que havia dúvidas quanto à seleção dos concorrentes deste ano, formada por jovens realizadores. "Não se trata de ter dúvidas, mas festejar a coragem que alguns têm de fazer cinema." Ao lado dele, a outra diretora do filme, Marina Meliande, e o resto da equipe. Foi sob esse signo do cinema jovem, que começou a mostra do 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Salto no escuro de um festival até agora acostumado a nomes consagrados e, este ano, verá rostos desconhecidos sucedendo-se no palco e nas imagens na tela.O fim da sessão foi menos grandiloquente que seu início. O filme foi aplaudido, mas não muito. Diante de uma plateia, em sua maioria de jovens e universitária, A Alegria, com sua narrativa pouco convencional, enfrentou certa dificuldade de comunicação. O filme é o segundo da trilogia Coração no Fogo, que a dupla pretende realizar: o primeiro é A Fuga da Mulher Gorila, que venceu a Mostra de Tiradentes de 2010.Bragança & Meliande fazem um cinema interessante, pouco usual, que pode intrigar a plateia e coloca algumas questões aos críticos. Uma delas: até onde irá a influência precoce sobre o jovem cinema brasileiro de Apichatpong Weerasethakul, Palma de Ouro em Cannes com Tio Boome, Que Podia Ver Suas Vidas Passadas? De todo modo, se a forma faz lembrar o tailandês, a ambiência de A Alegria é bem carioca. Põe no centro da história uma adolescente com sua crise de idade, em meio a outra crise, a da violência urbana, que ganha relevo com a atual onda de ataques no Rio.BASTIDORESGlauber na telaO Leão de Sete Cabeças (1970), título menos conhecido do diretor baiano Glauber Rocha, pinta na tela do Cine Brasília dia 29, às 17 h. O filme, rodado na África durante o exílio do cineasta, chega em cópia restaurada, após anos sem ser mostrado ao público. Será apresentado às gerações que, do baiano, só conhecem seus títulos mais famosos como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Família RochaPor coincidência, na mesma edição em que a cópia restaurada de O Leão de Sete Cabeças será lançada, um dos filhos do cineasta, Eryk Rocha, estreia na mostra competitiva com seu Transeunte. Eryk se encontrará em Brasília com a irmã, Paloma Rocha, curadora do acervo do pai e virá para o lançamento de Leão. Brasília está muito presente na vida dos Rochas. Serviu de locação para o último filme de Glauber, A Idade da Terra (1980). Novo filme de CarlãoO incansável Carlos Reichenbach veio a Brasília, apresentou a cópia restaurada de Liliam M., seu filme de 1975, e anunciou que começa novo projeto em 2011. O roteiro está escrito, mas as filmagens só começam após o cineasta se livrar de um problema de saúde: terá de ser operado de "catarata nuclear". A cirurgia está marcada para janeiro e o diretor promete voltar enxergando mais do que nunca. Novos rumos do festivalA Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV) está discutindo os novos rumos do Festival e do Cine Brasília, como parte da programação oficial do evento e procura redefinir o caminho do mais tradicional festival de cinema do País. Brasília tem enfrentado dificuldades e, este ano, em particular, sofreu com a crise no governo Arruda. Em off, dirigentes admitem que temeram pela mostra, que acabou ocorrendo mas com percalços. Sob novo governo, do petista Agnelo Queiroz, o festival poderá sofrer modificações. Ainda não se sabem quais. Entidades de classe, como a ABCV e a Associação dos Produtores do DF já procuram se antecipar a essas reformas e influir em sua direção. Brasília tem formato estável definido há anos: só seis longas em competição e, de preferência, inéditos. Muita gente o defende, mas há quem o ache limitante.

Na apresentação de A Alegria, no palco do Cine Brasília, o diretor Felipe Bragança disse que havia dúvidas quanto à seleção dos concorrentes deste ano, formada por jovens realizadores. "Não se trata de ter dúvidas, mas festejar a coragem que alguns têm de fazer cinema." Ao lado dele, a outra diretora do filme, Marina Meliande, e o resto da equipe. Foi sob esse signo do cinema jovem, que começou a mostra do 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Salto no escuro de um festival até agora acostumado a nomes consagrados e, este ano, verá rostos desconhecidos sucedendo-se no palco e nas imagens na tela.O fim da sessão foi menos grandiloquente que seu início. O filme foi aplaudido, mas não muito. Diante de uma plateia, em sua maioria de jovens e universitária, A Alegria, com sua narrativa pouco convencional, enfrentou certa dificuldade de comunicação. O filme é o segundo da trilogia Coração no Fogo, que a dupla pretende realizar: o primeiro é A Fuga da Mulher Gorila, que venceu a Mostra de Tiradentes de 2010.Bragança & Meliande fazem um cinema interessante, pouco usual, que pode intrigar a plateia e coloca algumas questões aos críticos. Uma delas: até onde irá a influência precoce sobre o jovem cinema brasileiro de Apichatpong Weerasethakul, Palma de Ouro em Cannes com Tio Boome, Que Podia Ver Suas Vidas Passadas? De todo modo, se a forma faz lembrar o tailandês, a ambiência de A Alegria é bem carioca. Põe no centro da história uma adolescente com sua crise de idade, em meio a outra crise, a da violência urbana, que ganha relevo com a atual onda de ataques no Rio.BASTIDORESGlauber na telaO Leão de Sete Cabeças (1970), título menos conhecido do diretor baiano Glauber Rocha, pinta na tela do Cine Brasília dia 29, às 17 h. O filme, rodado na África durante o exílio do cineasta, chega em cópia restaurada, após anos sem ser mostrado ao público. Será apresentado às gerações que, do baiano, só conhecem seus títulos mais famosos como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Família RochaPor coincidência, na mesma edição em que a cópia restaurada de O Leão de Sete Cabeças será lançada, um dos filhos do cineasta, Eryk Rocha, estreia na mostra competitiva com seu Transeunte. Eryk se encontrará em Brasília com a irmã, Paloma Rocha, curadora do acervo do pai e virá para o lançamento de Leão. Brasília está muito presente na vida dos Rochas. Serviu de locação para o último filme de Glauber, A Idade da Terra (1980). Novo filme de CarlãoO incansável Carlos Reichenbach veio a Brasília, apresentou a cópia restaurada de Liliam M., seu filme de 1975, e anunciou que começa novo projeto em 2011. O roteiro está escrito, mas as filmagens só começam após o cineasta se livrar de um problema de saúde: terá de ser operado de "catarata nuclear". A cirurgia está marcada para janeiro e o diretor promete voltar enxergando mais do que nunca. Novos rumos do festivalA Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV) está discutindo os novos rumos do Festival e do Cine Brasília, como parte da programação oficial do evento e procura redefinir o caminho do mais tradicional festival de cinema do País. Brasília tem enfrentado dificuldades e, este ano, em particular, sofreu com a crise no governo Arruda. Em off, dirigentes admitem que temeram pela mostra, que acabou ocorrendo mas com percalços. Sob novo governo, do petista Agnelo Queiroz, o festival poderá sofrer modificações. Ainda não se sabem quais. Entidades de classe, como a ABCV e a Associação dos Produtores do DF já procuram se antecipar a essas reformas e influir em sua direção. Brasília tem formato estável definido há anos: só seis longas em competição e, de preferência, inéditos. Muita gente o defende, mas há quem o ache limitante.

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