Galeria Nacional do Jeu de Paume, em Paris, à tarde. Na época em que o espaço ainda era dedicado sobretudo às artes plásticas tradicionais e não à "transversalidade no estudo da cultura visual e da imagem" o que, até hoje, não sei exatamente o que quer dizer.
A avó e o menino observam atentamente uma tela de René Magritte. A mala de livros pesa sobre os ombros do pequeno. O perfume, o tailleur e o penteado da senhora Ettirgam revelam que ela, recém-saída do salão, compras ou costureira, foi buscá-lo na escola.
A conhecida pintura é uma espécie de lousa escolar, onde os objetos são titulados com nomes diversos. A casa é "tesoura", a tesoura é "maçã", a maçã é "cadeira" e assim por diante. Um pouco como acontece no quadro "A Traição das Imagens", onde se lê"Ceci n'est pas une pipe" (Isto não é um cachimbo)... puro Magritte, quoi!
O menino dá risada, parece entender o que o artista/filósofo quer dizer. Claro que as representações (pintadas) embaralham a realidade e vice-versa. Isso está na fantasia e nos jogos das crianças. Ele sabe.
E, no entanto, a avó, já um pouco impaciente, pensa que precisa ensinar o garoto e vai desconstruindo Magritte ou, melhor, construindo o anti-Magritte. Talvez porque o seu nome seja Éner e o sobrenome Ettirgam, ela aponta, uma a uma, a casa, a tesoura, a maçã e a cadeira, dizendo:
- Aqui é uma casa, aqui é uma tesoura, aqui é uma maçã e aqui é uma cadeira. Não é o que está escrito, viu? Agora podemos ir para casa.
Essa história é verdadeira. Só o nome e sobrenome da avó foram inventados por mim e inspirados por Magritte. Até a próxima, que agora é hoje e há uma matéria sobre a surpreendente exposição dele em Paris, no Caderno 2!
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