Os incêndios na Rússia no mês passado e as enchentes no Paquistão afetam os preços mundiais dos alimentos e obrigam a FAO a rever as projeções para a produção mundial de cereais em 2010. Dados divulgados ontem pela entidade confirmaram que os problemas ambientais geraram alta de 5% nos preços dos alimentos. Uma elevação nos preços do arroz, açúcar e soja também contribuiu para a maior alta de preços de alimentos desde novembro, além da situação do trigo na Rússia. Segundo a FAO, após a alta de julho o índice atingiu seu ponto mais alto desde setembro de 2008. Mas os valores ainda estão 38% abaixo das taxas de junho de 2008, quando a crise de alimentos atingia seu pico. No geral, a produção mundial de cereais deve ser reduzida em 2010 para 2,23 bilhões de toneladas, de 2,25 bilhões em 2009. Apesar da redução, deve ainda ser a terceira maior da história, bem acima da média dos últimos cinco anos. Sem os problemas ambientais, tudo indicava que bateria todos recordes. Pela atual projeção, o consumo de cereais ultrapassará a produção este ano. Os estoques para 2010-2011, portanto, cairão 2,4%, após atingir o maior nível em oito anos. A produção total de trigo no mundo deve sofrer redução de 5,1% em comparação com os valores de 2009, chegando a 646 milhões de toneladas. Ainda assim, a safra será a terceira maior da história. Parte da queda está explicada pela redução de 27% na área destinada ao trigo na Rússia, que foi duramente afetada pelos incêndios. O país deve produzir 43 milhões de toneladas de trigo, e não 48 milhões como se esperava. Nem a maior produção nos Estados Unidos e China será suficiente para equilibrar as contas. Para 2011, a FAO alerta que os estoques de trigo serão reduzidos para 181 milhões de toneladas, 9% abaixo dos níveis do início do ano, os maiores desde 2002. A entidade insiste, porém, que os estoques estão numa melhor situação que em 2007 e 2008, quando os níveis mais baixos em 30 anos provocaram a pior crise alimentar em décadas. No Paquistão, o plantio de trigo que começaria nos próximos meses está agora ameaçado. 500 mil toneladas do cereal que estavam estocados já foram destruídos, no terceiro maior país produtor de trigo da Ásia. 3,6 milhões de hectares destinados ao plantio de milho, arroz e cana também foram afetados e 7,2 milhões de animais foram perdidos com a enchente.