Após ficar 10 anos esquecido pelos grandes investidores internacionais, em meio a uma série de problemas internos, como crise política, e questões externas, além da preferência dos investidores pelos Estados Unidos, o vento agora está a favor do Brasil, avalia o presidente do UBS no Brasil e responsável pela América Latina no grupo suíço, Daniel Bassan. Por isso, só este ano a B3 já recebeu R$ 20 bilhões de aportes de estrangeiros e mais recursos devem vir por aí.
Está em curso um movimento de realocação de ativos dos Estados Unidos para mercados emergentes, em meio ao aumento da incerteza com a economia americana. Nesse ambiente, o Brasil acaba se diferenciando de outros emergentes, pois não tem uma guerra como no Leste Europeu, não registrou recessão e, ao contrário da China, cujo mercado se valorizou muito, segue com a Bolsa barata - o múltiplo de preços das ações em relação ao lucro ainda está em um dígito na B3, enquanto em outros mercados já supera em muito esse patamar.
O movimento dos meses recentes é o oposto do que ocorreu nos últimos anos, quando investidores internacionais preferiam alocar recursos nos EUA, animados, por exemplo, com as empresas de tecnologia, comenta o presidente do UBS no Brasil. “O mercado americano está um pouco mais instável. Por causa disso, há esse fluxo de dinheiro aos mercados emergentes. E quando se fala em emergentes, é muito Brasil e América Latina.”
Investidores esperam mais de 10 IPOs
Pesquisa do UBS com investidores mostra que 46% deles veem o Ibovespa acima de 190 mil pontos ao final deste ano, 31% acima de 200 mil e 8% acima de 210 mil. Para Bassan, o fluxo estrangeiro deve continuar entrando, apesar das eleições e dos problemas fiscais do Brasil, e pode ajudar o País a voltar finalmente a ter ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) em 2026. A pesquisa do UBS mostra que 75% dos entrevistados esperam “mais de 10” IPOs de empresas brasileiras em 2026. “Claro que talvez ali perto das eleições haja uma parada, mas estou otimista com o fluxo.”
Em ano eleitoral, Bassan acha que não será a situação fiscal ou questões econômicas que vão dominar o debate entre os candidatos. Será o tema da segurança pública. Por esse motivo, o UBS, que terminou nesta quarta-feira, 28, um evento de dois dias em São Paulo, com 2,4 mil participantes por dia - incluindo 130 empresas e 1000 investidores institucionais, muitos estrangeiros -, dedicou pela primeira vez um painel para falar especificamente do tema, com o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (Bope), Rodrigo Pimentel. “O mercado está perguntando muito sobre economia, sobre fiscal, mas a verdade é que o foco dos candidatos vai ser segurança pública.”
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 28/01/2026, às 17:19
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