Economia e políticas públicas

Opinião|Competição de fintechs reduz juros e margens dos bancos


Estudo do FMI confirma aumento de concorrência no crédito com fintechs. Ricardo Barboza, head de Pesquisa Econômica do Nubank, aponta papel das fintechs de aumentar a inclusão bancária.

Por Fernando Dantas

Pesquisa do FMI relativa ao mercado de crédito brasileiro mostra que a competição introduzida pelas fintechs efetivamente reduziu os juros cobrados dos tomadores de empréstimo e a margem das instituições que oferecem empréstimos.

Segundo a estimativa do Fundo, baseada em dados do mercado financeiro do Brasil entre 2012 e 2024, um desvio padrão de aumento da exposição dos bancos à competição das fintechs reduz em 2,9 pontos porcentuais (pp) o juro dos empréstimos e em 1,3pp a margem líquida dos bancos tradicionais. Em 2024, 25% do mercado de cartões de crédito e mais de 10% dos empréstimos pessoais não consignados no Brasil provieram das fintechs.

Essas informações estão contidas no box 6 do relatório do artigo 4 (documento anual baseado em visita do staff do FMI ao País para consultas com autoridades econômicas), divulgado este mês.

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Segundo o documento, a redução das margens sugere que houve melhora na eficiência da intermediação financeira. Mesmo com essa melhora operacional, os bancos tiveram queda de lucratividade por causa da diminuição das margens, mas não se observou impacto no volume de crédito ou na propensão a tomar risco.

Ricardo Barboza, head de Pesquisa Econômica do Nubank, observa que um dos poucos pontos consensuais entre todas as correntes de economistas é de que mais competição reduz preços, aumenta a qualidade, traz mais inovação e, portanto, é algo socialmente desejável.

Barboza vê no Brasil (e em outros países) "uma onda de aumento de competição no mercado de crédito puxada pelas fintechs".

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Em outra parte do relatório do artigo 4, o Brasil aparece como um país com markup (margem de lucro), em relação à economia como um todo, acima da média das cinco principais economias latino-americanas que, por sua vez têm um markup médio bem acima da média dos emergentes. Mencionando o aumento de competição trazido pelas fintechs ao setor financeiro do Brasil, o documento do FMI recomenda que passos sejam tomados para aumentar a competição em outros setores da economia.

A pesquisa econômica recente indica que o surgimento de fintechs tende a ser mais forte em países com muita exclusão financeira e custos elevados de intermediação, observa Barbosa. Ele acrescenta que o Brasil se destaca pelos spreads muito altos e, até recentemente, um nível relativamente baixo de bancarização. Assim, não é surpresa que o Brasil tenha se tornado o líder em fintechs da América Latina, com 24% de todas as instituições desse setor na região, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Barboza assinala que o Nubank forneceu o primeiro cartão de crédito da vida para cerca de 21 milhões de pessoas ao longo de cinco anos. Já pesquisa do Mastercard aponta que, entre seis importantes economias latino-americanas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru), o Brasil apresentou a maior proporção de pessoas (58%) que só acessaram serviços bancários por meio de fintechs.

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Jáconcentração das cinco maiores instituições financeiras nos mercados do Brasil com maior penetração de fintechs (cartões de crédito e empréstimo pessoal) caiu de quase 80% para menos de 60%, segundo estudo (Ribeiro e Ricca, 2025) citado por Barboza.

Há hoje cerca de 330 fintechs no Brasil, classificadas pelo Banco Central (BC) em instituições de pagamento (cartão de crédito, débito e "maquininhas"/adquirentes), sociedades de crédito direto (empréstimos e financiamentos online) e sociedades de empréstimos entre pessoas, que facilitam empréstimos entre pessoas.

Barboza, que vem acompanhando a literatura econômica sobre as fintechs, lista mais alguns fatos já estabelecidos a partir de evidências.

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As fintechs reduzem juros; trazem mais inovação para o sistema financeiro; ampliam o acesso financeiro, com baixo custo e modelos inovadores, para pessoas antes desbancarizadas; aumentam a bancarização de pequenas e micro empresas; têm alta penetração em regiões com poucas agências bancárias, reduzindo o papel da distância geográfica como barreira ao crédito; diminuem a exclusão financeira de mulheres e desempregados (neste último caso, pela melhor classificação dos riscos); reduzem o estresse financeiro das pessoas; e aumentam a efetividade de políticas públicas (Barboza cita a liderança do Nubank no Pix e em open finance).

Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 25/7/2025, sexta-feira.

Pesquisa do FMI relativa ao mercado de crédito brasileiro mostra que a competição introduzida pelas fintechs efetivamente reduziu os juros cobrados dos tomadores de empréstimo e a margem das instituições que oferecem empréstimos.

Segundo a estimativa do Fundo, baseada em dados do mercado financeiro do Brasil entre 2012 e 2024, um desvio padrão de aumento da exposição dos bancos à competição das fintechs reduz em 2,9 pontos porcentuais (pp) o juro dos empréstimos e em 1,3pp a margem líquida dos bancos tradicionais. Em 2024, 25% do mercado de cartões de crédito e mais de 10% dos empréstimos pessoais não consignados no Brasil provieram das fintechs.

Essas informações estão contidas no box 6 do relatório do artigo 4 (documento anual baseado em visita do staff do FMI ao País para consultas com autoridades econômicas), divulgado este mês.

Segundo o documento, a redução das margens sugere que houve melhora na eficiência da intermediação financeira. Mesmo com essa melhora operacional, os bancos tiveram queda de lucratividade por causa da diminuição das margens, mas não se observou impacto no volume de crédito ou na propensão a tomar risco.

Ricardo Barboza, head de Pesquisa Econômica do Nubank, observa que um dos poucos pontos consensuais entre todas as correntes de economistas é de que mais competição reduz preços, aumenta a qualidade, traz mais inovação e, portanto, é algo socialmente desejável.

Barboza vê no Brasil (e em outros países) "uma onda de aumento de competição no mercado de crédito puxada pelas fintechs".

Em outra parte do relatório do artigo 4, o Brasil aparece como um país com markup (margem de lucro), em relação à economia como um todo, acima da média das cinco principais economias latino-americanas que, por sua vez têm um markup médio bem acima da média dos emergentes. Mencionando o aumento de competição trazido pelas fintechs ao setor financeiro do Brasil, o documento do FMI recomenda que passos sejam tomados para aumentar a competição em outros setores da economia.

A pesquisa econômica recente indica que o surgimento de fintechs tende a ser mais forte em países com muita exclusão financeira e custos elevados de intermediação, observa Barbosa. Ele acrescenta que o Brasil se destaca pelos spreads muito altos e, até recentemente, um nível relativamente baixo de bancarização. Assim, não é surpresa que o Brasil tenha se tornado o líder em fintechs da América Latina, com 24% de todas as instituições desse setor na região, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Barboza assinala que o Nubank forneceu o primeiro cartão de crédito da vida para cerca de 21 milhões de pessoas ao longo de cinco anos. Já pesquisa do Mastercard aponta que, entre seis importantes economias latino-americanas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru), o Brasil apresentou a maior proporção de pessoas (58%) que só acessaram serviços bancários por meio de fintechs.

Jáconcentração das cinco maiores instituições financeiras nos mercados do Brasil com maior penetração de fintechs (cartões de crédito e empréstimo pessoal) caiu de quase 80% para menos de 60%, segundo estudo (Ribeiro e Ricca, 2025) citado por Barboza.

Há hoje cerca de 330 fintechs no Brasil, classificadas pelo Banco Central (BC) em instituições de pagamento (cartão de crédito, débito e "maquininhas"/adquirentes), sociedades de crédito direto (empréstimos e financiamentos online) e sociedades de empréstimos entre pessoas, que facilitam empréstimos entre pessoas.

Barboza, que vem acompanhando a literatura econômica sobre as fintechs, lista mais alguns fatos já estabelecidos a partir de evidências.

As fintechs reduzem juros; trazem mais inovação para o sistema financeiro; ampliam o acesso financeiro, com baixo custo e modelos inovadores, para pessoas antes desbancarizadas; aumentam a bancarização de pequenas e micro empresas; têm alta penetração em regiões com poucas agências bancárias, reduzindo o papel da distância geográfica como barreira ao crédito; diminuem a exclusão financeira de mulheres e desempregados (neste último caso, pela melhor classificação dos riscos); reduzem o estresse financeiro das pessoas; e aumentam a efetividade de políticas públicas (Barboza cita a liderança do Nubank no Pix e em open finance).

Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 25/7/2025, sexta-feira.

Pesquisa do FMI relativa ao mercado de crédito brasileiro mostra que a competição introduzida pelas fintechs efetivamente reduziu os juros cobrados dos tomadores de empréstimo e a margem das instituições que oferecem empréstimos.

Segundo a estimativa do Fundo, baseada em dados do mercado financeiro do Brasil entre 2012 e 2024, um desvio padrão de aumento da exposição dos bancos à competição das fintechs reduz em 2,9 pontos porcentuais (pp) o juro dos empréstimos e em 1,3pp a margem líquida dos bancos tradicionais. Em 2024, 25% do mercado de cartões de crédito e mais de 10% dos empréstimos pessoais não consignados no Brasil provieram das fintechs.

Essas informações estão contidas no box 6 do relatório do artigo 4 (documento anual baseado em visita do staff do FMI ao País para consultas com autoridades econômicas), divulgado este mês.

Segundo o documento, a redução das margens sugere que houve melhora na eficiência da intermediação financeira. Mesmo com essa melhora operacional, os bancos tiveram queda de lucratividade por causa da diminuição das margens, mas não se observou impacto no volume de crédito ou na propensão a tomar risco.

Ricardo Barboza, head de Pesquisa Econômica do Nubank, observa que um dos poucos pontos consensuais entre todas as correntes de economistas é de que mais competição reduz preços, aumenta a qualidade, traz mais inovação e, portanto, é algo socialmente desejável.

Barboza vê no Brasil (e em outros países) "uma onda de aumento de competição no mercado de crédito puxada pelas fintechs".

Em outra parte do relatório do artigo 4, o Brasil aparece como um país com markup (margem de lucro), em relação à economia como um todo, acima da média das cinco principais economias latino-americanas que, por sua vez têm um markup médio bem acima da média dos emergentes. Mencionando o aumento de competição trazido pelas fintechs ao setor financeiro do Brasil, o documento do FMI recomenda que passos sejam tomados para aumentar a competição em outros setores da economia.

A pesquisa econômica recente indica que o surgimento de fintechs tende a ser mais forte em países com muita exclusão financeira e custos elevados de intermediação, observa Barbosa. Ele acrescenta que o Brasil se destaca pelos spreads muito altos e, até recentemente, um nível relativamente baixo de bancarização. Assim, não é surpresa que o Brasil tenha se tornado o líder em fintechs da América Latina, com 24% de todas as instituições desse setor na região, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Barboza assinala que o Nubank forneceu o primeiro cartão de crédito da vida para cerca de 21 milhões de pessoas ao longo de cinco anos. Já pesquisa do Mastercard aponta que, entre seis importantes economias latino-americanas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru), o Brasil apresentou a maior proporção de pessoas (58%) que só acessaram serviços bancários por meio de fintechs.

Jáconcentração das cinco maiores instituições financeiras nos mercados do Brasil com maior penetração de fintechs (cartões de crédito e empréstimo pessoal) caiu de quase 80% para menos de 60%, segundo estudo (Ribeiro e Ricca, 2025) citado por Barboza.

Há hoje cerca de 330 fintechs no Brasil, classificadas pelo Banco Central (BC) em instituições de pagamento (cartão de crédito, débito e "maquininhas"/adquirentes), sociedades de crédito direto (empréstimos e financiamentos online) e sociedades de empréstimos entre pessoas, que facilitam empréstimos entre pessoas.

Barboza, que vem acompanhando a literatura econômica sobre as fintechs, lista mais alguns fatos já estabelecidos a partir de evidências.

As fintechs reduzem juros; trazem mais inovação para o sistema financeiro; ampliam o acesso financeiro, com baixo custo e modelos inovadores, para pessoas antes desbancarizadas; aumentam a bancarização de pequenas e micro empresas; têm alta penetração em regiões com poucas agências bancárias, reduzindo o papel da distância geográfica como barreira ao crédito; diminuem a exclusão financeira de mulheres e desempregados (neste último caso, pela melhor classificação dos riscos); reduzem o estresse financeiro das pessoas; e aumentam a efetividade de políticas públicas (Barboza cita a liderança do Nubank no Pix e em open finance).

Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 25/7/2025, sexta-feira.

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