Puxada pelo alimentos, a inflação de janeiro na cidade de São Paulo surpreendeu e atingiu 1,15%, o maior nível desde janeiro de 2010 (1,34%), segundo Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Em dezembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tinha subido 0,78%. Em 12 meses até janeiro, o indicador acumula alta de 5,61%, o maior nível para o IPC em 12 meses desde dezembro de 2011, quando a taxa havia sido 5,81%.Segundo o coordenador do IPC da Fipe, Rafael Costa Lima, o cenário atual é ruim para a inflação e a tendência é que o IPC continue elevado no primeiro semestre. Apesar da forte aceleração da inflação, o economista mantém, por enquanto, a previsão de que a inflação de 2013 fique em 5,40%."É cedo para alterar a projeção de 5,40% para o IPC de 2013. Mas nos seis primeiros meses do ano, a inflação em 12 meses deve continuar rodando em torno de 6%", afirmou.Costa Lima destacou que se trata de um começo de ano bem ruim, de aceleração bem forte do IPC da Fipe em muito pouco tempo. Ele observou que há reajustes de preços previsto para este semestre que ainda vão ser captados pelo IPC, como o da gasolina, além de aumentos esperados para ônibus e metrô.Especificamente em relação ao resultado de janeiro, o economista destacou que a surpresa veio do grupo alimentação, que subiu 2,11% e representou 41,89% de toda a inflação. Dentro do grupo o destaque foi a expressiva alta de 8,25% dos alimentos in natura, o que teve uma alta mais intensa desde fevereiro de 2003 (9,40%). Somados a este fator decisivo, os grupos educação, com avanço de 6,08%, e despesas pessoais, com alta 2,42%, foram os outros vilões da inflação por causa dos reajustes das mensalidades escolares e nos preços dos cigarros, respectivamente.Serviços. No mês passado, os preços dos serviços subiram 0,97%. O resultado superou a taxa de 0,87% de dezembro e representou o maior número desde janeiro do ano passado, quando a inflação dos serviços atingiu 1,02%.Outro destaque da inflação de janeiro foi o fato de os aumentos de preços terem se disseminado ainda mais. No mês passado 72,01% dos preços pesquisados pelo IPC da Fipe registraram aumento. Foi o maior resultado para o indicador de difusão desde fevereiro de 2003, quando 77,14% dos preços pesquisados tinham registrado variação positiva naquele mês. Em dezembro do ano passado, o indicador de difusão estava em 65,17%. "É um bom exemplo de como a inflação em São Paulo está disseminada", afirmou o coordenador do IPC,Fevereiro. Para este mês, a Fipe espera IPC de 0,49%. O número é bem menor que o de janeiro, mas tende, segundo Costa Lima, a levar o IPC em 12 meses já para um nível acima de 6%. Essa projeção já considera a ajuda vinda da queda nas tarifas de energia elétrica, além de uma natural redução dos impactos dos grupos alimentação, despesas pessoais e educação, que pressionaram o indicador de inflação neste mês.Em contrapartida, Costa Lima ponderou que o recente reajuste no preço da gasolina de 6,6% nas refinarias tende a pressionar o grupo transportes neste mês.