No primeiro trimestre de 2019, a taxa de vacância dos galpões logísticos da Log, a empresa de capital aberto de galpões logísticos controlada pelo empresário mineiro Rubens Menin, era de 5,3%. No mesmo período deste ano, o índice ficou em 1,55%. Nos seis anos que separam esses dois indicadores, a Log registrou um constante avanço de melhoria de resultados e investimentos, turbinados pela explosão do e-commerce desde a pandemia.
Nem mesmo a ressaca do pós-pandemia, quando muitas empresas de varejo sentiram os efeitos de investimentos excessivos, do aumento dos juros da economia e de um crescimento do consumo menos acelerado, afetaram a trajetória da Log.
No primeiro semestre deste ano, todos os novos projetos lançados pela empresa ficaram prontos com ocupação de 100% dos espaços. A empresa de logística tem como seus três maiores clientes Shopee, Mercado Livre e Amazon. Os clientes de e-commerce respondem por 20% dos resultados, mas, se considerar também empresas que combinam vendas físicas e online, como a Magazine Luiza, chegam a mais de 50%.
A receita líquida da Log ficou dividida, no passado, em R$ 219,7 milhões de locação e mais R$ 1,5 bilhão em venda de ativos. “Estamos fazendo uma reciclagem de galpões, com espaços mais modernos”, afirma o CEO, Sergio Fischer. “A gente consegue construir ao custo de R$ 2 mil por metro quadrado e vendemos por R$ 3,5 mil.”
Quando as gigantes do e-commerce partem para conquistar um novo mercado, recorrem aos espaços da Log. “Se numa cidade grande, não existe um galpão novo, montamos para elas, para que possam entregar mercadorias em 24 horas, sem deixar estoque parado, porque esse é o jogo delas”, diz. “Estamos a 100 quilômetros de distância de mais de 60% da população brasileira.”
A Shopee, por exemplo, tem nos planos um centro de distribuição que poderá ser operado por 2,4 mil funcionários para atender a região de Recife. Em outra capital importante, em Fortaleza, foi a Log a fazer o primeiro galpão logística com status classe A, que designa os espaços de maior qualidade, bem localizados, com pé direito alto, iluminação de LED, tecnologia mais moderna e de maior segurança.
Em 2024, a Log foi responsável pela abertura de 20% de todo o espaço de galpões logísticos do País, diz Fischer, que é irmão de Eduardo Fischer, co-presidente da construtora MRV, ao lado de Rafael Menin, filho de Rubens Menin. A empresa, em sua história, já entregou mais de 2,3 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL), em 50 empreendimentos, com presença em 36 cidades de todas as regiões.
Bastante do crescimento aconteceu nos últimos cinco anos, quando a empresa promoveu um plano de abrir 1,5 milhão de metros quadrados. Isso permitiu atingir todas as capitais do Nordeste, além de Belém e Cuiabá. Agora, em 2025, a Log iniciou um novo ciclo de investimentos de quatro anos, até 2028, de R$ 1 bilhão por ano de investimentos, para construir mais 2 milhões de metros quadrados.
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Todos os projetos da Log são montados do zero pela empresa, que nasceu em 2008 como uma subsidiária da MRV Engenharia. Cinco anos depois, ela chegou à bolsa de valores. Mais cinco anos e ela passou por uma nova abertura de capital, já como empresa independente e chamada Log Commercial Properties.
Apesar de aproveitar os bons resultados do comércio eletrônico, o valor das ações da Log não acompanham o momento. A culpa, segundo Fischer, é que os papeis da empresa são muito relacionados ao desempenho dos setores de real estate e varejo, muito impactados pela Selic alta, em 15%. “O ano passado foi o melhor da companhia, fizemos recompra de ações e cancelamos 15% do capital da companhia. A bolsa estava muito depreciada”, diz o CEO.
A ação chegou a valer quase R$ 37, em novembro de 2020, e era cotada na última semana em torno de R$ 21. Para reverter essa percepção negativa, a Log pela primeira vez divulgou uma previsão de lucro líquido, entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões no ano, e prometeu que vai distribuir metade do valor em dividendos.