BRASÍLIA - As contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) tiveram superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro, após um resultado deficitário de R$ 13,585 bilhões em agosto, informou o Tesouro nesta quinta-feira, 29.
O superávit de setembro veio abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava resultado superavitário de R$ 5,255 bilhões. As estimativas para o resultado do mês iam de déficit de R$ 14,7 bilhões a superávit de R$ 6,3 bilhões.
O resultado primário do mês passado foi melhor do que o registrado em setembro de 2025, quando o saldo nas contas do governo central foi negativo em R$ 14,379 bilhões. O superávit de setembro foi o melhor para o mês, na série corrigida pela inflação, desde 2023, quando foi de R$ 13,444 bilhões.
As despesas do governo central subiram 2,4% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, já contabilizando a inflação do período. As receitas totais tiveram alta real de 13,0%, na mesma base de comparação.
No mês passado, a arrecadação do governo com impostos e contribuições federais somou R$ 239,384 bilhões, recorde para o mês.
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No acumulado até setembro de 2026, o governo central tem déficit primário de R$ 90,155 bilhões. No mesmo período de 2025, o resultado era negativo em R$ 100,385 bilhões, sem correção pelo IPCA. As despesas tiveram alta real de 5,4% na soma do ano, enquanto as receitas totais também subiram 6,4% acima da inflação.
No acumulado de 12 meses até setembro, o déficit primário do governo central soma R$ 49,51 bilhões, o equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB). As despesas obrigatórias somam 17,42% do PIB, e as discricionárias, 1,77%.
A meta fiscal de 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto porcentual para mais ou para menos.
Cancelamento de cerca de R$ 13 bi de precatórios ajudou receitas
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, disse que houve um cancelamento de cerca de R$ 13 bilhões em precatórios que contribui com o resultado do governo central em setembro, enquanto a queda nas despesas discricionárias se deu por questões de calendário.
“Houve um cancelamento de precatórios, então a gente teve mais receitas, que foi exatamente na ordem de R$ 13 bilhões”, disse Leal em entrevista à imprensa para comentar os dados do resultado do Tesouro Nacional (RTN) de setembro.
O secretário afirmou ainda que as receitas extras derivadas da alta do petróleo, que somam R$ 64,574 bilhões até setembro, devem ter suas previsões atualizadas no próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.
No acumulado de 12 meses até setembro, as despesas discricionárias representam 1,77% do PIB, segundo o RTN. “A gente volta a ter uma pequena queda nas discricionárias, mas muito aqui em função da questão de calendário, que teve uma execução mais forte esse ano no primeiro semestre”, explicou Leal.
As contas do governo central tiveram receitas extraordinárias com a alta dos preços dos combustíveis na casa de R$ 64,574 bilhões no acumulado até setembro de 2026.
As despesas com as medidas de desoneração aos combustíveis somam R$ 7,084 bilhões até setembro. As medidas visam mitigar os efeitos da alta nos preços na sociedade desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
As subvenções aos combustíveis somam R$ 18,6 bilhões pagos até outubro, execução de cerca de 58% da dotação atualizada. A previsão é que sejam pagos R$ 31,960 bilhões.