O peso do diploma universitário: 6 pontos mostram distância do Brasil para os países ricos


Relatório da OCDE indica as diferenças de investimento, salários, número de alunos e áreas de interesse no ensino superior

Por Renata Cafardo
Atualização:

Seu navegador não suporta esse video.

Média brasileira, segundo a organização internacional, este ano veio diferente e agora só é maior do que as de Argentina, Indonésia, Romênia e Arábia Saudita

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira, 9, o relatório Education at a Glance, que traz comparações entre dados educacionais de vários países. O Brasil não faz parte da OCDE, formada na maioria por nações desenvolvidas, mas entra como convidado.

Neste ano, o foco do relatório é o ensino superior, mas há também informações sobre educação básica e educação profissional e tecnológica. É possível comparar o Brasil sob vários aspectos: investimentos em educação, quantidades de alunos e formandos em determinadas áreas, além dos nem-nem, aqueles que nem estudam nem trabalham.

continua após a publicidade

Veja a seguir os seis pontos principais do relatório:

Investimentos do governo em educação

Apesar de o Brasil investir 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, enquanto os países da OCDE aplicam 3,6%, o gasto por aluno continua representando um terço do que fazem as nações desenvolvidas.

continua após a publicidade

Isso porque o Brasil tem mais de 50 milhões de alunos na educação básica e no ensino superior juntos, o que acaba diluindo o alto valor investido.

Relatório confirma que brasileiros que concluem o ensino superior ganham mais do que os que têm apenas o ensino médio completo. Foto: CHAYATORN L.

Segundo dados do relatório, considerando apenas os gastos públicos, o País investe US$ 3.850 por aluno/ano na educação básica e no ensino superior juntos. Já a média dos países da OCDE é de US$ 12.780, cerca de três vezes mais. Os valores se referem a 2022 e já consideram também investimento em pesquisa.

continua após a publicidade

As nações que mais investem em educação são Luxemburgo, com US$ 29.531 por aluno/ano e Suíça, com mais de US$ 23 mil.

Entre países latinos, Chile e Argentina também destinam maiores valores que o Brasil, US$ 5 mil e US$ 4,1 mil, respectivamente. Entre os que investem menos que o governo brasileiro citados no relatório estão apenas Peru, México e África do Sul.

continua após a publicidade

Salários e emprego pós-faculdade

Brasileiros de 25 a 64 anos que concluem o ensino superior ganham em média 148% a mais do que os que têm apenas o ensino médio completo, um salto bem maior do que a média da OCDE, de 54% mais.

Segundo o relatório, isso sugere maior desigualdade e “uma distribuição salarial geralmente mais influenciada pela escolaridade no Brasil, o que pode indicar maiores retornos para quem têm mais formação”.

continua após a publicidade

Já os que têm escolaridade abaixo do ensino médio ganham cerca de 75% da renda daqueles que completaram a escola.

Em média, na OCDE, 7% dos adultos com ensino médio estão desempregados e 5% dos que têm ensino superior. No Brasil, os números são semelhantes, 8% daqueles com ensino médio e 5% dos que fizeram faculdade.

continua após a publicidade

Ensino técnico crescendo

A educação profissional e tecnológica cresceu no Brasil entre 2013 e 2023, segundo o relatório, mas ainda está muito aquém dos países desenvolvidos.

O índice de estudantes na modalidade foi de 8% para 14%, o que representa um terço da média da OCDE (44%). A taxa de estudantes no ensino técnico também é menor do que em outros países latino-americanos, como México (35%) e Chile (33%).

O documento específico da OCDE sobre o Brasil cita “reformas recentes por meio do novo ensino médio” que “tornaram a educação profissional um componente opcional dos programas, permitindo que se tornassem mais flexíveis e adaptados localmente”.

Mais nem-nem que nos outros países

Em 2024, 24% dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil não trabalhavam nem estudavam, os chamados nem-nem. A taxa é superior à média da OCDE, de 14%.

O índice tem caído nos últimos anos - era 30% em 2019 -, mas ainda há, segundo a OCDE, uma grande disparidade de gênero no País. Podem ser chamados de nem-nem 29% das mulheres e 19% dos homens no Brasil. Entre os países desenvolvidos, essa taxa tende a ser parecida.

Menos STEM e mais Administração no Brasil

Enquanto em países desenvolvidos a área mais popular no ensino superior atualmente é STEM (ciência, tecnologia, engenharias e matemática), no Brasil ainda há mais graduados em Administração e Direito.

No País, 16% dos adultos são formados em STEM, enquanto 34% em Administração e Direito; 19% em áreas de Saúde e 8% em Artes e Humanidades.

Já em países como Alemanha e Coreia do Sul, 35% e 32% estão formados em STEM atualmente. Outras nações têm índices acima de 25% na área, como Estados Unidos, Finlândia, Reino Unido, Índia, além dos latinos México e Chile.

A média nos países da OCDE é de 23% dos que fizeram bacharelado escolheram STEM, com um equilíbrio maior entre as outras áreas de estudo, o que também não ocorre no Brasil. São 22% nas áreas de Artes, Humanidades e Jornalismo; 23% em Administração e Direito e 16% em Saúde. O restante está distribuído nos outros campos de ensino superior.

Maior abandono da faculdade

Segundo o relatório, 25% dos alunos no Brasil abandonam seus cursos de bacharelado no primeiro ano, índice que é de 13% nos países da OCDE.

O documento afirma que “altas taxas de abandono no primeiro ano podem indicar uma incompatibilidade entre as expectativas dos estudantes e o conteúdo do curso” o que refletiria “uma falta de orientação profissional para futuros estudantes ou apoio insuficiente para os novos ingressantes”.

Com maioria dos alunos em faculdades privadas, as condições financeiras para bancar as mensalidades dos cursos também são um desafio para os universitários brasileiros.

Os baixos índices de retenção e conclusão no Brasil contribuem para uma baixa taxa geral da população formada em ensino superior, de 24% entre jovens de 25 a 34 anos. Isso significa menos da metade da média da OCDE, de 49%.

Seu navegador não suporta esse video.

Média brasileira, segundo a organização internacional, este ano veio diferente e agora só é maior do que as de Argentina, Indonésia, Romênia e Arábia Saudita

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira, 9, o relatório Education at a Glance, que traz comparações entre dados educacionais de vários países. O Brasil não faz parte da OCDE, formada na maioria por nações desenvolvidas, mas entra como convidado.

Neste ano, o foco do relatório é o ensino superior, mas há também informações sobre educação básica e educação profissional e tecnológica. É possível comparar o Brasil sob vários aspectos: investimentos em educação, quantidades de alunos e formandos em determinadas áreas, além dos nem-nem, aqueles que nem estudam nem trabalham.

Veja a seguir os seis pontos principais do relatório:

Investimentos do governo em educação

Apesar de o Brasil investir 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, enquanto os países da OCDE aplicam 3,6%, o gasto por aluno continua representando um terço do que fazem as nações desenvolvidas.

Isso porque o Brasil tem mais de 50 milhões de alunos na educação básica e no ensino superior juntos, o que acaba diluindo o alto valor investido.

Relatório confirma que brasileiros que concluem o ensino superior ganham mais do que os que têm apenas o ensino médio completo. Foto: CHAYATORN L.

Segundo dados do relatório, considerando apenas os gastos públicos, o País investe US$ 3.850 por aluno/ano na educação básica e no ensino superior juntos. Já a média dos países da OCDE é de US$ 12.780, cerca de três vezes mais. Os valores se referem a 2022 e já consideram também investimento em pesquisa.

As nações que mais investem em educação são Luxemburgo, com US$ 29.531 por aluno/ano e Suíça, com mais de US$ 23 mil.

Entre países latinos, Chile e Argentina também destinam maiores valores que o Brasil, US$ 5 mil e US$ 4,1 mil, respectivamente. Entre os que investem menos que o governo brasileiro citados no relatório estão apenas Peru, México e África do Sul.

Salários e emprego pós-faculdade

Brasileiros de 25 a 64 anos que concluem o ensino superior ganham em média 148% a mais do que os que têm apenas o ensino médio completo, um salto bem maior do que a média da OCDE, de 54% mais.

Segundo o relatório, isso sugere maior desigualdade e “uma distribuição salarial geralmente mais influenciada pela escolaridade no Brasil, o que pode indicar maiores retornos para quem têm mais formação”.

Já os que têm escolaridade abaixo do ensino médio ganham cerca de 75% da renda daqueles que completaram a escola.

Em média, na OCDE, 7% dos adultos com ensino médio estão desempregados e 5% dos que têm ensino superior. No Brasil, os números são semelhantes, 8% daqueles com ensino médio e 5% dos que fizeram faculdade.

Ensino técnico crescendo

A educação profissional e tecnológica cresceu no Brasil entre 2013 e 2023, segundo o relatório, mas ainda está muito aquém dos países desenvolvidos.

O índice de estudantes na modalidade foi de 8% para 14%, o que representa um terço da média da OCDE (44%). A taxa de estudantes no ensino técnico também é menor do que em outros países latino-americanos, como México (35%) e Chile (33%).

O documento específico da OCDE sobre o Brasil cita “reformas recentes por meio do novo ensino médio” que “tornaram a educação profissional um componente opcional dos programas, permitindo que se tornassem mais flexíveis e adaptados localmente”.

Mais nem-nem que nos outros países

Em 2024, 24% dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil não trabalhavam nem estudavam, os chamados nem-nem. A taxa é superior à média da OCDE, de 14%.

O índice tem caído nos últimos anos - era 30% em 2019 -, mas ainda há, segundo a OCDE, uma grande disparidade de gênero no País. Podem ser chamados de nem-nem 29% das mulheres e 19% dos homens no Brasil. Entre os países desenvolvidos, essa taxa tende a ser parecida.

Menos STEM e mais Administração no Brasil

Enquanto em países desenvolvidos a área mais popular no ensino superior atualmente é STEM (ciência, tecnologia, engenharias e matemática), no Brasil ainda há mais graduados em Administração e Direito.

No País, 16% dos adultos são formados em STEM, enquanto 34% em Administração e Direito; 19% em áreas de Saúde e 8% em Artes e Humanidades.

Já em países como Alemanha e Coreia do Sul, 35% e 32% estão formados em STEM atualmente. Outras nações têm índices acima de 25% na área, como Estados Unidos, Finlândia, Reino Unido, Índia, além dos latinos México e Chile.

A média nos países da OCDE é de 23% dos que fizeram bacharelado escolheram STEM, com um equilíbrio maior entre as outras áreas de estudo, o que também não ocorre no Brasil. São 22% nas áreas de Artes, Humanidades e Jornalismo; 23% em Administração e Direito e 16% em Saúde. O restante está distribuído nos outros campos de ensino superior.

Maior abandono da faculdade

Segundo o relatório, 25% dos alunos no Brasil abandonam seus cursos de bacharelado no primeiro ano, índice que é de 13% nos países da OCDE.

O documento afirma que “altas taxas de abandono no primeiro ano podem indicar uma incompatibilidade entre as expectativas dos estudantes e o conteúdo do curso” o que refletiria “uma falta de orientação profissional para futuros estudantes ou apoio insuficiente para os novos ingressantes”.

Com maioria dos alunos em faculdades privadas, as condições financeiras para bancar as mensalidades dos cursos também são um desafio para os universitários brasileiros.

Os baixos índices de retenção e conclusão no Brasil contribuem para uma baixa taxa geral da população formada em ensino superior, de 24% entre jovens de 25 a 34 anos. Isso significa menos da metade da média da OCDE, de 49%.

Seu navegador não suporta esse video.

Média brasileira, segundo a organização internacional, este ano veio diferente e agora só é maior do que as de Argentina, Indonésia, Romênia e Arábia Saudita

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira, 9, o relatório Education at a Glance, que traz comparações entre dados educacionais de vários países. O Brasil não faz parte da OCDE, formada na maioria por nações desenvolvidas, mas entra como convidado.

Neste ano, o foco do relatório é o ensino superior, mas há também informações sobre educação básica e educação profissional e tecnológica. É possível comparar o Brasil sob vários aspectos: investimentos em educação, quantidades de alunos e formandos em determinadas áreas, além dos nem-nem, aqueles que nem estudam nem trabalham.

Veja a seguir os seis pontos principais do relatório:

Investimentos do governo em educação

Apesar de o Brasil investir 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, enquanto os países da OCDE aplicam 3,6%, o gasto por aluno continua representando um terço do que fazem as nações desenvolvidas.

Isso porque o Brasil tem mais de 50 milhões de alunos na educação básica e no ensino superior juntos, o que acaba diluindo o alto valor investido.

Relatório confirma que brasileiros que concluem o ensino superior ganham mais do que os que têm apenas o ensino médio completo. Foto: CHAYATORN L.

Segundo dados do relatório, considerando apenas os gastos públicos, o País investe US$ 3.850 por aluno/ano na educação básica e no ensino superior juntos. Já a média dos países da OCDE é de US$ 12.780, cerca de três vezes mais. Os valores se referem a 2022 e já consideram também investimento em pesquisa.

As nações que mais investem em educação são Luxemburgo, com US$ 29.531 por aluno/ano e Suíça, com mais de US$ 23 mil.

Entre países latinos, Chile e Argentina também destinam maiores valores que o Brasil, US$ 5 mil e US$ 4,1 mil, respectivamente. Entre os que investem menos que o governo brasileiro citados no relatório estão apenas Peru, México e África do Sul.

Salários e emprego pós-faculdade

Brasileiros de 25 a 64 anos que concluem o ensino superior ganham em média 148% a mais do que os que têm apenas o ensino médio completo, um salto bem maior do que a média da OCDE, de 54% mais.

Segundo o relatório, isso sugere maior desigualdade e “uma distribuição salarial geralmente mais influenciada pela escolaridade no Brasil, o que pode indicar maiores retornos para quem têm mais formação”.

Já os que têm escolaridade abaixo do ensino médio ganham cerca de 75% da renda daqueles que completaram a escola.

Em média, na OCDE, 7% dos adultos com ensino médio estão desempregados e 5% dos que têm ensino superior. No Brasil, os números são semelhantes, 8% daqueles com ensino médio e 5% dos que fizeram faculdade.

Ensino técnico crescendo

A educação profissional e tecnológica cresceu no Brasil entre 2013 e 2023, segundo o relatório, mas ainda está muito aquém dos países desenvolvidos.

O índice de estudantes na modalidade foi de 8% para 14%, o que representa um terço da média da OCDE (44%). A taxa de estudantes no ensino técnico também é menor do que em outros países latino-americanos, como México (35%) e Chile (33%).

O documento específico da OCDE sobre o Brasil cita “reformas recentes por meio do novo ensino médio” que “tornaram a educação profissional um componente opcional dos programas, permitindo que se tornassem mais flexíveis e adaptados localmente”.

Mais nem-nem que nos outros países

Em 2024, 24% dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil não trabalhavam nem estudavam, os chamados nem-nem. A taxa é superior à média da OCDE, de 14%.

O índice tem caído nos últimos anos - era 30% em 2019 -, mas ainda há, segundo a OCDE, uma grande disparidade de gênero no País. Podem ser chamados de nem-nem 29% das mulheres e 19% dos homens no Brasil. Entre os países desenvolvidos, essa taxa tende a ser parecida.

Menos STEM e mais Administração no Brasil

Enquanto em países desenvolvidos a área mais popular no ensino superior atualmente é STEM (ciência, tecnologia, engenharias e matemática), no Brasil ainda há mais graduados em Administração e Direito.

No País, 16% dos adultos são formados em STEM, enquanto 34% em Administração e Direito; 19% em áreas de Saúde e 8% em Artes e Humanidades.

Já em países como Alemanha e Coreia do Sul, 35% e 32% estão formados em STEM atualmente. Outras nações têm índices acima de 25% na área, como Estados Unidos, Finlândia, Reino Unido, Índia, além dos latinos México e Chile.

A média nos países da OCDE é de 23% dos que fizeram bacharelado escolheram STEM, com um equilíbrio maior entre as outras áreas de estudo, o que também não ocorre no Brasil. São 22% nas áreas de Artes, Humanidades e Jornalismo; 23% em Administração e Direito e 16% em Saúde. O restante está distribuído nos outros campos de ensino superior.

Maior abandono da faculdade

Segundo o relatório, 25% dos alunos no Brasil abandonam seus cursos de bacharelado no primeiro ano, índice que é de 13% nos países da OCDE.

O documento afirma que “altas taxas de abandono no primeiro ano podem indicar uma incompatibilidade entre as expectativas dos estudantes e o conteúdo do curso” o que refletiria “uma falta de orientação profissional para futuros estudantes ou apoio insuficiente para os novos ingressantes”.

Com maioria dos alunos em faculdades privadas, as condições financeiras para bancar as mensalidades dos cursos também são um desafio para os universitários brasileiros.

Os baixos índices de retenção e conclusão no Brasil contribuem para uma baixa taxa geral da população formada em ensino superior, de 24% entre jovens de 25 a 34 anos. Isso significa menos da metade da média da OCDE, de 49%.

Atualizamos nossa política de cookies

Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.