Comportamento Adolescente e Educação

O bullying como agressão invisível: um alerta no Dia Nacional do Combate à Violência Escolar


Por Carolina Delboni

Entenda por que falar de bullying nos tempos de hoje não pode ser comparado ao que acontecia há décadas nas escolas. O Dia Nacional de Combate ao Bullying é um alerta para esta violência que têm matado adolescentes

"Você não faz ideia do que é acordar e saber que vai enfrentar tudo de novo na escola." A frase, dita por um dos jovens retratados na série Adolescência, da Netflix, ecoa com a realidade silenciosa de milhares de estudantes no Brasil. Parece que aos poucos - e aos trancos - temos compreendido que falar de bullying em 2025 não é a mesma coisa que na década de 80 ou 90. Estamos falando de uma violência que se esconde sob risos, piadas e exclusões, mas tem provocado dor, sofrimento emocional e, em casos extremos, mortes evitáveis.

Essa violência praticada por alunos, dentro das escolas, ganhou proporções nunca antes vista com a chegada das plataformas digitais. O que anteriormente se restringia ao campo da escola, hoje extrapola os portões e chega aos grupos de whatsapp, redes sociais e até espaços de jogos online. A violência ganhou um alto-falante. É um megafone que nunca é desligado.

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Não à toa, o Governo instituiu o dia de hoje, dia 7 de abril, como Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola. Além da urgência em falarmos e levar conhecimento sobre o termo e o que significa a prática desta violência entre adolescentes, é preciso pensar em estratégias e políticas públicos para que se promova ambientes de convivência saudáveis dentro das escolas e nas redes sociais.

A escola, espaço este que deveria garantir acolhimento, aprendizado e segurança, tem se tornado, para muitos adolescentes, um campo de batalha psicológico. O bullying - repetitivo, sistemático, muitas vezes invisível aos olhos adultos - está entre as principais causas de sofrimento emocional entre jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adolescentes que enfrentam bullying com frequência têm quatro vezes mais chance de desenvolver pensamentos suicidas.

Alem da série Adolescência, da Netflix, '13 Reasons Why' também gerou grande impacto em relação ao bullying dentro das escolas e suas consequências. Foto Beth Dubber, divulgação Netflix  
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O cenário é ainda mais preocupante quando olhamos para os dados: entre 2012 e 2021, o Brasil registrou quase 10 mil suicídios de jovens de 10 a 19 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. A maioria das mortes ocorre na faixa entre 15 e 19 anos. Em muitos desses casos, a exclusão social, o bullying e o cyberbullying aparecem como gatilhos importantes.

O sofrimento psíquico que nasce da sensação de não pertencer pode ser devastador. Pertencer, para o adolescente, é como o brincar para a criança: essencial para a vitalidade. Um adolescente que se retira das relações sociais é um adolescente que perde sua vitalidade. É como se, aos poucos, ele deixasse de respirar. Sem essa conexão, o adolescente perde o chão - e, por vezes, o sentido da própria vida. Ele adoece e, algumas vezes, chega a cometer suicídio.

Em um dos relatos que chocaram o país, uma jovem de 15 anos tirou a própria vida após ser exposta e humilhada nas redes sociais por colegas da escola. O cancelamento público intensificou um sentimento de isolamento já existente. Casos como esse não são exceção. Uma pesquisa da Universidade de Oxford acompanhou mais de 12 mil adolescentes e revelou que aqueles que sofreram bullying ou exclusão social apresentaram 3,5 vezes mais chances de desenvolver depressão severa.

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E esse ciclo de sofrimento, quando não interrompido, pode se espalhar como uma epidemia silenciosa. É o que especialistas chamam de "efeito de contágio": quando um suicídio impacta a comunidade escolar a ponto de provocar outros casos. Daí a importância da intervenção - ações de suporte psicológico e emocional para os estudantes afetados.

Apesar da gravidade do tema, ainda existe confusão sobre o que é bullying, o que é conflito pontual e o que é cyberbullying. "Nada pode ser banalizado, nem tratado de forma irresponsável", alerta a diretora pedagógica Cláudia Tricate Malta, do Colégio Magno. A instituição, localizada em São Paulo, é uma das que têm implementado boas práticas de mediação de conflitos e ações educativas. Ali, o combate ao bullying é feito com escuta ativa, rodas de conversa e estratégias personalizadas de cuidado com os alunos. "Medidas agudas precisam ser entremeadas por muita reflexão e diálogo", afirma Cláudia.

Outro bom exemplo vem de fora do Brasil. Em Portugal, o programa "Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência", desenvolvido pelo Ministério da Educação, se tornou referência ao envolver toda a comunidade escolar -- alunos, professores, pais e funcionários -- em ações sistemáticas de prevenção, escuta e intervenção. O programa inclui planos escolares de combate ao bullying e ao cyberbullying, promove formação continuada para educadores e incentiva a cultura do cuidado coletivo.

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E mais recentemente, tocado pela série Adolescência e frente aos casos de feminicídio de meninas adolescentes que aconteceram em 2024 na Inglaterra, um grupo de parlamentares entendeu que é preciso levar alguns temas atuais para dentro das escolas como forma de combate ao bullying e o cyberbullying. Entre eles, será implementado a o tema anti-misoginia como aulas obrigatórias do programa "Educação sobre Relacionamento, Sexo e Saúde".

Mas o que pode ser feito de maneira mais ampla?

Medidas preventivas: o que escolas podem (e devem) fazer A prevenção começa com a informação e passa por atitudes concretas. Entre as estratégias mais eficazes, especialistas apontam:

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1. Criar políticas claras e canais de denúncia anônimos; 2. Capacitar educadores e funcionários para identificar e intervir; 3. Realizar campanhas contínuas de conscientização com os alunos; 4. Promover atividades que incentivem empatia e respeito mútuo; 5. Estabelecer parcerias com profissionais de saúde mental; 6. Envolver as famílias na construção de uma cultura de paz.

É fundamental lembrar que cada escola tem seu contexto e que nenhuma receita é única. Como afirma Cláudia Tricate, "todo conflito deve ser mediado de acordo com o contexto. As crianças são diferentes, as famílias são diferentes e as situações também."

Sinais de alerta: o que as famílias devem observar Embora nem sempre seja fácil perceber, há sinais importantes que pais e responsáveis devem estar atentos:

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1. Mudanças bruscas de comportamento (isolamento, agressividade, apatia); 2. Recusa em ir à escola ou queda repentina no desempenho escolar; 3. Queixas frequentes de dores físicas sem causa aparente; 4. Objetos escolares perdidos ou danificados com frequência; 5. Uso excessivo ou evasivo das redes sociais.

Se algum desses sinais for identificado, o diálogo aberto, o acolhimento e a busca por apoio especializado são os primeiros passos. Nenhum adolescente deve enfrentar essa dor sozinho. A série Adolescência, da Netflix, nos convida a enxergar além do comportamento e a ouvir os silêncios. Porque escutar os jovens é o primeiro ato de cuidado. E promover ambientes seguros, respeitosos e afetivos é um compromisso de toda a sociedade.

Lembra do provérbio "é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança"? Pois é, é preciso que essa mesma aldeia se mantenha firma e forte para cuidar de um adolescente.

Entenda por que falar de bullying nos tempos de hoje não pode ser comparado ao que acontecia há décadas nas escolas. O Dia Nacional de Combate ao Bullying é um alerta para esta violência que têm matado adolescentes

"Você não faz ideia do que é acordar e saber que vai enfrentar tudo de novo na escola." A frase, dita por um dos jovens retratados na série Adolescência, da Netflix, ecoa com a realidade silenciosa de milhares de estudantes no Brasil. Parece que aos poucos - e aos trancos - temos compreendido que falar de bullying em 2025 não é a mesma coisa que na década de 80 ou 90. Estamos falando de uma violência que se esconde sob risos, piadas e exclusões, mas tem provocado dor, sofrimento emocional e, em casos extremos, mortes evitáveis.

Essa violência praticada por alunos, dentro das escolas, ganhou proporções nunca antes vista com a chegada das plataformas digitais. O que anteriormente se restringia ao campo da escola, hoje extrapola os portões e chega aos grupos de whatsapp, redes sociais e até espaços de jogos online. A violência ganhou um alto-falante. É um megafone que nunca é desligado.

Não à toa, o Governo instituiu o dia de hoje, dia 7 de abril, como Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola. Além da urgência em falarmos e levar conhecimento sobre o termo e o que significa a prática desta violência entre adolescentes, é preciso pensar em estratégias e políticas públicos para que se promova ambientes de convivência saudáveis dentro das escolas e nas redes sociais.

A escola, espaço este que deveria garantir acolhimento, aprendizado e segurança, tem se tornado, para muitos adolescentes, um campo de batalha psicológico. O bullying - repetitivo, sistemático, muitas vezes invisível aos olhos adultos - está entre as principais causas de sofrimento emocional entre jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adolescentes que enfrentam bullying com frequência têm quatro vezes mais chance de desenvolver pensamentos suicidas.

Alem da série Adolescência, da Netflix, '13 Reasons Why' também gerou grande impacto em relação ao bullying dentro das escolas e suas consequências. Foto Beth Dubber, divulgação Netflix  

O cenário é ainda mais preocupante quando olhamos para os dados: entre 2012 e 2021, o Brasil registrou quase 10 mil suicídios de jovens de 10 a 19 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. A maioria das mortes ocorre na faixa entre 15 e 19 anos. Em muitos desses casos, a exclusão social, o bullying e o cyberbullying aparecem como gatilhos importantes.

O sofrimento psíquico que nasce da sensação de não pertencer pode ser devastador. Pertencer, para o adolescente, é como o brincar para a criança: essencial para a vitalidade. Um adolescente que se retira das relações sociais é um adolescente que perde sua vitalidade. É como se, aos poucos, ele deixasse de respirar. Sem essa conexão, o adolescente perde o chão - e, por vezes, o sentido da própria vida. Ele adoece e, algumas vezes, chega a cometer suicídio.

Em um dos relatos que chocaram o país, uma jovem de 15 anos tirou a própria vida após ser exposta e humilhada nas redes sociais por colegas da escola. O cancelamento público intensificou um sentimento de isolamento já existente. Casos como esse não são exceção. Uma pesquisa da Universidade de Oxford acompanhou mais de 12 mil adolescentes e revelou que aqueles que sofreram bullying ou exclusão social apresentaram 3,5 vezes mais chances de desenvolver depressão severa.

E esse ciclo de sofrimento, quando não interrompido, pode se espalhar como uma epidemia silenciosa. É o que especialistas chamam de "efeito de contágio": quando um suicídio impacta a comunidade escolar a ponto de provocar outros casos. Daí a importância da intervenção - ações de suporte psicológico e emocional para os estudantes afetados.

Apesar da gravidade do tema, ainda existe confusão sobre o que é bullying, o que é conflito pontual e o que é cyberbullying. "Nada pode ser banalizado, nem tratado de forma irresponsável", alerta a diretora pedagógica Cláudia Tricate Malta, do Colégio Magno. A instituição, localizada em São Paulo, é uma das que têm implementado boas práticas de mediação de conflitos e ações educativas. Ali, o combate ao bullying é feito com escuta ativa, rodas de conversa e estratégias personalizadas de cuidado com os alunos. "Medidas agudas precisam ser entremeadas por muita reflexão e diálogo", afirma Cláudia.

Outro bom exemplo vem de fora do Brasil. Em Portugal, o programa "Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência", desenvolvido pelo Ministério da Educação, se tornou referência ao envolver toda a comunidade escolar -- alunos, professores, pais e funcionários -- em ações sistemáticas de prevenção, escuta e intervenção. O programa inclui planos escolares de combate ao bullying e ao cyberbullying, promove formação continuada para educadores e incentiva a cultura do cuidado coletivo.

E mais recentemente, tocado pela série Adolescência e frente aos casos de feminicídio de meninas adolescentes que aconteceram em 2024 na Inglaterra, um grupo de parlamentares entendeu que é preciso levar alguns temas atuais para dentro das escolas como forma de combate ao bullying e o cyberbullying. Entre eles, será implementado a o tema anti-misoginia como aulas obrigatórias do programa "Educação sobre Relacionamento, Sexo e Saúde".

Mas o que pode ser feito de maneira mais ampla?

Medidas preventivas: o que escolas podem (e devem) fazer A prevenção começa com a informação e passa por atitudes concretas. Entre as estratégias mais eficazes, especialistas apontam:

1. Criar políticas claras e canais de denúncia anônimos; 2. Capacitar educadores e funcionários para identificar e intervir; 3. Realizar campanhas contínuas de conscientização com os alunos; 4. Promover atividades que incentivem empatia e respeito mútuo; 5. Estabelecer parcerias com profissionais de saúde mental; 6. Envolver as famílias na construção de uma cultura de paz.

É fundamental lembrar que cada escola tem seu contexto e que nenhuma receita é única. Como afirma Cláudia Tricate, "todo conflito deve ser mediado de acordo com o contexto. As crianças são diferentes, as famílias são diferentes e as situações também."

Sinais de alerta: o que as famílias devem observar Embora nem sempre seja fácil perceber, há sinais importantes que pais e responsáveis devem estar atentos:

1. Mudanças bruscas de comportamento (isolamento, agressividade, apatia); 2. Recusa em ir à escola ou queda repentina no desempenho escolar; 3. Queixas frequentes de dores físicas sem causa aparente; 4. Objetos escolares perdidos ou danificados com frequência; 5. Uso excessivo ou evasivo das redes sociais.

Se algum desses sinais for identificado, o diálogo aberto, o acolhimento e a busca por apoio especializado são os primeiros passos. Nenhum adolescente deve enfrentar essa dor sozinho. A série Adolescência, da Netflix, nos convida a enxergar além do comportamento e a ouvir os silêncios. Porque escutar os jovens é o primeiro ato de cuidado. E promover ambientes seguros, respeitosos e afetivos é um compromisso de toda a sociedade.

Lembra do provérbio "é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança"? Pois é, é preciso que essa mesma aldeia se mantenha firma e forte para cuidar de um adolescente.

Entenda por que falar de bullying nos tempos de hoje não pode ser comparado ao que acontecia há décadas nas escolas. O Dia Nacional de Combate ao Bullying é um alerta para esta violência que têm matado adolescentes

"Você não faz ideia do que é acordar e saber que vai enfrentar tudo de novo na escola." A frase, dita por um dos jovens retratados na série Adolescência, da Netflix, ecoa com a realidade silenciosa de milhares de estudantes no Brasil. Parece que aos poucos - e aos trancos - temos compreendido que falar de bullying em 2025 não é a mesma coisa que na década de 80 ou 90. Estamos falando de uma violência que se esconde sob risos, piadas e exclusões, mas tem provocado dor, sofrimento emocional e, em casos extremos, mortes evitáveis.

Essa violência praticada por alunos, dentro das escolas, ganhou proporções nunca antes vista com a chegada das plataformas digitais. O que anteriormente se restringia ao campo da escola, hoje extrapola os portões e chega aos grupos de whatsapp, redes sociais e até espaços de jogos online. A violência ganhou um alto-falante. É um megafone que nunca é desligado.

Não à toa, o Governo instituiu o dia de hoje, dia 7 de abril, como Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola. Além da urgência em falarmos e levar conhecimento sobre o termo e o que significa a prática desta violência entre adolescentes, é preciso pensar em estratégias e políticas públicos para que se promova ambientes de convivência saudáveis dentro das escolas e nas redes sociais.

A escola, espaço este que deveria garantir acolhimento, aprendizado e segurança, tem se tornado, para muitos adolescentes, um campo de batalha psicológico. O bullying - repetitivo, sistemático, muitas vezes invisível aos olhos adultos - está entre as principais causas de sofrimento emocional entre jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adolescentes que enfrentam bullying com frequência têm quatro vezes mais chance de desenvolver pensamentos suicidas.

Alem da série Adolescência, da Netflix, '13 Reasons Why' também gerou grande impacto em relação ao bullying dentro das escolas e suas consequências. Foto Beth Dubber, divulgação Netflix  

O cenário é ainda mais preocupante quando olhamos para os dados: entre 2012 e 2021, o Brasil registrou quase 10 mil suicídios de jovens de 10 a 19 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. A maioria das mortes ocorre na faixa entre 15 e 19 anos. Em muitos desses casos, a exclusão social, o bullying e o cyberbullying aparecem como gatilhos importantes.

O sofrimento psíquico que nasce da sensação de não pertencer pode ser devastador. Pertencer, para o adolescente, é como o brincar para a criança: essencial para a vitalidade. Um adolescente que se retira das relações sociais é um adolescente que perde sua vitalidade. É como se, aos poucos, ele deixasse de respirar. Sem essa conexão, o adolescente perde o chão - e, por vezes, o sentido da própria vida. Ele adoece e, algumas vezes, chega a cometer suicídio.

Em um dos relatos que chocaram o país, uma jovem de 15 anos tirou a própria vida após ser exposta e humilhada nas redes sociais por colegas da escola. O cancelamento público intensificou um sentimento de isolamento já existente. Casos como esse não são exceção. Uma pesquisa da Universidade de Oxford acompanhou mais de 12 mil adolescentes e revelou que aqueles que sofreram bullying ou exclusão social apresentaram 3,5 vezes mais chances de desenvolver depressão severa.

E esse ciclo de sofrimento, quando não interrompido, pode se espalhar como uma epidemia silenciosa. É o que especialistas chamam de "efeito de contágio": quando um suicídio impacta a comunidade escolar a ponto de provocar outros casos. Daí a importância da intervenção - ações de suporte psicológico e emocional para os estudantes afetados.

Apesar da gravidade do tema, ainda existe confusão sobre o que é bullying, o que é conflito pontual e o que é cyberbullying. "Nada pode ser banalizado, nem tratado de forma irresponsável", alerta a diretora pedagógica Cláudia Tricate Malta, do Colégio Magno. A instituição, localizada em São Paulo, é uma das que têm implementado boas práticas de mediação de conflitos e ações educativas. Ali, o combate ao bullying é feito com escuta ativa, rodas de conversa e estratégias personalizadas de cuidado com os alunos. "Medidas agudas precisam ser entremeadas por muita reflexão e diálogo", afirma Cláudia.

Outro bom exemplo vem de fora do Brasil. Em Portugal, o programa "Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência", desenvolvido pelo Ministério da Educação, se tornou referência ao envolver toda a comunidade escolar -- alunos, professores, pais e funcionários -- em ações sistemáticas de prevenção, escuta e intervenção. O programa inclui planos escolares de combate ao bullying e ao cyberbullying, promove formação continuada para educadores e incentiva a cultura do cuidado coletivo.

E mais recentemente, tocado pela série Adolescência e frente aos casos de feminicídio de meninas adolescentes que aconteceram em 2024 na Inglaterra, um grupo de parlamentares entendeu que é preciso levar alguns temas atuais para dentro das escolas como forma de combate ao bullying e o cyberbullying. Entre eles, será implementado a o tema anti-misoginia como aulas obrigatórias do programa "Educação sobre Relacionamento, Sexo e Saúde".

Mas o que pode ser feito de maneira mais ampla?

Medidas preventivas: o que escolas podem (e devem) fazer A prevenção começa com a informação e passa por atitudes concretas. Entre as estratégias mais eficazes, especialistas apontam:

1. Criar políticas claras e canais de denúncia anônimos; 2. Capacitar educadores e funcionários para identificar e intervir; 3. Realizar campanhas contínuas de conscientização com os alunos; 4. Promover atividades que incentivem empatia e respeito mútuo; 5. Estabelecer parcerias com profissionais de saúde mental; 6. Envolver as famílias na construção de uma cultura de paz.

É fundamental lembrar que cada escola tem seu contexto e que nenhuma receita é única. Como afirma Cláudia Tricate, "todo conflito deve ser mediado de acordo com o contexto. As crianças são diferentes, as famílias são diferentes e as situações também."

Sinais de alerta: o que as famílias devem observar Embora nem sempre seja fácil perceber, há sinais importantes que pais e responsáveis devem estar atentos:

1. Mudanças bruscas de comportamento (isolamento, agressividade, apatia); 2. Recusa em ir à escola ou queda repentina no desempenho escolar; 3. Queixas frequentes de dores físicas sem causa aparente; 4. Objetos escolares perdidos ou danificados com frequência; 5. Uso excessivo ou evasivo das redes sociais.

Se algum desses sinais for identificado, o diálogo aberto, o acolhimento e a busca por apoio especializado são os primeiros passos. Nenhum adolescente deve enfrentar essa dor sozinho. A série Adolescência, da Netflix, nos convida a enxergar além do comportamento e a ouvir os silêncios. Porque escutar os jovens é o primeiro ato de cuidado. E promover ambientes seguros, respeitosos e afetivos é um compromisso de toda a sociedade.

Lembra do provérbio "é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança"? Pois é, é preciso que essa mesma aldeia se mantenha firma e forte para cuidar de um adolescente.

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