Todo ano a história se repete. Basta chegar o calor que aquelas formigas bem pequenas aparecem dentro de casa e até em apartamentos em andares altos, mesmo em lugares que aparentemente estão limpos e sem resquícios de açúcar ou restos de alimentos.
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“Formigas em ambientes urbanos são bastante comuns, especialmente associadas aos locais onde os seres humanos frequentam e habitam”, explica Ana Eugênia de Carvalho Campos, pesquisadora científica e diretora-geral do Instituto Biológico do Estado de São Paulo.
Mesmo pequenas, as formiguinhas que seriam quase imperceptíveis em outros ambientes incomodam dentro de casa por formarem trilhas pelas paredes e infestarem alimentos frescos e até os armazenados em recipientes fechados. Quem nunca abriu um pote de açúcar e se surpreendeu com a presença delas?
“Essas formigas são atraídas por fontes de água, resíduos orgânicos e até gorduras presentes em eletrodomésticos. É comum encontrar, também, formigas no banheiro e nos quartos, além da cozinha”, explica a pesquisadora.
De formiga-fantasma à formiga louca
Uma espécie muito comum nas cidades brasileiras é a formiga-fantasma, cujo nome científico é Tapinoma melanocephalum. “Pequena, com cerca de 1,5 mm, tem a cabeça e tórax (que nas formigas se chama mesossoma) escuros e o abdômen translúcido”, detalha Ana Eugênia.
Ela é atraída por alimentos ricos em açúcares e gorduras e tem grande capacidade de dispersão e adaptação. Quem tem essa espécie de formiga em casa precisa proteger os alimentos, pois elas encontram qualquer migalha que ficou para trás rapidamente.
Há outras espécies, também muito comuns. A formiga-louca (Paratrechina longicornis), é outro exemplo. Ela é conhecida por se deslocar rapidamente e fazer ninhos em locais protegidos, buscando alimentos diversos, desde doces até proteínas.
A formiga-louca é uma das espécies que sobem pelas paredes em caminhos que parecem não ter fim, até mesmo em áreas externas. “Elas vão para lá para ficar perto de ninhos de aves, principalmente pombos, que invariavelmente espalham restos de alimento que são fonte de alimento para esses insetos”, conta a pesquisadora.
“Elas são espécies oportunistas, que se aproveitam da estabilidade térmica, umidade e disponibilidade de alimentos nos ambientes domésticos. Sua ocorrência não indica necessariamente um desequilíbrio ambiental, mas sim uma adaptação evolutiva ao convívio próximo ao ser humano.”
Por que as formigas aparecem no calor?
O aumento de temperatura acelera o metabolismo das formigas, intensificando sua busca por comida e água, além da atividade de postura de ovos pelas rainhas.
“A maioria das espécies de formigas que invadem as casas têm dezenas a centenas de rainhas em uma única colônia. Por isso elas são mais ativas na primavera e no verão, quando há temperatura e umidade ideais para a postura de ovos e desenvolvimento das crias”, esclarece Ana Eugênia.
“Essas espécies de formigas costumam fazer ninhos em locais protegidos, como frestas de paredes e calçadas, batentes de portas, atrás de azulejos e dentro de eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos”, alerta a pesquisadora. Por isso, também é muito importante fazer manutenções, fechando buracos e frestas, que além de formigas podem atrair outros insetos para dentro de casa.
Fomiguinhas: como combatê-las?
Além da vedação de frestas, a limpeza regular dos ambientes infestados e o uso de repelentes naturais, como cravo-da-índia e canela costumam ser eficazes. Caso as formigas continuem incomodando, há também soluções industrializadas.
“No mercado há iscas para formigas urbanas, que devem ser utilizadas com o cuidado de identificar se são registradas no Ministério da Saúde. É muito importante seguir criteriosamente as instruções de uso contidas na embalagem”, orienta a profissional.
“As iscas eficazes para o controle de formigas possuem um ingrediente ativo em concentração baixa e são altamente atrativas para as operárias; são levadas como alimento para dentro da colônia, sendo então distribuídas para as outras operárias dentro do ninho, incluindo as larvas e rainhas.”
Mas o resultado não costuma ser imediato. “É preciso ter paciência e persistência ao se utilizar iscas, pois o controle se dá ao longo do tempo. Se a isca matar a operária de formiga logo ao entrar em contato com o produto, os outros membros da colônia não serão atingidos, portanto o controle não será realizado.”
Uma empresa controladora de pragas urbanas também pode ser acionada para uma dedetização em caso de infestações duradouras de difícil controle.
Formigas são um risco para a saúde humana?
Como as formigas costumam infestar alguns alimentos, é possível que você já tenha comido uma delas por acidente, mas não há motivo para preocupação. “A ingestão acidental de uma dessas formigas geralmente não traz riscos sérios à saúde humana”, tranquiliza a pesquisadora.
Elas até podem ferroar a pele, podendo ocasionar uma simples alergia local. Mas, caso a pessoa perceba inchaço importante no local, coração acelerado e dificuldade em respirar, é importante buscar auxílio médico imediato. Porém, é mais comum que isso aconteça com as formigas lava-pés (Solenopsis spp.), que vivem em áreas abertas, como calçadas, parques, jardins e praças e áreas rurais.
“É importante salientar que, embora algumas espécies causem impactos negativos ao ser humano em determinadas situações, as formigas, de modo geral, são seres valiosos para o nosso planeta”, finaliza a diretora-geral do Instituto Biológico.
Qual a importância das formigas?
As formigas desempenham um papel fundamental para o equilíbrio e funcionamento dos ecossistemas. Sua presença e atividades são essenciais para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, que garantem a qualidade de vida humana e ambiental.
Elas contribuem significativamente para a qualidade do solo, pois ajudam na oxigenação e infiltração de água ao remover e revolver o solo, o que facilita o crescimento de plantas e a distribuição de nutrientes. Além disso, fornecem alimento para diversas espécies de animais, promovendo, assim, a biodiversidade.
Portanto, as formigas são essenciais para a manutenção da vida como a conhecemos, desempenhando funções críticas na regulação dos ecossistemas e garantindo o equilíbrio ambiental. Elas só devem ser controladas em situações específicas.