Dito isto, afirmo aqui que Jair Ventura, filho do grande Jairzinho, é candidato sério a técnico do ano. Tem como concorrente forte Fábio Carille, do Corinthians. Os dois moços conseguiram, até agora, a proeza de transformarem elencos medianos em times fortes, competitivos, equilibrados. Não superequipes, mas conjuntos dignos.
A nova prova do trabalho de Jair veio no início da noite desta quarta-feira, com os 3 a 0 sobre o Atlético-MG e a classificação para a semifinal da Copa do Brasil. O Botafogo anulou a vantagem mineira (1 a 0), conquistada em Belo Horizonte, e avançou com sobras.
E de maneira prática: dois gols no primeiro tempo (Carli e Roger) e o terceiro (Gilson) já nos acréscimos da etapa final, a pá de cá, o golpe de misericórdia, para não dar nenhuma esperança ao rival. Fora isso, controle do jogo na metade inicial e postura serena na outra.
Jair não inventou a roda, não é um professor Pardal. Nada disso. Compõe o time na medida justa, com o material de que dispõe. Contra o Atlético foi assim, em repetição do que se viu na Libertadores e no Brasileiro. Aposta no coletivo e nos contragolpes econômicos e letais.
E o Galo? Teve Rogério Micale no banco, numa estreia decepcionante. E que ninguém se atreva a cornetar o treinador campeão olímpico! Jamais. O rapaz pegou o barco andando, à deriva, e teve o azar de topar logo de cara com um adversário ajustado.
Mas pôde sentir, na prática, como será desgastante o desafio no Atlético. Impressiona como um clube, com tantos jogadores experientes e rodados, entra em parafuso dessa forma. Tem como consolo a Libertadores e precisa concentrar-se também na recuperação na Série A. No entanto, do jeito que vai, logo tem atleta que ficará escanteado.