Citadini troca ida à Croácia por eleição no Corinthians: ‘Serão meses terríveis, ganhe quem ganhar’


Candidato à presidência do clube, jurista diz ao ‘Estadão’ que situação do clube é ‘desesperadora como a do São Paulo’ e admite apoio do grupo político de Andrés, de quem foi oposição por anos

Por Bruno Accorsi e Murillo César Alves
Atualização:
Entrevista comRoque CitadiniJurista e candidato à presidência do Corinthians

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Antônio Roque Citadini deixou a presidência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) na terça-feira, 19, por aposentadoria compulsória, conforme previsto pela legislação aos servidores públicos que completam 75 anos. Como já sabia que o momento estava chegando, planejou uma viagem à Croácia, da qual desistiu frente à decisão de concorrer à presidência do Corinthians.

Integrante da gestão de Alberto Dualib no início dos anos 2000 e derrotado por Andrés Sanchez e seus aliados em mais de uma eleição, Citadini decidiu adiar o descanso para tentar de novo. Ele quer a cadeira que está vaga após o impeachment de Augusto Melo, referendado no dia 8 de agosto.

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“Eu não pretendia ser candidato, até tinha marcado uma viagem para Croácia, olha só. A questão é a seguinte: o clube está numa situação dramática. Nós não estamos nos apercebendo do tamanho do tsunami que nós temos e o que virá por aí. Não é uma crise igual a tantas outras que nós vivemos. É uma crise quase sem saída”, afirma ao Estadão.

Em eleição com participação de conselheiros, na segunda-feira, 25, Citadini vai concorrer à presidência corintiana contra Osmar Stábile, atual presidente interino, e André Castro, novato da política corintiana que promete aporte de US$ 1 bilhão.

“Eu não tenho dúvida que os próximos meses serão terríveis para o Corinthians. Ganhe quem ganhar. Se ganhar o Osmar, então, vai ser mais difícil porque o Osmar não está pensando nessa crise. Eles estão achando que dá, mas não dá mais para antecipar receita, não dá mais para fazer nada.”

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Embora tenha sido conhecido como opositor da Renovação e Transparência, chapa de Andrés, o jurista costurou acordo com integrantes do grupo de cartolas, que hoje gera ojeriza em parte da torcida. Ele entende, contudo, que a forma como a política é feita no clube mudou.

“Aquela estrutura política tradicional do clube acabou. Está totalmente embaralhado. Eu tenho o voto da Renovação e Transparência. O Osmar tem voto da Renovação e Transparência. Se aparecer um outro candidato também vai ter voto da Renovação e Transparência. Você tem voto de todos os grupos porque os grupos estão embaralhados”, diz.

Antôno Roque Citadini presidiu o Tribunal de Contas de São Paulo. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
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Citadini evita se aprofundar nas denúncias que envolvem Andrés e seu aliado Duílio Monteiro Alves, investigados pelo Ministério Público por uso indevido do cartão de crédito do clube, ou Augusto Melo, réu por lavagem de dinheiro, associação criminosa e furto qualificado.

“Nós ficamos numa situação de eterno acerto de contas, que é uma coisa horrível para qualquer empresa, para qualquer governo, para qualquer clube. Vamos corrigir o que está errado e tocar para frente”, afirma.

Para o conselheiro, o maior drama corintiano é financeiro e os esforços têm de ser focados na reabilitação. Ele avalia, contudo, que o desespero sentido no Corinthians deveria ser compartilhado por clubes rivais, os quais vê em situação igual à do time do Parque São Jorge.

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“Eu não quero ficar falando mal dos outros porque nós estamos muito mal. Mas o São Paulo está numa situação igual à do Corinthians, desesperadora. É que o São Paulo não tem a repercussão que nós temos. Então as pessoas nem perdem tempo de falar muito do São Paulo. Mas a situação do São Paulo é desesperadora. A do Santos é desesperadora”, opina.

Citadini bate na tecla do corte de gastos como principal forma de reorganizar o clube e ser capaz de quitar débitos como o que gerou o transfer ban de Félix Torres. Já a divida de pouco menos R$ 700 milhões com a Caixa, pela construção da Neo Química Arena, não é colocada por ele na lista de grandes problemas.

“A arena não é problema, arena é uma solução. Porque ela é um grande estádio, o Corinthians ganha com isso. Ela é mal explorada. Nós podemos ganhar muito mais lá. É tudo mal explorado, mas ela não é problema. Pela arena a gente dorme tranquilo. A gente paga, a Caixa vai receber, vai renegociar.”

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Leia a entrevista completa com Roque Citadini, candidato à presidência do Corinthians:

Você se aposentou do Tribunal de Contas depois de uma longa trajetória como homem público. A vontade de ser presidente do Corinthians está ligada à aposentadoria?

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Eu não pretendia ser candidato, até tinha marcado uma viagem para Croácia, olha só. A questão é a seguinte: o clube está numa situação dramática. Nós não estamos nos apercebendo do tamanho do tsunami que nós temos e e que virá por aí.

Não é uma crise igual a tantas outras que nós vivemos. É uma crise quase sem saída. Quer dizer, nós estamos numa situação financeira que nós já não temos para onde socorrer. Por que que tudo isso ocorreu? Porque nesses anos todos a gente arrecadava bastante. Os contratos eram bons, só que se gastava mais do que arrecadava. E isso foi gerando uma bola de dívida que você começou a atrasar salário, atrasar pagamento de imposto, atrasar serviço, atrasar tudo.

Vai chegando uma hora que não tem como respirar. Nós já estamos aí com o transfer ban de um jogador, podemos ter de outros, porque o Corinthians sistematicamente não paga. Ele não paga os jogadores que compra, não paga o salário, não paga os impostos, porque imposto é uma coisa importante.

O que você faria, então, para tirar o Corinthians dessa situação?

Nós estamos no limite de não ter para onde socorrer. Essa é a grande verdade. Então, nós precisamos fazer duas coisas. A primeira, que é dolorida, é gastar menos. Gastar menos em toda a área do clube. Não é só no futebol, mas gastar menos.

O que implica dizer que o que a gente tiver de receita tem que ser maior do que os nossos gastos. Esse é a primeira coisa. Mas mesmo assim não dá. Mesmo assim nós não vamos conseguir sair desse atoleiro. Nós precisamos lutar para uma novo ProFut, daquele que teve em 2015. eu sou favorável que o Corinthians lidere um ProFut, mas lidere um profute um pouco diferente.

Porque o Profut, o governo ajuda, ele corta juro, prorroga as dívidas, aquilo que foi feito no Profut. Mas eu acho que tem que ter uma contrapartida certa. A contrapartida certa é a que está na Europa. Quer dizer, o clube que estourar os gastos, ele etem que ele tem que ter uma punição clara. O dirigente tem de ser punido imediatamente, porque as pessoas: “tem que punir o dirigente”.

Mas aqui o punir o dirigente é um processo que vai para a Justiça e demora, tem recurso. Precisamos ter uma agência agência de futebol, que estava prevista, mas infelizmente não foi implantada. Em término exercício, houve um estouro no orçamento? Estouro desse estilo do Corinthians, porque comprou jogador, não pagou, fez dívida... então, tem de ter uma punição imediata Duas punições: dirigente não poder mais participar de direção de clube e o clube ser rebaixado.

Só isso vai isso vai permitir que o futebol seja saudável. Quero dizer o futebol porque nós estamos falando muito do Corinthians, mas aqui em São Paulo mesmo, dos quatro grandes clubes três estão igual: o Corinthians, o Santos e o São Paulo. O Palmeiras, eventualmente, não está. Eu digo eventualmente porque é eventualmente mesmo. Porque ele fez boas vendas de jogador, revelou jogador, etc.. Mas no Rio você tem quase todos os clubes no limite de estourar os seus orçamentos.

Eu defendo duas coisas. Que o Corinthians de pronto adote uma política de restrição financeira forte. Vai doer doer, mas é isso. Segundo, que ele passe a lutar por um novo Profut, que seja diferente do anterior que só fez uma parte, de permitir desconto da dívida, de juro.

Vocês entenderam porque eu não fico em casa agora, né? Porque eu podia estar viajando. Eu não tenho dúvida que os próximos meses serão terríveis para o Corinthians. Ganhe quem ganhar. Se ganhar o Osmar, então, vai ser mais difícil porque o Osmar, eles não estão pensando nessa crise.

Eles estão achando que dá, mas não dá mais para antecipar receita, não dá mais para fazer nada. É por isso que eu eu falei que o Osmar está trabalhando com a ideia da estabilidade e do imobilismo. Mas a estabilidade e o imobilismo para nós hoje não é solução. Ela é o caos.

Quando era dirigente do Corinthians, Antônio Roque Citadini comparou o Gil a Kaká, à época no São Paulo Foto: Robson Fernandjes/Estadão

Como o senhor mencionou, o Corinthians sofreu transfer ban por causa do caso Félix Torres e tem mais três processos no CAS que podem agravar a punição. Como você pretende resolver essas pendências em curto prazo?

Bom, a primeira coisa, você não tem que contratar. A segunda é procurar arrumar dinheiro para se livrar disso. Essa é a pior dívida que tem para o clube. Embora tenha outras difíceis, mas essa você vai ter que procurar encontrar os recursos que encontrarem para isso. Até porque, vocês sabem, o transfer ban vai aumentando as punições aos clubes. A primeira mais leve é essa de não poder contratar.

Depois vão tendo outras. Eu acho que o Corinthians é um um exemplo ruim do descontrole do orçamento. Não pode ter descontrole do orçamento. É duro? É duro. Não dá para contratar jogador, não dá. Também quero dizer que não é coisa que aconteceu ontem. É algo que vem de anos e anos, mais de 10 anos. Quer dizer, o clube vem convivendo com uma situação, começa a emprestar dinheiro, pagar juro. O Corinthians vive hoje pagando juro. É uma tragédia.

Você falou sobre o imbolismo do Stábile. Uma das soluções pensadas para ele para reparar o fluxo de caixa do clube foi antecipar direitos de transmissão junto á LFU, você concorda com esse tipo de medida em situações urgentes?

Eu acho que a primeira solução é cortar despesa. Depois você vai buscar a forma de encontrar dinheiro. Antecipar receita, você sabe, é um problema. Tapa o buraco aqui e abre na frente. Não resolve o problema. Quer dizer, é uma emergência. Primeira coisa mesmo é cortar gasto. É isso..

Outra questão que também agrava essa dívida do Corinthians é a Neo Química Arena, né. O André Castro falou essa semana que o plano dele de US$1 bilhão envolveria a quitação automática dessa dívida. Na sua visão, qual o caminho seria o ideal para a quitação?

A arena não é problema, arena é uma solução. Porque ela é um grande estádio, o Corinthians ganha com isso. Ela é mal explorada. Nós podemos ganhar muito mais lá. É tudo mal explorado, mas ela não é problema. Pela arena a gente dorme tranquilo.

A gente paga, a Caixa vai receber, vai renegociar. Essa mania do mercado financeiro querer quitar arena é querer ganhar dinheiro com a gente, não é quitar arena. Eles querem ganhar dinheiro, dinheiro fácil. Eu acho que o dinheiro que vier não é para quitar arena. Arena a gente resolve os problemas as pendências que tiverem no outro campo.

Nós precisamos resolver as pendências que nós temos. Nós temos que pagar imposto. Nós temos que pagar salário que está atrasado, rescisões de contrato. Nós temos que pagar banco. Temos que pagar empresário que emprestou dinheiro ao Corinthians. Esquece a Arena. A Arena não é problema.

A gente viu o Corinthians entrar ao longo desses últimos anos em muitos contratos duvidosos. Teve a Taunsa, com o Duílio, e o caso da Vadi Bet, que é um dos maiores escândalos da história do clube. Parece que o Corinthians se tornou um alvo fácil. Como evitar situações com essas?

Tem a ideia da responsabilização imediata do dirigente. Eu, por exemplo, não consigo até agora entender esse caso da Taunsa. Não consigo. Não entendo a lógica de ter feito isso daí. A Vai de Bet era diferente, era um contrato de publicidade normal. Deu lá os problemas que deu, mas a Taunsa eu não entendo. Eu não compreendo qual foi a lógica que levou a fazer isso daí e que prejudicou o clube.

Eu acho que todos esses problemas que tem de contrato para cá os outros clubes também tem. Por exemplo, eu não quero ficar falando mal dos outros porque nós estamos muito mal. Mas o São Paulo está numa situação igual a do Corinthians, desesperadora. É o São Paulo não tem a repercussão que nós temos. Então as pessoas nem perdem tempo de falar muito do São Paulo. Mas a situação do São Paulo é desesperadora. A do Santos é desesperadora.

É porque agora é é claro que se a ideia de que não tem que responsabilizar os dirigentes. Mas a responsabilização deve vir por uma agência de esporte. Imediato. Terminou o orçamento, é dizer o seguinte: “Olha, você estourou, comprou, não pagou, fora. Vai para a rua”.

Porque se nós ficarmos na dependência de entrar com uma ação na Justiça. Veja o caso da caso da Vai de Bet, do Augusto, o processo começou agora. Ele pode ser absolvido, inclusive ou recorrer em segunda, terceira instância. Nas ligas de fora, se você não cumprir o plano orçamentário, você sofre retaliações grandes, duras.

Há pouco tempo, no ano passado, o próprio Barcelona disse que não tinha condições de renovar o contrato de dois ou três jogadores, porque se ele renovasse, quebraria. Então, não renovou. A torcida provavelmente deve ter ficado brava, mas ele não renovou. Agora aqui não, aqui renova e vamos trocar para frente. Não, não pode.

Queria te perguntar sobre essa questão que entrou muito no debate agora que que é o uso dos cartões corporativos, principalmente com o Andrés. Ele vai passar pelo Comitê de Ética e o caso está no Ministério Público. O que você acha das informações que vieram sobre o caso até agora. Elas seriam suficientes para defender uma possível expulsão do Andrés?

Veja, eu quero dizer que uma das coisas que o clube tem de fazer na próxima gestão é corrigir o que está errado. Eu, por exemplo, vou acabar com o cartão corporativo. Não terá cartão corporativo. A diretoria não terá, só vai ter o departamento de futebol. Porque o cartão corporativo é um veneno.

Quem conhece cartão corporativo, tanto nas empresas privadas, quanto no estado, sabe que o cartão corporativo é um convite para problemas. Pouco tempo atrás, um presidente de um grande banco americano foi demitido porque ele saiu com uma secretária, namorada, se empolgou E comprou um vinho de um valor enorme. os acionistas descobriram e ele foi demitido porque ele gastou o que não podia gastar, porque o cartão corporativo é um convite para você gastar.

Como faz a maior parte das empresas e o Estado? Se você precisar pagar alguma coisa, você paga com o seu dinheiro, Vai lá na tesouraria e diz: “Olha, eu paguei isso, recebe o dinheiro de volta”. Não é? Então o cartão corporativo é um problema. A primeira coisa é acabar. A segunda coisa, o negócio dos cartões do Corinthians foi encaminhado para o Ministério Público.

Agora nós temos que esperar o Ministério Público, não há outro caminho. O Ministério Público está chamando gente, ouvindo. Vamos ver o que que ele disse. Eu não sei o que ele dirá. Torço para que seja rápida.

O senhor tem costurado alguns apoios para a eleição, inclusive com membros da Renovação e Transparência, grupo político do Andrés, de quem você foi grande opositor em sua história política. Você chegou a culpá-lo por “arrebentar as finanças do clube”. Qual é a sua relação com esse grupo de conselheiros hoje?

Bom, a primeira coisa é o seguinte, você falou bem, eu fui sempre oposição à Renovação e Transparência. E aliás, eu era um dos poucos que era oposição, porque a maior parte aplaudia. A própria torcida aplaudia. Não foi só o Augusto que saiu carregado pela torcida. O Andrés também saiu. Vocês devem lembrar, no começo do estádio, o Andrés era ovacionado do começo ao fim. Ovacionado mesmo, gritavam, carregavam.

Eu achava que tinha coisas para criticar e eu acabei criticando. Mas nesse momento, o que que acontece no clube? Aquela estrutura política tradicional do clube acabou. Está totalmente embaralhado. Eu tenho o voto da Renovação e Transparência. O Osmar tem voto da Renovação e Transparência. Se aparecer um outro candidato também vai ter voto da Renovação e Transparência. Você tem voto de todos os grupos porque os grupos estão embaralhados.

Não há ninguém com esse episódio de tsunami político que tiveram nesses últimos anos. Era o grupo Renovação e Transparência e o pessoal que era a contra. Não tem mais. Agora virou um negócio confuso e não sei o que vai acabar saindo daí.

Passando agora para a gestão do Augusto, qual é a sua avaliação do trabalho feito por ele até a destituição?

Vocês sabem que eu não votei no Augusto. Eu falei publicamente que não votava no Augusto. Tinha lá outra opinião, outro candidato (André Negão). Agora, tudo isso que que ocorreu aí, agora está na Justiça. Nós temos que aguardar a Justiça decidir. E eu acho que nós devemos fazer uma virada de chave. Eu sei que a imprensa não gosta disso. Mas nós não podemos ficar toda a semana abrindo um inquérito sobre um problema no Corinthians.

É uma nota fiscal que é falsa, é uma coisa, porque aí nós ficamos numa situação de eterno acerto de contas, que é uma coisa horrível para qualquer empresa, para qualquer governo, para qualquer clube. Vamos corrigir o que está errado e tocar para frente.

Recentemente surgiram denúncias e rumores de irregularidades na gestão das categorias de base, como favorecimento em contratações e comissões indevidas. Além disso, houve o recente caso do Kauê Furquim, levado ao Bahia. Qual será sua política para tornar a base mais transparente, eficiente e rentável para o clube?

A categoria de base foi um dos graves erros da Renovação e Transparência. O que aconteceu lá? Quando há mais de 10 anos lá - eu estou falando da gestão do Mario Gobbi ou antes do Mario Gobbi - quando começou faltar dinheiro, gastava muito. Esse era o problema. O que que eles bolaram?

Bolaram de vender parte dos direitos sobre o jogador para empresário. E aí o Corinthians começou a vender. Primeiro dava 10%, depois vendia 20%. Depois, vendia 50%. Algumas vezes, vendia até 90%. Então, o garoto estava lá no sub-17 e já tinha um empresário que era dono.

Bom, a consequência disso aí foi que nós nem ganhamos dinheiro porque quem passou a ganhar o dinheiro foram os empresários que compravam os jogadores da base. O menino tinha 18 anos, já tava vendido. E quem ganhava dinheiro era o empresário, e nós não ganhávamos dinheiro, nem revelávamos mais.

Porque desse jeito, o menino ainda estava ainda no sub-18, no sub-17, e já arrumavam um clube lá em Portugal para mandar o menino. E como o jogador era majoritariamente do empresário, nós nunca tivemos força para dizer: “Não, não, não vai”. Então, a primeira coisa da base é voltar a ser a base que o Corinthians teve no passado.Que, infelizmente - eu digo infelizmente, mas é é lamentável - o Palmeiras tem hoje, porque a base do Palmeiras é do Palmeiras.

Quando o Palmeiras revela um jogador, ele é majoritariamente do Palmeiras. Aí, o Palmeiras faz o que quer, põe no time, vende e ainda ganha dinheiro. O Corinthians não revela porque o menino sai antes de ir para o time principal. Tem uma porção de jogadores que foram para a Europa sem passar pelo principal do Corinthians. O que é um um erro para nós.

Nós precisamos de uma base que revele e que dê para ganhar dinheiro. Esse foi um erro r eu, diga-se de passagem, não se me silenciei. Lá, 10 anos atrás, eu falava isso. Tá tudo errado esse negócio aqui. Vocês estão fazendo uma coisa que no futuro nós não vamos ter jogador e nem ganhar dinheiro, que é o que ocorre hoje. Todo jogador que rdtá lá tem um dono.

Emerson Piovesan (esq.), Paulo Garcia e Antonio Roque Citadini lançaram chapa para concorrer à presidência em 2009. Foto: José Luis da Conceição/AE

Ainda sobre jogador e ganhar dinheiro, o que você pensa sobre o contrato de Memphis Depay. É um contrato que é pesado pro Corinthians, não tem conseguido arcar com os vencimentos no prazo, mas ao mesmo tempo ele gera muito visibilidade. Como você trabalharia para adequar os dois lados? Lembrando que não tem mais o aporte da Esportes da Sorte.

A questão dos jogadores do time principal, ela é mais problemática. Talvez seja o lugar onde o clube tenha menos espaço para mudar. Porque os jogadores, se ele não jogar no Corinthians, se ele for um grande jogador, ele vai jogar num outro time. Então, o clube não tem espaço para fazer, não é como um menino da base. O cara é craque, se ele não ficar no Corinthians, ele vai para outro lugar.

Portanto, você vai ter que conviver com salários maiores, né? Eu acho que o Depay, eu não conheço o contrato dele, cada dia sai uma uma notícia. Isso é uma coisa horrível, não tinha que sair notícia nenhuma sobre os valores do salário dele. A questão do salário do jogador é entre o clube e ele. A imprensa deve saber quanto se gasta no departamento de futebol, qual é o valor da folha, mas individualmente eu discordo.

Ele é um jogador que dá retorno, sim. Não sei exatamente o valor do contrato, mas ele dá retorno. Ele faz uma das coisas mais importantes para um clube popular como o Corinthians. Ele instiga os jovens, as crianças. Eu tenho aqui perto de casa uma quadra. Você de vez em quando o pessoal lá jogando, criança de oito, dez anos, quando marca um gol, comemora como Depay. Alguns querem subir na bola, repetir o gesto dele, ficar em cima da bola.

Por quê? Porque o jogador tem um papel, não só de jogar e marcar gol, mas também de atrair pessoas para o clube. E o Depay atrai. Eu não quero jogador que fique andando com a Bíblia para baixo e para cima na concentração. Isso aí é uma bobagem. Eu quero jogador que jogue. Jogue e o jogador vale quando ele está com a bola no pé.

Se dá problema? Ah, tá. Olha, eu fui eu fui quatro anos vice-presidente de futebol. O time de 2002 do Parreira era um time que tinha Vampeta, Ricardinho, Marcelinho. Olha só, eu só tinha problema para baixo e para cima - mais era um era Rincón - mas era gente que jogava.

Então, eu não tenho problema com jogador. Ele é problema quando ele é ruim. Aí ele é problema. Quando ele fica fazendo apelo, apelo para Deus, essa coisa, é porque não está jogando nada, aí é ruim. Eu quero o jogador que jogue. O resto a gente resolve.

Você na cadeira de presidente do clube, com o transfer ban derrubado, qual seria a sua política de de contratação? O senhor acha que é importante estabelecer um teto do que é para ser gasto?

Eu acho que nós devemos ter um bom executivo de futebol e nós vamos ter na primeira fase que garimpar jogadores de valor menor. Mas nós já fizemos isso muitas vezes. O nosso time campeão em 2002, que eu fui vice-presidente, ele tinha seis jogadores da base.

Então, é possível você trazer jogador da base. É possível você trazer jogadores de outras equipes e o jogador que se transforma no Corinthians. Porque tem jogador que ao chegar no Corinthians não era nada e vira grande jogador.

Se eleito, você já definiu nomes de profissionais que integrem sua gestão? Você pensa em realizar mudanças profundas no quadro diretivo ou no futebol? Por exemplo, a comissão técnica, saída ou permanência do Orival e o próprio Fabinho Soldado que não tem o nome mais tão prestigiado mais?

Bom, aqui se você que perguntou se eu penso, lógico que eu penso (em realizar mudanças). Mas eu penso dentro da realidade. Nesse momento a comissão técnica é essa. Depois nós vamos ver como vai ser, mas a comissão técnica é essa. Eu não sou de mudanças abruptas.

Você acha que seria vantajoso para o Corinthians em algum momento tentar se transformar em SAF ou esse modelo de de gestão não cabe em um clube como o Corinthians?

A SAF tem um problema. Só é possível descobrir quando o time estiver financeiramente bem. Do jeito que está o Corinthians, seria uma SAF para vender um clube na bacia das almas. Não é solução. A SAF não é solução para o Corinthians. E também vou falar uma verdade para você, todas as SAFs que eu vi falando por aí não são grande coisa.

Essa SAF que estão falando por aí. Aparece um sujeito dizendo que vai fazer uma SAF no Corinthians, que é grande investidor. Aí eu vou ver a empresa dele, está quase quebrada. A primeira que teve um período de grande sucesso é quando aparece um rico e compra o time. É o caso do Berlusconi com o Milan.

Não sei se vocês lembram Berlusconi comprou o Milan, investiu, fez um grande time, foi campeão.. Aquilo tinha um objetivo político. Ele era candidato a primeiro ministro na Itália. Então, ele botou dinheiro, o Milan ganhou títulos. De repente, ele gastou demais, gastava muito dinheiro, a família chegou e falou:

“Olha, é hora de parar Estamos gastando muito, estamos perdendo muito dinheiro no futebol”. Porque o futebol você não apenas ganha, você perde também. Aí ele saiu, está lá o Milan agora, vendido para um grupo de chineses, que já deu meio errado. Essa de rico comprar um clube é difícil no Brasil. Primeiro que nós não temos rico suficiente para comprar.

O rico não tem o dinheiro para botar no clube. Ele tem dinheiro de empresa. Tem rico, mas nós temos pouco rico. Eu digo rico mesmo. Se tivesse mais ricos que tivesse dinheiro que para ele não fizesse falta, 5 bilhões, tudo bem, mas aqui não. Eu não conheço. Eu não conheço um rico que esteja disposto a botar dinheiro em clube. Então, a SAF de de rico não dá. A segunda SAF é aquela que fundos compram um clube com o objetivo de ganhar dinheiro. É fundo de investidores.

Então, o que que eles querem? Revelar time e vender jogador. Tá aí o Botafogo, por exemplo. Botafogo é isso. Eles querem ganhar dinheiro. Agora está até uma confusão lá, tão estirando até o presidente. Porque esses fundos não têm paixão. Paixão deles é o dinheiro. Então, se der dinheiro, tudo bem, se não der, vai embora. Esse é um tipo de SAF que é muito complicada. Olha o Vasco que se envolveu lá, agora não sabe como sai.

O terceiro tipo de SAF, aqueles que todo mundo fala: “Ah, nos Estados Unidos tem o Green Bay Packers, que é um clube lá que tem milhões e milhões de pessoas que são acionistas”. Mas aqui nós não temos milhões de pessoas para ser acionista.

Quando as pessoas falam: “Ah, o Corinthians tem mais de 35 milhões de torcedores”. É verdade. Agora não dá para imaginar que nós temos 35 milhões de investidores. É uma parcela pequena desse grupo que poderia eventualmente investir, significa botar o dinheiro não esperando ganhar rapidamente.

Então, essa estrutura americana é muito difícil para o Corinthians. Muito difícil para qualquer clube aqui, não é só para o Corinthians. Então, portanto, a SAF não é o um pote de ouro cheio que todo mundo quer. É um pote com muito problema. Aí aparece uns aqui e falam: “Não, eu tenho uma carta de intenção”.

Você está falando da proposta de US$ 1 bilhão do André Castro? Como você avalia essa promessa?

Olha, eu não sei, mas a melhor pergunta que a gente tem que fazer é para o mercado financeiro. O mercado financeiro pode responder se isso é um negócio viável ou não. Qualquer pessoa no mercado financeiro pode responder se isso é viável ou não. Eu não sei, eu, para ser sincero, eu não acredito não, viu? Nem um pingo.

O senhor chegou a citar o Palmeiras e o Flamengo em respostas anteriores. O senhor acha que esses clubes podem ensinar algo ao Corinthians? O próprio Romeu Tuma Jr, presidente do CD, chegou a dizer que o Corinthians precisava se espelhar no Flamengo.

Ele explicou que não quis dizer exatamente isso. Mas digamos o seguinte, o Corinthians não é o Flamengo. Esclareço desde já. Porque o problema do Corinthians... nós temos um estádio um estádio maravilhoso, é o melhor estádio do país, o melhor estádio do país, dos melhores estádios de futebol do mundo, todo mundo elogia.

O Flamengo é um clube mambembe, fica jogando aqui um dia, um dia jogando lá. Nós não, nós temos um estádio. É problema para para pagar? É, mas nós já temos. Nós somos um clube que estamos no maior mercado. Corinthians está no maior mercado do país. Sua torcida é bastante concentrada na região de maior PIB do país. Diferente do Flamengo que tem uma uma torcida de segunda camisa por aí espalhada pelo Brasil, nós não somos o Flamengo.

O caso do Palmeiras é um caso diferente. Porque o caso do Palmeiras não dá para você retirar passagem do Paulo Nobre, que acabou solucionando as finanças do Palmeiras, e o Beluso fez lá o estádio. Não é como o nosso estádio, né? Vamos falar a verdade, o estádio deles é bem mais modesto, né? Mas eles têm lá o estádio.

Eu não gosto desse negócio de estádio que um dia tem uma partida de futebol, no outro dia tem um show. Não gosto. Isso não existe no mundo, viu? É a história de arenas multiuso. Não, o futebol é futebol. Tudo mundo que fez esse negócio de botar estádio para show, depois decidiu: ou vai fazer show ou vai fazer futebol.

Caso você não vença a eleição, agora que você está se aposentando do TCE, você se enxerga sendo uma peça mais ativa na política do clube?

Eu lamento se ganhar outra chapa, acho que vai acelerar nossa ida para o buraco. Porque eles não pensam como eu. Tanto que o Osmar em dois meses só foi remando, não fez nada, não fez absolutamente nada. Eu não tenho menor a dúvida. Aliás, eu estou sendo candidato por isso, porque eu estou convencido que se nós não interrompermos isso, nós vamos para uma situação caótica. Anote isso. Se nós não interrompermos esse caminho, nós vamos para o caos.

A gente vê alguns comentários ali questionando o seu pensamento em relação ao futebol. Muito te veem como uma figura antiquada, por sua figura remeter a outros tempos do clube. Você é colocado com antitheses ao que seria uma gestão moderna. O que acha dessas críticas? Você é um conservador?

Esse negócio de gestão profissional, eu proponho uma gestão altamente profissional. Eu, por exemplo, acho um horror dirigente ia vestiário, ia ao CT, ficar fazendo palestra para jogador. Isso é uma coisa que já passou há 50 anos. Eu nunca fiz isso quando fui dirigente. Eu sei porque falam isso que eu sou muito conservador, que a minha visão é muito conservadora.

É porque essa esse pessoal acredita que uma jogada de marketing resolve tudo e não resolve. Essa é uma no futebol. O Corinthians não há jogada de marketing que resolva. Porque o que vai resolver o problema é você ter uma uma uma política de restrição financeira hoje. Eu sei, não acredito. As pessoas são engraçadas. Há uma propaganda de que o marketing do Corinthians é fantástico. E ao mesmo tempo uma crítica de que o Flamengo ganha mais do que nós.

O Corinthians sempre terá o patrocínio mais caro, independentemente do nosso marketing, mas eles querem que eu diga que foi genial de alguém do marketing que fez isso. Eu posso dizer para você que não foi. Eu conheço bem o Corinthians, eu me lembro quando nós fizemos o contrato com a Pepsi, os diretores da Pepsi vieram, nós fizemos um jantar e eles falaram porque que eles contrataram o Corinthians. Não foi porque nós fomos lá, fizemos um uma filminho, não tem filminho nenhum, eles foram atrás de um clube que tem uma grande torcida. É isso.

Não sei o que que o pessoal na internet acha tão maravilhoso o marketing do Corinthians. É impressionante. Eu fico olhando, falo assim: O que que eles estão vendo que eu não vejo? Na verdade, é isso. Eu sou conservador, sim. Conservador na gestão. Fora disso, eu não sou conservador. Aliás, pelo contrário, eu sou até um cara avançado. Mas eu sou conservador na gestão. Se não tem dinheiro, não compra. Tá bom?

Outro assunto que divide entre ser conservador e liberal é a reforma no estatuto e demanda da torcida pelo voto ao sócio-torcedor. A eleição que você vai encarar na segunda-feira é uma eleição indireta, mas, dentro da conformidade, uma eleição aberta para os sócios do clube. Você defenderia que no futuro, caso eleito, fosse revisto o estatuto para que o sócio-torcedor, o fiel torcedor votasse na eleição?

Sim. Eu sou favorável a que vote, mas eu quero avisar vocês, o fiel torcedor não vai trazer a torcida popular do Corinthians para dentro do Corinthians. O fiel torcedor vai trazer um tipo de torcida, é o torcedor de maior renda. Quem tem fiel torcedor... o clube vai ser cada vez mais da Vila Madalena, dos Jardins, de Higienópolis, da Vila Mariana, que é onde estão os fiel torcedores. O fiel torcedor não está na cidade Tiradentes. Eles ficam bravo comigo por dizer isso. Eu sou favorável que o fiel torcedor vote, mas alerto: não é pense que vai virar um outro clube com o fiel torcedor votando.

Espaço aberto para o candidato.

A única coisa que eu quero dizer é que as pessoas compareçam segunda-feira e votem e pensem no clube que virá depois dessa eleição que será uma situação dramática para nós.

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Antônio Roque Citadini deixou a presidência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) na terça-feira, 19, por aposentadoria compulsória, conforme previsto pela legislação aos servidores públicos que completam 75 anos. Como já sabia que o momento estava chegando, planejou uma viagem à Croácia, da qual desistiu frente à decisão de concorrer à presidência do Corinthians.

Integrante da gestão de Alberto Dualib no início dos anos 2000 e derrotado por Andrés Sanchez e seus aliados em mais de uma eleição, Citadini decidiu adiar o descanso para tentar de novo. Ele quer a cadeira que está vaga após o impeachment de Augusto Melo, referendado no dia 8 de agosto.

“Eu não pretendia ser candidato, até tinha marcado uma viagem para Croácia, olha só. A questão é a seguinte: o clube está numa situação dramática. Nós não estamos nos apercebendo do tamanho do tsunami que nós temos e o que virá por aí. Não é uma crise igual a tantas outras que nós vivemos. É uma crise quase sem saída”, afirma ao Estadão.

Em eleição com participação de conselheiros, na segunda-feira, 25, Citadini vai concorrer à presidência corintiana contra Osmar Stábile, atual presidente interino, e André Castro, novato da política corintiana que promete aporte de US$ 1 bilhão.

“Eu não tenho dúvida que os próximos meses serão terríveis para o Corinthians. Ganhe quem ganhar. Se ganhar o Osmar, então, vai ser mais difícil porque o Osmar não está pensando nessa crise. Eles estão achando que dá, mas não dá mais para antecipar receita, não dá mais para fazer nada.”

Embora tenha sido conhecido como opositor da Renovação e Transparência, chapa de Andrés, o jurista costurou acordo com integrantes do grupo de cartolas, que hoje gera ojeriza em parte da torcida. Ele entende, contudo, que a forma como a política é feita no clube mudou.

“Aquela estrutura política tradicional do clube acabou. Está totalmente embaralhado. Eu tenho o voto da Renovação e Transparência. O Osmar tem voto da Renovação e Transparência. Se aparecer um outro candidato também vai ter voto da Renovação e Transparência. Você tem voto de todos os grupos porque os grupos estão embaralhados”, diz.

Antôno Roque Citadini presidiu o Tribunal de Contas de São Paulo. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Citadini evita se aprofundar nas denúncias que envolvem Andrés e seu aliado Duílio Monteiro Alves, investigados pelo Ministério Público por uso indevido do cartão de crédito do clube, ou Augusto Melo, réu por lavagem de dinheiro, associação criminosa e furto qualificado.

“Nós ficamos numa situação de eterno acerto de contas, que é uma coisa horrível para qualquer empresa, para qualquer governo, para qualquer clube. Vamos corrigir o que está errado e tocar para frente”, afirma.

Para o conselheiro, o maior drama corintiano é financeiro e os esforços têm de ser focados na reabilitação. Ele avalia, contudo, que o desespero sentido no Corinthians deveria ser compartilhado por clubes rivais, os quais vê em situação igual à do time do Parque São Jorge.

“Eu não quero ficar falando mal dos outros porque nós estamos muito mal. Mas o São Paulo está numa situação igual à do Corinthians, desesperadora. É que o São Paulo não tem a repercussão que nós temos. Então as pessoas nem perdem tempo de falar muito do São Paulo. Mas a situação do São Paulo é desesperadora. A do Santos é desesperadora”, opina.

Citadini bate na tecla do corte de gastos como principal forma de reorganizar o clube e ser capaz de quitar débitos como o que gerou o transfer ban de Félix Torres. Já a divida de pouco menos R$ 700 milhões com a Caixa, pela construção da Neo Química Arena, não é colocada por ele na lista de grandes problemas.

“A arena não é problema, arena é uma solução. Porque ela é um grande estádio, o Corinthians ganha com isso. Ela é mal explorada. Nós podemos ganhar muito mais lá. É tudo mal explorado, mas ela não é problema. Pela arena a gente dorme tranquilo. A gente paga, a Caixa vai receber, vai renegociar.”

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Leia a entrevista completa com Roque Citadini, candidato à presidência do Corinthians:

Você se aposentou do Tribunal de Contas depois de uma longa trajetória como homem público. A vontade de ser presidente do Corinthians está ligada à aposentadoria?

Eu não pretendia ser candidato, até tinha marcado uma viagem para Croácia, olha só. A questão é a seguinte: o clube está numa situação dramática. Nós não estamos nos apercebendo do tamanho do tsunami que nós temos e e que virá por aí.

Não é uma crise igual a tantas outras que nós vivemos. É uma crise quase sem saída. Quer dizer, nós estamos numa situação financeira que nós já não temos para onde socorrer. Por que que tudo isso ocorreu? Porque nesses anos todos a gente arrecadava bastante. Os contratos eram bons, só que se gastava mais do que arrecadava. E isso foi gerando uma bola de dívida que você começou a atrasar salário, atrasar pagamento de imposto, atrasar serviço, atrasar tudo.

Vai chegando uma hora que não tem como respirar. Nós já estamos aí com o transfer ban de um jogador, podemos ter de outros, porque o Corinthians sistematicamente não paga. Ele não paga os jogadores que compra, não paga o salário, não paga os impostos, porque imposto é uma coisa importante.

O que você faria, então, para tirar o Corinthians dessa situação?

Nós estamos no limite de não ter para onde socorrer. Essa é a grande verdade. Então, nós precisamos fazer duas coisas. A primeira, que é dolorida, é gastar menos. Gastar menos em toda a área do clube. Não é só no futebol, mas gastar menos.

O que implica dizer que o que a gente tiver de receita tem que ser maior do que os nossos gastos. Esse é a primeira coisa. Mas mesmo assim não dá. Mesmo assim nós não vamos conseguir sair desse atoleiro. Nós precisamos lutar para uma novo ProFut, daquele que teve em 2015. eu sou favorável que o Corinthians lidere um ProFut, mas lidere um profute um pouco diferente.

Porque o Profut, o governo ajuda, ele corta juro, prorroga as dívidas, aquilo que foi feito no Profut. Mas eu acho que tem que ter uma contrapartida certa. A contrapartida certa é a que está na Europa. Quer dizer, o clube que estourar os gastos, ele etem que ele tem que ter uma punição clara. O dirigente tem de ser punido imediatamente, porque as pessoas: “tem que punir o dirigente”.

Mas aqui o punir o dirigente é um processo que vai para a Justiça e demora, tem recurso. Precisamos ter uma agência agência de futebol, que estava prevista, mas infelizmente não foi implantada. Em término exercício, houve um estouro no orçamento? Estouro desse estilo do Corinthians, porque comprou jogador, não pagou, fez dívida... então, tem de ter uma punição imediata Duas punições: dirigente não poder mais participar de direção de clube e o clube ser rebaixado.

Só isso vai isso vai permitir que o futebol seja saudável. Quero dizer o futebol porque nós estamos falando muito do Corinthians, mas aqui em São Paulo mesmo, dos quatro grandes clubes três estão igual: o Corinthians, o Santos e o São Paulo. O Palmeiras, eventualmente, não está. Eu digo eventualmente porque é eventualmente mesmo. Porque ele fez boas vendas de jogador, revelou jogador, etc.. Mas no Rio você tem quase todos os clubes no limite de estourar os seus orçamentos.

Eu defendo duas coisas. Que o Corinthians de pronto adote uma política de restrição financeira forte. Vai doer doer, mas é isso. Segundo, que ele passe a lutar por um novo Profut, que seja diferente do anterior que só fez uma parte, de permitir desconto da dívida, de juro.

Vocês entenderam porque eu não fico em casa agora, né? Porque eu podia estar viajando. Eu não tenho dúvida que os próximos meses serão terríveis para o Corinthians. Ganhe quem ganhar. Se ganhar o Osmar, então, vai ser mais difícil porque o Osmar, eles não estão pensando nessa crise.

Eles estão achando que dá, mas não dá mais para antecipar receita, não dá mais para fazer nada. É por isso que eu eu falei que o Osmar está trabalhando com a ideia da estabilidade e do imobilismo. Mas a estabilidade e o imobilismo para nós hoje não é solução. Ela é o caos.

Quando era dirigente do Corinthians, Antônio Roque Citadini comparou o Gil a Kaká, à época no São Paulo Foto: Robson Fernandjes/Estadão

Como o senhor mencionou, o Corinthians sofreu transfer ban por causa do caso Félix Torres e tem mais três processos no CAS que podem agravar a punição. Como você pretende resolver essas pendências em curto prazo?

Bom, a primeira coisa, você não tem que contratar. A segunda é procurar arrumar dinheiro para se livrar disso. Essa é a pior dívida que tem para o clube. Embora tenha outras difíceis, mas essa você vai ter que procurar encontrar os recursos que encontrarem para isso. Até porque, vocês sabem, o transfer ban vai aumentando as punições aos clubes. A primeira mais leve é essa de não poder contratar.

Depois vão tendo outras. Eu acho que o Corinthians é um um exemplo ruim do descontrole do orçamento. Não pode ter descontrole do orçamento. É duro? É duro. Não dá para contratar jogador, não dá. Também quero dizer que não é coisa que aconteceu ontem. É algo que vem de anos e anos, mais de 10 anos. Quer dizer, o clube vem convivendo com uma situação, começa a emprestar dinheiro, pagar juro. O Corinthians vive hoje pagando juro. É uma tragédia.

Você falou sobre o imbolismo do Stábile. Uma das soluções pensadas para ele para reparar o fluxo de caixa do clube foi antecipar direitos de transmissão junto á LFU, você concorda com esse tipo de medida em situações urgentes?

Eu acho que a primeira solução é cortar despesa. Depois você vai buscar a forma de encontrar dinheiro. Antecipar receita, você sabe, é um problema. Tapa o buraco aqui e abre na frente. Não resolve o problema. Quer dizer, é uma emergência. Primeira coisa mesmo é cortar gasto. É isso..

Outra questão que também agrava essa dívida do Corinthians é a Neo Química Arena, né. O André Castro falou essa semana que o plano dele de US$1 bilhão envolveria a quitação automática dessa dívida. Na sua visão, qual o caminho seria o ideal para a quitação?

A arena não é problema, arena é uma solução. Porque ela é um grande estádio, o Corinthians ganha com isso. Ela é mal explorada. Nós podemos ganhar muito mais lá. É tudo mal explorado, mas ela não é problema. Pela arena a gente dorme tranquilo.

A gente paga, a Caixa vai receber, vai renegociar. Essa mania do mercado financeiro querer quitar arena é querer ganhar dinheiro com a gente, não é quitar arena. Eles querem ganhar dinheiro, dinheiro fácil. Eu acho que o dinheiro que vier não é para quitar arena. Arena a gente resolve os problemas as pendências que tiverem no outro campo.

Nós precisamos resolver as pendências que nós temos. Nós temos que pagar imposto. Nós temos que pagar salário que está atrasado, rescisões de contrato. Nós temos que pagar banco. Temos que pagar empresário que emprestou dinheiro ao Corinthians. Esquece a Arena. A Arena não é problema.

A gente viu o Corinthians entrar ao longo desses últimos anos em muitos contratos duvidosos. Teve a Taunsa, com o Duílio, e o caso da Vadi Bet, que é um dos maiores escândalos da história do clube. Parece que o Corinthians se tornou um alvo fácil. Como evitar situações com essas?

Tem a ideia da responsabilização imediata do dirigente. Eu, por exemplo, não consigo até agora entender esse caso da Taunsa. Não consigo. Não entendo a lógica de ter feito isso daí. A Vai de Bet era diferente, era um contrato de publicidade normal. Deu lá os problemas que deu, mas a Taunsa eu não entendo. Eu não compreendo qual foi a lógica que levou a fazer isso daí e que prejudicou o clube.

Eu acho que todos esses problemas que tem de contrato para cá os outros clubes também tem. Por exemplo, eu não quero ficar falando mal dos outros porque nós estamos muito mal. Mas o São Paulo está numa situação igual a do Corinthians, desesperadora. É o São Paulo não tem a repercussão que nós temos. Então as pessoas nem perdem tempo de falar muito do São Paulo. Mas a situação do São Paulo é desesperadora. A do Santos é desesperadora.

É porque agora é é claro que se a ideia de que não tem que responsabilizar os dirigentes. Mas a responsabilização deve vir por uma agência de esporte. Imediato. Terminou o orçamento, é dizer o seguinte: “Olha, você estourou, comprou, não pagou, fora. Vai para a rua”.

Porque se nós ficarmos na dependência de entrar com uma ação na Justiça. Veja o caso da caso da Vai de Bet, do Augusto, o processo começou agora. Ele pode ser absolvido, inclusive ou recorrer em segunda, terceira instância. Nas ligas de fora, se você não cumprir o plano orçamentário, você sofre retaliações grandes, duras.

Há pouco tempo, no ano passado, o próprio Barcelona disse que não tinha condições de renovar o contrato de dois ou três jogadores, porque se ele renovasse, quebraria. Então, não renovou. A torcida provavelmente deve ter ficado brava, mas ele não renovou. Agora aqui não, aqui renova e vamos trocar para frente. Não, não pode.

Queria te perguntar sobre essa questão que entrou muito no debate agora que que é o uso dos cartões corporativos, principalmente com o Andrés. Ele vai passar pelo Comitê de Ética e o caso está no Ministério Público. O que você acha das informações que vieram sobre o caso até agora. Elas seriam suficientes para defender uma possível expulsão do Andrés?

Veja, eu quero dizer que uma das coisas que o clube tem de fazer na próxima gestão é corrigir o que está errado. Eu, por exemplo, vou acabar com o cartão corporativo. Não terá cartão corporativo. A diretoria não terá, só vai ter o departamento de futebol. Porque o cartão corporativo é um veneno.

Quem conhece cartão corporativo, tanto nas empresas privadas, quanto no estado, sabe que o cartão corporativo é um convite para problemas. Pouco tempo atrás, um presidente de um grande banco americano foi demitido porque ele saiu com uma secretária, namorada, se empolgou E comprou um vinho de um valor enorme. os acionistas descobriram e ele foi demitido porque ele gastou o que não podia gastar, porque o cartão corporativo é um convite para você gastar.

Como faz a maior parte das empresas e o Estado? Se você precisar pagar alguma coisa, você paga com o seu dinheiro, Vai lá na tesouraria e diz: “Olha, eu paguei isso, recebe o dinheiro de volta”. Não é? Então o cartão corporativo é um problema. A primeira coisa é acabar. A segunda coisa, o negócio dos cartões do Corinthians foi encaminhado para o Ministério Público.

Agora nós temos que esperar o Ministério Público, não há outro caminho. O Ministério Público está chamando gente, ouvindo. Vamos ver o que que ele disse. Eu não sei o que ele dirá. Torço para que seja rápida.

O senhor tem costurado alguns apoios para a eleição, inclusive com membros da Renovação e Transparência, grupo político do Andrés, de quem você foi grande opositor em sua história política. Você chegou a culpá-lo por “arrebentar as finanças do clube”. Qual é a sua relação com esse grupo de conselheiros hoje?

Bom, a primeira coisa é o seguinte, você falou bem, eu fui sempre oposição à Renovação e Transparência. E aliás, eu era um dos poucos que era oposição, porque a maior parte aplaudia. A própria torcida aplaudia. Não foi só o Augusto que saiu carregado pela torcida. O Andrés também saiu. Vocês devem lembrar, no começo do estádio, o Andrés era ovacionado do começo ao fim. Ovacionado mesmo, gritavam, carregavam.

Eu achava que tinha coisas para criticar e eu acabei criticando. Mas nesse momento, o que que acontece no clube? Aquela estrutura política tradicional do clube acabou. Está totalmente embaralhado. Eu tenho o voto da Renovação e Transparência. O Osmar tem voto da Renovação e Transparência. Se aparecer um outro candidato também vai ter voto da Renovação e Transparência. Você tem voto de todos os grupos porque os grupos estão embaralhados.

Não há ninguém com esse episódio de tsunami político que tiveram nesses últimos anos. Era o grupo Renovação e Transparência e o pessoal que era a contra. Não tem mais. Agora virou um negócio confuso e não sei o que vai acabar saindo daí.

Passando agora para a gestão do Augusto, qual é a sua avaliação do trabalho feito por ele até a destituição?

Vocês sabem que eu não votei no Augusto. Eu falei publicamente que não votava no Augusto. Tinha lá outra opinião, outro candidato (André Negão). Agora, tudo isso que que ocorreu aí, agora está na Justiça. Nós temos que aguardar a Justiça decidir. E eu acho que nós devemos fazer uma virada de chave. Eu sei que a imprensa não gosta disso. Mas nós não podemos ficar toda a semana abrindo um inquérito sobre um problema no Corinthians.

É uma nota fiscal que é falsa, é uma coisa, porque aí nós ficamos numa situação de eterno acerto de contas, que é uma coisa horrível para qualquer empresa, para qualquer governo, para qualquer clube. Vamos corrigir o que está errado e tocar para frente.

Recentemente surgiram denúncias e rumores de irregularidades na gestão das categorias de base, como favorecimento em contratações e comissões indevidas. Além disso, houve o recente caso do Kauê Furquim, levado ao Bahia. Qual será sua política para tornar a base mais transparente, eficiente e rentável para o clube?

A categoria de base foi um dos graves erros da Renovação e Transparência. O que aconteceu lá? Quando há mais de 10 anos lá - eu estou falando da gestão do Mario Gobbi ou antes do Mario Gobbi - quando começou faltar dinheiro, gastava muito. Esse era o problema. O que que eles bolaram?

Bolaram de vender parte dos direitos sobre o jogador para empresário. E aí o Corinthians começou a vender. Primeiro dava 10%, depois vendia 20%. Depois, vendia 50%. Algumas vezes, vendia até 90%. Então, o garoto estava lá no sub-17 e já tinha um empresário que era dono.

Bom, a consequência disso aí foi que nós nem ganhamos dinheiro porque quem passou a ganhar o dinheiro foram os empresários que compravam os jogadores da base. O menino tinha 18 anos, já tava vendido. E quem ganhava dinheiro era o empresário, e nós não ganhávamos dinheiro, nem revelávamos mais.

Porque desse jeito, o menino ainda estava ainda no sub-18, no sub-17, e já arrumavam um clube lá em Portugal para mandar o menino. E como o jogador era majoritariamente do empresário, nós nunca tivemos força para dizer: “Não, não, não vai”. Então, a primeira coisa da base é voltar a ser a base que o Corinthians teve no passado.Que, infelizmente - eu digo infelizmente, mas é é lamentável - o Palmeiras tem hoje, porque a base do Palmeiras é do Palmeiras.

Quando o Palmeiras revela um jogador, ele é majoritariamente do Palmeiras. Aí, o Palmeiras faz o que quer, põe no time, vende e ainda ganha dinheiro. O Corinthians não revela porque o menino sai antes de ir para o time principal. Tem uma porção de jogadores que foram para a Europa sem passar pelo principal do Corinthians. O que é um um erro para nós.

Nós precisamos de uma base que revele e que dê para ganhar dinheiro. Esse foi um erro r eu, diga-se de passagem, não se me silenciei. Lá, 10 anos atrás, eu falava isso. Tá tudo errado esse negócio aqui. Vocês estão fazendo uma coisa que no futuro nós não vamos ter jogador e nem ganhar dinheiro, que é o que ocorre hoje. Todo jogador que rdtá lá tem um dono.

Emerson Piovesan (esq.), Paulo Garcia e Antonio Roque Citadini lançaram chapa para concorrer à presidência em 2009. Foto: José Luis da Conceição/AE

Ainda sobre jogador e ganhar dinheiro, o que você pensa sobre o contrato de Memphis Depay. É um contrato que é pesado pro Corinthians, não tem conseguido arcar com os vencimentos no prazo, mas ao mesmo tempo ele gera muito visibilidade. Como você trabalharia para adequar os dois lados? Lembrando que não tem mais o aporte da Esportes da Sorte.

A questão dos jogadores do time principal, ela é mais problemática. Talvez seja o lugar onde o clube tenha menos espaço para mudar. Porque os jogadores, se ele não jogar no Corinthians, se ele for um grande jogador, ele vai jogar num outro time. Então, o clube não tem espaço para fazer, não é como um menino da base. O cara é craque, se ele não ficar no Corinthians, ele vai para outro lugar.

Portanto, você vai ter que conviver com salários maiores, né? Eu acho que o Depay, eu não conheço o contrato dele, cada dia sai uma uma notícia. Isso é uma coisa horrível, não tinha que sair notícia nenhuma sobre os valores do salário dele. A questão do salário do jogador é entre o clube e ele. A imprensa deve saber quanto se gasta no departamento de futebol, qual é o valor da folha, mas individualmente eu discordo.

Ele é um jogador que dá retorno, sim. Não sei exatamente o valor do contrato, mas ele dá retorno. Ele faz uma das coisas mais importantes para um clube popular como o Corinthians. Ele instiga os jovens, as crianças. Eu tenho aqui perto de casa uma quadra. Você de vez em quando o pessoal lá jogando, criança de oito, dez anos, quando marca um gol, comemora como Depay. Alguns querem subir na bola, repetir o gesto dele, ficar em cima da bola.

Por quê? Porque o jogador tem um papel, não só de jogar e marcar gol, mas também de atrair pessoas para o clube. E o Depay atrai. Eu não quero jogador que fique andando com a Bíblia para baixo e para cima na concentração. Isso aí é uma bobagem. Eu quero jogador que jogue. Jogue e o jogador vale quando ele está com a bola no pé.

Se dá problema? Ah, tá. Olha, eu fui eu fui quatro anos vice-presidente de futebol. O time de 2002 do Parreira era um time que tinha Vampeta, Ricardinho, Marcelinho. Olha só, eu só tinha problema para baixo e para cima - mais era um era Rincón - mas era gente que jogava.

Então, eu não tenho problema com jogador. Ele é problema quando ele é ruim. Aí ele é problema. Quando ele fica fazendo apelo, apelo para Deus, essa coisa, é porque não está jogando nada, aí é ruim. Eu quero o jogador que jogue. O resto a gente resolve.

Você na cadeira de presidente do clube, com o transfer ban derrubado, qual seria a sua política de de contratação? O senhor acha que é importante estabelecer um teto do que é para ser gasto?

Eu acho que nós devemos ter um bom executivo de futebol e nós vamos ter na primeira fase que garimpar jogadores de valor menor. Mas nós já fizemos isso muitas vezes. O nosso time campeão em 2002, que eu fui vice-presidente, ele tinha seis jogadores da base.

Então, é possível você trazer jogador da base. É possível você trazer jogadores de outras equipes e o jogador que se transforma no Corinthians. Porque tem jogador que ao chegar no Corinthians não era nada e vira grande jogador.

Se eleito, você já definiu nomes de profissionais que integrem sua gestão? Você pensa em realizar mudanças profundas no quadro diretivo ou no futebol? Por exemplo, a comissão técnica, saída ou permanência do Orival e o próprio Fabinho Soldado que não tem o nome mais tão prestigiado mais?

Bom, aqui se você que perguntou se eu penso, lógico que eu penso (em realizar mudanças). Mas eu penso dentro da realidade. Nesse momento a comissão técnica é essa. Depois nós vamos ver como vai ser, mas a comissão técnica é essa. Eu não sou de mudanças abruptas.

Você acha que seria vantajoso para o Corinthians em algum momento tentar se transformar em SAF ou esse modelo de de gestão não cabe em um clube como o Corinthians?

A SAF tem um problema. Só é possível descobrir quando o time estiver financeiramente bem. Do jeito que está o Corinthians, seria uma SAF para vender um clube na bacia das almas. Não é solução. A SAF não é solução para o Corinthians. E também vou falar uma verdade para você, todas as SAFs que eu vi falando por aí não são grande coisa.

Essa SAF que estão falando por aí. Aparece um sujeito dizendo que vai fazer uma SAF no Corinthians, que é grande investidor. Aí eu vou ver a empresa dele, está quase quebrada. A primeira que teve um período de grande sucesso é quando aparece um rico e compra o time. É o caso do Berlusconi com o Milan.

Não sei se vocês lembram Berlusconi comprou o Milan, investiu, fez um grande time, foi campeão.. Aquilo tinha um objetivo político. Ele era candidato a primeiro ministro na Itália. Então, ele botou dinheiro, o Milan ganhou títulos. De repente, ele gastou demais, gastava muito dinheiro, a família chegou e falou:

“Olha, é hora de parar Estamos gastando muito, estamos perdendo muito dinheiro no futebol”. Porque o futebol você não apenas ganha, você perde também. Aí ele saiu, está lá o Milan agora, vendido para um grupo de chineses, que já deu meio errado. Essa de rico comprar um clube é difícil no Brasil. Primeiro que nós não temos rico suficiente para comprar.

O rico não tem o dinheiro para botar no clube. Ele tem dinheiro de empresa. Tem rico, mas nós temos pouco rico. Eu digo rico mesmo. Se tivesse mais ricos que tivesse dinheiro que para ele não fizesse falta, 5 bilhões, tudo bem, mas aqui não. Eu não conheço. Eu não conheço um rico que esteja disposto a botar dinheiro em clube. Então, a SAF de de rico não dá. A segunda SAF é aquela que fundos compram um clube com o objetivo de ganhar dinheiro. É fundo de investidores.

Então, o que que eles querem? Revelar time e vender jogador. Tá aí o Botafogo, por exemplo. Botafogo é isso. Eles querem ganhar dinheiro. Agora está até uma confusão lá, tão estirando até o presidente. Porque esses fundos não têm paixão. Paixão deles é o dinheiro. Então, se der dinheiro, tudo bem, se não der, vai embora. Esse é um tipo de SAF que é muito complicada. Olha o Vasco que se envolveu lá, agora não sabe como sai.

O terceiro tipo de SAF, aqueles que todo mundo fala: “Ah, nos Estados Unidos tem o Green Bay Packers, que é um clube lá que tem milhões e milhões de pessoas que são acionistas”. Mas aqui nós não temos milhões de pessoas para ser acionista.

Quando as pessoas falam: “Ah, o Corinthians tem mais de 35 milhões de torcedores”. É verdade. Agora não dá para imaginar que nós temos 35 milhões de investidores. É uma parcela pequena desse grupo que poderia eventualmente investir, significa botar o dinheiro não esperando ganhar rapidamente.

Então, essa estrutura americana é muito difícil para o Corinthians. Muito difícil para qualquer clube aqui, não é só para o Corinthians. Então, portanto, a SAF não é o um pote de ouro cheio que todo mundo quer. É um pote com muito problema. Aí aparece uns aqui e falam: “Não, eu tenho uma carta de intenção”.

Você está falando da proposta de US$ 1 bilhão do André Castro? Como você avalia essa promessa?

Olha, eu não sei, mas a melhor pergunta que a gente tem que fazer é para o mercado financeiro. O mercado financeiro pode responder se isso é um negócio viável ou não. Qualquer pessoa no mercado financeiro pode responder se isso é viável ou não. Eu não sei, eu, para ser sincero, eu não acredito não, viu? Nem um pingo.

O senhor chegou a citar o Palmeiras e o Flamengo em respostas anteriores. O senhor acha que esses clubes podem ensinar algo ao Corinthians? O próprio Romeu Tuma Jr, presidente do CD, chegou a dizer que o Corinthians precisava se espelhar no Flamengo.

Ele explicou que não quis dizer exatamente isso. Mas digamos o seguinte, o Corinthians não é o Flamengo. Esclareço desde já. Porque o problema do Corinthians... nós temos um estádio um estádio maravilhoso, é o melhor estádio do país, o melhor estádio do país, dos melhores estádios de futebol do mundo, todo mundo elogia.

O Flamengo é um clube mambembe, fica jogando aqui um dia, um dia jogando lá. Nós não, nós temos um estádio. É problema para para pagar? É, mas nós já temos. Nós somos um clube que estamos no maior mercado. Corinthians está no maior mercado do país. Sua torcida é bastante concentrada na região de maior PIB do país. Diferente do Flamengo que tem uma uma torcida de segunda camisa por aí espalhada pelo Brasil, nós não somos o Flamengo.

O caso do Palmeiras é um caso diferente. Porque o caso do Palmeiras não dá para você retirar passagem do Paulo Nobre, que acabou solucionando as finanças do Palmeiras, e o Beluso fez lá o estádio. Não é como o nosso estádio, né? Vamos falar a verdade, o estádio deles é bem mais modesto, né? Mas eles têm lá o estádio.

Eu não gosto desse negócio de estádio que um dia tem uma partida de futebol, no outro dia tem um show. Não gosto. Isso não existe no mundo, viu? É a história de arenas multiuso. Não, o futebol é futebol. Tudo mundo que fez esse negócio de botar estádio para show, depois decidiu: ou vai fazer show ou vai fazer futebol.

Caso você não vença a eleição, agora que você está se aposentando do TCE, você se enxerga sendo uma peça mais ativa na política do clube?

Eu lamento se ganhar outra chapa, acho que vai acelerar nossa ida para o buraco. Porque eles não pensam como eu. Tanto que o Osmar em dois meses só foi remando, não fez nada, não fez absolutamente nada. Eu não tenho menor a dúvida. Aliás, eu estou sendo candidato por isso, porque eu estou convencido que se nós não interrompermos isso, nós vamos para uma situação caótica. Anote isso. Se nós não interrompermos esse caminho, nós vamos para o caos.

A gente vê alguns comentários ali questionando o seu pensamento em relação ao futebol. Muito te veem como uma figura antiquada, por sua figura remeter a outros tempos do clube. Você é colocado com antitheses ao que seria uma gestão moderna. O que acha dessas críticas? Você é um conservador?

Esse negócio de gestão profissional, eu proponho uma gestão altamente profissional. Eu, por exemplo, acho um horror dirigente ia vestiário, ia ao CT, ficar fazendo palestra para jogador. Isso é uma coisa que já passou há 50 anos. Eu nunca fiz isso quando fui dirigente. Eu sei porque falam isso que eu sou muito conservador, que a minha visão é muito conservadora.

É porque essa esse pessoal acredita que uma jogada de marketing resolve tudo e não resolve. Essa é uma no futebol. O Corinthians não há jogada de marketing que resolva. Porque o que vai resolver o problema é você ter uma uma uma política de restrição financeira hoje. Eu sei, não acredito. As pessoas são engraçadas. Há uma propaganda de que o marketing do Corinthians é fantástico. E ao mesmo tempo uma crítica de que o Flamengo ganha mais do que nós.

O Corinthians sempre terá o patrocínio mais caro, independentemente do nosso marketing, mas eles querem que eu diga que foi genial de alguém do marketing que fez isso. Eu posso dizer para você que não foi. Eu conheço bem o Corinthians, eu me lembro quando nós fizemos o contrato com a Pepsi, os diretores da Pepsi vieram, nós fizemos um jantar e eles falaram porque que eles contrataram o Corinthians. Não foi porque nós fomos lá, fizemos um uma filminho, não tem filminho nenhum, eles foram atrás de um clube que tem uma grande torcida. É isso.

Não sei o que que o pessoal na internet acha tão maravilhoso o marketing do Corinthians. É impressionante. Eu fico olhando, falo assim: O que que eles estão vendo que eu não vejo? Na verdade, é isso. Eu sou conservador, sim. Conservador na gestão. Fora disso, eu não sou conservador. Aliás, pelo contrário, eu sou até um cara avançado. Mas eu sou conservador na gestão. Se não tem dinheiro, não compra. Tá bom?

Outro assunto que divide entre ser conservador e liberal é a reforma no estatuto e demanda da torcida pelo voto ao sócio-torcedor. A eleição que você vai encarar na segunda-feira é uma eleição indireta, mas, dentro da conformidade, uma eleição aberta para os sócios do clube. Você defenderia que no futuro, caso eleito, fosse revisto o estatuto para que o sócio-torcedor, o fiel torcedor votasse na eleição?

Sim. Eu sou favorável a que vote, mas eu quero avisar vocês, o fiel torcedor não vai trazer a torcida popular do Corinthians para dentro do Corinthians. O fiel torcedor vai trazer um tipo de torcida, é o torcedor de maior renda. Quem tem fiel torcedor... o clube vai ser cada vez mais da Vila Madalena, dos Jardins, de Higienópolis, da Vila Mariana, que é onde estão os fiel torcedores. O fiel torcedor não está na cidade Tiradentes. Eles ficam bravo comigo por dizer isso. Eu sou favorável que o fiel torcedor vote, mas alerto: não é pense que vai virar um outro clube com o fiel torcedor votando.

Espaço aberto para o candidato.

A única coisa que eu quero dizer é que as pessoas compareçam segunda-feira e votem e pensem no clube que virá depois dessa eleição que será uma situação dramática para nós.

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Antônio Roque Citadini deixou a presidência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) na terça-feira, 19, por aposentadoria compulsória, conforme previsto pela legislação aos servidores públicos que completam 75 anos. Como já sabia que o momento estava chegando, planejou uma viagem à Croácia, da qual desistiu frente à decisão de concorrer à presidência do Corinthians.

Integrante da gestão de Alberto Dualib no início dos anos 2000 e derrotado por Andrés Sanchez e seus aliados em mais de uma eleição, Citadini decidiu adiar o descanso para tentar de novo. Ele quer a cadeira que está vaga após o impeachment de Augusto Melo, referendado no dia 8 de agosto.

“Eu não pretendia ser candidato, até tinha marcado uma viagem para Croácia, olha só. A questão é a seguinte: o clube está numa situação dramática. Nós não estamos nos apercebendo do tamanho do tsunami que nós temos e o que virá por aí. Não é uma crise igual a tantas outras que nós vivemos. É uma crise quase sem saída”, afirma ao Estadão.

Em eleição com participação de conselheiros, na segunda-feira, 25, Citadini vai concorrer à presidência corintiana contra Osmar Stábile, atual presidente interino, e André Castro, novato da política corintiana que promete aporte de US$ 1 bilhão.

“Eu não tenho dúvida que os próximos meses serão terríveis para o Corinthians. Ganhe quem ganhar. Se ganhar o Osmar, então, vai ser mais difícil porque o Osmar não está pensando nessa crise. Eles estão achando que dá, mas não dá mais para antecipar receita, não dá mais para fazer nada.”

Embora tenha sido conhecido como opositor da Renovação e Transparência, chapa de Andrés, o jurista costurou acordo com integrantes do grupo de cartolas, que hoje gera ojeriza em parte da torcida. Ele entende, contudo, que a forma como a política é feita no clube mudou.

“Aquela estrutura política tradicional do clube acabou. Está totalmente embaralhado. Eu tenho o voto da Renovação e Transparência. O Osmar tem voto da Renovação e Transparência. Se aparecer um outro candidato também vai ter voto da Renovação e Transparência. Você tem voto de todos os grupos porque os grupos estão embaralhados”, diz.

Antôno Roque Citadini presidiu o Tribunal de Contas de São Paulo. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Citadini evita se aprofundar nas denúncias que envolvem Andrés e seu aliado Duílio Monteiro Alves, investigados pelo Ministério Público por uso indevido do cartão de crédito do clube, ou Augusto Melo, réu por lavagem de dinheiro, associação criminosa e furto qualificado.

“Nós ficamos numa situação de eterno acerto de contas, que é uma coisa horrível para qualquer empresa, para qualquer governo, para qualquer clube. Vamos corrigir o que está errado e tocar para frente”, afirma.

Para o conselheiro, o maior drama corintiano é financeiro e os esforços têm de ser focados na reabilitação. Ele avalia, contudo, que o desespero sentido no Corinthians deveria ser compartilhado por clubes rivais, os quais vê em situação igual à do time do Parque São Jorge.

“Eu não quero ficar falando mal dos outros porque nós estamos muito mal. Mas o São Paulo está numa situação igual à do Corinthians, desesperadora. É que o São Paulo não tem a repercussão que nós temos. Então as pessoas nem perdem tempo de falar muito do São Paulo. Mas a situação do São Paulo é desesperadora. A do Santos é desesperadora”, opina.

Citadini bate na tecla do corte de gastos como principal forma de reorganizar o clube e ser capaz de quitar débitos como o que gerou o transfer ban de Félix Torres. Já a divida de pouco menos R$ 700 milhões com a Caixa, pela construção da Neo Química Arena, não é colocada por ele na lista de grandes problemas.

“A arena não é problema, arena é uma solução. Porque ela é um grande estádio, o Corinthians ganha com isso. Ela é mal explorada. Nós podemos ganhar muito mais lá. É tudo mal explorado, mas ela não é problema. Pela arena a gente dorme tranquilo. A gente paga, a Caixa vai receber, vai renegociar.”

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Leia a entrevista completa com Roque Citadini, candidato à presidência do Corinthians:

Você se aposentou do Tribunal de Contas depois de uma longa trajetória como homem público. A vontade de ser presidente do Corinthians está ligada à aposentadoria?

Eu não pretendia ser candidato, até tinha marcado uma viagem para Croácia, olha só. A questão é a seguinte: o clube está numa situação dramática. Nós não estamos nos apercebendo do tamanho do tsunami que nós temos e e que virá por aí.

Não é uma crise igual a tantas outras que nós vivemos. É uma crise quase sem saída. Quer dizer, nós estamos numa situação financeira que nós já não temos para onde socorrer. Por que que tudo isso ocorreu? Porque nesses anos todos a gente arrecadava bastante. Os contratos eram bons, só que se gastava mais do que arrecadava. E isso foi gerando uma bola de dívida que você começou a atrasar salário, atrasar pagamento de imposto, atrasar serviço, atrasar tudo.

Vai chegando uma hora que não tem como respirar. Nós já estamos aí com o transfer ban de um jogador, podemos ter de outros, porque o Corinthians sistematicamente não paga. Ele não paga os jogadores que compra, não paga o salário, não paga os impostos, porque imposto é uma coisa importante.

O que você faria, então, para tirar o Corinthians dessa situação?

Nós estamos no limite de não ter para onde socorrer. Essa é a grande verdade. Então, nós precisamos fazer duas coisas. A primeira, que é dolorida, é gastar menos. Gastar menos em toda a área do clube. Não é só no futebol, mas gastar menos.

O que implica dizer que o que a gente tiver de receita tem que ser maior do que os nossos gastos. Esse é a primeira coisa. Mas mesmo assim não dá. Mesmo assim nós não vamos conseguir sair desse atoleiro. Nós precisamos lutar para uma novo ProFut, daquele que teve em 2015. eu sou favorável que o Corinthians lidere um ProFut, mas lidere um profute um pouco diferente.

Porque o Profut, o governo ajuda, ele corta juro, prorroga as dívidas, aquilo que foi feito no Profut. Mas eu acho que tem que ter uma contrapartida certa. A contrapartida certa é a que está na Europa. Quer dizer, o clube que estourar os gastos, ele etem que ele tem que ter uma punição clara. O dirigente tem de ser punido imediatamente, porque as pessoas: “tem que punir o dirigente”.

Mas aqui o punir o dirigente é um processo que vai para a Justiça e demora, tem recurso. Precisamos ter uma agência agência de futebol, que estava prevista, mas infelizmente não foi implantada. Em término exercício, houve um estouro no orçamento? Estouro desse estilo do Corinthians, porque comprou jogador, não pagou, fez dívida... então, tem de ter uma punição imediata Duas punições: dirigente não poder mais participar de direção de clube e o clube ser rebaixado.

Só isso vai isso vai permitir que o futebol seja saudável. Quero dizer o futebol porque nós estamos falando muito do Corinthians, mas aqui em São Paulo mesmo, dos quatro grandes clubes três estão igual: o Corinthians, o Santos e o São Paulo. O Palmeiras, eventualmente, não está. Eu digo eventualmente porque é eventualmente mesmo. Porque ele fez boas vendas de jogador, revelou jogador, etc.. Mas no Rio você tem quase todos os clubes no limite de estourar os seus orçamentos.

Eu defendo duas coisas. Que o Corinthians de pronto adote uma política de restrição financeira forte. Vai doer doer, mas é isso. Segundo, que ele passe a lutar por um novo Profut, que seja diferente do anterior que só fez uma parte, de permitir desconto da dívida, de juro.

Vocês entenderam porque eu não fico em casa agora, né? Porque eu podia estar viajando. Eu não tenho dúvida que os próximos meses serão terríveis para o Corinthians. Ganhe quem ganhar. Se ganhar o Osmar, então, vai ser mais difícil porque o Osmar, eles não estão pensando nessa crise.

Eles estão achando que dá, mas não dá mais para antecipar receita, não dá mais para fazer nada. É por isso que eu eu falei que o Osmar está trabalhando com a ideia da estabilidade e do imobilismo. Mas a estabilidade e o imobilismo para nós hoje não é solução. Ela é o caos.

Quando era dirigente do Corinthians, Antônio Roque Citadini comparou o Gil a Kaká, à época no São Paulo Foto: Robson Fernandjes/Estadão

Como o senhor mencionou, o Corinthians sofreu transfer ban por causa do caso Félix Torres e tem mais três processos no CAS que podem agravar a punição. Como você pretende resolver essas pendências em curto prazo?

Bom, a primeira coisa, você não tem que contratar. A segunda é procurar arrumar dinheiro para se livrar disso. Essa é a pior dívida que tem para o clube. Embora tenha outras difíceis, mas essa você vai ter que procurar encontrar os recursos que encontrarem para isso. Até porque, vocês sabem, o transfer ban vai aumentando as punições aos clubes. A primeira mais leve é essa de não poder contratar.

Depois vão tendo outras. Eu acho que o Corinthians é um um exemplo ruim do descontrole do orçamento. Não pode ter descontrole do orçamento. É duro? É duro. Não dá para contratar jogador, não dá. Também quero dizer que não é coisa que aconteceu ontem. É algo que vem de anos e anos, mais de 10 anos. Quer dizer, o clube vem convivendo com uma situação, começa a emprestar dinheiro, pagar juro. O Corinthians vive hoje pagando juro. É uma tragédia.

Você falou sobre o imbolismo do Stábile. Uma das soluções pensadas para ele para reparar o fluxo de caixa do clube foi antecipar direitos de transmissão junto á LFU, você concorda com esse tipo de medida em situações urgentes?

Eu acho que a primeira solução é cortar despesa. Depois você vai buscar a forma de encontrar dinheiro. Antecipar receita, você sabe, é um problema. Tapa o buraco aqui e abre na frente. Não resolve o problema. Quer dizer, é uma emergência. Primeira coisa mesmo é cortar gasto. É isso..

Outra questão que também agrava essa dívida do Corinthians é a Neo Química Arena, né. O André Castro falou essa semana que o plano dele de US$1 bilhão envolveria a quitação automática dessa dívida. Na sua visão, qual o caminho seria o ideal para a quitação?

A arena não é problema, arena é uma solução. Porque ela é um grande estádio, o Corinthians ganha com isso. Ela é mal explorada. Nós podemos ganhar muito mais lá. É tudo mal explorado, mas ela não é problema. Pela arena a gente dorme tranquilo.

A gente paga, a Caixa vai receber, vai renegociar. Essa mania do mercado financeiro querer quitar arena é querer ganhar dinheiro com a gente, não é quitar arena. Eles querem ganhar dinheiro, dinheiro fácil. Eu acho que o dinheiro que vier não é para quitar arena. Arena a gente resolve os problemas as pendências que tiverem no outro campo.

Nós precisamos resolver as pendências que nós temos. Nós temos que pagar imposto. Nós temos que pagar salário que está atrasado, rescisões de contrato. Nós temos que pagar banco. Temos que pagar empresário que emprestou dinheiro ao Corinthians. Esquece a Arena. A Arena não é problema.

A gente viu o Corinthians entrar ao longo desses últimos anos em muitos contratos duvidosos. Teve a Taunsa, com o Duílio, e o caso da Vadi Bet, que é um dos maiores escândalos da história do clube. Parece que o Corinthians se tornou um alvo fácil. Como evitar situações com essas?

Tem a ideia da responsabilização imediata do dirigente. Eu, por exemplo, não consigo até agora entender esse caso da Taunsa. Não consigo. Não entendo a lógica de ter feito isso daí. A Vai de Bet era diferente, era um contrato de publicidade normal. Deu lá os problemas que deu, mas a Taunsa eu não entendo. Eu não compreendo qual foi a lógica que levou a fazer isso daí e que prejudicou o clube.

Eu acho que todos esses problemas que tem de contrato para cá os outros clubes também tem. Por exemplo, eu não quero ficar falando mal dos outros porque nós estamos muito mal. Mas o São Paulo está numa situação igual a do Corinthians, desesperadora. É o São Paulo não tem a repercussão que nós temos. Então as pessoas nem perdem tempo de falar muito do São Paulo. Mas a situação do São Paulo é desesperadora. A do Santos é desesperadora.

É porque agora é é claro que se a ideia de que não tem que responsabilizar os dirigentes. Mas a responsabilização deve vir por uma agência de esporte. Imediato. Terminou o orçamento, é dizer o seguinte: “Olha, você estourou, comprou, não pagou, fora. Vai para a rua”.

Porque se nós ficarmos na dependência de entrar com uma ação na Justiça. Veja o caso da caso da Vai de Bet, do Augusto, o processo começou agora. Ele pode ser absolvido, inclusive ou recorrer em segunda, terceira instância. Nas ligas de fora, se você não cumprir o plano orçamentário, você sofre retaliações grandes, duras.

Há pouco tempo, no ano passado, o próprio Barcelona disse que não tinha condições de renovar o contrato de dois ou três jogadores, porque se ele renovasse, quebraria. Então, não renovou. A torcida provavelmente deve ter ficado brava, mas ele não renovou. Agora aqui não, aqui renova e vamos trocar para frente. Não, não pode.

Queria te perguntar sobre essa questão que entrou muito no debate agora que que é o uso dos cartões corporativos, principalmente com o Andrés. Ele vai passar pelo Comitê de Ética e o caso está no Ministério Público. O que você acha das informações que vieram sobre o caso até agora. Elas seriam suficientes para defender uma possível expulsão do Andrés?

Veja, eu quero dizer que uma das coisas que o clube tem de fazer na próxima gestão é corrigir o que está errado. Eu, por exemplo, vou acabar com o cartão corporativo. Não terá cartão corporativo. A diretoria não terá, só vai ter o departamento de futebol. Porque o cartão corporativo é um veneno.

Quem conhece cartão corporativo, tanto nas empresas privadas, quanto no estado, sabe que o cartão corporativo é um convite para problemas. Pouco tempo atrás, um presidente de um grande banco americano foi demitido porque ele saiu com uma secretária, namorada, se empolgou E comprou um vinho de um valor enorme. os acionistas descobriram e ele foi demitido porque ele gastou o que não podia gastar, porque o cartão corporativo é um convite para você gastar.

Como faz a maior parte das empresas e o Estado? Se você precisar pagar alguma coisa, você paga com o seu dinheiro, Vai lá na tesouraria e diz: “Olha, eu paguei isso, recebe o dinheiro de volta”. Não é? Então o cartão corporativo é um problema. A primeira coisa é acabar. A segunda coisa, o negócio dos cartões do Corinthians foi encaminhado para o Ministério Público.

Agora nós temos que esperar o Ministério Público, não há outro caminho. O Ministério Público está chamando gente, ouvindo. Vamos ver o que que ele disse. Eu não sei o que ele dirá. Torço para que seja rápida.

O senhor tem costurado alguns apoios para a eleição, inclusive com membros da Renovação e Transparência, grupo político do Andrés, de quem você foi grande opositor em sua história política. Você chegou a culpá-lo por “arrebentar as finanças do clube”. Qual é a sua relação com esse grupo de conselheiros hoje?

Bom, a primeira coisa é o seguinte, você falou bem, eu fui sempre oposição à Renovação e Transparência. E aliás, eu era um dos poucos que era oposição, porque a maior parte aplaudia. A própria torcida aplaudia. Não foi só o Augusto que saiu carregado pela torcida. O Andrés também saiu. Vocês devem lembrar, no começo do estádio, o Andrés era ovacionado do começo ao fim. Ovacionado mesmo, gritavam, carregavam.

Eu achava que tinha coisas para criticar e eu acabei criticando. Mas nesse momento, o que que acontece no clube? Aquela estrutura política tradicional do clube acabou. Está totalmente embaralhado. Eu tenho o voto da Renovação e Transparência. O Osmar tem voto da Renovação e Transparência. Se aparecer um outro candidato também vai ter voto da Renovação e Transparência. Você tem voto de todos os grupos porque os grupos estão embaralhados.

Não há ninguém com esse episódio de tsunami político que tiveram nesses últimos anos. Era o grupo Renovação e Transparência e o pessoal que era a contra. Não tem mais. Agora virou um negócio confuso e não sei o que vai acabar saindo daí.

Passando agora para a gestão do Augusto, qual é a sua avaliação do trabalho feito por ele até a destituição?

Vocês sabem que eu não votei no Augusto. Eu falei publicamente que não votava no Augusto. Tinha lá outra opinião, outro candidato (André Negão). Agora, tudo isso que que ocorreu aí, agora está na Justiça. Nós temos que aguardar a Justiça decidir. E eu acho que nós devemos fazer uma virada de chave. Eu sei que a imprensa não gosta disso. Mas nós não podemos ficar toda a semana abrindo um inquérito sobre um problema no Corinthians.

É uma nota fiscal que é falsa, é uma coisa, porque aí nós ficamos numa situação de eterno acerto de contas, que é uma coisa horrível para qualquer empresa, para qualquer governo, para qualquer clube. Vamos corrigir o que está errado e tocar para frente.

Recentemente surgiram denúncias e rumores de irregularidades na gestão das categorias de base, como favorecimento em contratações e comissões indevidas. Além disso, houve o recente caso do Kauê Furquim, levado ao Bahia. Qual será sua política para tornar a base mais transparente, eficiente e rentável para o clube?

A categoria de base foi um dos graves erros da Renovação e Transparência. O que aconteceu lá? Quando há mais de 10 anos lá - eu estou falando da gestão do Mario Gobbi ou antes do Mario Gobbi - quando começou faltar dinheiro, gastava muito. Esse era o problema. O que que eles bolaram?

Bolaram de vender parte dos direitos sobre o jogador para empresário. E aí o Corinthians começou a vender. Primeiro dava 10%, depois vendia 20%. Depois, vendia 50%. Algumas vezes, vendia até 90%. Então, o garoto estava lá no sub-17 e já tinha um empresário que era dono.

Bom, a consequência disso aí foi que nós nem ganhamos dinheiro porque quem passou a ganhar o dinheiro foram os empresários que compravam os jogadores da base. O menino tinha 18 anos, já tava vendido. E quem ganhava dinheiro era o empresário, e nós não ganhávamos dinheiro, nem revelávamos mais.

Porque desse jeito, o menino ainda estava ainda no sub-18, no sub-17, e já arrumavam um clube lá em Portugal para mandar o menino. E como o jogador era majoritariamente do empresário, nós nunca tivemos força para dizer: “Não, não, não vai”. Então, a primeira coisa da base é voltar a ser a base que o Corinthians teve no passado.Que, infelizmente - eu digo infelizmente, mas é é lamentável - o Palmeiras tem hoje, porque a base do Palmeiras é do Palmeiras.

Quando o Palmeiras revela um jogador, ele é majoritariamente do Palmeiras. Aí, o Palmeiras faz o que quer, põe no time, vende e ainda ganha dinheiro. O Corinthians não revela porque o menino sai antes de ir para o time principal. Tem uma porção de jogadores que foram para a Europa sem passar pelo principal do Corinthians. O que é um um erro para nós.

Nós precisamos de uma base que revele e que dê para ganhar dinheiro. Esse foi um erro r eu, diga-se de passagem, não se me silenciei. Lá, 10 anos atrás, eu falava isso. Tá tudo errado esse negócio aqui. Vocês estão fazendo uma coisa que no futuro nós não vamos ter jogador e nem ganhar dinheiro, que é o que ocorre hoje. Todo jogador que rdtá lá tem um dono.

Emerson Piovesan (esq.), Paulo Garcia e Antonio Roque Citadini lançaram chapa para concorrer à presidência em 2009. Foto: José Luis da Conceição/AE

Ainda sobre jogador e ganhar dinheiro, o que você pensa sobre o contrato de Memphis Depay. É um contrato que é pesado pro Corinthians, não tem conseguido arcar com os vencimentos no prazo, mas ao mesmo tempo ele gera muito visibilidade. Como você trabalharia para adequar os dois lados? Lembrando que não tem mais o aporte da Esportes da Sorte.

A questão dos jogadores do time principal, ela é mais problemática. Talvez seja o lugar onde o clube tenha menos espaço para mudar. Porque os jogadores, se ele não jogar no Corinthians, se ele for um grande jogador, ele vai jogar num outro time. Então, o clube não tem espaço para fazer, não é como um menino da base. O cara é craque, se ele não ficar no Corinthians, ele vai para outro lugar.

Portanto, você vai ter que conviver com salários maiores, né? Eu acho que o Depay, eu não conheço o contrato dele, cada dia sai uma uma notícia. Isso é uma coisa horrível, não tinha que sair notícia nenhuma sobre os valores do salário dele. A questão do salário do jogador é entre o clube e ele. A imprensa deve saber quanto se gasta no departamento de futebol, qual é o valor da folha, mas individualmente eu discordo.

Ele é um jogador que dá retorno, sim. Não sei exatamente o valor do contrato, mas ele dá retorno. Ele faz uma das coisas mais importantes para um clube popular como o Corinthians. Ele instiga os jovens, as crianças. Eu tenho aqui perto de casa uma quadra. Você de vez em quando o pessoal lá jogando, criança de oito, dez anos, quando marca um gol, comemora como Depay. Alguns querem subir na bola, repetir o gesto dele, ficar em cima da bola.

Por quê? Porque o jogador tem um papel, não só de jogar e marcar gol, mas também de atrair pessoas para o clube. E o Depay atrai. Eu não quero jogador que fique andando com a Bíblia para baixo e para cima na concentração. Isso aí é uma bobagem. Eu quero jogador que jogue. Jogue e o jogador vale quando ele está com a bola no pé.

Se dá problema? Ah, tá. Olha, eu fui eu fui quatro anos vice-presidente de futebol. O time de 2002 do Parreira era um time que tinha Vampeta, Ricardinho, Marcelinho. Olha só, eu só tinha problema para baixo e para cima - mais era um era Rincón - mas era gente que jogava.

Então, eu não tenho problema com jogador. Ele é problema quando ele é ruim. Aí ele é problema. Quando ele fica fazendo apelo, apelo para Deus, essa coisa, é porque não está jogando nada, aí é ruim. Eu quero o jogador que jogue. O resto a gente resolve.

Você na cadeira de presidente do clube, com o transfer ban derrubado, qual seria a sua política de de contratação? O senhor acha que é importante estabelecer um teto do que é para ser gasto?

Eu acho que nós devemos ter um bom executivo de futebol e nós vamos ter na primeira fase que garimpar jogadores de valor menor. Mas nós já fizemos isso muitas vezes. O nosso time campeão em 2002, que eu fui vice-presidente, ele tinha seis jogadores da base.

Então, é possível você trazer jogador da base. É possível você trazer jogadores de outras equipes e o jogador que se transforma no Corinthians. Porque tem jogador que ao chegar no Corinthians não era nada e vira grande jogador.

Se eleito, você já definiu nomes de profissionais que integrem sua gestão? Você pensa em realizar mudanças profundas no quadro diretivo ou no futebol? Por exemplo, a comissão técnica, saída ou permanência do Orival e o próprio Fabinho Soldado que não tem o nome mais tão prestigiado mais?

Bom, aqui se você que perguntou se eu penso, lógico que eu penso (em realizar mudanças). Mas eu penso dentro da realidade. Nesse momento a comissão técnica é essa. Depois nós vamos ver como vai ser, mas a comissão técnica é essa. Eu não sou de mudanças abruptas.

Você acha que seria vantajoso para o Corinthians em algum momento tentar se transformar em SAF ou esse modelo de de gestão não cabe em um clube como o Corinthians?

A SAF tem um problema. Só é possível descobrir quando o time estiver financeiramente bem. Do jeito que está o Corinthians, seria uma SAF para vender um clube na bacia das almas. Não é solução. A SAF não é solução para o Corinthians. E também vou falar uma verdade para você, todas as SAFs que eu vi falando por aí não são grande coisa.

Essa SAF que estão falando por aí. Aparece um sujeito dizendo que vai fazer uma SAF no Corinthians, que é grande investidor. Aí eu vou ver a empresa dele, está quase quebrada. A primeira que teve um período de grande sucesso é quando aparece um rico e compra o time. É o caso do Berlusconi com o Milan.

Não sei se vocês lembram Berlusconi comprou o Milan, investiu, fez um grande time, foi campeão.. Aquilo tinha um objetivo político. Ele era candidato a primeiro ministro na Itália. Então, ele botou dinheiro, o Milan ganhou títulos. De repente, ele gastou demais, gastava muito dinheiro, a família chegou e falou:

“Olha, é hora de parar Estamos gastando muito, estamos perdendo muito dinheiro no futebol”. Porque o futebol você não apenas ganha, você perde também. Aí ele saiu, está lá o Milan agora, vendido para um grupo de chineses, que já deu meio errado. Essa de rico comprar um clube é difícil no Brasil. Primeiro que nós não temos rico suficiente para comprar.

O rico não tem o dinheiro para botar no clube. Ele tem dinheiro de empresa. Tem rico, mas nós temos pouco rico. Eu digo rico mesmo. Se tivesse mais ricos que tivesse dinheiro que para ele não fizesse falta, 5 bilhões, tudo bem, mas aqui não. Eu não conheço. Eu não conheço um rico que esteja disposto a botar dinheiro em clube. Então, a SAF de de rico não dá. A segunda SAF é aquela que fundos compram um clube com o objetivo de ganhar dinheiro. É fundo de investidores.

Então, o que que eles querem? Revelar time e vender jogador. Tá aí o Botafogo, por exemplo. Botafogo é isso. Eles querem ganhar dinheiro. Agora está até uma confusão lá, tão estirando até o presidente. Porque esses fundos não têm paixão. Paixão deles é o dinheiro. Então, se der dinheiro, tudo bem, se não der, vai embora. Esse é um tipo de SAF que é muito complicada. Olha o Vasco que se envolveu lá, agora não sabe como sai.

O terceiro tipo de SAF, aqueles que todo mundo fala: “Ah, nos Estados Unidos tem o Green Bay Packers, que é um clube lá que tem milhões e milhões de pessoas que são acionistas”. Mas aqui nós não temos milhões de pessoas para ser acionista.

Quando as pessoas falam: “Ah, o Corinthians tem mais de 35 milhões de torcedores”. É verdade. Agora não dá para imaginar que nós temos 35 milhões de investidores. É uma parcela pequena desse grupo que poderia eventualmente investir, significa botar o dinheiro não esperando ganhar rapidamente.

Então, essa estrutura americana é muito difícil para o Corinthians. Muito difícil para qualquer clube aqui, não é só para o Corinthians. Então, portanto, a SAF não é o um pote de ouro cheio que todo mundo quer. É um pote com muito problema. Aí aparece uns aqui e falam: “Não, eu tenho uma carta de intenção”.

Você está falando da proposta de US$ 1 bilhão do André Castro? Como você avalia essa promessa?

Olha, eu não sei, mas a melhor pergunta que a gente tem que fazer é para o mercado financeiro. O mercado financeiro pode responder se isso é um negócio viável ou não. Qualquer pessoa no mercado financeiro pode responder se isso é viável ou não. Eu não sei, eu, para ser sincero, eu não acredito não, viu? Nem um pingo.

O senhor chegou a citar o Palmeiras e o Flamengo em respostas anteriores. O senhor acha que esses clubes podem ensinar algo ao Corinthians? O próprio Romeu Tuma Jr, presidente do CD, chegou a dizer que o Corinthians precisava se espelhar no Flamengo.

Ele explicou que não quis dizer exatamente isso. Mas digamos o seguinte, o Corinthians não é o Flamengo. Esclareço desde já. Porque o problema do Corinthians... nós temos um estádio um estádio maravilhoso, é o melhor estádio do país, o melhor estádio do país, dos melhores estádios de futebol do mundo, todo mundo elogia.

O Flamengo é um clube mambembe, fica jogando aqui um dia, um dia jogando lá. Nós não, nós temos um estádio. É problema para para pagar? É, mas nós já temos. Nós somos um clube que estamos no maior mercado. Corinthians está no maior mercado do país. Sua torcida é bastante concentrada na região de maior PIB do país. Diferente do Flamengo que tem uma uma torcida de segunda camisa por aí espalhada pelo Brasil, nós não somos o Flamengo.

O caso do Palmeiras é um caso diferente. Porque o caso do Palmeiras não dá para você retirar passagem do Paulo Nobre, que acabou solucionando as finanças do Palmeiras, e o Beluso fez lá o estádio. Não é como o nosso estádio, né? Vamos falar a verdade, o estádio deles é bem mais modesto, né? Mas eles têm lá o estádio.

Eu não gosto desse negócio de estádio que um dia tem uma partida de futebol, no outro dia tem um show. Não gosto. Isso não existe no mundo, viu? É a história de arenas multiuso. Não, o futebol é futebol. Tudo mundo que fez esse negócio de botar estádio para show, depois decidiu: ou vai fazer show ou vai fazer futebol.

Caso você não vença a eleição, agora que você está se aposentando do TCE, você se enxerga sendo uma peça mais ativa na política do clube?

Eu lamento se ganhar outra chapa, acho que vai acelerar nossa ida para o buraco. Porque eles não pensam como eu. Tanto que o Osmar em dois meses só foi remando, não fez nada, não fez absolutamente nada. Eu não tenho menor a dúvida. Aliás, eu estou sendo candidato por isso, porque eu estou convencido que se nós não interrompermos isso, nós vamos para uma situação caótica. Anote isso. Se nós não interrompermos esse caminho, nós vamos para o caos.

A gente vê alguns comentários ali questionando o seu pensamento em relação ao futebol. Muito te veem como uma figura antiquada, por sua figura remeter a outros tempos do clube. Você é colocado com antitheses ao que seria uma gestão moderna. O que acha dessas críticas? Você é um conservador?

Esse negócio de gestão profissional, eu proponho uma gestão altamente profissional. Eu, por exemplo, acho um horror dirigente ia vestiário, ia ao CT, ficar fazendo palestra para jogador. Isso é uma coisa que já passou há 50 anos. Eu nunca fiz isso quando fui dirigente. Eu sei porque falam isso que eu sou muito conservador, que a minha visão é muito conservadora.

É porque essa esse pessoal acredita que uma jogada de marketing resolve tudo e não resolve. Essa é uma no futebol. O Corinthians não há jogada de marketing que resolva. Porque o que vai resolver o problema é você ter uma uma uma política de restrição financeira hoje. Eu sei, não acredito. As pessoas são engraçadas. Há uma propaganda de que o marketing do Corinthians é fantástico. E ao mesmo tempo uma crítica de que o Flamengo ganha mais do que nós.

O Corinthians sempre terá o patrocínio mais caro, independentemente do nosso marketing, mas eles querem que eu diga que foi genial de alguém do marketing que fez isso. Eu posso dizer para você que não foi. Eu conheço bem o Corinthians, eu me lembro quando nós fizemos o contrato com a Pepsi, os diretores da Pepsi vieram, nós fizemos um jantar e eles falaram porque que eles contrataram o Corinthians. Não foi porque nós fomos lá, fizemos um uma filminho, não tem filminho nenhum, eles foram atrás de um clube que tem uma grande torcida. É isso.

Não sei o que que o pessoal na internet acha tão maravilhoso o marketing do Corinthians. É impressionante. Eu fico olhando, falo assim: O que que eles estão vendo que eu não vejo? Na verdade, é isso. Eu sou conservador, sim. Conservador na gestão. Fora disso, eu não sou conservador. Aliás, pelo contrário, eu sou até um cara avançado. Mas eu sou conservador na gestão. Se não tem dinheiro, não compra. Tá bom?

Outro assunto que divide entre ser conservador e liberal é a reforma no estatuto e demanda da torcida pelo voto ao sócio-torcedor. A eleição que você vai encarar na segunda-feira é uma eleição indireta, mas, dentro da conformidade, uma eleição aberta para os sócios do clube. Você defenderia que no futuro, caso eleito, fosse revisto o estatuto para que o sócio-torcedor, o fiel torcedor votasse na eleição?

Sim. Eu sou favorável a que vote, mas eu quero avisar vocês, o fiel torcedor não vai trazer a torcida popular do Corinthians para dentro do Corinthians. O fiel torcedor vai trazer um tipo de torcida, é o torcedor de maior renda. Quem tem fiel torcedor... o clube vai ser cada vez mais da Vila Madalena, dos Jardins, de Higienópolis, da Vila Mariana, que é onde estão os fiel torcedores. O fiel torcedor não está na cidade Tiradentes. Eles ficam bravo comigo por dizer isso. Eu sou favorável que o fiel torcedor vote, mas alerto: não é pense que vai virar um outro clube com o fiel torcedor votando.

Espaço aberto para o candidato.

A única coisa que eu quero dizer é que as pessoas compareçam segunda-feira e votem e pensem no clube que virá depois dessa eleição que será uma situação dramática para nós.

Entrevista por Bruno Accorsi
Murillo César Alves

Jornalista em formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Com passagens por UOL, 90min e QuintoQuarto, colabora com a cobertura da editoria de Esportes no Estadão desde 2022.

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