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Medida que proíbe operação dos sites de apostas movimenta equipes, Congresso e STF
O Corinthians virou uma das chances de que Grêmio e Internacional evitem o inédito rebaixamento conjunto à Série B do Campeonato Brasileiro. A derrota corintiana para o Vasco permitiu que os colorados deixassem o Z-4 após também vencer o Botafogo. Com a vitória dos gremistas sobre o Coritiba, o risco corintiano aumentou para 66%, segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O Grêmio ainda encara probabilidade de 61,6% para a queda. Os colorados, 38,5%. O rebaixamento dos dois gaúchos tem chance de acontecer em 23,71%. O número é menor que os 26,92% anteriores à vitória gremista na noite de segunda-feira.
É mais fácil que o Grêmio caia com o Corinthians (40,65%) do que com o rival. A queda conjunta de corintianos e colorados também é mais provável (25,41%) que a dos dois gaúchos.
Mirassol (14,6%), Vitória (6,4%), Coritiba (6,2%), Vasco (4,1%) e Botafogo (2,6%) ainda não se livraram totalmente do risco de queda.
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Para o técnico Roger Machado, que já comandou Grêmio e Internacional, a situação delicada da dupla “não é um fenômeno local”. “É impacto de uma crescente valorização desse business. Financeiramente, se tornou cada vez mais difícil fazer futebol. E as demandas por conseguir, além de organizar seus déficits, conseguir novas receitas se tornaram cada vez mais difíceis. É um processo que todos os clubes que não decidirem virar SAF vão ter de buscar em nível de organização diferente para continuar competindo”, avaliou em entrevista ao Estadão.
“Para mim, não é a única exclusivamente Internacional e Grêmio. É um novo momento do futebol e que, por essa globalização, está fazendo com que a gente tenha de se adaptar muito mais rápido que a velocidade que talvez a gente consiga. Isso, para mim, está gerando um problema”, concluiu.
Crise financeira além do Rio Grande do Sul
Impactados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, Grêmio e Internacional encaram crises financeiras. Segundo a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), os gremistas têm dívida de R$ 811 milhões. Os colorados, R$ 1,05 bilhão.
Na dívida do Grêmio, empréstimos ocupam a maior fatia, com 35% (R$ 283 milhões). Na do Internacional, o principal são débitos trabalhistas, impostos e parcelamentos, com 39% (R$ 412 milhões).
A agência também estima a capacidade de os clubes cobrirem as dívidas de curto prazo com recursos também de curto prazo. Na Série A, a cobertura varia de 16% a 781%, com mediana de 61%.
No caso do Grêmio, que tem dívida de curto prazo de R$ 451 milhões, a cobertura é estimada em apenas 30%. No Internacional, o percentual é de 33% em relação a R$ 554 milhões.
Ambos têm atrasos em salários a atletas ou funcionários, em pagamentos por transferências e em impostos. Nos dois casos, não são considerados débitos que compõem os respectivos planos dos clubes com credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
O Corinthians vive sua própria crise. A dívida bate R$ 2,08 bilhões, também com os mesmos atrasos dos gaúchos. Entretanto, no débito de curto prazo (R$ 699 milhões), a capacidade de o clube cobrir com receitas de curto prazo é de 63%.
Dupla passa o ano sem patrocínio máster e falha no mercado de transferências
No começo do ano passado, a dupla trocou o Banrisul, patrocinador máster por 24 anos, por uma bet. O novo acordo elevou o valor anual recebido por cada clube de R$ 30 milhões para R$ 50 milhões. Entretanto, a empresa não cumpriu com parcelas e houve a rescisão antes do fim da temporada.
Desde então, Grêmio e Inter estão com os espaços mais nobres de suas camisas livres. Os colorados fazem parcerias pontuais, como com a Shopee e a marca de pneus SpeedMax.
Os gremistas cometeram a proeza de fechar com uma bet dois dias antes da publicação da MP que proibiu a operação do setor no Brasil. O assunto já circulava como algo certo na época da assinatura. A medida ainda será debatida no Congresso Nacional, o que é aguardado pelo Grêmio para deliberar sobre o principal espaço do uniforme.
O Internacional está no último ano da gestão de Alessandro Barcellos. Em 2025, o time evitou o rebaixamento nos minutos finais da última rodada do Brasileirão, ficou fora de competições continentais e sofre com austeridade.
“A gente precisa fazer um esforço maior, buscar novas receitas. Nesse ano de 2026, a gente tem trabalhado muito nesse sentido. E aí a necessidade de compor as finanças do clube para que a gente possa, aos poucos, com várias iniciativas necessárias, com medidas mais amargas, com medidas mais duras, poder buscar esta recuperação financeira tão importante no cenário atual do futebol brasileiro”, analisou Barcellos em junho, no InterCast, na TV do clube.
Já o Grêmio vive o primeiro ano da gestão de Odorico Roman. Houve grande reformulação, com 21 saídas de jogadores. Luis Castro havia sido contratado no começo do ano e foi bancado até setembro, quando o português foi demitido.
Renato Gaúcho assumiu o cargo e não poupou a própria direção. “Eu falei até para o presidente no vestiário. No momento em que você monta um grupo, tem de saber os jogadores que está trazendo para a posição, ver quantos gols fez, quantos jogos fez, ver quantas lesões tem, como é a carreira e o currículo do jogador. Você não pode escutar o nome do jogador, ‘buscar’, independentemente da qualidade técnica dele”, disparou.
A dupla ainda fica para trás na arrecadação com venda de atletas, por exemplo. Em 2022, por exemplo, os números de Grêmio e Internacional (R$ 96,7 milhões e R$ 172,8 milhões, respectivamente) podiam ser comparáveis a Flamengo e Palmeiras (R$ 133 milhões e R$ 174 milhões, respectivamente).
Em 2025, os rubro-negros chegaram a R$ 519 milhões; os alviverdes, R$ 60 milhões. O Internacional ficou em R$ 185,6 milhões. E o Grêmio, apenas R$ 123,8 milhões.