Submetido a um processo de "fritura?? pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o técnico da seleção, Emerson Leão, tornou-se cauteloso e arredio. O treinador tem consciência de sua situação delicada e dá indícios de que não acredita mais na palavra do dirigente. Admite que está enfrentando mais dificuldades do que esperava ao assumir o time. "Realmente, os problemas se tornaram muito maiores do que eu esperava. Foi um resultado de circunstâncias e acordos", contou o técnico, referindo-se ao acerto entre Ricardo Teixeira e os presidentes de clubes, que o impediu de convocar jogadores de quase todos os principais clubes brasileiros para a Copa das Confederações. Pelo acordo, o treinador da seleção contará com os atletas 15 dias antes do jogo contra o Uruguai, pelas Eliminatórias do Mundial de 2002. Mas o próprio Leão não tem tanta certeza de que o que foi combinado será cumprido. "Segundo o próprio (coordenador técnico Antonio) Lopes me disse, no futebol temos de ficar com um pé na frente e outro atrás." Apesar desse acordo, Leão rechaça a possibilidade de intervenção de Ricardo Teixeira no seu trabalho, citando como exemplo a inclusão na convocação desta sexta-feira de apenas um jogador, Vágner (Celta de Vigo), que não estava na pré-lista divulgada anteriormente - no final da tarde, ele chamou outro jogador, Leandro, que não estava entre os 35. "Não houve interferência em coisas de minha responsabilidade." O técnico admite, no entanto, que atravessa um momento difícil. "Não conseguimos o que queríamos a curto prazo", afirmou. Leão pede mais tempo para treinar a seleção e mostrar seu trabalho e encerra com otimismo: "Garanto que volto da Copa como técnico."