O atacante Romário foi pego no exame antidoping e pode ser suspenso de 120 dias a um ano pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), por ter sido encontrada em seu organismo a substância finasterida, encontrada em tônicos capilares. "Estou me condicionando para jogar em Dubai [torneio amistoso] e alguns jogos da Taça Guanabara [primeiro turno do Estadual do Rio]. Parar eu não vou. Torço para que tudo dê certo e acredito nas pessoas que sabem da minha índole. Infelizmente, vou ter de parar com esse remédio aí", disse o atacante, em entrevista ao SporTV. A partida em que Romário teve a amostra coletada ainda não foi divulgada. O presidente do Vasco, Eurico Miranda, em conjunto com o vice-presidente Jurídico Paulo Reis, estuda como fazer a defesa do atacante, já que uma suspensão longa deve forçar o jogador a encerrar a carreira. Aos 41 anos, Romário ainda pensa em disputar o Estadual do Rio de 2008. Mesmo sem estar jogando, ele tem sido motivo de homenagens, principalmente na última segunda, da CBF, quando recebeu um troféu pelos mil gols marcados na carreira. Pelo mesmo motivo - uso de finasterida -, o zagueiro Marcão, do Internacional, foi suspenso durante o Brasileiro por 120 dias. Metade da pena acabou convertida em benefícios sociais e o jogador ficou fora do time gaúcho 60 dias. Como já existe jurisprudência, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) não tem como tomar outra atitude que não seja a de suspender Romário por 120 dias. O veterano atleta sabe do risco, mas fez um apelo aos auditores da Justiça Esportiva. "Jogador da minha idade, quanto mais tempo parado, pior. Peço que o tribunal julgue meu caso o mais rápido possível." O Campeonato Carioca tem data marcada para começar: 19 de janeiro. Se Romário for levado ao tribunal na próxima semana, deverá estar liberado para atuar apenas em meados de fevereiro - perderia assim praticamente toda a Taça Guanabara - o primeiro turno do Carioca. Ele fez questão de ressaltar que não usou o medicamento como dopante e até brincou algumas vezes com as respostas. " Isso não é doping. É só olhar a minha performance. Eu corro menos e faço menos gols." Sem querer, Romário acabou deixando em situação delicada os médicos do clube, quando afirmou que todos no clube sabem que utiliza finasterida. A Justiça Esportiva também deve denunciá-los. À noite, o Vasco emitiu uma nota, assinada pelo presidente Eurico Miranda e Romário, na qual tenta isentar o atleta de responsabilidade pelo uso da substância. Eis a íntegra da nota: "O Vasco e Romário vêm a público em função da comunicação da CBF, sobre o resultado do Controle de Dopagem, informar que o atleta Romário não se utilizou do direito de contraprova, tendo em vista que é do conhecimento do público que utiliza e sempre utilizou remédio para calvície, de nome PROPÉCIA, do Laboratório MERK CHARP&DOHME, composto pela substância encontrada no exame em questão. Acresce ainda o atleta de que no ato de seu exame, os médicos do Controle de Dopagem tiveram ciência por ele, Romário, daquele produto, ocasião em que o médico do clube solicitou que fosse inserida tal informação no relatório do exame, o que não ocorreu, por ter sido dispensado, por iniciativa dos responsáveis pela coleta do material. Assim, o Vasco ratifica as informações dadas por seu atleta, reconhecendo sua total isenção quanto ao fato."