16/VI/08 Amigos: Esse é o texto original da minha coluna, hoje, no Jornal da Tarde
Pode acontecer tudo ao contrário, mas as possibilidades de os pilotos brasileiros se darem bem no fim de semana no circuito de Magny-Cours, na França, são boas. Na Fórmula 1, Felipe Massa tem chance, acredite, de liderar o Mundial. A sequência de bons resultados nas últimas cinco etapas do campeonato sugere que Massa experimenta, mesmo, nova fase na carreira, menos vulnerável a erros, por vezes primários.
Ano passado, Massa perdeu a prova para o companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, na operação de pit stop. Acabou em segundo. Visivelmente mais maduro, pode agora impor-se melhor nessa luta. O ótimo Robert Kubica, da BMW, lidera a competição com 42 pontos, seguido por Massa e Lewis Hamilton, 38, e Raikkonen, 35.
As características dos 4.411 metros do traçado francês devem favorecer o modelo F2008 da Ferrari. A McLaren e a BMW provavelmente encontrarão um pouco mais de dificuldades que em Mônaco e no Canadá para acompanhar o ritmo do time italiano no GP da França.
Outro piloto que pode iniciar nova fase na Fórmula 1 em Magny-Cours é Nelsinho Piquet. Como está, ouvirá de Flavio Briatore, diretor da Renault, que não terá seu contrato renovado para 2009. As próximas pistas do calendário tendem a facilitar seu desempenho. As conhece e, em geral, apresentam provas com menos variáveis que as de Mônaco e Montreal.
O que Nelsinho tem de tirar da cabeça é essa certeza de que sua segunda temporada nas categorias que disputa são sempre muito melhores. A Fórmula 1 não costuma dar segunda chance. A hora de reagir é agora. E tecnicamente as condições são favoráveis.
No mesmo circuito da Borgonha Bruno Senna defenderá a liderança da GP2. Soma 24 pontos, como o veterano Giorgio Pantano, mas por ter um segundo lugar a mais o primeiro lugar é seu. O mais importante é que Bruno Senna está pilotando muito bem. A vitória espetacular em Mônaco não foi por acaso. Se for campeão da GP2, ou mesmo vice, estará na Fórmula 1 em 2009, sem dúvida.
O mais curioso é que se tudo isso, de fato, ocorrer, a França representará um marco na trajetória brasileira no automobilismo, a começar pela volta à liderança na Fórmula 1. E a França é uma espécie de ovelha negra para os representantes do País nas pistas. Apenas em uma ocasião o Brasil ganhou na terra de Alain Prost: 1985, com Nelson Piquet. Nada mais.