O que estão compartilhando: publicações afirmam que o juiz Edinaldo César Santos Júnior, encontrado morto no dia 1° de junho em seu apartamento em Aracaju (SE), teria incluído o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Frei Chico no inquérito de investigação da fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão no qual Santos trabalhava como juiz auxiliar da Presidência, ele não atuou em nenhum processo envolvendo Frei Chico e não teve qualquer participação no inquérito que investiga fraudes no INSS. Até o momento, as causas da morte do juiz não foram divulgadas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Sergipe (SSP), não foram encontrados sinais de violência no corpo nem no local. A principal hipótese é que tenha sido morte natural.
O Verifica procurou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU), responsáveis pela operação no INSS. A PF informou que não se manifesta sobre investigações em andamento. A CGU não respondeu até o fechamento desta verificação.
Saiba mais: O juiz tinha 49 anos e foi encontrado em seu apartamento no dia 1° de junho, no bairro Atalaia, na capital sergipana.
Ao longo da carreira, Edinaldo César foi defensor público na Bahia e contribuiu para a formulação de políticas institucionais voltadas à infância, juventude e aos direitos humanos. No CNJ, exercia a função de juiz auxiliar da Presidência. Era também doutorando e mestre em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e especialista na área pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
O conteúdo falso parte da premissa de que Frei Chico estaria implicado nos desvios no INSS por ser vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), organização que é alvo de investigação da PF e da CGU. Mas, até o momento, não houve operação ou indiciamento contra o irmão de Lula.
O “inquérito mãe” da Operação Sem Desconto, que apura possíveis irregularidades em descontos feitos por entidades associativas, está sob responsabilidade da 15.ª Vara Criminal Federal em Brasília. Mais uma vez, sem relação com o trabalho de Edinaldo no CNJ.
Os conteúdos que circulam nas redes sociais retomam teorias da conspiração que associam a morte de autoridades a interesses de Lula ou do Partido dos Trabalhadores. Casos como o do ex-prefeito Celso Daniel e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki já foram alvo de checagens do Estadão Verifica e de outras agências de verificação de fatos.