Froilán Jiménez, um policial equatoriano de 28 anos, cumpriu com sucesso a missão mais importante de sua curta carreira profissional: ajudou a resgatar o presidente Rafael Correa, mas morreu durante a ação. Correa foi retirado na noite de quinta-feira são e salvo de um hospital depois de permanecer cercado mais de dez horas por policiais sublevados. A operação de resgate foi marcada por uma batalha campal, com tiros e bombas de gás lacrimogêneo entre policiais e militares. "Era um policial leal ao presidente e derramou seu sangue pelo presidente", disse à Reuters Sandra Jiménez, irmã mais nova do policial. Ele deixou um filho. Jiménez levou um tiro no peito quando, com outros agentes, se encarregava da segurança do carro do presidente, que naquele momento estava deixando o hospital. "O que mais me dói é que ninguém lhe deu os primeiros socorros que poderiam ter salvado sua vida", disse a irmã. Na manhã desta sexta-feira, os parentes receberam o corpo de Jiménez, cuja morte foi lamentada pelo próprio presidente no fim da noite de quinta-feira ao retornar ao palácio do governo aplaudido pelos seguidores. Correa disse que chorou quando soube da morte do policial, que integrava o grupo especial de operações. Canais de televisão transmitiram ao vivo a operação de "resgate" durante a crise, qualificada pelo presidente equatoriano como tentativa de golpe de Estado que mergulhou o pais no caos. Grupos de policiais protestaram exigindo a remoção de um plano governamental de austeridade que retira dos policiais o pagamento de condecorações e bônus. Segundo a Cruz Vermelha, durante os confrontos de quinta-feira dois policiais morreram e outras 88 pessoas ficaram feridas. (Por Santiago Silva)