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Nos últimos anos, o mundo viu uma escalada dos conflitos no Oriente Médio, e o Irã esteve envolvido com todos os focos de tensão na região
TEL-AVIV - As Forças Armadas de Israel retomaram nesta sexta-feira, 13, os bombardeios contra alvos militares dentro do Irã um dia depois de lançar ondas de ataques que devastaram a cadeia de comando militar iraniana e atingiram importantes instalações nucleares. Irã dispara mais de cem mísseis em retaliação e deixa dezenas de feridos.
Segundo o porta-voz militar israelense Effie Defrin em uma coletiva de imprensa, Israel continuou seus ataques no Irã e já atingiu 200 alvos até o momento, incluindo duas instalações nucleares. Minutos depois, a coletiva foi interrompida por avisos de mísseis disparados do Irã.
Um dos alvos israelenses foi a cidade de Isfahan, um dos principais centros do programa nuclear iraniano, que fica a cerca de 350 quilômetros a sudeste de Teerã e emprega milhares de cientistas nucleares. Também abriga três reatores de pesquisa e laboratórios chineses associados ao programa atômico do país.
O bombardeio a Isfahan ocorre após um ataque confirmado à instalação de enriquecimento nuclear de Natanz durante a primeira onda de operações israelenses que matou toda a cúpula militar do Irã, cientistas nucleares e civis.
Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, disse ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que o ataque de Israel à instalação nuclear iraniana perto de Natanz destruiu a usina de enriquecimento acima do solo, causando contaminação química e radiológica.
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Os pavilhões subterrâneos de Natanz não foram atingidos, disse Grossi, embora os danos ao fornecimento de energia para os pavilhões possam ter danificado as centrífugas ali alojadas.
Sérios danos também podem ser vistos em imagens de satélites. As imagens, analisadas pelo NYT, mostraram vários edifícios e infraestruturas críticas de energia destruídos ou muito danificados. Caminhões de bombeiros podem ser vistos ao lado de um grande edifício em ruínas, e nuvens de fumaça escura emanavam de uma subestação elétrica. Além disso, foi possível ver o que parecem ser várias crateras de impacto pequenas. Acredita-se que o local tenha galpões subterrâneos que abrigam centrífugas para enriquecer urânio, que pode ser usado para fins pacíficos, mas em níveis mais altos é necessário para a construção de bombas.
Depois desses ataques, Israel indicou que seu próximo alvo seria a instalação de enriquecimento conhecida como Fordo, o segundo maior e mais fortificado complexo nuclear do Irã. Para atingi-la, Israel necessitaria do apoio de armas americanas, o que ainda não está claro se ocorrerá.
De acordo com Grossi, as autoridades iranianos relataram bombardeios em Fordo.
A instalação de Fordo, construída no subsolo para impedir tal ataque, é onde o Irã armazenou urânio para armas e poderia rapidamente produzir uma bomba, disseram especialistas. Fordo, acrescentaram, é o maior obstáculo de Israel para interromper completamente o programa nuclear iraniano.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, disse em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU que o “ataque bárbaro e criminoso” e os assassinatos seletivos de Israel foram contra altos oficiais militares e cientistas nucleares — mas “a esmagadora maioria” das vítimas eram civis, incluindo mulheres e crianças.
O embaixador disse que 78 pessoas foram mortas e mais de 320 ficaram feridas nos ataques israelenses. Ele disse que Israel está realizando mais “atos de agressão” visando vários locais civis e militares em diversas cidades iranianas. “Essas atrocidades constituem atos claros de terrorismo de Estado e flagrante violação do direito internacional”, disse Iravani.
Retaliação iraniana
A coletiva de imprensa na qual Defrin dava mais informações sobre os ataques foi interrompida sem maiores explicações. Minutos depois, Israel reportou que o Irã havia lançado mísseis.
Sirenes de ataque aéreo soaram em Jerusalém e pelo menos uma explosão foi ouvida à distância. Logo em seguida, os militares israelenses disseram ter identificado mísseis “lançados do Irã em direção ao território do Estado de Israel. Os sistemas de defesa estão trabalhando para interceptar a ameaça”.
Os militares também alertaram os moradores: “Vocês devem entrar nas áreas protegidas e permanecer lá até segunda ordem”.
O estrondo das explosões pôde ser ouvido por toda Jerusalém, e emissoras de TV israelenses mostraram nuvens de fumaça subindo em Tel-Aviv. Mais de 40 pessoas ficaram feridas, segundo os serviços de emergência e os hospitais de Israel.
Diferentemente do Irã, Israel conta com o poderoso sistema Domo de Ferro que intercepta mísseis. Ainda assim, alguns conseguiram evadir o sistema pelo menos sete locais em Tel-Aviv e arredores foram atingidos, de acordo com um oficial militar israelense.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou em um comunicado que atingiu dezenas de alvos em Israel “com força e precisão”, incluindo instalações militares e de defesa, em resposta aos ataques de Israel ao Irã que mataram comandantes seniores, cientistas nucleares e civis. A retaliação foi nomeada “Operação Punição Severa”.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou em um comunicado que o Irã “ultrapassou a linha vermelha” ao disparar mísseis contra áreas povoadas. Ele alertou que “o regime dos aiatolás pagaria um preço muito alto” por suas ações.
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu divulgou uma mensagem gravada dirigida ao povo iraniano, afirmando que “a luta de Israel não é com vocês”. “O regime islâmico que os oprime há quase 50 anos ameaça destruir meu país, o Estado de Israel”, disse ele. “À medida que alcançamos nossos objetivos, também estamos abrindo caminho para que vocês conquistem sua liberdade.”
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, deu suas primeiras declarações mais cedo nas quais afirmou que a resposta do Irã seria dura e o destino de Israel, doloroso e amargo, após os bombardeios contra alvos militares e nucleares persas.
“À grande nação iraniana, o regime sionista cometeu com sua mão maligna e sangrenta um crime em nosso querido país e revelou ainda mais sua natureza perversa ao atacar áreas residenciais. Eles devem esperar uma resposta dura”, disse o aiatolá.
Os novos ataques israelenses e a retaliação iraniana ocorreram quase simultaneamente ao pronunciamento do aiatolá.
Com o agravamento das tensões, o Pentágono comunicou que está posicionando navios de guerra e outros recursos militares no Oriente Médio para ajudar a proteger Israel e as tropas americanas de uma possível retaliação iraniana, disseram autoridades americanas./ NYT, W.Post e AP