Kerry desembarca hoje em Cuba para reabrir embaixada fechada desde 1961


Com salário médio em torno de US$ 20, moradores da ilha querem mais oportunidades para abandonar os empregos estatais e entrar no sistema de trabalhos por conta própria – esboço de iniciativa privada com rendimentos até quatro vezes maiores

Por HAVANA

O secretário de Estado americano, John Kerry, reinaugura hoje, numa cerimônia em Havana, a Embaixada dos EUA em Cuba, fechada desde 1961. A solenidade é resultado do histórico acordo anunciado em 17 de dezembro e firmado entre o governo de Barack Obama e Raúl Castro. 

Quando desembarcar, pela manhã, Kerry – primeiro secretário de Estado dos EUA a visitar a ilha desde 1945 – levará a esperança de vida melhor para 11 milhões de cubanos. Com salários que quase nunca chegam ao fim do mês, muitos cubanos esperam que a retomada de relações dê impulso à combalida economia local, marcada por ineficiências e distorções causadas pelo controle estatal e um sistema de câmbio duplo que cria mundos paralelos entre os que têm acesso à moeda estrangeira e a maioria da população.

Novos tempos em Cuba

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Cubanos acessam sinal de internet em um dos 35 pontos de Havana que têm Wi-Fi; apesar de ter sido reduzido, preço é muito alto

Foto: REUTERS/Enrique de la Osa ▲
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“É importante que haja mudanças para as pessoas comuns, porque está muito difícil”, disse ao Estado um cubano que se identificou apenas como Pedro. Quando amigos que acompanhavam a conversa com a reportagem perguntaram se ele tinha medo de se identificar, respondeu que sim.

Aos 65 anos, Pedro recebe 480 pesos por mês, o equivalente a US$ 20. Metade vem de uma aposentadoria e a outra, do trabalho como segurança. “O custo de vida é muito alto”, reclama. Sentados ao redor de Pedro em uma esquina do bairro onde vivem, cinco vizinhos concordam e começam a citar o preço dos alimentos.

Todos podem comprar alguns produtos subsidiados em mercados do Estado, mas os limites estabelecidos para cada pessoa impedem que sejam supridas as necessidades de um mês. A “cesta básica” inclui arroz, feijão, açúcar, sal, óleo, ovos, frango e peixe, mas em quantidades que não cobrem quatro semanas. O número de ovos, por exemplo, é limitado a cinco e só é possível comprar meio quilo de frango.

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O conjunto dos produtos custa 15 pesos (US$ 0,60), segundo Juan, que também não deu o sobrenome, mas concordou em ser fotografado. O que excede as quantidades – anotadas em uma caderneta pessoal – deve ser comprado a “preços livres”. Meio quilo de arroz custa 8 pesos (US$ 0,20), valor nada desprezível quando comparado aos cerca de 400 pesos (US$ 16) que Juan recebe ao mês da aposentadoria e do negócio de funilaria que mantém no quintal de sua casa. “Meio quilo de carne custa 45 pesos. Se eu compro, o que me sobra?”, perguntou.

Ambos vivem em um bairro pobre de Havana. Apesar de ruim, a situação atual não se compara à vivida depois do fim da União Soviética, em 1991, quando houve fome e escassez aguda de produtos, observaram. “A economia cubana era sustentada pelo campo socialista”, afirmou Pedro, ressaltando que o país vivia uma prosperidade artificial.

A seu lado, José disse que as coisas começaram a melhorar com Raúl Castro, que assumiu a presidência de Cuba em 2008 e ampliou, ainda que de maneira tímida, o espaço da iniciativa econômica individual. Com o custo de vida em alta e minguados salários estatais, um número crescente aspira ser “cuentapropista”, o nome oficial para os que trabalham por conta própria.

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Pedro e Juan não têm celular. Para eles, só os que possuem negócios individuais têm dinheiro suficiente para acessar o serviço. A expectativa dos amigos é que o restabelecimento de relações com os EUA leve ao fim do embargo imposto pelos americanos há mais de cinco décadas.

O secretário de Estado americano, John Kerry, reinaugura hoje, numa cerimônia em Havana, a Embaixada dos EUA em Cuba, fechada desde 1961. A solenidade é resultado do histórico acordo anunciado em 17 de dezembro e firmado entre o governo de Barack Obama e Raúl Castro. 

Quando desembarcar, pela manhã, Kerry – primeiro secretário de Estado dos EUA a visitar a ilha desde 1945 – levará a esperança de vida melhor para 11 milhões de cubanos. Com salários que quase nunca chegam ao fim do mês, muitos cubanos esperam que a retomada de relações dê impulso à combalida economia local, marcada por ineficiências e distorções causadas pelo controle estatal e um sistema de câmbio duplo que cria mundos paralelos entre os que têm acesso à moeda estrangeira e a maioria da população.

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“É importante que haja mudanças para as pessoas comuns, porque está muito difícil”, disse ao Estado um cubano que se identificou apenas como Pedro. Quando amigos que acompanhavam a conversa com a reportagem perguntaram se ele tinha medo de se identificar, respondeu que sim.

Aos 65 anos, Pedro recebe 480 pesos por mês, o equivalente a US$ 20. Metade vem de uma aposentadoria e a outra, do trabalho como segurança. “O custo de vida é muito alto”, reclama. Sentados ao redor de Pedro em uma esquina do bairro onde vivem, cinco vizinhos concordam e começam a citar o preço dos alimentos.

Todos podem comprar alguns produtos subsidiados em mercados do Estado, mas os limites estabelecidos para cada pessoa impedem que sejam supridas as necessidades de um mês. A “cesta básica” inclui arroz, feijão, açúcar, sal, óleo, ovos, frango e peixe, mas em quantidades que não cobrem quatro semanas. O número de ovos, por exemplo, é limitado a cinco e só é possível comprar meio quilo de frango.

O conjunto dos produtos custa 15 pesos (US$ 0,60), segundo Juan, que também não deu o sobrenome, mas concordou em ser fotografado. O que excede as quantidades – anotadas em uma caderneta pessoal – deve ser comprado a “preços livres”. Meio quilo de arroz custa 8 pesos (US$ 0,20), valor nada desprezível quando comparado aos cerca de 400 pesos (US$ 16) que Juan recebe ao mês da aposentadoria e do negócio de funilaria que mantém no quintal de sua casa. “Meio quilo de carne custa 45 pesos. Se eu compro, o que me sobra?”, perguntou.

Ambos vivem em um bairro pobre de Havana. Apesar de ruim, a situação atual não se compara à vivida depois do fim da União Soviética, em 1991, quando houve fome e escassez aguda de produtos, observaram. “A economia cubana era sustentada pelo campo socialista”, afirmou Pedro, ressaltando que o país vivia uma prosperidade artificial.

A seu lado, José disse que as coisas começaram a melhorar com Raúl Castro, que assumiu a presidência de Cuba em 2008 e ampliou, ainda que de maneira tímida, o espaço da iniciativa econômica individual. Com o custo de vida em alta e minguados salários estatais, um número crescente aspira ser “cuentapropista”, o nome oficial para os que trabalham por conta própria.

Pedro e Juan não têm celular. Para eles, só os que possuem negócios individuais têm dinheiro suficiente para acessar o serviço. A expectativa dos amigos é que o restabelecimento de relações com os EUA leve ao fim do embargo imposto pelos americanos há mais de cinco décadas.

O secretário de Estado americano, John Kerry, reinaugura hoje, numa cerimônia em Havana, a Embaixada dos EUA em Cuba, fechada desde 1961. A solenidade é resultado do histórico acordo anunciado em 17 de dezembro e firmado entre o governo de Barack Obama e Raúl Castro. 

Quando desembarcar, pela manhã, Kerry – primeiro secretário de Estado dos EUA a visitar a ilha desde 1945 – levará a esperança de vida melhor para 11 milhões de cubanos. Com salários que quase nunca chegam ao fim do mês, muitos cubanos esperam que a retomada de relações dê impulso à combalida economia local, marcada por ineficiências e distorções causadas pelo controle estatal e um sistema de câmbio duplo que cria mundos paralelos entre os que têm acesso à moeda estrangeira e a maioria da população.

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Aos 65 anos, Pedro recebe 480 pesos por mês, o equivalente a US$ 20. Metade vem de uma aposentadoria e a outra, do trabalho como segurança. “O custo de vida é muito alto”, reclama. Sentados ao redor de Pedro em uma esquina do bairro onde vivem, cinco vizinhos concordam e começam a citar o preço dos alimentos.

Todos podem comprar alguns produtos subsidiados em mercados do Estado, mas os limites estabelecidos para cada pessoa impedem que sejam supridas as necessidades de um mês. A “cesta básica” inclui arroz, feijão, açúcar, sal, óleo, ovos, frango e peixe, mas em quantidades que não cobrem quatro semanas. O número de ovos, por exemplo, é limitado a cinco e só é possível comprar meio quilo de frango.

O conjunto dos produtos custa 15 pesos (US$ 0,60), segundo Juan, que também não deu o sobrenome, mas concordou em ser fotografado. O que excede as quantidades – anotadas em uma caderneta pessoal – deve ser comprado a “preços livres”. Meio quilo de arroz custa 8 pesos (US$ 0,20), valor nada desprezível quando comparado aos cerca de 400 pesos (US$ 16) que Juan recebe ao mês da aposentadoria e do negócio de funilaria que mantém no quintal de sua casa. “Meio quilo de carne custa 45 pesos. Se eu compro, o que me sobra?”, perguntou.

Ambos vivem em um bairro pobre de Havana. Apesar de ruim, a situação atual não se compara à vivida depois do fim da União Soviética, em 1991, quando houve fome e escassez aguda de produtos, observaram. “A economia cubana era sustentada pelo campo socialista”, afirmou Pedro, ressaltando que o país vivia uma prosperidade artificial.

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Pedro e Juan não têm celular. Para eles, só os que possuem negócios individuais têm dinheiro suficiente para acessar o serviço. A expectativa dos amigos é que o restabelecimento de relações com os EUA leve ao fim do embargo imposto pelos americanos há mais de cinco décadas.

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