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Nos últimos anos, o mundo viu uma escalada dos conflitos no Oriente Médio, e o Irã esteve envolvido com todos os focos de tensão na região
TEERÃ - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, deu suas primeiras declarações depois dos ataques israelenses contra o país, que começaram na noite da quinta-feira, 12, e seguem em curso.
Khamenei afirmou que a resposta do Irã será dura e o destino de Israel, doloroso e amargo, após os bombardeios contra alvos militares e nucleares persas.
“À grande nação iraniana, o regime sionista cometeu com sua mão maligna e sangrenta um crime em nosso querido país e revelou ainda mais sua natureza perversa ao atacar áreas residenciais. Eles devem esperar uma resposta dura”, disse o aiatolá.
Ainda de acordo com Khamenei, os substitutos dos líderes militares mortos por Israel realizarão um trabalho a altura de seus antecessores.
“Com esse crime, o regime sionista selou para si mesmo um destino amargo e doloroso e certamente verá esse destino se concretizar”, concluiu.
Israel mirou alvos nucleares e líderes militares
Israel bombardeou diversos alvos no Irã, no que chamou de “ataques preventivos” em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio.
Os ataques começaram na noite de quinta-feira, 12 (horário do Brasil), e continuaram nesta sexta-feira, 13. Foi uma grande operação contra a alta cúpula do país persa e o programa nuclear do Irã.
Israel atacou a principal instalação de enriquecimento nuclear do Irã em Natanz, atingindo um complexo subterrâneo que abrigava centrífugas.
Tel-Aviv também atacou pelo menos seis bases militares ao redor da capital, Teerã, residências em dois complexos de alta segurança para comandantes militares e vários prédios residenciais ao redor de Teerã, de acordo com informações do The New York Times.
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Professor de Relações Internacionais da ESPM destaca a facilidade que o caças israelenses atuaram ao lançar uma onda de ataques ao Irã
Morte de líderes iranianos
Os ataques mataram três dos principais líderes da Guarda Revolucionária do Irã e cientistas ligados ao programa nuclear da teocracia.
O major general Mohammad Bagheri, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e o segundo comandante mais alto do Irã depois do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, foi morto no bombardeio.
Bagheri se destacou na Guarda Revolucionária durante a guerra Irã-Iraque e foi nomeado chefe do Estado-Maior em 2016. Este é o cargo militar mais alto do país.
O general Hossein Salami também foi morto durante a madrugada. Ele se destacou na guerra Irã-Iraque e se tornou vice-comandante militar em 2009.
Dez anos depois, ele foi anunciado como chefe da Guarda Revolucionária do Irã e desempenhou um papel fundamental na política externa do Irã.
Salami havia sido sancionado pela ONU e pelos EUA por seu envolvimento nos programas nuclear e militar do Irã.
Outros dois militares foram mortos por Israel. O general Gholamali Rashid, comandante-chefe adjunto das Forças Armadas, e o general Amir Ali Hajizadeh, chefe do programa de mísseis da Guarda Revolucionária do Irã.
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Cientistas nucleares iranianos também foram mortos
Segundo a agência iraniana Tasnim, Israel matou seis cientistas iranianos.
Entre eles estão Fereydoun Abbasi, ex-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, e Mohammad Mehdi Tehranchi, físico teórico e presidente da Universidade Islâmica Azad em Teerã.
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Em entrevista ao Estadão, André Lajst avalia os ataques israelenses as instalações nucleares iranianas e a resposta de Teerã
Retaliação do Irã
As Forças Armadas do Irã retaliaram na tarde desta sexta-feira os bombardeios israelenses com o disparo de mais de 150 mísseis balísticos contra Israel. Ao menos sete deles furaram o sistema antimísseis israelense e atingiram o centro de Tel-Aviv.
Houve feridos, alguns em estado grave. Os mísseis tentaram atingir as sedes do Ministério da Defesa de Israel e do Exército, que ficam no centro da cidade.
EUA mandam navios de guerra para a região
Os Estados Unidos anunciaram o envio de navios de guerra e outros recursos militares americanos no Oriente Médio para ajudar a proteger Israel da retaliação iraniana.
O contratorpedeiro USS Thomas Hudner recebeu ordens para se deslocar para a costa oriental do Mediterrâneo, e um segundo contratorpedeiro deverá segui-lo. A Força Aérea também enviará mais caças para a região.