Armênia e Turquia anunciaram ontem que deram o primeiro passo para estabelecer relações diplomáticas, declarando que firmarão acordos dentro de seis semanas a respeito de um plano para acabar com um século de hostilidades. Os países vizinhos não têm relações diplomáticas e suas fronteiras estão fechadas. Ancara e Erivan têm uma história de animosidades por causa da matança de cerca de 1 milhão de armênios pelos turcos otomanos durante a 1ª Guerra. "As consultas políticas estarão concluídas dentro de seis semanas. Depois, os protocolos serão firmados e enviados aos respectivos Parlamentos para a ratificação", disseram, em comunicado, os Ministérios das Relações Exteriores de Turquia e Armênia. As conversações entre os dois países vêm sendo mediadas pela Suíça. A Turquia rejeita as alegações da Armênia de que as mortes na 1ª Guerra foram um genocídio e destaca que muitas pessoas morreram em ambos os lados do conflito. Segundo o plano de reconciliação, a fronteira será reaberta dois meses depois que o protocolo de desenvolvimento de relações entrar em vigor. O acordo para normalizar laços foi divulgado em abril, mas o anúncio de ontem é o primeiro progresso real. As expectativas foram ampliadas por causa da planejada visita do presidente armênio, Serzh Sarksyan, à Turquia em 14 de outubro para assistir ao jogo entre os dois países pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Sarksyan disse que não assistirá à partida se a fronteira não for reaberta ou houver claros sinais de sua reabertura. O presidente turco, Abdullah Gul, assistiu ao primeiro jogo entre os dois países no ano passado, em Erivan. A Turquia fechou sua fronteira em 1993 em solidariedade a seu aliado muçulmano Azerbaijão, que lutava contra os separatistas apoiados pela Armênia na região de Nagorno-Karabakh. Desde o anúncio do acordo, funcionários turcos - pressionados pelo Azerbaijão - disseram que a fronteira não será aberta até que a Armênia faça concessões sobre Nagorno-Karabakh. O conflito permanece sem solução, com azerbaijanos e forças étnicas armênias se enfrentando, apesar da trégua de 15 anos atrás. Reabrir a fronteira e estabelecer relações com a Armênia melhoraria a imagem da Turquia e a ajudaria em seus esforços para ingressar na União Europeia. Também daria à isolada Armênia acesso aos mercados turcos e europeus, ajudando-a a enfrentar a crise financeira global. No entanto, o gesto pode irritar o Azerbaijão, que abastece o Ocidente com petróleo e é o fornecedor-chave de gás para o projeto europeu do gasoduto Nabucco.