Micro-ondas nasceu a partir de pesquisas da Segunda Guerra Mundial


Neste ano, eletrodoméstico esteve no epicentro de uma polêmica política, acusado de instrumento de espionagem no governo norte-americano

Por Isabelle Moreira Lima
Atualização:

Em março deste ano, a assessora de Donald Trump, Kellyanne Conway, sugeriu que o forno de micro-ondas foi um canal de espionagem utilizado pelo ex-presidente Barack Obama para ficar na cola de seu sucessor. Não é de hoje que o eletrodoméstico enfrenta retaliações que não estão ligadas à cozinha. Quando começou a ser produzido comercialmente, foi mal recebido com a suspeita de ser uma fonte radioativa.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente Barack Obama estiveram envolvidos em uma polêmica com o micro-ondas Foto: Kevin Lamarque|Reuters

  Seu berço está diretamente ligado à indústria bélica, a partir de pesquisas de tecnologia de radar feitas na Segunda Gerra Mundial. Em 1947, a Raytheon, uma empresa que produzia tubos magnetron, patenteou um processador que esquentava comida e um aparelho em forma de forno. Em 1957, remodelou o aparelho para cozinhas ultratecnológicas a um custo de US$ 1,3 mil (ou US$ 12 mil hoje). Em 1967, foi introduzido no mercado o primeiro forno de micro-ondas doméstico, produzido pela Amana, com custo equivalente a US$ 3,6 mil. Além do preço, a fama de que seria uma fonte perigosíssima de radiação o afastaram do público, até que incentivos do governo o tornaram mais popular nos anos 1970.   Mas o que fez com que o microondas se solidificasse como um instrumento da vida doméstica contemporânea foram as mudanças sociais, afirma a professora do departamento de História da Universidade de Delaware Susan Strasser, especialista em consumo americano. “Nos anos 1980, mais da metade das mulheres casadas dos EUA estavam empregadas em tempo integral ou meio período e ninguém precisava perguntar porque elas gostariam de ter algum tipo de tecnologia que lhes ajudasse a ganhar tempo”, afirma. 

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LEIA MAIS: + 50 anos do micro-ondas: você está usando certo? Junto à indústria de comidas prontas, foi um protagonista na mudança de hábitos. “Algumas famílias desistiram da ideia de comer juntos, uma vez que as refeições podiam ser preparadas individualmente, uma por uma”, diz a pesquisadora. Leia abaixo a entrevista:Você fala em mudanças históricas e sociais relacionadas ao micro-ondas. Acha que ele foi ator ou espectador neste processo? Acho que o microondas não tem força o suficiente para ser um ator dessas mudanças. Mas, quando se alia à indústria de comidas prontas, ele ganha um impulso e deixa de ser apenas uma testemunha. É a combinação das duas coisas que fez a diferença e que representa o avanço tecnológico e social trazido pelo microondas.O aparelho pode ser considerado culpado pelo fim da reunião de família à mesa? Sim. O fato de você esquentar apenas um prato de cada vez causa esse problema. E, com as comidas prontas, um filho pode comer frango, o outro carne, e perde-se o motivo da família comer junta. Antes, uma única pessoa cozinhava e todos comiam juntos à mesa e é uma pena que isso tenha mudado. Mas, ao mesmo tempo, fiquei surpresa ao ver uma pesquisa de 2013 em que mais de 90% das famílias consultadas ainda consideram o jantar em família como o ideal. Hoje, em um momento em que as pessoas falam e desejam uma comida mais artesanal, como a sra. acha que o micro-ondas é visto? É um tempo ainda mais difícil para ele que no começo, quando as pessoas temiam que fosse radioativo? Isso é um ideal. Mas para muitas famílias uma comida artesanal, caseira, é algo apenas para o fim de semana. Em outras, é o caso de alguém que ama cozinhar e se dispõe a investir um tempo considerável nessa atividade. Mas, de novo, isso é um ideal.O preconceito contra o micro-ondas é algo que existe nos EUA hoje? É bem dividido, há pessoas que amam, mas tem gente que não gostaria de ter um, que não vêem nada de bom nele. Sim, o preconceito existe aqui também. Mas há também muita gente como eu, que tenho micro-ondas e só uso para esquentar sopas. Nunca compro comida preparada. Que eletrodomésticos considera os mais revolucionários? O refrigerador. Antes, havia toda uma indústria produzindo gelo artificial. E o fogão, claro. No século 19, as pessoas cozinhavam em suas lareiras. Pense nisso.

Em março deste ano, a assessora de Donald Trump, Kellyanne Conway, sugeriu que o forno de micro-ondas foi um canal de espionagem utilizado pelo ex-presidente Barack Obama para ficar na cola de seu sucessor. Não é de hoje que o eletrodoméstico enfrenta retaliações que não estão ligadas à cozinha. Quando começou a ser produzido comercialmente, foi mal recebido com a suspeita de ser uma fonte radioativa.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente Barack Obama estiveram envolvidos em uma polêmica com o micro-ondas Foto: Kevin Lamarque|Reuters

  Seu berço está diretamente ligado à indústria bélica, a partir de pesquisas de tecnologia de radar feitas na Segunda Gerra Mundial. Em 1947, a Raytheon, uma empresa que produzia tubos magnetron, patenteou um processador que esquentava comida e um aparelho em forma de forno. Em 1957, remodelou o aparelho para cozinhas ultratecnológicas a um custo de US$ 1,3 mil (ou US$ 12 mil hoje). Em 1967, foi introduzido no mercado o primeiro forno de micro-ondas doméstico, produzido pela Amana, com custo equivalente a US$ 3,6 mil. Além do preço, a fama de que seria uma fonte perigosíssima de radiação o afastaram do público, até que incentivos do governo o tornaram mais popular nos anos 1970.   Mas o que fez com que o microondas se solidificasse como um instrumento da vida doméstica contemporânea foram as mudanças sociais, afirma a professora do departamento de História da Universidade de Delaware Susan Strasser, especialista em consumo americano. “Nos anos 1980, mais da metade das mulheres casadas dos EUA estavam empregadas em tempo integral ou meio período e ninguém precisava perguntar porque elas gostariam de ter algum tipo de tecnologia que lhes ajudasse a ganhar tempo”, afirma. 

LEIA MAIS: + 50 anos do micro-ondas: você está usando certo? Junto à indústria de comidas prontas, foi um protagonista na mudança de hábitos. “Algumas famílias desistiram da ideia de comer juntos, uma vez que as refeições podiam ser preparadas individualmente, uma por uma”, diz a pesquisadora. Leia abaixo a entrevista:Você fala em mudanças históricas e sociais relacionadas ao micro-ondas. Acha que ele foi ator ou espectador neste processo? Acho que o microondas não tem força o suficiente para ser um ator dessas mudanças. Mas, quando se alia à indústria de comidas prontas, ele ganha um impulso e deixa de ser apenas uma testemunha. É a combinação das duas coisas que fez a diferença e que representa o avanço tecnológico e social trazido pelo microondas.O aparelho pode ser considerado culpado pelo fim da reunião de família à mesa? Sim. O fato de você esquentar apenas um prato de cada vez causa esse problema. E, com as comidas prontas, um filho pode comer frango, o outro carne, e perde-se o motivo da família comer junta. Antes, uma única pessoa cozinhava e todos comiam juntos à mesa e é uma pena que isso tenha mudado. Mas, ao mesmo tempo, fiquei surpresa ao ver uma pesquisa de 2013 em que mais de 90% das famílias consultadas ainda consideram o jantar em família como o ideal. Hoje, em um momento em que as pessoas falam e desejam uma comida mais artesanal, como a sra. acha que o micro-ondas é visto? É um tempo ainda mais difícil para ele que no começo, quando as pessoas temiam que fosse radioativo? Isso é um ideal. Mas para muitas famílias uma comida artesanal, caseira, é algo apenas para o fim de semana. Em outras, é o caso de alguém que ama cozinhar e se dispõe a investir um tempo considerável nessa atividade. Mas, de novo, isso é um ideal.O preconceito contra o micro-ondas é algo que existe nos EUA hoje? É bem dividido, há pessoas que amam, mas tem gente que não gostaria de ter um, que não vêem nada de bom nele. Sim, o preconceito existe aqui também. Mas há também muita gente como eu, que tenho micro-ondas e só uso para esquentar sopas. Nunca compro comida preparada. Que eletrodomésticos considera os mais revolucionários? O refrigerador. Antes, havia toda uma indústria produzindo gelo artificial. E o fogão, claro. No século 19, as pessoas cozinhavam em suas lareiras. Pense nisso.

Em março deste ano, a assessora de Donald Trump, Kellyanne Conway, sugeriu que o forno de micro-ondas foi um canal de espionagem utilizado pelo ex-presidente Barack Obama para ficar na cola de seu sucessor. Não é de hoje que o eletrodoméstico enfrenta retaliações que não estão ligadas à cozinha. Quando começou a ser produzido comercialmente, foi mal recebido com a suspeita de ser uma fonte radioativa.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente Barack Obama estiveram envolvidos em uma polêmica com o micro-ondas Foto: Kevin Lamarque|Reuters

  Seu berço está diretamente ligado à indústria bélica, a partir de pesquisas de tecnologia de radar feitas na Segunda Gerra Mundial. Em 1947, a Raytheon, uma empresa que produzia tubos magnetron, patenteou um processador que esquentava comida e um aparelho em forma de forno. Em 1957, remodelou o aparelho para cozinhas ultratecnológicas a um custo de US$ 1,3 mil (ou US$ 12 mil hoje). Em 1967, foi introduzido no mercado o primeiro forno de micro-ondas doméstico, produzido pela Amana, com custo equivalente a US$ 3,6 mil. Além do preço, a fama de que seria uma fonte perigosíssima de radiação o afastaram do público, até que incentivos do governo o tornaram mais popular nos anos 1970.   Mas o que fez com que o microondas se solidificasse como um instrumento da vida doméstica contemporânea foram as mudanças sociais, afirma a professora do departamento de História da Universidade de Delaware Susan Strasser, especialista em consumo americano. “Nos anos 1980, mais da metade das mulheres casadas dos EUA estavam empregadas em tempo integral ou meio período e ninguém precisava perguntar porque elas gostariam de ter algum tipo de tecnologia que lhes ajudasse a ganhar tempo”, afirma. 

LEIA MAIS: + 50 anos do micro-ondas: você está usando certo? Junto à indústria de comidas prontas, foi um protagonista na mudança de hábitos. “Algumas famílias desistiram da ideia de comer juntos, uma vez que as refeições podiam ser preparadas individualmente, uma por uma”, diz a pesquisadora. Leia abaixo a entrevista:Você fala em mudanças históricas e sociais relacionadas ao micro-ondas. Acha que ele foi ator ou espectador neste processo? Acho que o microondas não tem força o suficiente para ser um ator dessas mudanças. Mas, quando se alia à indústria de comidas prontas, ele ganha um impulso e deixa de ser apenas uma testemunha. É a combinação das duas coisas que fez a diferença e que representa o avanço tecnológico e social trazido pelo microondas.O aparelho pode ser considerado culpado pelo fim da reunião de família à mesa? Sim. O fato de você esquentar apenas um prato de cada vez causa esse problema. E, com as comidas prontas, um filho pode comer frango, o outro carne, e perde-se o motivo da família comer junta. Antes, uma única pessoa cozinhava e todos comiam juntos à mesa e é uma pena que isso tenha mudado. Mas, ao mesmo tempo, fiquei surpresa ao ver uma pesquisa de 2013 em que mais de 90% das famílias consultadas ainda consideram o jantar em família como o ideal. Hoje, em um momento em que as pessoas falam e desejam uma comida mais artesanal, como a sra. acha que o micro-ondas é visto? É um tempo ainda mais difícil para ele que no começo, quando as pessoas temiam que fosse radioativo? Isso é um ideal. Mas para muitas famílias uma comida artesanal, caseira, é algo apenas para o fim de semana. Em outras, é o caso de alguém que ama cozinhar e se dispõe a investir um tempo considerável nessa atividade. Mas, de novo, isso é um ideal.O preconceito contra o micro-ondas é algo que existe nos EUA hoje? É bem dividido, há pessoas que amam, mas tem gente que não gostaria de ter um, que não vêem nada de bom nele. Sim, o preconceito existe aqui também. Mas há também muita gente como eu, que tenho micro-ondas e só uso para esquentar sopas. Nunca compro comida preparada. Que eletrodomésticos considera os mais revolucionários? O refrigerador. Antes, havia toda uma indústria produzindo gelo artificial. E o fogão, claro. No século 19, as pessoas cozinhavam em suas lareiras. Pense nisso.

Em março deste ano, a assessora de Donald Trump, Kellyanne Conway, sugeriu que o forno de micro-ondas foi um canal de espionagem utilizado pelo ex-presidente Barack Obama para ficar na cola de seu sucessor. Não é de hoje que o eletrodoméstico enfrenta retaliações que não estão ligadas à cozinha. Quando começou a ser produzido comercialmente, foi mal recebido com a suspeita de ser uma fonte radioativa.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente Barack Obama estiveram envolvidos em uma polêmica com o micro-ondas Foto: Kevin Lamarque|Reuters

  Seu berço está diretamente ligado à indústria bélica, a partir de pesquisas de tecnologia de radar feitas na Segunda Gerra Mundial. Em 1947, a Raytheon, uma empresa que produzia tubos magnetron, patenteou um processador que esquentava comida e um aparelho em forma de forno. Em 1957, remodelou o aparelho para cozinhas ultratecnológicas a um custo de US$ 1,3 mil (ou US$ 12 mil hoje). Em 1967, foi introduzido no mercado o primeiro forno de micro-ondas doméstico, produzido pela Amana, com custo equivalente a US$ 3,6 mil. Além do preço, a fama de que seria uma fonte perigosíssima de radiação o afastaram do público, até que incentivos do governo o tornaram mais popular nos anos 1970.   Mas o que fez com que o microondas se solidificasse como um instrumento da vida doméstica contemporânea foram as mudanças sociais, afirma a professora do departamento de História da Universidade de Delaware Susan Strasser, especialista em consumo americano. “Nos anos 1980, mais da metade das mulheres casadas dos EUA estavam empregadas em tempo integral ou meio período e ninguém precisava perguntar porque elas gostariam de ter algum tipo de tecnologia que lhes ajudasse a ganhar tempo”, afirma. 

LEIA MAIS: + 50 anos do micro-ondas: você está usando certo? Junto à indústria de comidas prontas, foi um protagonista na mudança de hábitos. “Algumas famílias desistiram da ideia de comer juntos, uma vez que as refeições podiam ser preparadas individualmente, uma por uma”, diz a pesquisadora. Leia abaixo a entrevista:Você fala em mudanças históricas e sociais relacionadas ao micro-ondas. Acha que ele foi ator ou espectador neste processo? Acho que o microondas não tem força o suficiente para ser um ator dessas mudanças. Mas, quando se alia à indústria de comidas prontas, ele ganha um impulso e deixa de ser apenas uma testemunha. É a combinação das duas coisas que fez a diferença e que representa o avanço tecnológico e social trazido pelo microondas.O aparelho pode ser considerado culpado pelo fim da reunião de família à mesa? Sim. O fato de você esquentar apenas um prato de cada vez causa esse problema. E, com as comidas prontas, um filho pode comer frango, o outro carne, e perde-se o motivo da família comer junta. Antes, uma única pessoa cozinhava e todos comiam juntos à mesa e é uma pena que isso tenha mudado. Mas, ao mesmo tempo, fiquei surpresa ao ver uma pesquisa de 2013 em que mais de 90% das famílias consultadas ainda consideram o jantar em família como o ideal. Hoje, em um momento em que as pessoas falam e desejam uma comida mais artesanal, como a sra. acha que o micro-ondas é visto? É um tempo ainda mais difícil para ele que no começo, quando as pessoas temiam que fosse radioativo? Isso é um ideal. Mas para muitas famílias uma comida artesanal, caseira, é algo apenas para o fim de semana. Em outras, é o caso de alguém que ama cozinhar e se dispõe a investir um tempo considerável nessa atividade. Mas, de novo, isso é um ideal.O preconceito contra o micro-ondas é algo que existe nos EUA hoje? É bem dividido, há pessoas que amam, mas tem gente que não gostaria de ter um, que não vêem nada de bom nele. Sim, o preconceito existe aqui também. Mas há também muita gente como eu, que tenho micro-ondas e só uso para esquentar sopas. Nunca compro comida preparada. Que eletrodomésticos considera os mais revolucionários? O refrigerador. Antes, havia toda uma indústria produzindo gelo artificial. E o fogão, claro. No século 19, as pessoas cozinhavam em suas lareiras. Pense nisso.

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