BRASÍLIA – A cerca de um ano das eleições de 2026, os principais partidos de centro e centro-direita caminham para liberar seus diretórios regionais a fim de apoiar candidatos conforme a conveniência em cada Estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tendem a polarizar a corrida eleitoral do ano que vem, devem disputar em cada Estado a aliança com essas legendas.
Em 4 de outubro do ano que vem, os eleitores brasileiros vão às urnas para eleger 1.059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 54 senadores, 27 governadores e um presidente da República. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O Estadão publica a partir deste domingo, 5, uma série de reportagens mostrando como os cinco principais partidos de centro e centro-direita estão posicionados no tabuleiro político neste momento. Nas últimas semanas, a reportagem conversou com congressistas, lideranças partidárias e ministros de MDB, PSD, PP, União Brasil e Republicanos.
A escolha não foi por acaso. Essas cinco legendas concentram quase metade das cadeiras nas duas Casas do Congresso Nacional e têm sido elemento fundamental para os últimos presidentes garantirem governabilidade no Legislativo.
O fortalecimento desse grupo veio, principalmente, com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, em 2016. À época, Cunha reuniu um conglomerado de parlamentares dessas e de outras legendas nanicas para formar um bloco e enfrentar o candidato governista à presidência da Casa. Foi aí que o Centrão, cuja origem remete à Assembleia Constituinte de 1988, ressurgiu com força e reassumiu protagonismo.
Nos últimos anos, não só Lula, mas Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro também tiveram de contar com o apoio dessas legendas – ou ao menos de parte delas – para aprovarem as propostas de seus interesses no Congresso. Pouco caminhou no Legislativo nos últimos anos sem que houvesse um apoio do Centrão.
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Para as eleições do ano que vem, que vão ocorrer daqui a aproximadamente um ano, os partidos ainda monitoram os movimentos de todas as peças para definir suas jogadas. O maior elemento de dúvida até aqui envolve a estratégia de Bolsonaro e seus aliados. Inelegível para o próximo pleito, o ex-presidente vem insistindo em sua candidatura, ainda que nos bastidores esteja discutindo alternativas com seus aliados.
O principal nome cotado na direita é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Apesar de contar com a simpatia do ex-presidente e de caciques do Centrão, Tarcísio indicou a aliados que não pretende trocar uma eleição que considera certa em São Paulo por uma arriscada em nível nacional. Também teria dificuldades no seu próprio partido. O Estadão/Broadcast apurou que diretórios do Nordeste do Republicanos, que são próximos ao PT, devem pedir à cúpula do partido para que possam apoiar Lula, mesmo que a sigla esteja com Tarcísio no ano que vem.
Um cenário parecido é registrado em outras siglas, como PSD e MDB. Mesmo as duas tendo mais lideranças próximas ao governo, ainda há dificuldade em se formar uma maioria para apoiar Lula formalmente nas eleições do ano que vem. O governo não nutre esperanças em relação ao PSD, mas ainda tem a expectativa de conseguir o apoio do MDB até o ano que vem. Contam com a força que o governador do Pará, Helder Barbalho, terá para tentar tirar o partido da zona neutra. Vários outros Estados, porém, já caminham em direção a alianças com a direita e com o centro, distantes do PT. Isso dificulta a construção de um apoio nacional ao petista.
No caso do partido de Gilberto Kassab, integrantes da ala governista já comunicaram à cúpula partidária que apoiarão Lula mesmo que a legenda esteja com Tarcísio no ano que vem. A única forma de não apoiarem o atual presidente é se o governador do Paraná, Ratinho Júnior, for candidato. Consideram que seria incômodo declarar voto em outro candidato sendo que um correligionário é postulante à Presidência.
O União Brasil está cada vez mais distante de uma aliança com o governo. Formado da fusão de duas siglas que se moldaram com políticos eleitos por um eleitorado antipetista, o partido ordenou que seus filiados deixem cargos na administração federal. O ministro do Turismo, Celso Sabino, foi obrigado a pedir demissão. Ele, no entanto, desistiu de sair do governo e agora enfrenta um processo de expulsão da sigla. O partido também mantém outras duas indicações em ministérios: Waldez Góes, no Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira Filho, no Ministério das Comunicações. A legenda não estará com o PT, mas Lula ainda conta que terá apoios regionais de algumas poucas lideranças partidárias no ano que vem.
A principal exceção é o PP. Políticos do partido afirmam que os diretórios da legenda devem ser obrigados a se distanciar de Lula em uma eventual candidatura de Tarcísio. O presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), é um dos principais entusiastas da candidatura do governador de São Paulo. Ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, ele também demonstra o desejo, nos bastidores, de ser o vice na chapa de oposição ao petista.