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O advogado Ciro Soares, que intermediou uma reunião do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça no ano passado, afirmou nesta quarta-feira, 2, que foi vítima de quebra de sigilo entre advogado e cliente, e negou irregularidades no encontro. Soares também intermediou contatos entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que disse sentir saudades do banqueiro e chamou o dono do Master de “máquina”.
“A quebra de sigilo de advogado com cliente é uma ilegalidade que afronta o amplo direito de defesa”, afirmou Soares em mensagem enviada à Coluna do Estadão. “Tentar marcar conversas com magistrados é uma prática natural e muitas vezes necessária na advocacia. Nas conversas mencionadas não há nenhuma irregularidade”, completou o defensor ligado a Vorcaro.
Ainda segundo o advogado, durante a reunião entre Vorcaro e Mendonça, em fevereiro de 2025, Vorcaro não era investigado e o ministro não era relator do caso Master.
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Ministro confirmou reunião com Vorcaro
Em entrevista à Coluna, Mendonça confirmou que se reuniu com Vorcaro. O encontro, afirmou o ministro, durou entre 20 e 30 minutos, e ocorreu na sede do instituto educacional do magistrado, na cidade de São Paulo.
A divulgação sobre o encontro, feita pelo site ICL Notícias, ocorre um dia depois de Mendonça tirar o sigilo de relatório da Polícia Federal com suspeitas de ligações impróprias entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, como revelou o Estadão.
De acordo com o ICL, mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro mostram que a reunião com Mendonça foi organizada durante semanas pelo advogado Ciro Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse o advogado em áudio enviado a Vorcaro em 8 de fevereiro de 2025, com uma foto dos dois, segundo o site.
Em outro áudio, Soares afirmou: “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, e completou: ”Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”
Mendonça diz não ter tratado de Banco Central
O ministro disse à Coluna que, durante a conversa, não foi tratado nenhum assunto relacionado ao Banco Central (BC) – embora, na ocasião, a instituição financeira já estivesse no radar de apurações que posteriormente culminariam na liquidação do Master.
De acordo com o integrante do STF, o tema central do encontro foi especificamente o processo trata do pagamento de precatórios decorrentes de prejuízos adquiridos de uma usina do setor sucroalcooleiro, a Agro Industrial Tabu S.A. O Banco Master passou a recorrer aos precatórios após o BC limitar o uso da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A tramitação da ação no Supremo já se arrastava há meses. Em 2024, o relator do processo era o ministro Luís Roberto Barroso e o placar registrava 6 a 0 favoráveis à tese quando o ministro Alexandre de Moraes fez um pedido de vista, em novembro daquele ano. A devolução do processo ocorreu apenas em fevereiro de 2026, momento em que Vorcaro já havia sido preso pela primeira vez.
Em relação ao desdobramento dos contatos com a defesa, o ministro afirmou que, durante a conversa inicial com Vorcaro, orientou que o advogado do caso se dirigisse ao seu gabinete no STF para apresentar seus argumentos.
Na sequência, Mendonça recebeu na Corte os advogados Ciro Soares e Wilson Ramalho Cavalcanti Neto — este último lhe entregou um memorial técnico detalhando os pontos da ação.