Coluna do Estadão

| Por Roseann Kennedy

Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia. Com Eduardo Barretto e Leticia Fernandes

Como Lula se aproximou de bispo da Assembleia de Deus que pediu votos para Bolsonaro


Jorge Messias, que deve ser indicado ao STF, procurou deputado evangélico ainda na transição de governo para construir pontes com os líderes religiosos

Por Iander Porcella
Atualização:

A inusitada cena do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orando nesta semana, em seu gabinete no Palácio do Planalto, com um líder evangélico que pediu votos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas últimas eleições tem uma explicação. A aproximação do petista com o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, começou a ser construída ainda na transição de governo, no fim de 2022. E a ponte para essa improvável aliança tem nome e sobrenome: Jorge Messias, o advogado-geral da União que agora deve ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Na transição, o Messias me procurou. Ele foi uma ponte para sair dessa polarização. E está sempre presente”, contou à Coluna do Estadão o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que acompanhou o bispo na visita a Lula nesta quinta-feira, 16.

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O parlamentar também aponta outro motivo para a boa relação com o governo Lula: em 2021, na gestão Bolsonaro, tanto Messias quanto o agora líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), trabalharam para aprovar a indicação do pastor evangélico André Mendonça para o STF, que enfrentava resistência de petistas e do então presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que hoje ocupa o cargo novamente.

A partir da transição, Messias deu continuidade ao esforço para reaproximar Lula dos evangélicos, mas até esta quinta-feira, 16, não havia ocorrido nenhum encontro do petista com Cezinha e o bispo Samuel Ferreira. Como mostrou a Coluna, o presidente da República chegou a dizer a aliados que havia desistido de conquistar o apoio de evangélicos. Mas tudo mudou com a possibilidade de indicação de Messias para o Supremo, com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também tem atuado junto a mulheres evangélicas.

Diante do novo cenário, o convite do Planalto para os líderes religiosos finalmente chegou. “Eu fui e iria dez vezes se o presidente chamar”, garantiu Cezinha. Ele reconhece que os evangélicos, em geral, tem posições políticas mais à direita, mas ressalva: “a Igreja também atende ao que a Bíblia ensina, que é respeitar as autoridades”.

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Cezinha afirma que Messias, se indicado ao STF, será um “excelente” ministro. “Tem nosso apoio total”, frisou. Apesar disso, o deputado não deixa de acenar ao bolsonarismo. “Não significa que estamos contra o presidente Bolsonaro, que está preso injustamente”, disse.

NACIONAL - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Bispo Primaz Manoel Ferreira, o Bispo Samuel Ferreira e o Deputado Federal Cezinha de Madureira. Palácio do Planalto – Brasília (DF) Foto: Ricardo Stuckert / PR Foto: Ricardo Stuckert

A inusitada cena do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orando nesta semana, em seu gabinete no Palácio do Planalto, com um líder evangélico que pediu votos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas últimas eleições tem uma explicação. A aproximação do petista com o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, começou a ser construída ainda na transição de governo, no fim de 2022. E a ponte para essa improvável aliança tem nome e sobrenome: Jorge Messias, o advogado-geral da União que agora deve ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Na transição, o Messias me procurou. Ele foi uma ponte para sair dessa polarização. E está sempre presente”, contou à Coluna do Estadão o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que acompanhou o bispo na visita a Lula nesta quinta-feira, 16.

O parlamentar também aponta outro motivo para a boa relação com o governo Lula: em 2021, na gestão Bolsonaro, tanto Messias quanto o agora líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), trabalharam para aprovar a indicação do pastor evangélico André Mendonça para o STF, que enfrentava resistência de petistas e do então presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que hoje ocupa o cargo novamente.

A partir da transição, Messias deu continuidade ao esforço para reaproximar Lula dos evangélicos, mas até esta quinta-feira, 16, não havia ocorrido nenhum encontro do petista com Cezinha e o bispo Samuel Ferreira. Como mostrou a Coluna, o presidente da República chegou a dizer a aliados que havia desistido de conquistar o apoio de evangélicos. Mas tudo mudou com a possibilidade de indicação de Messias para o Supremo, com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também tem atuado junto a mulheres evangélicas.

Diante do novo cenário, o convite do Planalto para os líderes religiosos finalmente chegou. “Eu fui e iria dez vezes se o presidente chamar”, garantiu Cezinha. Ele reconhece que os evangélicos, em geral, tem posições políticas mais à direita, mas ressalva: “a Igreja também atende ao que a Bíblia ensina, que é respeitar as autoridades”.

Cezinha afirma que Messias, se indicado ao STF, será um “excelente” ministro. “Tem nosso apoio total”, frisou. Apesar disso, o deputado não deixa de acenar ao bolsonarismo. “Não significa que estamos contra o presidente Bolsonaro, que está preso injustamente”, disse.

NACIONAL - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Bispo Primaz Manoel Ferreira, o Bispo Samuel Ferreira e o Deputado Federal Cezinha de Madureira. Palácio do Planalto – Brasília (DF) Foto: Ricardo Stuckert / PR Foto: Ricardo Stuckert

A inusitada cena do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orando nesta semana, em seu gabinete no Palácio do Planalto, com um líder evangélico que pediu votos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas últimas eleições tem uma explicação. A aproximação do petista com o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, começou a ser construída ainda na transição de governo, no fim de 2022. E a ponte para essa improvável aliança tem nome e sobrenome: Jorge Messias, o advogado-geral da União que agora deve ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Na transição, o Messias me procurou. Ele foi uma ponte para sair dessa polarização. E está sempre presente”, contou à Coluna do Estadão o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que acompanhou o bispo na visita a Lula nesta quinta-feira, 16.

O parlamentar também aponta outro motivo para a boa relação com o governo Lula: em 2021, na gestão Bolsonaro, tanto Messias quanto o agora líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), trabalharam para aprovar a indicação do pastor evangélico André Mendonça para o STF, que enfrentava resistência de petistas e do então presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que hoje ocupa o cargo novamente.

A partir da transição, Messias deu continuidade ao esforço para reaproximar Lula dos evangélicos, mas até esta quinta-feira, 16, não havia ocorrido nenhum encontro do petista com Cezinha e o bispo Samuel Ferreira. Como mostrou a Coluna, o presidente da República chegou a dizer a aliados que havia desistido de conquistar o apoio de evangélicos. Mas tudo mudou com a possibilidade de indicação de Messias para o Supremo, com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também tem atuado junto a mulheres evangélicas.

Diante do novo cenário, o convite do Planalto para os líderes religiosos finalmente chegou. “Eu fui e iria dez vezes se o presidente chamar”, garantiu Cezinha. Ele reconhece que os evangélicos, em geral, tem posições políticas mais à direita, mas ressalva: “a Igreja também atende ao que a Bíblia ensina, que é respeitar as autoridades”.

Cezinha afirma que Messias, se indicado ao STF, será um “excelente” ministro. “Tem nosso apoio total”, frisou. Apesar disso, o deputado não deixa de acenar ao bolsonarismo. “Não significa que estamos contra o presidente Bolsonaro, que está preso injustamente”, disse.

NACIONAL - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Bispo Primaz Manoel Ferreira, o Bispo Samuel Ferreira e o Deputado Federal Cezinha de Madureira. Palácio do Planalto – Brasília (DF) Foto: Ricardo Stuckert / PR Foto: Ricardo Stuckert

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