Um olhar crítico no poder e nos poderosos

Opinião|Ao fugir de avião, Flávio deixou seus aliados e eleitores a ver navios


Com a fuga, Flávio isolou o PL, jogou a direita no colo de Lula 4 e lançou a campanha de Tarcísio

Por Eliane Cantanhêde

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Governador afirma, no entanto, que não julga a decisão do aliado

Com a sua fuga patética para os braços de Donald Trump e para o antro do sempre equivocado irmão Eduardo, Flávio Bolsonaro uniu o mundo político num rechaço uníssono, deu o pretexto que a direita precisava para negociar com Lula e isolou o bolsonarismo mais danoso no Congresso. É a volta da normalidade, com suas qualidades e defeitos, mas democrática.

Presentão para os 81 anos de Lula, que entra no quarto mandato mais aliviado e com mais equilíbrio e sensatez na Câmara e no Senado. Presentão, também, para Tarcísio de Freitas, que está livre para tomar seu rumo. Com uma ressalva conveniente daqui, outra dali, para não magoar Jair Bolsonaro, ele já está em plena campanha.

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Os Bolsonaro são mesmo impressionantes. Quando Lula estava no fundo do poço, deram o discurso da soberania. No primeiro turno, vieram com bandeiras dos EUA e Israel nos atos públicos e ainda capricharam com um foguete inflável onde se lia “Trump nuke Brazil (Trump, exploda o Brasil). No segundo, o maravilhoso mundo de Flávio Bolsonaro fez a festa da campanha lulista.

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami após fugir do Brasil, passar pela Argentina e se abrigar nos Estados Unidos Foto: Marta Lavandier/AP Photo
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Deus, Pátria e Família? Não. Vorcaro e Willer Tomaz, Trump e Milei e farras de arromba em iates e apartamentos milionários, com quem acertava compra de vacinas não aprovadas no Brasil nem no seu país de origem ou com quem mantinha sociedades ocultas, até contas na Ilha da Madeira

Nada, porém, poderia ser mais espetacular do que a fuga, jogando fora 60 milhões de votos, a responsabilidade que um líder tem de ter, a unidade de seu campo político e a fidelidade dos eleitos no Congresso e nos Estados na onda bolsonarista.

Se há algo imperdoável na política é a mentira “para dentro”. Flávio mentiu para a sociedade brasileira sobre Vorcaro, jatinho, registros de balas policiais... e continua mentindo sobre “Dark Horse”. Mas seus dois erros mortais foram mentir sobre a fuga e se declarar presidente do Brasil em solo americano.

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Na véspera de meter a família numa aventura sem volta, Flávio postou nas redes sociais, com a cara mais limpa, mais descarada, que “jamais pensou em deixar o Brasil (ainda com S)”, enganando todos os eleitores, em especial os seus.

Pior: além dos eleitores, que já eram laranjas chupadas, ele mentiu para os coordenadores de sua campanha e os aliados de primeira hora, ou jurando que não pretendia se evadir ou simplesmente não atendendo a seus insistentes telefonemas. Enquanto fugia de avião, seu entorno mais fiel ficava a ver navios.

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Não bastasse, o candidato derrotado fez aquele pronunciamento declarando-se presidente do Brasil e teve de trocar “presidente” por “líder” rapidinho, confirmando, pela enésima e talvez última vez, que não tem as mínimas condições de ser uma coisa nem outra. Flávio ficou falando sozinho e uma onda de alívio atravessou o Brasil.

Sua derradeira cartada é mais uma farsa. Donald Trump tem mais com o que se preocupar, a sua própria derrota na próxima terça-feira, e suas declarações, apesar de jogando suspeitas sobre o resultado brasileiro, vêm sendo acompanhadas de recados elegantes para Lula: “gosto dele”, “vou falar com ele”.

Presidentes, primeiros-ministros e líderes da América Latina, da Europa e do mundo inteiro não apenas reconheceram como comemoraram a vitória de Lula. E não só eles. Democratas, humanistas, jovens, ambientalistas... lotaram a internet com alento: a vitória não foi só do Brasil, foi da democracia no mundo. Você perdeu, Flávio! Vocês perderam, Bolsonaros!

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Governador afirma, no entanto, que não julga a decisão do aliado

Com a sua fuga patética para os braços de Donald Trump e para o antro do sempre equivocado irmão Eduardo, Flávio Bolsonaro uniu o mundo político num rechaço uníssono, deu o pretexto que a direita precisava para negociar com Lula e isolou o bolsonarismo mais danoso no Congresso. É a volta da normalidade, com suas qualidades e defeitos, mas democrática.

Presentão para os 81 anos de Lula, que entra no quarto mandato mais aliviado e com mais equilíbrio e sensatez na Câmara e no Senado. Presentão, também, para Tarcísio de Freitas, que está livre para tomar seu rumo. Com uma ressalva conveniente daqui, outra dali, para não magoar Jair Bolsonaro, ele já está em plena campanha.

Os Bolsonaro são mesmo impressionantes. Quando Lula estava no fundo do poço, deram o discurso da soberania. No primeiro turno, vieram com bandeiras dos EUA e Israel nos atos públicos e ainda capricharam com um foguete inflável onde se lia “Trump nuke Brazil (Trump, exploda o Brasil). No segundo, o maravilhoso mundo de Flávio Bolsonaro fez a festa da campanha lulista.

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami após fugir do Brasil, passar pela Argentina e se abrigar nos Estados Unidos Foto: Marta Lavandier/AP Photo

Deus, Pátria e Família? Não. Vorcaro e Willer Tomaz, Trump e Milei e farras de arromba em iates e apartamentos milionários, com quem acertava compra de vacinas não aprovadas no Brasil nem no seu país de origem ou com quem mantinha sociedades ocultas, até contas na Ilha da Madeira

Nada, porém, poderia ser mais espetacular do que a fuga, jogando fora 60 milhões de votos, a responsabilidade que um líder tem de ter, a unidade de seu campo político e a fidelidade dos eleitos no Congresso e nos Estados na onda bolsonarista.

Se há algo imperdoável na política é a mentira “para dentro”. Flávio mentiu para a sociedade brasileira sobre Vorcaro, jatinho, registros de balas policiais... e continua mentindo sobre “Dark Horse”. Mas seus dois erros mortais foram mentir sobre a fuga e se declarar presidente do Brasil em solo americano.

Na véspera de meter a família numa aventura sem volta, Flávio postou nas redes sociais, com a cara mais limpa, mais descarada, que “jamais pensou em deixar o Brasil (ainda com S)”, enganando todos os eleitores, em especial os seus.

Pior: além dos eleitores, que já eram laranjas chupadas, ele mentiu para os coordenadores de sua campanha e os aliados de primeira hora, ou jurando que não pretendia se evadir ou simplesmente não atendendo a seus insistentes telefonemas. Enquanto fugia de avião, seu entorno mais fiel ficava a ver navios.

Não bastasse, o candidato derrotado fez aquele pronunciamento declarando-se presidente do Brasil e teve de trocar “presidente” por “líder” rapidinho, confirmando, pela enésima e talvez última vez, que não tem as mínimas condições de ser uma coisa nem outra. Flávio ficou falando sozinho e uma onda de alívio atravessou o Brasil.

Sua derradeira cartada é mais uma farsa. Donald Trump tem mais com o que se preocupar, a sua própria derrota na próxima terça-feira, e suas declarações, apesar de jogando suspeitas sobre o resultado brasileiro, vêm sendo acompanhadas de recados elegantes para Lula: “gosto dele”, “vou falar com ele”.

Presidentes, primeiros-ministros e líderes da América Latina, da Europa e do mundo inteiro não apenas reconheceram como comemoraram a vitória de Lula. E não só eles. Democratas, humanistas, jovens, ambientalistas... lotaram a internet com alento: a vitória não foi só do Brasil, foi da democracia no mundo. Você perdeu, Flávio! Vocês perderam, Bolsonaros!

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Com a sua fuga patética para os braços de Donald Trump e para o antro do sempre equivocado irmão Eduardo, Flávio Bolsonaro uniu o mundo político num rechaço uníssono, deu o pretexto que a direita precisava para negociar com Lula e isolou o bolsonarismo mais danoso no Congresso. É a volta da normalidade, com suas qualidades e defeitos, mas democrática.

Presentão para os 81 anos de Lula, que entra no quarto mandato mais aliviado e com mais equilíbrio e sensatez na Câmara e no Senado. Presentão, também, para Tarcísio de Freitas, que está livre para tomar seu rumo. Com uma ressalva conveniente daqui, outra dali, para não magoar Jair Bolsonaro, ele já está em plena campanha.

Os Bolsonaro são mesmo impressionantes. Quando Lula estava no fundo do poço, deram o discurso da soberania. No primeiro turno, vieram com bandeiras dos EUA e Israel nos atos públicos e ainda capricharam com um foguete inflável onde se lia “Trump nuke Brazil (Trump, exploda o Brasil). No segundo, o maravilhoso mundo de Flávio Bolsonaro fez a festa da campanha lulista.

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami após fugir do Brasil, passar pela Argentina e se abrigar nos Estados Unidos Foto: Marta Lavandier/AP Photo

Deus, Pátria e Família? Não. Vorcaro e Willer Tomaz, Trump e Milei e farras de arromba em iates e apartamentos milionários, com quem acertava compra de vacinas não aprovadas no Brasil nem no seu país de origem ou com quem mantinha sociedades ocultas, até contas na Ilha da Madeira

Nada, porém, poderia ser mais espetacular do que a fuga, jogando fora 60 milhões de votos, a responsabilidade que um líder tem de ter, a unidade de seu campo político e a fidelidade dos eleitos no Congresso e nos Estados na onda bolsonarista.

Se há algo imperdoável na política é a mentira “para dentro”. Flávio mentiu para a sociedade brasileira sobre Vorcaro, jatinho, registros de balas policiais... e continua mentindo sobre “Dark Horse”. Mas seus dois erros mortais foram mentir sobre a fuga e se declarar presidente do Brasil em solo americano.

Na véspera de meter a família numa aventura sem volta, Flávio postou nas redes sociais, com a cara mais limpa, mais descarada, que “jamais pensou em deixar o Brasil (ainda com S)”, enganando todos os eleitores, em especial os seus.

Pior: além dos eleitores, que já eram laranjas chupadas, ele mentiu para os coordenadores de sua campanha e os aliados de primeira hora, ou jurando que não pretendia se evadir ou simplesmente não atendendo a seus insistentes telefonemas. Enquanto fugia de avião, seu entorno mais fiel ficava a ver navios.

Não bastasse, o candidato derrotado fez aquele pronunciamento declarando-se presidente do Brasil e teve de trocar “presidente” por “líder” rapidinho, confirmando, pela enésima e talvez última vez, que não tem as mínimas condições de ser uma coisa nem outra. Flávio ficou falando sozinho e uma onda de alívio atravessou o Brasil.

Sua derradeira cartada é mais uma farsa. Donald Trump tem mais com o que se preocupar, a sua própria derrota na próxima terça-feira, e suas declarações, apesar de jogando suspeitas sobre o resultado brasileiro, vêm sendo acompanhadas de recados elegantes para Lula: “gosto dele”, “vou falar com ele”.

Presidentes, primeiros-ministros e líderes da América Latina, da Europa e do mundo inteiro não apenas reconheceram como comemoraram a vitória de Lula. E não só eles. Democratas, humanistas, jovens, ambientalistas... lotaram a internet com alento: a vitória não foi só do Brasil, foi da democracia no mundo. Você perdeu, Flávio! Vocês perderam, Bolsonaros!

Opinião por Eliane Cantanhêde

Também é comentarista da Rádio Jornal (PE)

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