Disputas de poder e o debate político-cultural brasileiro

Opinião|PT delineia estratégia para tentar massacrar Flávio Bolsonaro


Enriquecimento ilícito do senador via rachadinhas, tentativa de vincular o candidato do PL à subserviência ao governo do americano Donald Trump e tradicional recuperação da luta de classes estão no plano traçado pelo partido

Por Fabiano Lana

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Com desgaste de Lula e avanço do senador nas pesquisas, partido faz ofensiva para colar marca da corrupção no bolsonarismo

Seja pelo discurso do ex-ministro de Lula, José Dirceu, na comemoração de seus 80 anos, seja na resolução divulgada nesta terça-feira, 17, o Partido dos Trabalhadores traça suas linhas contra a ameaça do oponente Flávio Bolsonaro, em empate técnico nas pesquisas de opinião. Que haverá bombardeio em relação às suspeitas de enriquecimento ilícito via rachadinhas, ninguém tem dúvidas. Mas existirá também a tradicional recuperação da luta de classes, somada com uma tentativa de vincular o candidato do PL à subserviência ao governo do americano Donald Trump.

O PT nunca foi dado a muitas sutilezas quando o objetivo é vencer eleições. Transforma-se em uma batalha do bem contra o mal, onde eles, claro, são o bem. Quem está contra o petismo representa as elites, o racismo, o desprezo aos necessitados, o onipresente fascismo e coisa pior. Funcionou bastante em todas as eleições contra os tucanos na era pós-Fernando Henrique Cardoso.

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O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula vão se enfrentar nas urnas em outubro Foto: Wilton Junior/Estadão

Deu errado contra Jair Bolsonaro, mas voltará contra o primogênito Flávio: “Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los”, diz a resolução. O velho PT de sempre usa suas armas de dividir o País no “nós contra eles”.

José Dirceu, por sua vez, já avisou que não haverá “Lula paz e amor” em 2026, como se esse personagem tivesse algum dia existido. “O Brasil governado por ele (Flávio Bolsonaro) será governado pelo Trump e pelos interesses dos Estados Unidos”, destacou Dirceu. “O que está em jogo é a soberania do Brasil”, completou. Está claro que haverá uma nova cisão aí, entre os “soberanos” e os “subservientes”.

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E o caso Master, o que o PT fará? O mesmo que a oposição, porém com sinal trocado. Irá higienizar a história do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, retirando as referências ao partido e aos ministros do Supremo Tribunal Federal, tidos como aliados de ocasião. Se possível, vincular o escândalo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. “Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira”, afirma a resolução, em seu item “5”, que traz uma síntese da estratégia.

Dará certo? Só o tempo dirá. Hoje, as maiores forças políticas do Brasil possuem uma enorme dificuldade para falar para quem não é convertido. O bolsonarismo, nesse sentido, é um espelho invertido das estratégias agressivas.

A disputa de votos, entretanto, é por uma fração restrita do eleitorado. Gente moderada de centro desprezada por ambos os lados, mas que não costuma ser seduzida por discursos histriônicos ou reducionistas.

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Com desgaste de Lula e avanço do senador nas pesquisas, partido faz ofensiva para colar marca da corrupção no bolsonarismo

Seja pelo discurso do ex-ministro de Lula, José Dirceu, na comemoração de seus 80 anos, seja na resolução divulgada nesta terça-feira, 17, o Partido dos Trabalhadores traça suas linhas contra a ameaça do oponente Flávio Bolsonaro, em empate técnico nas pesquisas de opinião. Que haverá bombardeio em relação às suspeitas de enriquecimento ilícito via rachadinhas, ninguém tem dúvidas. Mas existirá também a tradicional recuperação da luta de classes, somada com uma tentativa de vincular o candidato do PL à subserviência ao governo do americano Donald Trump.

O PT nunca foi dado a muitas sutilezas quando o objetivo é vencer eleições. Transforma-se em uma batalha do bem contra o mal, onde eles, claro, são o bem. Quem está contra o petismo representa as elites, o racismo, o desprezo aos necessitados, o onipresente fascismo e coisa pior. Funcionou bastante em todas as eleições contra os tucanos na era pós-Fernando Henrique Cardoso.

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula vão se enfrentar nas urnas em outubro Foto: Wilton Junior/Estadão

Deu errado contra Jair Bolsonaro, mas voltará contra o primogênito Flávio: “Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los”, diz a resolução. O velho PT de sempre usa suas armas de dividir o País no “nós contra eles”.

José Dirceu, por sua vez, já avisou que não haverá “Lula paz e amor” em 2026, como se esse personagem tivesse algum dia existido. “O Brasil governado por ele (Flávio Bolsonaro) será governado pelo Trump e pelos interesses dos Estados Unidos”, destacou Dirceu. “O que está em jogo é a soberania do Brasil”, completou. Está claro que haverá uma nova cisão aí, entre os “soberanos” e os “subservientes”.

E o caso Master, o que o PT fará? O mesmo que a oposição, porém com sinal trocado. Irá higienizar a história do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, retirando as referências ao partido e aos ministros do Supremo Tribunal Federal, tidos como aliados de ocasião. Se possível, vincular o escândalo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. “Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira”, afirma a resolução, em seu item “5”, que traz uma síntese da estratégia.

Dará certo? Só o tempo dirá. Hoje, as maiores forças políticas do Brasil possuem uma enorme dificuldade para falar para quem não é convertido. O bolsonarismo, nesse sentido, é um espelho invertido das estratégias agressivas.

A disputa de votos, entretanto, é por uma fração restrita do eleitorado. Gente moderada de centro desprezada por ambos os lados, mas que não costuma ser seduzida por discursos histriônicos ou reducionistas.

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Com desgaste de Lula e avanço do senador nas pesquisas, partido faz ofensiva para colar marca da corrupção no bolsonarismo

Seja pelo discurso do ex-ministro de Lula, José Dirceu, na comemoração de seus 80 anos, seja na resolução divulgada nesta terça-feira, 17, o Partido dos Trabalhadores traça suas linhas contra a ameaça do oponente Flávio Bolsonaro, em empate técnico nas pesquisas de opinião. Que haverá bombardeio em relação às suspeitas de enriquecimento ilícito via rachadinhas, ninguém tem dúvidas. Mas existirá também a tradicional recuperação da luta de classes, somada com uma tentativa de vincular o candidato do PL à subserviência ao governo do americano Donald Trump.

O PT nunca foi dado a muitas sutilezas quando o objetivo é vencer eleições. Transforma-se em uma batalha do bem contra o mal, onde eles, claro, são o bem. Quem está contra o petismo representa as elites, o racismo, o desprezo aos necessitados, o onipresente fascismo e coisa pior. Funcionou bastante em todas as eleições contra os tucanos na era pós-Fernando Henrique Cardoso.

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula vão se enfrentar nas urnas em outubro Foto: Wilton Junior/Estadão

Deu errado contra Jair Bolsonaro, mas voltará contra o primogênito Flávio: “Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los”, diz a resolução. O velho PT de sempre usa suas armas de dividir o País no “nós contra eles”.

José Dirceu, por sua vez, já avisou que não haverá “Lula paz e amor” em 2026, como se esse personagem tivesse algum dia existido. “O Brasil governado por ele (Flávio Bolsonaro) será governado pelo Trump e pelos interesses dos Estados Unidos”, destacou Dirceu. “O que está em jogo é a soberania do Brasil”, completou. Está claro que haverá uma nova cisão aí, entre os “soberanos” e os “subservientes”.

E o caso Master, o que o PT fará? O mesmo que a oposição, porém com sinal trocado. Irá higienizar a história do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, retirando as referências ao partido e aos ministros do Supremo Tribunal Federal, tidos como aliados de ocasião. Se possível, vincular o escândalo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. “Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira”, afirma a resolução, em seu item “5”, que traz uma síntese da estratégia.

Dará certo? Só o tempo dirá. Hoje, as maiores forças políticas do Brasil possuem uma enorme dificuldade para falar para quem não é convertido. O bolsonarismo, nesse sentido, é um espelho invertido das estratégias agressivas.

A disputa de votos, entretanto, é por uma fração restrita do eleitorado. Gente moderada de centro desprezada por ambos os lados, mas que não costuma ser seduzida por discursos histriônicos ou reducionistas.

Opinião por Fabiano Lana

Fabiano Lana é formado em Comunicação Social pela UFMG e em Filosofia pela UnB, onde também tem mestrado na área. Foi repórter do Jornal do Brasil, entre outros veículos. Atua como consultor de comunicação. É autor do livro "Brasil acima da lucidez", em que discute a política, a história, a cultura e a sociedade brasileira.

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