A política sem segredos

Opinião|O risco de Flávio agir como ‘playboy da Barra’ para enfrentar Lula em novo debate


Senador do PL e presidente do PT voltam a se enfrentar na TV Globo no último confronto antes do voto

Por Francisco Leali

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Senador do PL e presidente do PT volta a se enfrentar na TV Globo no último confronto antes do voto

Do primeiro encontro não dá para esquecer. Quando estiveram frente a frente no debate Band/Estadão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro protagonizaram uma infâmia televisiva.

Quem assistiu, seja da coloração política que for, saiu convencido de que o desempenho dos dois pode ter mais afugentado eleitores do que atraído.

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Na Band, o petista estava preparado para um debate convencional. Foi treinado para apresentar perguntas que poderiam expor fragilidades do adversário. Já o senador do PL parecia ter como coaches Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, mestres da escola da lacração digital, mesmo que os escrúpulos sejam mandados às favas.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência Foto: Werther Santana/Estadão

Para cada pergunta de Lula, Flávio tinha uma não resposta. No revide, jogou na cara do presidente da República a suspeita de tráfico de influência envolvendo a lobista e seu filho Lulinha.

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O filho de Jair Bolsonaro insistiu tanto no personagem amolecado que Lula o chamou de “malandro carioca”. A irritação do petista acabou marcando sua atuação na maioria do embate. Impediu que o político que já enfrentou Collor, Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro soubesse por a bola no chão.

Lula perdeu o timing de expor as lacrações publicamente lembrando ao eleitor que está em jogo a presidência da República e não um concurso de engajamento, cliques e likes. O cargo é para ser levado a sério.

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O ápice das gracinhas fora de hora veio na pergunta de Lula sobre a falta de vacinas na pandemia no governo do pai de Flávio. No começo, o senador ensaiou o reconhecimento de equívocos, mas tinha que terminar dizendo que Lula vacinado era como se tivesse um ‘bolsonaro dentro’ do petista? O assunto também era para ter sido levado a sério.

Nos pós-debate, Flávio tentou buscar um discurso, mas não encontrou. Lula insistiu na história do desafio factóide de abrir o sigilo. O senador capitulou e assinou um acordo sobre o tema que tem tudo para não ser nada além de mais uma peça da campanha eleitoral. Vale mais pelo simbolismo do que pelos resultados.

Os dois voltam a se encontrar nesta sexta-feira na TV Globo. Se Flávio Bolsonaro repetir o personagem corre o risco de posar para parte da população como um ‘playboy da Barra’ que quer brincar de ser presidente.

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Já Lula precisará convencer o indeciso, se é que este estará assistindo a TV, de que não virou um político com validade vencida.

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Senador do PL e presidente do PT volta a se enfrentar na TV Globo no último confronto antes do voto

Do primeiro encontro não dá para esquecer. Quando estiveram frente a frente no debate Band/Estadão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro protagonizaram uma infâmia televisiva.

Quem assistiu, seja da coloração política que for, saiu convencido de que o desempenho dos dois pode ter mais afugentado eleitores do que atraído.

Na Band, o petista estava preparado para um debate convencional. Foi treinado para apresentar perguntas que poderiam expor fragilidades do adversário. Já o senador do PL parecia ter como coaches Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, mestres da escola da lacração digital, mesmo que os escrúpulos sejam mandados às favas.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência Foto: Werther Santana/Estadão

Para cada pergunta de Lula, Flávio tinha uma não resposta. No revide, jogou na cara do presidente da República a suspeita de tráfico de influência envolvendo a lobista e seu filho Lulinha.

O filho de Jair Bolsonaro insistiu tanto no personagem amolecado que Lula o chamou de “malandro carioca”. A irritação do petista acabou marcando sua atuação na maioria do embate. Impediu que o político que já enfrentou Collor, Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro soubesse por a bola no chão.

Lula perdeu o timing de expor as lacrações publicamente lembrando ao eleitor que está em jogo a presidência da República e não um concurso de engajamento, cliques e likes. O cargo é para ser levado a sério.

O ápice das gracinhas fora de hora veio na pergunta de Lula sobre a falta de vacinas na pandemia no governo do pai de Flávio. No começo, o senador ensaiou o reconhecimento de equívocos, mas tinha que terminar dizendo que Lula vacinado era como se tivesse um ‘bolsonaro dentro’ do petista? O assunto também era para ter sido levado a sério.

Nos pós-debate, Flávio tentou buscar um discurso, mas não encontrou. Lula insistiu na história do desafio factóide de abrir o sigilo. O senador capitulou e assinou um acordo sobre o tema que tem tudo para não ser nada além de mais uma peça da campanha eleitoral. Vale mais pelo simbolismo do que pelos resultados.

Os dois voltam a se encontrar nesta sexta-feira na TV Globo. Se Flávio Bolsonaro repetir o personagem corre o risco de posar para parte da população como um ‘playboy da Barra’ que quer brincar de ser presidente.

Já Lula precisará convencer o indeciso, se é que este estará assistindo a TV, de que não virou um político com validade vencida.

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Senador do PL e presidente do PT volta a se enfrentar na TV Globo no último confronto antes do voto

Do primeiro encontro não dá para esquecer. Quando estiveram frente a frente no debate Band/Estadão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro protagonizaram uma infâmia televisiva.

Quem assistiu, seja da coloração política que for, saiu convencido de que o desempenho dos dois pode ter mais afugentado eleitores do que atraído.

Na Band, o petista estava preparado para um debate convencional. Foi treinado para apresentar perguntas que poderiam expor fragilidades do adversário. Já o senador do PL parecia ter como coaches Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, mestres da escola da lacração digital, mesmo que os escrúpulos sejam mandados às favas.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência Foto: Werther Santana/Estadão

Para cada pergunta de Lula, Flávio tinha uma não resposta. No revide, jogou na cara do presidente da República a suspeita de tráfico de influência envolvendo a lobista e seu filho Lulinha.

O filho de Jair Bolsonaro insistiu tanto no personagem amolecado que Lula o chamou de “malandro carioca”. A irritação do petista acabou marcando sua atuação na maioria do embate. Impediu que o político que já enfrentou Collor, Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro soubesse por a bola no chão.

Lula perdeu o timing de expor as lacrações publicamente lembrando ao eleitor que está em jogo a presidência da República e não um concurso de engajamento, cliques e likes. O cargo é para ser levado a sério.

O ápice das gracinhas fora de hora veio na pergunta de Lula sobre a falta de vacinas na pandemia no governo do pai de Flávio. No começo, o senador ensaiou o reconhecimento de equívocos, mas tinha que terminar dizendo que Lula vacinado era como se tivesse um ‘bolsonaro dentro’ do petista? O assunto também era para ter sido levado a sério.

Nos pós-debate, Flávio tentou buscar um discurso, mas não encontrou. Lula insistiu na história do desafio factóide de abrir o sigilo. O senador capitulou e assinou um acordo sobre o tema que tem tudo para não ser nada além de mais uma peça da campanha eleitoral. Vale mais pelo simbolismo do que pelos resultados.

Os dois voltam a se encontrar nesta sexta-feira na TV Globo. Se Flávio Bolsonaro repetir o personagem corre o risco de posar para parte da população como um ‘playboy da Barra’ que quer brincar de ser presidente.

Já Lula precisará convencer o indeciso, se é que este estará assistindo a TV, de que não virou um político com validade vencida.

Opinião por Francisco Leali

Coordenador na Sucursal do Estadão em Brasília. Jornalista, Doutor em Comunicação e pesquisador dedicado a temas de transparência pública.

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