Apesar de quatro senadores do PMDB terem manifestado à bancada o desejo de disputar a presidência do Senado, o nome mais forte entre os governistas e que tem o apoio do Planalto é o peemedebista José Sarney (AP). As articulações em favor do senador ganharam fôlego nesta quarta-feira, 5, entre aliados do governo e serão reforçadas até terça-feira, quando a bancada do PMDB voltará a se reunir para definir o candidato ao comando do Senado. Veja também: Cronologia do caso Entenda os processos contra Renan PMDB tem quatro nomes a suceder Renan; Lula opina Segundo fontes do PMDB, Sarney é a pessoa ideal para ocupar a presidência por um ano, fazer a transição e restabelecer o clima amistoso na Casa. Para ganhar tempo e prosseguir nas conversas, a bancada preferiu adiar para a próxima terça-feira a escolha do candidato. Estrategicamente, Sarney saiu no meio da reunião da bancada, juntamente com a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), mas antes fez um rápido discurso em defesa da manutenção do cargo para o partido, seguindo a tradição. Mesmo durante o encontro, o senador não defendeu nenhum dos quatro senadores - GaribaldiAlves (RN), Neuto de Conto (SC), Valter Pereira (MS) e Leomar Quintanilha (TO) - que apresentaram suas candidaturas à bancada. A idéia dos aliados do Planalto é reforçar as negociações em torno do nome de Sarney junto aos partidos de oposição, sobretudo do PSDB. O maior empecilho é o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), mas o ex-presidente da República tem boas relações com outros senadores tucanos. No Democratas e nos partidos da base governista Sarney não tem resistência. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que seu partido vai apoiar a escolha do PMDB, mas vê com bons olhos a candidatura de Sarney para a volta da normalidade do Senado. Um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarney tem repetido que não deseja o cargo, pois pretende se dedicar à literatura e que já não tem mais idade para mediar e enfrentar os grandes embates do Senado. Mas seus amigos lembram, entretanto, que essa sempre foi a estratégia de Sarney: só aceitará o cargo se for um nome de consenso. Assim aconteceu nas outras vezes em que se elegeu para a presidência do Senado.