O Distrito Anhembi, na Marginal Tietê, zona norte de São Paulo, avançou no plano de ter uma arena de eventos multiuso dentro do seu complexo, atualmente concedido à iniciativa privada. A proposta é construir um espaço que possa sediar shows e eventos e, em curto intervalo de tempo, ser desmontado e adaptado para receber, por exemplo, jogos esportivos com um público que pode variar de, aproximadamente, 20 mil a 35 mil pessoas.
O Estadão teve acesso ao projeto arquitetônico do empreendimento, batizado de Arena São Paulo e apresentado como a primeira arena indoor de shows da capital. Segundo os gestores, ainda falta o licenciamento para as obras começarem. Procurada pela reportagem para comentar o projeto, a Prefeitura informou, via Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), que consta em análise pedido de Alvará de Aprovação e Execução de Reforma para a arena.
“Projetos de requalificação como o mencionado contribuem para a qualificação do espaço urbano e desenvolvimento da cidade”, disse a administração em nota.
A expectativa é de que a Arena São Paulo comece a ser construída no 1º semestre deste ano e seja entregue em 2027. Ela ficará próxima de onde se realiza a concentração do Sambódromo, em uma área chamada de “antiga Engenharia” da sede da SPTuris, cujo espaço também poderá ser aproveitado para apresentações externas. Para isso, será usado um palco reversível.
Entre todas as configurações que ela poderá tomar, incluindo jogos com arquibancadas, shows com e sem pista, além de apresentações voltadas para para a parte de fora, o espaço terá capacidade de público que vai variar entre 20,7 mil (assentos, quando o evento não tiver pista) até 40 mil pessoas, no caso de apresentações outdoor. A capacidade de dentro da arena, contabilizando o espaço da pista, poderá ser de até 35 mil lugares.
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O projeto prevê a construção de 41 camarotes, que ficarão na área superior da arena, além de lounges, lojas e área de backstage que serão distribuídos por três pavimentos dentro de uma área construída de mais de 43 mil m². O investimento girará em torno de R$ 500 milhões e a gestão do local será feita pela REVEE Real Estate Venues & Entertainment, empresa multinacional especializada em administrar arenas multiuso.
“O espaço é uma arena indoor, climatizada, fechada, numa vivência para até 30 e poucas mil pessoas. E ela também pode ser um equipamento outdoor. Ou seja, a gente consegue rebater o palco para uma parte externa, onde fica a concentração do Sambódromo”, explica Luis Davantel, CEO da Revee.
A proposta, diz o empresário, é que o espaço possa ser híbrido, com capacidade de ser montado para uma apresentação musical no sábado à noite e ser rapidamente desmontado e readequado para um eventual jogo esportivo no domingo de manhã. “Tudo isso foi programado, pensado e gerado para essa possibilidade”, afirma.
Para fazer a transformação rápida de cenários, o projeto foi desenvolvido de forma que sistemas de som e luz fiquem prontos e suspensos para uso, e que toda a estrutura das arquibancadas e palcos sejam removíveis e guardados dentro da própria arena.
“A gente ganha celeridade, podendo ter os equipamentos estocados dentro do próprio local, guardados e ocupados de forma racional”, afirma Devantel. “Quando for fazer um grande show, as caixas de som e led já vão estar prontas e feitas A arena vai poder mudar o set up de uso dela em quatro, cinco horas.”
O projeto arquitetônico é assinado pelo escritório JLM, do arquiteto Jayme Lago Mestieri. “A Arena São Paulo é mais que um espaço para eventos; é um organismo vivo que se integra à cidade”, afirma Mestieri.
O Distrito Anhembi é administrado pela GL Events, empresa multinacional que firmou com a Prefeitura da capital, em 2021, um contrato de concessão para fazer a gestão, manutenção e a exploração do espaço pelos próximos 30 anos.
A entrega do espaço à iniciativa privada fez parte do programa municipal de desestatização. Após uma série de reformas, o local foi reinaugurado em junho do ano passado e já vem servindo de sede para congressos e feiras, como a Bienal do Livro de São Paulo, realizada em setembro.
Na avaliação de Davantel, da Revee, a construção da nova arena é uma oportunidade de conectá-la com os demais espaços do Distrito Anhembi, como pavilhões e até o Sambódromo. Isso incrementaria a experiência de quem já está participando de alguns desses eventos no complexo.
“Há Feira do Livro, Salão do Automóvel, congressos acontecendo (no Distrito Anhembi), que você pode, de forma sinérgica, preparar eventos na Arena São Paulo para o público que já está lá”, acrescenta.
Milena Palumbo, CEO da GL Events, afirma que a expectativa é de que as operações, em conjunto, possam movimentar cerca de 5 R$ bilhões por ano na cidade. “Com a implantação da nova arena, amplia-se a oferta ao mercado de shows e esporte, tornando São Paulo um polo cada vez mais estratégico nacional e internacionalmente”, diz.
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CEO mira trazer até jogos da NBA
Davantel afirma que há negociações com a NBA para que São Paulo seja sede de alguns jogos da principal liga de basquete do mundo. Procurada pela reportagem, a entidade americana não comentou sobre possíveis negociações, disse que não há planos para isso no momento, mas comentou a viabilidade da proposta de trazer partidas.
Mark Tatum, comissário adjunto e diretor de operações da NBA, afirmou que é viável fazer jogos na América do Sul, apesar do calendário enxuto da liga, com poucos dias para o excesso de partidas - são 82 jogos em 172 dias. “Quando tira esses dias de viagem, isso condensa a programação. A boa notícia é que em alguns lugares da América do Sul a viagem não é tão longa quanto seria na Ásia. Então, é viável”, disse ao Estadão.
Entre 2013 e 2015, o Brasil já sediou, no Rio de Janeiro, partidas do período que antecedem os jogos oficiais da NBA. Mas, se as negociações realmente avançarem, a chance maior é de que São Paulo receba jogos da pré-temporada da NBA, e não partidas oficiais da liga.
Na avaliação do CEO da Revee, a Arena São Paulo poderá ainda sediar eventos esportivos da liga brasileira de basquete, NBB, mas também de outras modalidades, como vôlei, futsal e tênis. Lutas do UFC (sigla em inglês Ultimate Fighting Championship), a maior organização de artes marciais do mundo, também são esperadas. São Paulo já sediou o mesmo evento no Parque do Ibirapuera, na zona sul, em anos anteriores.
Aprovações da Prefeitura e SPTuris
A Revee apresentou o projeto arquitetônico à Prefeitura de São Paulo e à SPTuris, empresa de turismo da capital responsável pela organização e promoção de eventos na cidade.
Gustavo Pires, diretor-presidente da SPTuris, a construção da arena pode tornar o Distrito Anhembi um dos maiores centros de entretenimento do mundo. “Este projeto será fundamental para o crescimento econômico de São Paulo”, afirma. “O projeto está passando pelo processo de licenciamento e, licenciado, começam as obras”, acrescenta.