Doença rara do sistema nervoso exige atenção constante e pode deixar sequelas


Neuromielite óptica é uma condição autoimune que provoca inflamações e exige tratamento contínuo para reduzir surtos

Por Estadão Blue Studio

Em 2009, aos 29 anos, Janaina de Jesus viu sua rotina ser interrompida de forma abrupta, com a fraqueza em uma das pernas evoluindo rapidamente, sem explicação aparente. Primeiro, veio a dificuldade para caminhar. Depois, a perda de força. Em pouco tempo, já não conseguia mais se manter em pé. “Minhas pernas simplesmente pararam de responder. Eu tentava andar e não conseguia. Comecei a me arrastar dentro de casa, sem entender o que estava acontecendo”, relembra.

Vieram, então, as internações, os exames e muitas hipóteses que não se confirmavam. Apenas meses depois, o diagnóstico de neuromielite óptica (NMO) foi cravado, uma doença autoimune rara que atinge o sistema nervoso central.

Neuromielite óptica é uma condição autoimune que provoca inflamações e exige tratamento contínuo para reduzir surtos Foto: Getty Images

Por dentro da neuromielite óptica

A NMO provoca inflamações que atingem principalmente os nervos ópticos e a medula espinhal, comprometendo funções essenciais como visão, força muscular e sensibilidade. A doença ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, levando a episódios inflamatórios que podem causar perda de visão, fraqueza nos membros, dor e até paralisia.1

Na prática, o paciente vive sem saber quando ou como a doença vai se manifestar novamente. “Você nunca relaxa completamente. Qualquer sinal diferente no corpo já vira um alerta. Uma dor, um formigamento, uma alteração na visão. Tudo pode ser o começo de um novo surto”, explica a neurologista Juliana Khouri, da Oncoclínicas.

A NMO é uma doença inflamatória do sistema nervoso central que pode ter uma evolução bastante agressiva. Diferentemente de outras condições neurológicas, cada surto pode trazer um impacto importante e, muitas vezes, irreversível para o paciente.

Juliana Khouri, neurologista da Oncoclínicas

No Brasil, estima-se que entre 4 mil e 7 mil pessoas convivam com a condição2 — um número pequeno, mas suficiente para revelar os desafios de uma doença ainda pouco conhecida e sem cura. “O tratamento não elimina a doença, mas controla a atividade inflamatória. O objetivo é reduzir a frequência e a intensidade dos surtos, porque cada episódio pode gerar uma sequela permanente. Por isso, a adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo são fundamentais”, afirma Juliana.

Janaina passou por diferentes fases terapêuticas ao longo dos anos. No início, recebeu altas doses de corticoide, abordagem comum em fases agudas. O efeito colateral, porém, foi severo. “Tive necrose nas articulações por causa do corticoide e precisei colocar três próteses. Foi muito difícil, porque, além de lidar com a doença, tive que enfrentar uma cirurgia e uma nova limitação física.”

Com o avanço do tratamento, passou a usar imunobiológicos — terapias mais direcionadas, capazes de estabilizar o quadro.

Depois que comecei o tratamento certo, há 12 anos, a doença entrou em remissão. Eu consegui recuperar minha autonomia e retomar a rotina.

Janaina de Jesus, paciente de neuromielite óptica (NMO)

Vigilância constante

Mesmo nos períodos de estabilidade, a doença não desaparece. “A remissão não significa cura. O paciente continua convivendo com a possibilidade de novos episódios e precisa manter acompanhamento regular, com exames e avaliações periódicas”, explica Juliana.

Essa condição transforma a relação com o próprio corpo. Janaina conta que aprendeu a observar tudo. “Antes, uma dor era só uma dor. Hoje, qualquer coisa pode significar algo maior. É um estado de atenção constante.” Após mais de uma década estável, ela voltou a vivenciar um surto em 2024. “É como se o chão abrisse de novo. Pensei: ‘vai começar tudo outra vez?’. Dá medo, porque já sei até onde isso pode chegar.”

Mesmo com o quadro controlado, Janaina convive com dor crônica, limitações físicas e consequências tanto da doença quanto do tratamento. “Eu tenho limitações, mas consegui recuperar uma qualidade de vida muito grande. Quem me vê hoje não imagina tudo o que aconteceu.”

Cuidado multidisciplinar

Conviver com uma doença rara também exige navegar por um sistema de saúde nem sempre preparado. “O acompanhamento ideal inclui uma equipe multidisciplinar e acesso a especialistas que conheçam bem a doença. Nem sempre isso está disponível de forma uniforme”, diz Alexandre Bossoni, neurologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas.

Para o paciente, isso significa aprender a buscar e reconhecer o cuidado adequado. “É preciso encontrar os médicos certos, entender o tratamento, acompanhar exames. Não dá para ser passivo. Eu precisei aprender tudo isso ao longo do caminho”, diz Janaina. Ao longo dos anos, ela incorporou novos hábitos à rotina: atividade física, fisioterapia e acompanhamento psicológico.

Com o tempo, eu entendi que não é só o remédio. É um conjunto. Corpo, mente e espiritualidade precisam estar em equilíbrio para conseguir lidar com a doença.

Janaina de Jesus, paciente de neuromielite óptica (NMO)

Quase 20 anos depois dos primeiros sintomas, a paciente mantém acompanhamento contínuo. “Sem tratamento, provavelmente eu já teria morrido ou estaria em uma cadeira de rodas. Hoje eu tenho qualidade de vida, mas é rotina que exige cuidado constante”, conclui.

Nas doenças inflamatórias do sistema nervoso, o dano pode ser acumulativo, e isso impacta diretamente a funcionalidade e a autonomia do paciente ao longo do tempo. O manejo adequado envolve monitoramento frequente, ajustes de tratamento e, muitas vezes, uma abordagem multidisciplinar. Não é um cuidado pontual, é um cuidado para toda a vida

Alexandre Bossoni, neurologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas

Referências

¹Mayo Clinic. Neuromyelitis optica (Devic’s disease): diagnosis and treatment. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/neuromyelitis-optica/diagnosis-treatment/drc-20375655

²Jornal da USP. Neuromielite óptica, doença ainda sem cura, pode levar à cegueira. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/neuromielite-optica-doenca-ainda-sem-cura-pode-levar-a-cegueira/

Em 2009, aos 29 anos, Janaina de Jesus viu sua rotina ser interrompida de forma abrupta, com a fraqueza em uma das pernas evoluindo rapidamente, sem explicação aparente. Primeiro, veio a dificuldade para caminhar. Depois, a perda de força. Em pouco tempo, já não conseguia mais se manter em pé. “Minhas pernas simplesmente pararam de responder. Eu tentava andar e não conseguia. Comecei a me arrastar dentro de casa, sem entender o que estava acontecendo”, relembra.

Vieram, então, as internações, os exames e muitas hipóteses que não se confirmavam. Apenas meses depois, o diagnóstico de neuromielite óptica (NMO) foi cravado, uma doença autoimune rara que atinge o sistema nervoso central.

Neuromielite óptica é uma condição autoimune que provoca inflamações e exige tratamento contínuo para reduzir surtos Foto: Getty Images

Por dentro da neuromielite óptica

A NMO provoca inflamações que atingem principalmente os nervos ópticos e a medula espinhal, comprometendo funções essenciais como visão, força muscular e sensibilidade. A doença ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, levando a episódios inflamatórios que podem causar perda de visão, fraqueza nos membros, dor e até paralisia.1

Na prática, o paciente vive sem saber quando ou como a doença vai se manifestar novamente. “Você nunca relaxa completamente. Qualquer sinal diferente no corpo já vira um alerta. Uma dor, um formigamento, uma alteração na visão. Tudo pode ser o começo de um novo surto”, explica a neurologista Juliana Khouri, da Oncoclínicas.

A NMO é uma doença inflamatória do sistema nervoso central que pode ter uma evolução bastante agressiva. Diferentemente de outras condições neurológicas, cada surto pode trazer um impacto importante e, muitas vezes, irreversível para o paciente.

Juliana Khouri, neurologista da Oncoclínicas

No Brasil, estima-se que entre 4 mil e 7 mil pessoas convivam com a condição2 — um número pequeno, mas suficiente para revelar os desafios de uma doença ainda pouco conhecida e sem cura. “O tratamento não elimina a doença, mas controla a atividade inflamatória. O objetivo é reduzir a frequência e a intensidade dos surtos, porque cada episódio pode gerar uma sequela permanente. Por isso, a adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo são fundamentais”, afirma Juliana.

Janaina passou por diferentes fases terapêuticas ao longo dos anos. No início, recebeu altas doses de corticoide, abordagem comum em fases agudas. O efeito colateral, porém, foi severo. “Tive necrose nas articulações por causa do corticoide e precisei colocar três próteses. Foi muito difícil, porque, além de lidar com a doença, tive que enfrentar uma cirurgia e uma nova limitação física.”

Com o avanço do tratamento, passou a usar imunobiológicos — terapias mais direcionadas, capazes de estabilizar o quadro.

Depois que comecei o tratamento certo, há 12 anos, a doença entrou em remissão. Eu consegui recuperar minha autonomia e retomar a rotina.

Janaina de Jesus, paciente de neuromielite óptica (NMO)

Vigilância constante

Mesmo nos períodos de estabilidade, a doença não desaparece. “A remissão não significa cura. O paciente continua convivendo com a possibilidade de novos episódios e precisa manter acompanhamento regular, com exames e avaliações periódicas”, explica Juliana.

Essa condição transforma a relação com o próprio corpo. Janaina conta que aprendeu a observar tudo. “Antes, uma dor era só uma dor. Hoje, qualquer coisa pode significar algo maior. É um estado de atenção constante.” Após mais de uma década estável, ela voltou a vivenciar um surto em 2024. “É como se o chão abrisse de novo. Pensei: ‘vai começar tudo outra vez?’. Dá medo, porque já sei até onde isso pode chegar.”

Mesmo com o quadro controlado, Janaina convive com dor crônica, limitações físicas e consequências tanto da doença quanto do tratamento. “Eu tenho limitações, mas consegui recuperar uma qualidade de vida muito grande. Quem me vê hoje não imagina tudo o que aconteceu.”

Cuidado multidisciplinar

Conviver com uma doença rara também exige navegar por um sistema de saúde nem sempre preparado. “O acompanhamento ideal inclui uma equipe multidisciplinar e acesso a especialistas que conheçam bem a doença. Nem sempre isso está disponível de forma uniforme”, diz Alexandre Bossoni, neurologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas.

Para o paciente, isso significa aprender a buscar e reconhecer o cuidado adequado. “É preciso encontrar os médicos certos, entender o tratamento, acompanhar exames. Não dá para ser passivo. Eu precisei aprender tudo isso ao longo do caminho”, diz Janaina. Ao longo dos anos, ela incorporou novos hábitos à rotina: atividade física, fisioterapia e acompanhamento psicológico.

Com o tempo, eu entendi que não é só o remédio. É um conjunto. Corpo, mente e espiritualidade precisam estar em equilíbrio para conseguir lidar com a doença.

Janaina de Jesus, paciente de neuromielite óptica (NMO)

Quase 20 anos depois dos primeiros sintomas, a paciente mantém acompanhamento contínuo. “Sem tratamento, provavelmente eu já teria morrido ou estaria em uma cadeira de rodas. Hoje eu tenho qualidade de vida, mas é rotina que exige cuidado constante”, conclui.

Nas doenças inflamatórias do sistema nervoso, o dano pode ser acumulativo, e isso impacta diretamente a funcionalidade e a autonomia do paciente ao longo do tempo. O manejo adequado envolve monitoramento frequente, ajustes de tratamento e, muitas vezes, uma abordagem multidisciplinar. Não é um cuidado pontual, é um cuidado para toda a vida

Alexandre Bossoni, neurologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas

Referências

¹Mayo Clinic. Neuromyelitis optica (Devic’s disease): diagnosis and treatment. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/neuromyelitis-optica/diagnosis-treatment/drc-20375655

²Jornal da USP. Neuromielite óptica, doença ainda sem cura, pode levar à cegueira. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/neuromielite-optica-doenca-ainda-sem-cura-pode-levar-a-cegueira/

Em 2009, aos 29 anos, Janaina de Jesus viu sua rotina ser interrompida de forma abrupta, com a fraqueza em uma das pernas evoluindo rapidamente, sem explicação aparente. Primeiro, veio a dificuldade para caminhar. Depois, a perda de força. Em pouco tempo, já não conseguia mais se manter em pé. “Minhas pernas simplesmente pararam de responder. Eu tentava andar e não conseguia. Comecei a me arrastar dentro de casa, sem entender o que estava acontecendo”, relembra.

Vieram, então, as internações, os exames e muitas hipóteses que não se confirmavam. Apenas meses depois, o diagnóstico de neuromielite óptica (NMO) foi cravado, uma doença autoimune rara que atinge o sistema nervoso central.

Neuromielite óptica é uma condição autoimune que provoca inflamações e exige tratamento contínuo para reduzir surtos Foto: Getty Images

Por dentro da neuromielite óptica

A NMO provoca inflamações que atingem principalmente os nervos ópticos e a medula espinhal, comprometendo funções essenciais como visão, força muscular e sensibilidade. A doença ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, levando a episódios inflamatórios que podem causar perda de visão, fraqueza nos membros, dor e até paralisia.1

Na prática, o paciente vive sem saber quando ou como a doença vai se manifestar novamente. “Você nunca relaxa completamente. Qualquer sinal diferente no corpo já vira um alerta. Uma dor, um formigamento, uma alteração na visão. Tudo pode ser o começo de um novo surto”, explica a neurologista Juliana Khouri, da Oncoclínicas.

A NMO é uma doença inflamatória do sistema nervoso central que pode ter uma evolução bastante agressiva. Diferentemente de outras condições neurológicas, cada surto pode trazer um impacto importante e, muitas vezes, irreversível para o paciente.

Juliana Khouri, neurologista da Oncoclínicas

No Brasil, estima-se que entre 4 mil e 7 mil pessoas convivam com a condição2 — um número pequeno, mas suficiente para revelar os desafios de uma doença ainda pouco conhecida e sem cura. “O tratamento não elimina a doença, mas controla a atividade inflamatória. O objetivo é reduzir a frequência e a intensidade dos surtos, porque cada episódio pode gerar uma sequela permanente. Por isso, a adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo são fundamentais”, afirma Juliana.

Janaina passou por diferentes fases terapêuticas ao longo dos anos. No início, recebeu altas doses de corticoide, abordagem comum em fases agudas. O efeito colateral, porém, foi severo. “Tive necrose nas articulações por causa do corticoide e precisei colocar três próteses. Foi muito difícil, porque, além de lidar com a doença, tive que enfrentar uma cirurgia e uma nova limitação física.”

Com o avanço do tratamento, passou a usar imunobiológicos — terapias mais direcionadas, capazes de estabilizar o quadro.

Depois que comecei o tratamento certo, há 12 anos, a doença entrou em remissão. Eu consegui recuperar minha autonomia e retomar a rotina.

Janaina de Jesus, paciente de neuromielite óptica (NMO)

Vigilância constante

Mesmo nos períodos de estabilidade, a doença não desaparece. “A remissão não significa cura. O paciente continua convivendo com a possibilidade de novos episódios e precisa manter acompanhamento regular, com exames e avaliações periódicas”, explica Juliana.

Essa condição transforma a relação com o próprio corpo. Janaina conta que aprendeu a observar tudo. “Antes, uma dor era só uma dor. Hoje, qualquer coisa pode significar algo maior. É um estado de atenção constante.” Após mais de uma década estável, ela voltou a vivenciar um surto em 2024. “É como se o chão abrisse de novo. Pensei: ‘vai começar tudo outra vez?’. Dá medo, porque já sei até onde isso pode chegar.”

Mesmo com o quadro controlado, Janaina convive com dor crônica, limitações físicas e consequências tanto da doença quanto do tratamento. “Eu tenho limitações, mas consegui recuperar uma qualidade de vida muito grande. Quem me vê hoje não imagina tudo o que aconteceu.”

Cuidado multidisciplinar

Conviver com uma doença rara também exige navegar por um sistema de saúde nem sempre preparado. “O acompanhamento ideal inclui uma equipe multidisciplinar e acesso a especialistas que conheçam bem a doença. Nem sempre isso está disponível de forma uniforme”, diz Alexandre Bossoni, neurologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas.

Para o paciente, isso significa aprender a buscar e reconhecer o cuidado adequado. “É preciso encontrar os médicos certos, entender o tratamento, acompanhar exames. Não dá para ser passivo. Eu precisei aprender tudo isso ao longo do caminho”, diz Janaina. Ao longo dos anos, ela incorporou novos hábitos à rotina: atividade física, fisioterapia e acompanhamento psicológico.

Com o tempo, eu entendi que não é só o remédio. É um conjunto. Corpo, mente e espiritualidade precisam estar em equilíbrio para conseguir lidar com a doença.

Janaina de Jesus, paciente de neuromielite óptica (NMO)

Quase 20 anos depois dos primeiros sintomas, a paciente mantém acompanhamento contínuo. “Sem tratamento, provavelmente eu já teria morrido ou estaria em uma cadeira de rodas. Hoje eu tenho qualidade de vida, mas é rotina que exige cuidado constante”, conclui.

Nas doenças inflamatórias do sistema nervoso, o dano pode ser acumulativo, e isso impacta diretamente a funcionalidade e a autonomia do paciente ao longo do tempo. O manejo adequado envolve monitoramento frequente, ajustes de tratamento e, muitas vezes, uma abordagem multidisciplinar. Não é um cuidado pontual, é um cuidado para toda a vida

Alexandre Bossoni, neurologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas

Referências

¹Mayo Clinic. Neuromyelitis optica (Devic’s disease): diagnosis and treatment. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/neuromyelitis-optica/diagnosis-treatment/drc-20375655

²Jornal da USP. Neuromielite óptica, doença ainda sem cura, pode levar à cegueira. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/neuromielite-optica-doenca-ainda-sem-cura-pode-levar-a-cegueira/

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