Barulho, lixo, jet-ski: ilha do Pará que recebeu Lula e Macron cria plano contra turismo predatório


Após 28 anos de criação de reserva ambiental, só agora documento prevê regras para diminuir impactos de empreendimentos no Combu, símbolo da bieconomia de Belém, sede da COP

Por Fabrício Queiroz

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Primeiro vídeo da série de 20 episódios explica como funciona uma COP e qual é o objetivo da reunião

BELÉM - Às margens do Rio Guamá, a Ilha do Combu é atualmente um dos principais pontos turísticos de Belém. Cercada de verde e a menos de 10 minutos da área urbana da capital, a ilha de 15,9 km² é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e vive um boom econômico com o surgimento de novas residências, restaurantes e pousadas.

O plano de gestão para essa área, porém, só foi aprovado em setembro, 28 anos após a criação da unidade de conservação. Entre as explicações do governo do Estado para a demora está a dificuldade de contratar serviços especializados para fazer esse trabalho (leia mais abaixo).

Embarcação no rio Guajará, a caminho da Ilha do Combu. Foto: Brarymi/Adobe Stock

A capital do Pará receberá, no mês que vem, a Cúpula de Líderes das Nações Unidas (COP-30). Chefes de Estado de todo o mundo se reunirão na cidade para debater questões climáticas. Entre os temas debatidos, estão a preservação de florestas, a bioeconomia e estratégias para frear as mudanças climáticas.

O plano de gestão ou de manejo, como este aprovado na Ilha do Combu, é um documento obrigatório que estabelece o zoneamento e orienta o uso sustentável dos recursos naturais em todas as unidades de conservação do País. O plano delimita que 74% (equivalente a 1.177 hectares) do território deve ser zona de uso moderado com média intervenção, sendo admitido uso direto dos recursos naturais, desde que não descaracterize a paisagem ou afeta as espécies nativas, dentre outros critérios.

Já os demais 26% (cerca de 416 hectares) são a chamada zona populacional, onde há residências, estabelecimentos comerciais, como restaurantes, e outras atividades produtivas, além de infraestruturas comunitárias e serviços.

A ilha funciona como destino de fim de semana e férias da população da região metropolitana, sobretudo em julho, quando a região vive o verão amazônico. Vivem no Combu 480 famílias, e empreendimentos locais trabalham com cacau e andiroba (espécie típica da Amazônia) cultivados na própria ilha, além da extração de açaí.

Sem as regras do plano de gestão, o que se viu no Combu foi o aumento acelerado dos problemas ambientais, como a poluição sonora, o maior despejo de lixo no rio, o tráfego intenso de lanchas e jet-skis, a redução da área de mata nativa e a visita de milhares de turistas nos fins de semana, superando em muito os cerca de 1,5 mil habitantes.

Segundo o estudo Nova Economia da Amazônia, do WRI Brasil, a bioeconomia gera um PIB de R$ 12 bilhões na Amazônia e poderia chegar a cerca de R$ 38,5 bilhões por ano até 2050, com investimentos adicionais.

Em março do ano passado, a comitiva do presidente francês Emmanuel Macron visitou a ilha, junto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os presidentes Lula (Brasil) e Macron (França) na Ilha do Combu. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Falta de saneamento básico

“Já nos mobilizamos há muito tempo para que saísse esse plano gestor. O plano está aprovado agora muito por conta da insistência de quem acredita que algo precisava ser feito”, afirma Prazeres Quaresma, moradora e proprietária de um dos mais antigos restaurantes de culinária regional da ilha.

Para ela, que já integrou o conselho gestor da APA, o plano será decisivo para que questões críticas da Ilha do Combu sejam solucionadas, como a falta de saneamento básico.

“Outro problema é que vários estabelecimentos estão surgindo na ilha e precisam adequar a destinação dos resíduos. Além disso, temos necessidade de educação ambiental para combater o excesso de poluição sonora”, diz Quaresma.

Principalmente nos fins de semana, é comum a circulação de visitantes com caixas de som que fazem festas à beira do rio.

Ilha do Combú, ao fundo, é uma Área de Proteção Ambiental (APA). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Zoneamento e fiscalização

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), responsável pela gestão e monitoramento das unidades de conservação estaduais, a demora para elaboração do plano gestor da unidade se deve a dificuldades enfrentadas com a contratação de serviços especializados, com duas licitações desertas e outra em que o primeiro produto não foi aprovado.

Diante do desafio, a equipe técnica do Ideflor-Bio passou por capacitação junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Com isso, o órgão do governo paraense pode assumir a tarefa, aplicando metodologia já utilizada em outras unidades de conservação.

Imagem aérea da Ilha do Combu, que fica a menos de 10 minutos da área urbana de Belém. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“O documento traz duas ferramentas fundamentais: o zoneamento, que define áreas de maior e menor intervenção, e os programas de gestão, como educação ambiental, pesquisa, proteção, manejo florestal comunitário e uso público”, afirma Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio.

“Isso permitirá ordenar melhor a ocupação da ilha, estabelecer regras claras para os empreendimentos — como a exigência de planos de controle de erosão e de gerenciamento de resíduos — e fomentar o turismo de base comunitária, em que os próprios moradores são protagonistas", continua.

A delimitação de áreas de maior sensibilidade ambiental, a obrigatoriedade de os empreendimentos apresentarem planos de controle de erosão e gerenciamento de resíduos e o estímulo a projetos de turismo de base comunitária são apontadas como medidas que devem contribuir para diminuir os impactos do turismo predatório, diz Meyer.

“Isso fortalece a economia local e promove geração de renda e empregos, sem abrir mão da conservação. A implementação do plano também orientará políticas públicas que podem ampliar o acesso a serviços básicos essenciais para os moradores da APA, de forma ordenada e sustentável.”

Barco a caminho da Ilha do Combu, no Pará. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Na avaliação de Flávia Lucas, professora da área de Ciências Naturais da Universidade do Estado do Pará (UEPA), o envolvimento de representantes das comunidades locais na elaboração do plano contribui para que a população se envolva na promoção das mudanças necessárias para a conservação da ilha.

“A partir do momento em que são criadas regras e fiscalização, há mudança de paradigma”, afirma a professora. “Só com comunidade, poder público, sociedade civil e a academia atuando de mãos dadas é que as mudanças vão ocorrer”, continua ela, que integra o conselho gestor da APA do Combu.

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BELÉM - Às margens do Rio Guamá, a Ilha do Combu é atualmente um dos principais pontos turísticos de Belém. Cercada de verde e a menos de 10 minutos da área urbana da capital, a ilha de 15,9 km² é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e vive um boom econômico com o surgimento de novas residências, restaurantes e pousadas.

O plano de gestão para essa área, porém, só foi aprovado em setembro, 28 anos após a criação da unidade de conservação. Entre as explicações do governo do Estado para a demora está a dificuldade de contratar serviços especializados para fazer esse trabalho (leia mais abaixo).

Embarcação no rio Guajará, a caminho da Ilha do Combu. Foto: Brarymi/Adobe Stock

A capital do Pará receberá, no mês que vem, a Cúpula de Líderes das Nações Unidas (COP-30). Chefes de Estado de todo o mundo se reunirão na cidade para debater questões climáticas. Entre os temas debatidos, estão a preservação de florestas, a bioeconomia e estratégias para frear as mudanças climáticas.

O plano de gestão ou de manejo, como este aprovado na Ilha do Combu, é um documento obrigatório que estabelece o zoneamento e orienta o uso sustentável dos recursos naturais em todas as unidades de conservação do País. O plano delimita que 74% (equivalente a 1.177 hectares) do território deve ser zona de uso moderado com média intervenção, sendo admitido uso direto dos recursos naturais, desde que não descaracterize a paisagem ou afeta as espécies nativas, dentre outros critérios.

Já os demais 26% (cerca de 416 hectares) são a chamada zona populacional, onde há residências, estabelecimentos comerciais, como restaurantes, e outras atividades produtivas, além de infraestruturas comunitárias e serviços.

A ilha funciona como destino de fim de semana e férias da população da região metropolitana, sobretudo em julho, quando a região vive o verão amazônico. Vivem no Combu 480 famílias, e empreendimentos locais trabalham com cacau e andiroba (espécie típica da Amazônia) cultivados na própria ilha, além da extração de açaí.

Sem as regras do plano de gestão, o que se viu no Combu foi o aumento acelerado dos problemas ambientais, como a poluição sonora, o maior despejo de lixo no rio, o tráfego intenso de lanchas e jet-skis, a redução da área de mata nativa e a visita de milhares de turistas nos fins de semana, superando em muito os cerca de 1,5 mil habitantes.

Segundo o estudo Nova Economia da Amazônia, do WRI Brasil, a bioeconomia gera um PIB de R$ 12 bilhões na Amazônia e poderia chegar a cerca de R$ 38,5 bilhões por ano até 2050, com investimentos adicionais.

Em março do ano passado, a comitiva do presidente francês Emmanuel Macron visitou a ilha, junto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os presidentes Lula (Brasil) e Macron (França) na Ilha do Combu. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Falta de saneamento básico

“Já nos mobilizamos há muito tempo para que saísse esse plano gestor. O plano está aprovado agora muito por conta da insistência de quem acredita que algo precisava ser feito”, afirma Prazeres Quaresma, moradora e proprietária de um dos mais antigos restaurantes de culinária regional da ilha.

Para ela, que já integrou o conselho gestor da APA, o plano será decisivo para que questões críticas da Ilha do Combu sejam solucionadas, como a falta de saneamento básico.

“Outro problema é que vários estabelecimentos estão surgindo na ilha e precisam adequar a destinação dos resíduos. Além disso, temos necessidade de educação ambiental para combater o excesso de poluição sonora”, diz Quaresma.

Principalmente nos fins de semana, é comum a circulação de visitantes com caixas de som que fazem festas à beira do rio.

Ilha do Combú, ao fundo, é uma Área de Proteção Ambiental (APA). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Zoneamento e fiscalização

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), responsável pela gestão e monitoramento das unidades de conservação estaduais, a demora para elaboração do plano gestor da unidade se deve a dificuldades enfrentadas com a contratação de serviços especializados, com duas licitações desertas e outra em que o primeiro produto não foi aprovado.

Diante do desafio, a equipe técnica do Ideflor-Bio passou por capacitação junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Com isso, o órgão do governo paraense pode assumir a tarefa, aplicando metodologia já utilizada em outras unidades de conservação.

Imagem aérea da Ilha do Combu, que fica a menos de 10 minutos da área urbana de Belém. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“O documento traz duas ferramentas fundamentais: o zoneamento, que define áreas de maior e menor intervenção, e os programas de gestão, como educação ambiental, pesquisa, proteção, manejo florestal comunitário e uso público”, afirma Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio.

“Isso permitirá ordenar melhor a ocupação da ilha, estabelecer regras claras para os empreendimentos — como a exigência de planos de controle de erosão e de gerenciamento de resíduos — e fomentar o turismo de base comunitária, em que os próprios moradores são protagonistas", continua.

A delimitação de áreas de maior sensibilidade ambiental, a obrigatoriedade de os empreendimentos apresentarem planos de controle de erosão e gerenciamento de resíduos e o estímulo a projetos de turismo de base comunitária são apontadas como medidas que devem contribuir para diminuir os impactos do turismo predatório, diz Meyer.

“Isso fortalece a economia local e promove geração de renda e empregos, sem abrir mão da conservação. A implementação do plano também orientará políticas públicas que podem ampliar o acesso a serviços básicos essenciais para os moradores da APA, de forma ordenada e sustentável.”

Barco a caminho da Ilha do Combu, no Pará. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Na avaliação de Flávia Lucas, professora da área de Ciências Naturais da Universidade do Estado do Pará (UEPA), o envolvimento de representantes das comunidades locais na elaboração do plano contribui para que a população se envolva na promoção das mudanças necessárias para a conservação da ilha.

“A partir do momento em que são criadas regras e fiscalização, há mudança de paradigma”, afirma a professora. “Só com comunidade, poder público, sociedade civil e a academia atuando de mãos dadas é que as mudanças vão ocorrer”, continua ela, que integra o conselho gestor da APA do Combu.

Seu navegador não suporta esse video.

Primeiro vídeo da série de 20 episódios explica como funciona uma COP e qual é o objetivo da reunião

BELÉM - Às margens do Rio Guamá, a Ilha do Combu é atualmente um dos principais pontos turísticos de Belém. Cercada de verde e a menos de 10 minutos da área urbana da capital, a ilha de 15,9 km² é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e vive um boom econômico com o surgimento de novas residências, restaurantes e pousadas.

O plano de gestão para essa área, porém, só foi aprovado em setembro, 28 anos após a criação da unidade de conservação. Entre as explicações do governo do Estado para a demora está a dificuldade de contratar serviços especializados para fazer esse trabalho (leia mais abaixo).

Embarcação no rio Guajará, a caminho da Ilha do Combu. Foto: Brarymi/Adobe Stock

A capital do Pará receberá, no mês que vem, a Cúpula de Líderes das Nações Unidas (COP-30). Chefes de Estado de todo o mundo se reunirão na cidade para debater questões climáticas. Entre os temas debatidos, estão a preservação de florestas, a bioeconomia e estratégias para frear as mudanças climáticas.

O plano de gestão ou de manejo, como este aprovado na Ilha do Combu, é um documento obrigatório que estabelece o zoneamento e orienta o uso sustentável dos recursos naturais em todas as unidades de conservação do País. O plano delimita que 74% (equivalente a 1.177 hectares) do território deve ser zona de uso moderado com média intervenção, sendo admitido uso direto dos recursos naturais, desde que não descaracterize a paisagem ou afeta as espécies nativas, dentre outros critérios.

Já os demais 26% (cerca de 416 hectares) são a chamada zona populacional, onde há residências, estabelecimentos comerciais, como restaurantes, e outras atividades produtivas, além de infraestruturas comunitárias e serviços.

A ilha funciona como destino de fim de semana e férias da população da região metropolitana, sobretudo em julho, quando a região vive o verão amazônico. Vivem no Combu 480 famílias, e empreendimentos locais trabalham com cacau e andiroba (espécie típica da Amazônia) cultivados na própria ilha, além da extração de açaí.

Sem as regras do plano de gestão, o que se viu no Combu foi o aumento acelerado dos problemas ambientais, como a poluição sonora, o maior despejo de lixo no rio, o tráfego intenso de lanchas e jet-skis, a redução da área de mata nativa e a visita de milhares de turistas nos fins de semana, superando em muito os cerca de 1,5 mil habitantes.

Segundo o estudo Nova Economia da Amazônia, do WRI Brasil, a bioeconomia gera um PIB de R$ 12 bilhões na Amazônia e poderia chegar a cerca de R$ 38,5 bilhões por ano até 2050, com investimentos adicionais.

Em março do ano passado, a comitiva do presidente francês Emmanuel Macron visitou a ilha, junto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os presidentes Lula (Brasil) e Macron (França) na Ilha do Combu. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Falta de saneamento básico

“Já nos mobilizamos há muito tempo para que saísse esse plano gestor. O plano está aprovado agora muito por conta da insistência de quem acredita que algo precisava ser feito”, afirma Prazeres Quaresma, moradora e proprietária de um dos mais antigos restaurantes de culinária regional da ilha.

Para ela, que já integrou o conselho gestor da APA, o plano será decisivo para que questões críticas da Ilha do Combu sejam solucionadas, como a falta de saneamento básico.

“Outro problema é que vários estabelecimentos estão surgindo na ilha e precisam adequar a destinação dos resíduos. Além disso, temos necessidade de educação ambiental para combater o excesso de poluição sonora”, diz Quaresma.

Principalmente nos fins de semana, é comum a circulação de visitantes com caixas de som que fazem festas à beira do rio.

Ilha do Combú, ao fundo, é uma Área de Proteção Ambiental (APA). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Zoneamento e fiscalização

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), responsável pela gestão e monitoramento das unidades de conservação estaduais, a demora para elaboração do plano gestor da unidade se deve a dificuldades enfrentadas com a contratação de serviços especializados, com duas licitações desertas e outra em que o primeiro produto não foi aprovado.

Diante do desafio, a equipe técnica do Ideflor-Bio passou por capacitação junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Com isso, o órgão do governo paraense pode assumir a tarefa, aplicando metodologia já utilizada em outras unidades de conservação.

Imagem aérea da Ilha do Combu, que fica a menos de 10 minutos da área urbana de Belém. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“O documento traz duas ferramentas fundamentais: o zoneamento, que define áreas de maior e menor intervenção, e os programas de gestão, como educação ambiental, pesquisa, proteção, manejo florestal comunitário e uso público”, afirma Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio.

“Isso permitirá ordenar melhor a ocupação da ilha, estabelecer regras claras para os empreendimentos — como a exigência de planos de controle de erosão e de gerenciamento de resíduos — e fomentar o turismo de base comunitária, em que os próprios moradores são protagonistas", continua.

A delimitação de áreas de maior sensibilidade ambiental, a obrigatoriedade de os empreendimentos apresentarem planos de controle de erosão e gerenciamento de resíduos e o estímulo a projetos de turismo de base comunitária são apontadas como medidas que devem contribuir para diminuir os impactos do turismo predatório, diz Meyer.

“Isso fortalece a economia local e promove geração de renda e empregos, sem abrir mão da conservação. A implementação do plano também orientará políticas públicas que podem ampliar o acesso a serviços básicos essenciais para os moradores da APA, de forma ordenada e sustentável.”

Barco a caminho da Ilha do Combu, no Pará. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Na avaliação de Flávia Lucas, professora da área de Ciências Naturais da Universidade do Estado do Pará (UEPA), o envolvimento de representantes das comunidades locais na elaboração do plano contribui para que a população se envolva na promoção das mudanças necessárias para a conservação da ilha.

“A partir do momento em que são criadas regras e fiscalização, há mudança de paradigma”, afirma a professora. “Só com comunidade, poder público, sociedade civil e a academia atuando de mãos dadas é que as mudanças vão ocorrer”, continua ela, que integra o conselho gestor da APA do Combu.

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