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Causa do fogo ainda é desconhecida e espaço da conferência foi evacuado
ENVIADAS ESPECIAIS A BELÉM E SÃO PAULO - Um incêndio atingiu parte das instalações da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), por volta das 14 horas desta quinta-feira, 20, em Belém. A organização da conferência orientou a saída da área às pressas, com correria e empurra-empurra.
O fogo foi controlado. Segundo o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), 21 pessoas receberam atendimento médico após o incêndio, sendo 19 por inalação de fumaça e duas por crise de ansiedade. Não houve registro de pessoas feridas com queimaduras.
Devido ao episódio, a área foi fechada e as negociações, adiadas. Às 20h40, o espaço foi reaberto após avaliação do Corpo de Bombeiros, mas os organizadores informaram que as tratativas só devem ser retomadas na sexta-feira, 21.
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Bombeiros e equipes de apoio correram contra o tempo para controlar as chamas e retirar participantes em segurança
Ainda não se sabe a origem do fogo, mas testemunhas apontam um curto-circuito como a causa do problema. Imagens iniciais mostram chamas atingindo estandes, assim como de pessoas utilizando extintores na tentativa de frear o incêndio. Em uma das imagens, o fogo atinge lonas e instalações da East African Community.
Ao Estadão, participantes reclamaram da ausência de alarme ou de mapa de saída de emergência. Labaredas de fumaça podiam ser vistas a distância, segundo relatos de moradores de Belém nas redes sociais.
A UNFCCC, braço de clima das Nações Unidas, disse que a zona azul — área de negociações da conferência — agora está sob o comando do governo brasileiro. O ministro do Turismo, Celso Sabino, diz que a estrutura seguiu padrões técnicos.
Na semana passada, a ONU já havia enviado uma carta para cobrar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por problemas de infraestrutura e segurança (leia mais abaixo).
“A gente não tinha um portão aberto para sair em caso de incêndio, teve de pular portão. As pessoas estavam pulando o portão pra se abrigar por conta própria, porque nem militares nem bombeiros nem ninguém tinha chave ou algo para abrir o portão”, diz Marcelo Rocha, diretor executivo do Instituto Ayika, que presenciou o início do incêndio. “As pessoas estavam desesperadas”, continua.
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“Faltou energia, a luz ficou piscando, alguns segundos depois da luz piscando, começou a subir uma fumaça. Vimos fogo e aí começamos a correr e avisar para as pessoas evacuarem”, descreve Rocha.
“Como é tudo tecido e o fogo, estava pegando nos fios junto dos tecidos. A grande preocupação foi que a galera saísse, porque o teto inteiro era tecido. Aconteceu muito rápido. Em cerca de dois minutos, o fogo estava pegando em quase dois pavilhões.”
Ele teve de pular portões da COP-30 junto com outras pessoas para deixar o local e criticou a falta de orientações para evacuar a área de risco. ONU já havia criticado infraestrutura
Segundo o ministro do Turismo, Celso Sabino, a perícia e as autoridades vão determinar se as negociações continuam nesta quinta ou serão retomadas somente na sexta-feira, 21. “A decisão é técnica”, disse.
À imprensa, ele ainda disse que o incêndio foi contido “em poucos minutos”. Segundo ele, o forro tem material antichamas e ele diz que a situação não impacta negativamente a imagem da COP. “A montagem foi feita dentro de todos os padrões de engenharia e segurança.”
Trabalhando como caixa desde o dia 3 na COP, Diely Cristina Silva conta que mal havia entrado na zona azul, área de negociações, quando a correria começou. “Era muita gente correndo ao mesmo tempo. Quase atropelaram a gente. Nessas horas passa tudo na nossa cabeça. Achei que pudesse ser um atirador.”
Quando viu que era incêndio, Diely conseguiu fugir para um corredor que estava mais vazio. Segundo ela, os bombeiros agiram rapidamente e retiraram as pessoas do local, ainda que houvesse resistência de alguns que tentavam permanecer para filmar.
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ONU já havia criticado infraestrutura
Na semana passada, a Organização das Nações Unidas (ONU) enviou uma carta ao governo brasileiro com duras críticas à segurança e infraestrutura da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30). A reclamação foi encaminhada após uma tentativa de invasão da área azul, onde ocorrem as negociações climáticas, por manifestantes de um movimento indígena.
Em uma carta de três páginas, o secretário da UNFCCC (braço de clima da ONU), Simon Stiell, também cita problemas como a falta de ar-condicionado e vazamentos de água em alguns locais da Zona Azul, área onde ocorrem as negociações.
“Durante episódios recentes de chuva forte, várias áreas do local sofreram inundação significativa. A água penetrou pelo teto e luminárias, criando não apenas interrupção, mas também potenciais riscos de segurança devido à exposição elétrica”, apontou a carta