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China diz estar 'muito preocupada' com independência de Kosovo

Para observadores, país teme que províncias separatistas sigam exemplo de Kosovo.

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Por Marina Wentzel

O governo da China afirmou que está "muito preocupado" com a declaração de independência unilateral feita por Kosovo no domingo. "A ação unilateral de Kosovo pode (...) levar a uma influência seriamente negativa sobre a paz e a estabilidade na região dos Bálcãs e na realização da construção de uma sociedade multiétnica em Kosovo, algo com que a China está profundamente preocupada a respeito" disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Liu Jianchao, nesta segunda-feira. Normalmente a China se mantém neutra quanto a questões internas de outros países, mas observadores acreditam que desta vez o país se manifestou porque também possui províncias com intenções separatistas e teme que elas se inspirem no exemplo de Kosovo. Além disso, no contexto do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a China está demonstrando ter uma posição aliada à Rússia, que também condenou a ação kosovar. A declaração chinesa se refere a problemas internos como as regiões autônomas de Xinjiang e Tibete e, principalmente, à ilha de Taiwan, que na pratica é independente, mas é considerada parte da China pelo governo chinês. Taiwan O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan reconheceu a independência de Kosovo em um comunicado à imprensa. "De maneira alguma a independência de uma nação pode ser negada por outra", diz o comunicado. A China rejeitou a manifestação de Taiwan. "Taiwan é parte da China e não tem o direito ou a qualificação para dar o assim chamado ´reconhecimento ´", disse Liu Jianchao. Taiwan fica na costa leste da China e serviu de abrigo para os nacionalistas que foram derrotados pelas tropas de Mao Tsé-Tung em 1949. A ilha funciona na prática como um país capitalista independente e até 1971 tinha assento na ONU. Mas desde a retomada das relações diplomáticas entre Pequim e o mundo ocidental, a China pressiona a comunidade internacional a apoiar "a política da China única", que inclui Taiwan sob seu poder. Xinjiang Xinjiang fica no noroeste da China, junto à fronteira com o Quirguistão, e tem uma população muçulmana de etnia turca Uighur. Nos anos 40 a região fez um pedido de independência e desde o começo da década de 90 casos de violência separatista ocorrem esporadicamente na capital, Urumqi. Os dissidentes Uighur são considerados "terroristas" pelo governo chinês por terem contato com o Movimento Islâmico do Turcomenistão do Leste (ETIM, na sigla em inglês), grupo que a ONU reconhece como terrorista. A China insiste que o ETIM tem ligações com a Al-Qaeda, mas críticos dizem que Pequim usa a "Guerra ao Terror" liderada pelos Estados Unidos como uma desculpa para suprimir a minoria descontente. Tibete No caso do Tibete - que se localiza no sudoeste, próximo à fronteira com Nepal, Butão e Índia -, a razão separatista é a lealdade do povo ao Dalai Lama, líder da religião budista. O Tibete era um Estado religioso independente até o final da década de 50, quando as forças de Mao Tsé-Tung invadiram e anexaram a região à China. O então líder local, o jovem Dalai Lama, teve de fugir para a Índia e até hoje vive no exílio, de onde luta pelo reconhecimento da independência do território. A população tem simpatia pelo Dalai Lama, mas é difícil precisar o tamanho e a seriedade do movimento separatista, pois mobilizações populares não são reportadas pela imprensa e o governo censura sites que façam menção a um Tibete independente. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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