Como era o esconderijo de Doca, líder do CV alvo de operação no Rio; veja imagens

‘Toca do Urso’ fica em uma região chamada de ‘Cabaré’ no complexo de favelas da Penha; suspeito continua foragido. Defesa não foi localizada

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Por Arthur Guimarães
Atualização:

BMW e Gardenal: saiba quem são os líderes do Comando Vermelho alvos de megaoperação no Rio

Suspeitos são acusados de comandar tráfico, matar rivais e comprar armas, segundo o Ministério Público. Crédito: TV Estadão

Principal líder do Comando Vermelho no complexo de favelas da Penha, na zona norte do Rio, Edgar Alves de Andrade, vulgo “Doca”, se escondia em uma casa conhecida como “Toca do Urso”, em uma região chamada de “Cabaré”.

Investigadores chegaram a descobrir a localização exata do esconderijo de Doca, mas não conseguiram prendê-lo durante a megaoperação deflagrada na terça-feira, 28, que terminou com 121 mortos, incluindo quatro policiais.

Casa de Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca, também era utilizada para guarda de drogas, armas e contabilidade do Comando Vermelho. Foto: Reprodução

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A partir de aparelhos celulares apreendidos por autoridades do Rio, investigadores fizeram a análise de conversas, áudios e fotos e indicaram que uma das residências de Doca ficava em uma área de difícil acesso do Complexo da Penha, ininterruptamente monitorada por traficantes fortemente armados que realizavam a segurança no portão de acesso e também nos arredores do imóvel.

O local era utilizado ainda para armazenamento de entorpecentes, armas e contabilidade da facção criminosa. A defesa dos citados não foi localizada.

Entorno da casa de Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca, era vigiado 24 horas por dias por seguranças do Comando Vermelho. Foto: Reprodução

Fotos anexadas ao inquérito ao qual o Estadão teve acesso mostram algumas vias e construções no entorno da casa do suspeito, assim como o portão de acesso e o posicionamento de seus seguranças, que se revezariam em escala de plantão. Também foram obtidas imagens da parte de fora do imóvel.

Imagens mostram vias e construções no entorno da casa de Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca. Foto: Reprodução

Ainda de acordo com o inquérito, registros aéreos de uma árvore no quintal, entre dois telhados de alumínio, confirmariam a localização do imóvel por coincidir com imagens feitas da porta da casa.

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Em uma das conversas interceptadas, um dos auxiliares de Doca enviou uma mensagem em um grupo de WhatsApp avisando aos demais integrantes que ninguém poderia entrar armado no local e que dois seguranças seriam responsáveis pela vigia na porta.

As investigações também revelam que os traficantes têm usado drones - incluindo equipamentos térmicos e com visão noturna - para monitoramento das favelas.

As trocas de mensagens rastreadas pelas autoridades também mostram rotina de abusos e desmandos, em um ambiente de acesso restrito do Estado. Lá, vigora uma justiça paralela, com execuções e tortura de desafetos, julgados e sentenciados pelos próprios criminosos, e até tortura de moradores.

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De acordo com denúncia do Ministério Público do Rio, Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca, tem sua residência fortemente vigiada por seguranças armados de fuzis e até cachorros. Foto: Reprodução

Quem é Doca?

Doca nasceu na Paraíba e foi criado na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio. Ele já esteve escondido no Morro do São Simão, em Queimados, na Baixada Fluminense.

Conforme o Ministério Público do Rio de Janeiro, Doca é a principal liderança do Comando Vermelho no Complexo da Penha e em outras comunidades da zona oeste do Rio, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento.

Doca, um dos líderes do CV, está sendo procurado pela polícia Foto: Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou Doca e mais 66 pessoas pelo crime de associação para o tráfico.

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Ele é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores. Havia 34 mandados de prisão em aberto contra o traficante, de acordo com dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).

Doca é apontado como o mandante da execução de três médicos na zona sudoeste do Rio em outubro de 2023. As vítimas foram mortas por engano porque um deles foi confundido com o verdadeiro alvo dos criminosos.

Em maio, o Ministério Público do Rio denunciou Doca e outros dois suspeitos pelo ataque a uma delegacia em Duque de Caxias. Segundo as investigações, o criminoso teria ordenado a invasão à unidade, no dia 15 de fevereiro de 2025. Eles respondem por tentativa de homicídio qualificado, dano qualificado, tortura e associação para o tráfico.

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Os criminosos tentavam resgatar Rodolfo Manhães Viana, o Rato, preso horas antes da invasão por tráfico e associação para o tráfico, na Comunidade Vai Quem Quer. Armados com fuzis e granadas, os criminosos invadiram a delegacia, feriram dois agentes e torturaram um deles em busca de informações sobre o paradeiro de Rato, que já havia sido transferido para a Polinter, na Cidade da Polícia.

Prints de conversas exibidas na denúncia feita pelo MP indicam a liderança de Doca e do comparsa Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala. Em uma mensagem, o recado é claro: “ninguém dá tiro sem ordem do Doca ou do Bala.”

Para os promotores, ambos dão ordens diretas “sobre a dinâmica do tráfico de drogas no Complexo da Penha e comunidades adjacentes, inclusive sobre venda e guarda de drogas, armas de fogo de grosso calibre e contabilidade da facção criminosa.”

O Disque Denúncia do Rio de Janeiro oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem a polícia até Doca. Segundo o serviço, trata-se da maior recompensa da história do Disque Denúncia, ao lado dos mesmos R$ 100 mil, sem considerar a inflação, oferecidos por informações que levassem a Fernandinho Beira-Mar, em 2000.

O telefone do Disque Denúncia é (21) 2253-1177. O anonimato é garantido. Outra forma de denunciar é pelo WhatsApp anonimizado, no mesmo número.