Países pró-caça à baleia perdem 1ª votação

Ambientalistas acusam o Japão de comprar votos com ajuda econômica - alegação que Tóquio nega

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Por Agencia Estado
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Os países que defendem a retomada da caça à baleia, interrompida por um acordo mundial firmado há 20 anos, perderam a primeira importante votação na reunião deste ano da Comissão Internacional de Caça à Baleia (CIB), um sinal de que o grupo pró-caça pode não estar tão forte quanto os defensores da preservação das baleias temiam. Na votação, o Japão buscava retirar do programa da reunião uma proposta para que a comissão tratasse também da questão dos golfinhos, botos e pequenas baleias, que não são, atualmente, cobertos pela instituição. Os japoneses perderam por 32 votos a 30. A CIB é composta por 70 países. Um importante voto contrário veio de Belize, nação da América Central que recebeu ajuda financeira do Japão e, temia-se, votaria a favor das propostas do país asiático. Depois da votação, Joji Morishita, líder da delegação japonesa, disse que seu país não está "obcecado" em fazer uma maioria na CIB. "Só queremos garantir que poderemos levar os países a aceitar o fato de que poderemos, em algum momento, adotar uma caça comercial sustentável das baleias". Espera-se que o Japão e outras nações pró-caça formem uma maioria na CIB pela primeira vez desde que a caça comercial foi proibida, em 1986. Os países pró-caça precisam de uma maioria de 75% na comissão para derrubar a proibição, mas uma maioria simples permitira que o grupo japonês passasse a definir o programa de discussões do organismo, e influenciasse as decisões futuras. Ativistas contrários à caça disseram que a votação que manteve a questão dos golfinhos e botos no programa mostra que os países da comissão são sensíveis à opinião pública mundial, que é francamente contra a liberação da caça. A criação de uma maioria pró-caça, se ocorrer, virá após anos de lobby do Japão para convencer países em desenvolvimento a aderir à CIB. Ambientalistas acusam o Japão de comprar votos com ajuda econômica - alegação que Tóquio nega. A comissão deverá votar, ainda nesta sexta-feira, sobre a adoção do voto secreto em suas resoluções. O Japão diz que o voto secreto é necessário para proteger os países pequenos de "assédio", caso votem a favor da caça.