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'Ganhar o Nobel não é um jogo de pôquer', diz Svetlana Aleksiévitch em São Paulo

Escritora bielorrussa citou Fiodor Dostoiévski como sua principal influência literária em um evento na capital paulista

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A jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch participou nesta terça-feira, 5, de um encontro com leitores em São Paulo, no Sesc Consolação, e comentou suas influências literárias e o recebimento do Prêmio Nobel de Literatura em 2015. "Não conheço nenhum escritor que ficou tão assustado com a profundidade do pensamento humano como Dostoievski", afirmou, citando o russo como seu principal estandarte.

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Consagrada pelos seus livros que resgatam a história do comunismo na região da ex-União Soviética, ela disse acreditar que a relação da humanidade com o passado é complicada de maneira geral. "Não só os indivíduos, mas os povos não gostam de lembrar", afirmou. 

"Escrevi uma enciclopédia da utopia", comentou, sobre sua obra sobrecomunismo russo. "Eu queria mostrar o que nós passamos e como podemos prevenir as outras pessoas." Questionada pela mediadora, a jornalista Patricia Campos Mello, sobre como fazia para colocar seus entrevistados para falar de maneira confortável, ela devolveu: "mas quem tem conforto é quem lê ou quem conta?".

Patricia Campos Mello e SvetlanaAleksiévitch no Sesc Consolação, nesta terça-feira, 5 Foto: Reprodução/Sesc

Ela disse acreditar que a literatura deve buscar novos gêneros - o seu é um misto de depoimento, edição e seleção com uma quase ausência de narrador. "As testemunhas importantes da História não são as testemunhas políticas, etc, a pessoa comum acredita em vozes comuns", comentou.

Svetlana também reafirmou que já escreveu tudo o que podia sobre a guerra, e que agora se volta para outros temas: o amor, mas também a velhice. "É um problema: a civilização nos deu 20 anos a mais, mas achamos que a velhice já não é vida. É um resto, que não sabemos o que fazer com ele", apontou.

Questionada sobre suas impressões sobre o Brasil - ela está aqui há alguns dias, participando da Flip e de eventos no Rio e em SP - Svetlana disse que era pouco tempo, mas foi simpática: "é um país muito bonito e as pessoas parecem benevolentes".

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