A verdade sobre as privatizações

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Os brasileiros irão hoje às urnas ignorando o que os dois candidatos pretendem fazer com o País depois de 1.º de janeiro. Em vez de explicitar seus programas de governo, Dilma Rousseff e José Serra usaram os quatro meses de campanha para desfilar promessas irreais, ódio, oportunismo e muita enganação. Orientada pela tendência das pesquisas (que erraram feio no 1.º turno) e comandada por marqueteiros em caça desenfreada de votos, a campanha perdeu conteúdo e transformou os candidatos em mercadorias baratas. A verdade sumiu, prevaleceu a mentira. Daí a cometerem equívocos históricos com reflexos no futuro foi um passo curto e rápido.O mais grave equívoco - porque dominou a cena de guerra, debates e programas televisivos - foi satanizar a privatização de empresas estatais. Grave, primeiro, pelo oportunismo de explorar a ingenuidade da grande maioria da população, que desconhece os efeitos benéficos da privatização, é enganada e tratada com desrespeito e como presa fácil de frases apelativas e de efeito vazio, como "defender a soberania nacional". Segundo, porque tanto Dilma como Serra sabem que os limites de recursos do Estado para investir os obrigarão a buscar capital no setor privado para tocar o desenvolvimento do País. Não será satanizando a privatização que o conseguirão.Por trás da "soberania nacional" e do "não entregar nossa riqueza a estrangeiros", a campanha de Dilma de ataques à privatização esconde sua real intenção de preservar espaço nas estatais para partidos políticos, cargos para aliados, negociatas com empreiteiras em troca de financiamento de campanha, enfim, uma gestão voltada para a obtenção de vantagens políticas com as estatais, não para torná-las eficientes e lucrativas para seus 190 milhões de acionistas. Atos corruptos viraram banalidade no governo Lula. Exemplos? O da Infraero é o maior (o dinheiro sumiu e os aeroportos não foram construídos), mas há ainda os da Eletrobrás e suas subsidiárias e as denúncias do TCU de práticas de superfaturamento em obras da Petrobrás.Ao contrário do que os candidatos apregoam, a desestatização foi um bom negócio para o País: gerou riqueza, empregos, desenvolvimento e rendeu dinheiro para os brasileiros. Quer ver?No caso da Vale: Antes da privatização, em 1997, a Vale era a 20.ª maior produtora de minério de ferro do mundo. Hoje é líder global nesse segmento, a segunda maior mineradora do mundo e a maior empresa privada da América Latina; seus 11 mil empregados do período estatal saltaram para 112 mil (próprios e terceirizados), dos quais 90 mil no País; em 54 anos como estatal a Vale investiu US$ 26,47 bilhões. Em 11 anos como privada, até 2009, US$ 73,5 bilhões, com programação de investir mais US$ 12,9 bilhões em 2010; seu lucro líquido somou US$ 10,57 bilhões em 54 anos nas mãos do Estado e US$ 55,39 bilhões, privada, até 2009. E, de julho a setembro de 2010, disparou para US$ 3,890 bilhões, mais de um terço do que obteve em 54 anos; e, entre impostos, dividendos e royalties, a Vale privada pagou à União US$ 13 bilhões, mais 659% do que em 54 anos estatal.No caso da Telebrás o benefício é até mais expressivo porque atingiu diretamente a população de baixa renda, que em tempos de estatal não ousava sonhar ter um telefone. Alguns números: Antes da privatização havia 14 telefones por grupo de 100 habitantes. Essa média saltou para 124, hoje; em 25 anos como estatal a Telebrás investiu R$ 60 bilhões. Em 11 anos privada, R$ 180 bilhões; antes da privatização a Telebrás cobrava US$ 1 mil por linha telefônica, o usuário pagava e esperava dois anos pela instalação. Hoje, consegue o telefone em uma semana e preço zero pela linha; no mercado negro a instalação do telefone era mais rápida, mas a linha custava até US$ 10 mil. Hoje não há mercado negro; e, em 1998, quando a Telebrás foi privatizada, o País tinha 24,5 milhões de telefones. Hoje tem 224 milhões.Essa é a verdade que os candidatos não contam.JORNALISTA, É PROFESSORA DA PUC-RIO E-MAIL: SUCALDAS@TERRA.COM.BR

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